UM BOM EXEMPLO A SER SEGUIDO.

UM BOM EXEMPLO A SER SEGUIDO
As obras de revitalização de parte do centro de Manaus, capital do Estado do Amazonas, começaram  em novembro de 2015. Antes de seu início a Prefeitura  se reuniu com os empresários e moradores da região sob influencia das obras e traçou estratégias para a execução dos serviços.
O objetivo é recuperar o pavimento original das vias através da remoção do pavimento asfáltico até o nível dos paralelepípedos originais, bem como sua drenagem.
De acordo com o prefeito a Avenida Eduardo Ribeiro ganhará de volta seus aspectos originais, do século XIX. “O Centro é a raiz do turismo, é a raiz da cultura e a raiz da nossa história. Manaus estava se desapegando do seu Centro Histórico e de suas raízes, por isso estamos trabalhando em sua revitalização. Essa é uma obra de grande significado para nós. É importante para quem preza todas as raízes que estão naquele Centro”.
Aprovado pelo IPHAN o projeto apresenta soluções alternativas para o transito da região, o que irá reduzir eventuais impactos junto aos moradores e frequentadores da área central da capital manauara. Entre as soluções propostas esta a implantação de tapumes para delimitar o perímetro das obras de sarjeta a sarjeta, de modo a não comprometer as calçadas.
Assim, a recuperação das calçadas será feita após o fechamento das atividades comerciais, deixando os trechos de calçada que estiverem com obra em andamento para ser atacado durante o dia protegidos por pranchões de madeira, de modo a deixar o  fluxo de pedestres liberado.
Alguns detalhes do projeto obtidos no site da prefeitura Municipal de Manaus:

  • O projeto de requalificação da Avenida Eduardo Ribeiro envolve sondagens e prospecções em toda sua extensão para o resgate das pedras de lioz e os paralelepípedos que revestiam a via de rolamento.
  • As prospecções nas calçadas serão em até dez centímetros de profundidade, resgatando, também, o meio-fio de pedra de lioz.
  • Onde não for encontrado o pavimento original, um trabalho com bloco de concreto pigmentado será executado.
  • Aproximadamente 8% das calçadas da avenida possui revestimento aparente de pedra de lioz. Por essa estimativa, o projeto reutiliza essas pedras em uma nova paginação, tipo mosaico, onde se assentam pedras inteiras em posições diferentes, ao longo de toda a avenida Eduardo Ribeiro.
  • As superfícies da calçada que não apresentarem revestimento em pedra lioz serão complementadas por pedra de quartzito, com vocação para ambientação à  moda antiga, sem uso de grafismo ou cunho moderno.
  • Com relação aos trilhos do antigo bonde, será feito um grande esforço para que sejam resgatados e colocados de forma aparente na superfície da caixa viária, sem interferir na mobilidade.
  • Serão implantados canteiros com árvores em ambos os lados na faixa da calçada com gradil de proteção em ferro.
  • Próximo às esquinas, serão adaptadas rampas e faixas para acessibilidade dos pedestres.
  • Quanto ao mobiliário, os balizadores serão de formato esférico em concreto aparente e, colocados nas esquinas de todos os cruzamentos.
  • A iluminação dessas esquinas será feita com a implantação de postes do tipo Cajado de São José nas calçadas, a 50 centímetros do meio-fio.
  • As calçadas também receberão em toda a sua extensão iluminação decorativa.

Como diz o título, é um bom exemplo a ser seguido, pois Cuiabá precisa recuperar suas características, a começar por trazer de volta o pavimento em paralelepípedo que entre outros benefícios gera segurança, na medida em que induz os veículos a trafegarem em velocidade adequada ao transito, além de contribuir decididamente para minimizar os efeitos de aumento da temperatura que o asfaltamento das ruas e avenidas da cidade trouxe desde que este procedimento passou a ser utilizado.

Marcelo Augusto Portocarrero – 30/nov/2015

A ORDEM DOS FATORES

Na aritmética a ordem dos fatores não altera o produto.

Em que pesem as discussões filosóficas sobre o axioma, a verdade é que em políticas públicas ele nem sempre é aplicado.

A essa “necessária ordem dos fatores” o governo pouco tem dado importância nos últimos anos, daí vivermos hoje o resultado dos erros insistentemente repetidos em relação a essa questão.

É fácil perceber que erraram ao promover incentivos ao consumo sem que estivéssemos preparados para produzir o que almejavam fosse consumido.

Não havendo preocupação concretas com a ordem dos fatores, de nada adiantou tentar exercitar o axioma. Quem disse que a ordem dos fatores não altera o produto certamente não estava falando em políticas públicas. No nosso caso tupiniquim foi como tentar fazer com que a flecha lançasse o arco.

O incentivo ao consumo interno deveria ser precedido ou ao menos acontecer concomitantemente ao incentivo à produção interna, a investimentos em infraestrutura e em programas de processamento das nossas commodities antes de exportá-las in natura, posto que tivemos a oportunidade e pouco fizemos neste sentido. Tivéssemos agido assim, teríamos agregado valor aos nosso produtos e gerado emprego nos processos produtivos e industriais, reduzindo proporcionalmente o risco de desabastecimento, desemprego, inflação e etc. Isto tudo, sem falar nas possibilidade de gerar divisas para investimentos nos setores prioritários, mas sempre deficitários da saúde, educação e segurança.

As cadeias produtivas deveriam ter sido incentivadas através de parcerias internas e externas, onde as nossas carências seriam minimizadas através de importação de tecnologias, equipamentos e conhecimentos de países desenvolvidos e em desenvolvimento como nós, mas infelizmente não foi isso o que aconteceu.

Com uma economia momentaneamente superavitária devido ao “boom” das commodities graças ao aumento do consumo em economias  emergentes (caso da China) o mundo se mostrava pronto para nós.

Parecia até que o país estava definitivamente resolvido, tanto que o governo  sentindo-se como uma potência econômica em ascensão, iniciou junto a economias tão ou mais deficitárias que a nossa uma política externa paternalista  ao mesmo tempo em que nos afastava das fortes economias que tradicionalmente tínhamos como parceiras.

Resumindo, entre outras coisas o que vimos foi a deterioração da indústria nacional devido a falta de políticas públicas voltadas a capacitá-la para atender a demanda interna gerada. Só assim teríamos feito frente à invasão de produtos importados para saciar o exacerbado consumo interno daqueles tempos.

Marcelo Augusto Portocarrero – Engenheiro Civil (UFMT)

DEU NO QUE DEU – O Jardim virou Praça.

pcaalencastro-0[1]Praça Alencastro – vista da Prefeitura

Agora, toda vez que passo pela Praça Alencastro me lembro do livro Tempos Idos Tempos Vividos de autoria de meu saudoso mestre e sogro, Coronel Octayde Jorge da Silva.

Relendo suas crônicas, encontrei várias referências à Praça Alencastro, rememorei que aquela praça fora antigamente um majestoso jardim antes das transformações por que passou, tanto que era conhecida pelos mais antigos como Jardim Alencastro.

Na verdade, aquele espaço começou a ser desfigurado anos atrás o que aos poucos o transformou em praça. Desde então, o “Jardim Alencastro” nunca mais foi o mesmo.

Eu o conheci no início da década de sessenta, antes de ser reformado para receber o chafariz das águas iluminadas. Daquela vez acabou por perder seu bucólico encanto, juntamente com o coreto, transladado que foi para a Praça Ipiranga.

Para completar, boa parte de suas árvores e plantas foram substituídas por outras, sem o mesmo viço e formosura, como diria o Coronel Octayde. Entretanto, creio que o que mais faz falta aos cuiabanos (escrevo isto porque a mim faz) são os bancos. Como sinto falta daqueles bancos, tão harmoniosamente distribuídos em seu entorno e nos caminhos que permeavam por seu interior. Alguns tinham até personalidade própria, vez que recebiam gravuras com propagandas e, em certos casos, os nomes das famílias doadoras. Com formato anatômico e aconchegante estavam quase que permanentemente ocupados por grupos de pessoas que neles se sentavam para passar as horas em bate-papos sem fim, Isto sem falar dos casais de namorados se aninhando em cochichos amorosos.

Eram assentos democráticos onde se tratava de tudo, mas principalmente de política, já que fazia vezes de jardim do Palácio Alencastro, sede do governo estadual e que lhe emprestava o nome. Aqueles bancos também emprestavam à praça ares de antessala das inesquecíveis calçadas cuiabanas, tal como era o costume nos fins de tarde da Cuiabá de antigamente, a Cuiabá dos tempos da antiga Praça Alencastro.

Isso sem falar das deliciosas horas de alegria e confraternização de todos que a frequentavam nas noites de domingo logo após a missa na Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá, quando íamos passear em suas inesquecíveis calçadas antes de ir para casa ou tomar outro rumo nas deliciosas noites cuiabanas daqueles tempos.

Assim como seus bancos as cadeiras nas calçadas tomaram sumiço, neste caso devido à insegurança dos tempos modernos. Vai colocar cadeira pra sentar na calçada hoje em dia pra ver o que acontece!

Pois é! Deu no que deu. Estas e outras “cousas”, como também diria o Coronel, de há muito tempo passaram a ser só saudades.

Marcelo Augusto Portocarrero – nov/2015

É POESIA

É POESIA

Falar de amor é poesia,
Escrever sobre paixão também é.
É dar vazão a nostalgia,
Em Deus crer, Nele ter fé.

Sonhei caminhar sobre as nuvens,
Parecia coisa sem explicação.
Sonhar é como escrever poesia,
Basta lembrar do amor, ter emoção.

Pra escrever um belo verso é só ouvir o coração.
É ter saudade mesmo estando junto,
Sentir amor, viver paixão.

Quem a isto dá alento sente na alma certa agonia.
Se souber traduzir este sentimento,
Logo transforma o verso em poesia.

Marcelo Augusto Portocarrero em 05/11/2015