PENSE NISSO

 O desenvolvimento humano se baseia no conhecimento empírico acumulado desde o passado, sendo o progresso fruto de sua aplicação.

Progredir através de outros caminhos é permear em terreno por demais desconhecido, o que pode trazer consequências inesperadas como os retrocessos causados pelos percalços que acontecem entre acertos e eventuais erros, ainda mais se o objetivo for a sobrevivência da humanidade.

A Inteligência Artificial (IA) pode ser entendida como a aplicação do conhecimento empírico de forma acelerada, algorítmica, na busca de antecipar o presente de modo a programar um futuro desejado o que, por enquanto, é impossível para nossos “rudimentares cérebros humanos”. 

Entretanto, como citado anteriormente, um erro pode vir a ser fatal caso os dados que alimentarem uma onipresente IA forem manipulados com objetivos propositalmente obscuros.

O maior risco está na hipótese de a onipresente IA, em sendo onipotente, passar a decidir o que é certo e o que está errado. Afinal, toda informação existente no mundo estará disponível, seja em nuvens ou outras formas de armazenamento.

A constante e desregulada utilização da INTELIGÊNCIA NATURAL para o desenvolvimento de OUTRA INTELIGÊNCIA pode ter consequências inimagináveis, caso esta evolua em direção a uma RAZÃO ARTIFICIAL. 

As utilidades da IA para o bem são reconhecidamente amplas, até inimagináveis, mas isso não deveria nos levar a temer por outros usos, esses potencialmente voltados para o mal?

Quem irá controla-la se seu raciocínio, caso próprio, será unicamente lógico e, em assim sendo, sujeito a uma possível (será?) desinteração com a INTELIGÊNCIA NATURAL, aquela, a HUMANA, sua criadora? 

Há motivos para acreditar que isso  possa acontecer, porque as tecnologias voltadas a seu desenvolvimento estão cada vez mais sofisticadas, o que permitiria que hackers e pessoas de má fé a utilizem para desenvolver sistemas ainda mais beligerantes dos que aí estão a colocar tudo e todos em risco através de ataques cibernéticos e outras situações de vulnerabilidade.

Não seria o caso da criatura vir a dominar o criador por ser mais “INTELIGENTE”?

E  quanto aos sentimentos? Onde ficam eles nesse cérebro artificial que pode ter seu  conhecimento constantemente alimentado com informações de todo mundo através do que é postado em telefones, computadores e etc.

Incapaz de aprender a sentir nunca saberá o que é amar, respeitar ou mesmo odiar, situação que, convenhamos, não têm espaço nas propostas atuais para seu desenvolvimento. A princípio saberá apenas obedecer o que lhe for passado, o que nos leva à seguinte consideração:

Para administrar o que decidirem seja feito – como no caso do controle populacional – , que instrumentos utilizaria? Através da paz e do amor (redução da natalidade) ou de um outro vírus (arma biológica), tão amoral quanto devastador, à semelhança daquele outro, o SARS-CoV-2, que recentemente quase nos dizimou.

Isso sem contar sua utilização em armas políticas através de campanha tidas como sociais, mas que visam, entre outros objetivos, desestabilizar vínculos afetivos e familiares.

Em razão disso, atualmente é comum pessoas abrirem mão de parte de sua origem genealógica – aquela que no momento esteja socialmente desvalorizada – para se beneficiar da outra, devido as politicas compensatórias propostas pela pedagogia do oprimido, ou seja, suas características físicas e sociais.

A Arte de Saber Admirar

Algumas pessoas têm essa capacidade única de serem diretas e objetivas. São tão marcantes que dizem tudo num ritmo que nos prende a atenção. O que fazem — seja escrever, cantar ou tocar — transborda uma autenticidade que encanta de imediato.

Escrevi esta frase no intuito de elogiar uma pessoa que acabara de ser agraciada com a imortalidade ao ser empossada membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Trata-se de uma honraria para poucos, a se considerar a enorme responsabilidade que é ocupar lugar tão ímpar — situação praticamente inimaginável para a maioria das pessoas que, cada vez mais, confundem o efêmero com o eterno. Isso ocorre, sobretudo pela pouca informação sobre o sentido da imortalidade acadêmica: a transferência do “eu” biológico para o “eu” intelectual.

Ocupar uma cadeira acadêmica vai além do reconhecimento de uma trajetória; é o compromisso de manter viva a chama de uma cultura que resiste ao tempo. Ser imortal, nesse contexto, é entender que a técnica deve estar a serviço de uma verdade maior. É essa verdade que permite ao autor, ao músico ou ao orador tocar o intangível, transformando o ofício cotidiano em um legado que não se apaga.

Essa transição do biológico para o intelectual exige uma entrega absoluta à própria essência. Não há magnetismo sem verdade, assim como não há imortalidade sem coerência. Quando a pessoa que admiramos alinha o que sente ao que expressa, ela deixa de ser apenas uma figura pública para se tornar um farol, guiando a todos através da névoa de superficialidade que tantas vezes caracteriza a nossa era.

Assim, seja escrevendo um livro, tocando um instrumento ou cantando uma canção, a autenticidade cria um magnetismo que prende a atenção. Não se trata apenas da técnica; é muito mais que isso. É uma coerência tão profunda que o sentimento se manifesta; tornando a harmonia e o encantamento inevitáveis.

Em nada nos diminuímos quando admiramos os outros; pelo contrário, é pelo olhar e pelo ouvido que nos educamos.  Afinal, nada explica melhor a sensação de bem-estar do que ser motivado pelo conjunto desses sentidos. Como insinuado anteriormente, é pela canção, que em si concentra o vigor de uma bela voz, uma boa letra e o som de um instrumento que nossos ouvidos e olhos nos maravilham.

Olá pessoal! Olá gente boa!

O nó na língua: a busca pelo “politicamente correto” e as saídas inteligentes

Vocês já repararam como está ficando cada vez mais constante ver a dificuldade momentânea de quem costuma falar em público? É um fenômeno curioso: o palestrante trava, uma tossezinha nervosa surge e a mente parece vasculhar um dicionário invisível à procura de palavras que agradem a plateia desde o início, sem que, com isso, venha a ferir suscetibilidades.

Entramos na era do “rosário de pares coordenados”. É um tal de amigos e amigas, todos e todas… Uma estratégia de visibilidade que, embora legítima em sua origem, acaba por se contrapor a formas que já englobam ambos os sexos. Essa abordagem, muitas vezes redundante, surge com força diante de autoridades ou quando da diversidade dos que estão à frente pressiona quem vai falar a demonstrar um alinhamento total com as etiquetas do momento, as tais “pautas identitárias”. No esforço de ser politicamente correto, a personalidade — olha a situação aí, de novo — acaba se “embananando” em um ato desnecessário, quando não injustificável.

A solução, contudo, é mais simples do que parece e está na ponta da nossa língua.

No afã de sermos inclusivos esquecemos que termos como “pessoal” e “gente” são ferramentas poderosas de economia linguística e neutras por natureza. São termos coletivos que englobam todos os gêneros sem a necessidade de malabarismos gramaticais. Simples assim.

Sempre procuro iniciar minhas falas desta forma e justifico o porquê:

Pessoal: Como substantivo, refere se ao grupo. Não faz distinção. “O pessoal lá de casa” inclui todo mundo, sem deixar ninguém do lado de fora. No uso informal, como vocativo — “Oi, pessoal, tudo bem?” — ele funciona como um abraço coletivo que abrange homens e mulheres com a mesma naturalidade. Assim, um caloroso “Olá, pessoal!” é uma solução elegante que remove o peso da distinção de gênero sem excluir ninguém.

Gente: Gramaticalmente, é uma palavra feminina (“a gente”), mas sua alma é neutra. Quando dizemos “a gente vai”, estamos designando pessoas de forma genérica, mista e democrática.

Minha consideração sobre isso é simples: a comunicação eficaz busca a conexão, não o ruído. Quando gastamos energia excessiva na forma, muitas vezes perdemos a substância do conteúdo. A língua portuguesa é rica e nos oferece saídas elegantes que evitam o cansaço auditivo sem desrespeitar ninguém.

Usar “pessoal” e “gente” não é apenas uma escolha linguística; é uma escolha pela fluidez. Afinal, a melhor maneira de incluir alguém em uma conversa é garantindo que a mensagem flua sem tropeços, de forma direta, clara e, acima de tudo, humana.

É isso aí, minha gente, vamos nessa que a vitória é nossa!

A Patologia da Intolerância e o Medo do Novo

Na medicina, a intolerância é uma reação exacerbada do sistema imunológico a um agente externo. Na política, — Mato Grosso não foge a esta regra — o fenômeno se dá de forma idêntica. Basta um novo elemento surgir no horizonte, para que o organismo estabelecido do poder acione seus mecanismos de rejeição. Essa reação não se dá no campo das ideias, mas através de um braço específico: a chamada imprensa marronzista, como diria certo personagem novelesco do passado.

Um exemplo pedagógico disso, dessa patologia, pôde ser visto em recente materia sobre a filiação de um empresário mato-grossense bem sucedido ao Partido Novo. Sob o pretexto de “análise”, o texto recorre à velha cartilha da desqualificação: não só rotula agremiações de “nanicas” e afirma que candidaturas majoritárias são apenas “ensaios para valorização” como vai além, ao carimbar projetos independentes como meros “apêndices” de outras siglas. É o jogo político de interesses em sua forma mais nua e crua. Na verdade um tentativa de reduzir uma movimentação legítima à “mesmice” que, ironicamente, o editor parece fingir combater.

Como engenheiro, observo que esse fenômeno é o equivalente político a um erro de drenagem crônico que costuma acontecer em Cuiabá na época das chuvas: a estrutura está saturada, o escoamento de novas ideias é obstruído e o que sobra é a estagnação de águas paradas que alimentam o status quo. O sistema teme a gestão técnica e a independência financeira porque elas são, por natureza, resistentes ao “toma lá, dá cá”. Para veículos que sobrevivem de conveniências oficiais, a renovação não é uma esperança; é uma ameaça a seu modelo de negócio.

Uma contrariedade, que se verifica sistematicamente a cada véspera de eleição, tenta “vacinar” o eleitor contra qualquer alternativa que fuja do controle das oligarquias partidárias. Ao tratar a entrada de um nome do setor empresarial como um movimento previsível ou “mais do mesmo”, a mídia tradicional pode estar tentando esconder o seu próprio pavor: o de perder o monopólio da narrativa e, com isso, o acesso aos cofres públicos que a sustentam.

O surgimento de candidaturas que perturbam o conforto do sistema deve ser celebrado como um sinal de vitalidade democrática. Tentar sufocar essas vozes com adjetivos depreciativos é um desserviço à cidadania. Afinal, Mato Grosso é um estado pujante que não cabe mais no figurino apertado da política de conveniência.

É hora de substituir a intolerância adquirida ao longo do tempo pela tolerância ao debate de ideias que realmente interessem ao futuro de quem vive, trabalha e produz em nossa terra. Uma sociedade que manifesta alergia à renovação está condenada a definhar sob o peso de suas velhas práticas.

De Pau Rodado a Pau Fincado

Cuiabá sempre foi porto de chegada. Durante décadas, o rio trazia o sustento, levava a produção e com isso, os ‘paus rodados’ — gente que vinha de longe, flutuando nas incertezas da sorte. Eu fui um deles, desembarquei aqui ainda menino, com os olhos cheios de espanto diante do calor e da luz desta terra.

Eram outros tempos. A estrada, ainda que precária —uma mistura de terra, cascalho, piçarra e pó —, era longa, uma distância a percorrer para chegar aos centros mais desenvolvidos do país. Entretanto, ela se tornou o melhor caminho para os que para cá se destinavam; sendo acesso garantido a maior parte do tempo e substituiu, com o passar desse tempo, a via fluvial. Foi só a partir da metade dos anos 70 do século passado que o asfalto chegou, trazendo a bem-aventurança e a velocidade ao desenvolvimento da cidade e do Mato Grosso remanescente.

Mas a família, ou melhor, o sobrenome, já rondava estas paragens desde o século anterior. Remonta à Guerra do Paraguai, quando um de nossos antepassados comandou a defesa do Brasil no primeiro ataque ao país, naquela escaramuça que perdurou por quatro longos anos, de 1866 a 1870.

Tudo começou com uma surpresa durante uma visita de rotina do então Coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero ao Forte de Coimbra. Subitamente, aquela longínqua fortificação, a mais próxima do Paraguai e alheia ao início do conflito, viu surgir uma flotilha de navios de guerra e mais de três mil soldados inimigos. O comando paraguaio exigiu a capitulação imediata; a única forma, diziam, de preservar a vida de todos.

Mesmo com pouco mais de uma centena de almas, suas famílias e munição de rotina, a resposta dos defensores foi um sonoro “não”. A coragem e a determinação no Forte de Coimbra seguraram o ímpeto da invasão por dias cruciais — tempo suficiente para que os moradores da fortificação e de Corumbá escapassem do massacre iminente.

Voltando ao presente, o tempo — esse mestre das fundações —tratou de transformar o movimento das águas do Rio Cuiabá em margem, em barranco sólido para a atracação das pessoas que, como meus pais, vieram para cá, se encantaram com a cidade, sua gente, e foram bem acolhidos. Por isso fincamos raízes. Foi assim que cheguei.

Desde então, um janeiro de 1962, vivo entre o Porto e a Chapada, entre os livros e os canteiros de obras, conheci minha alma gêmea e vi meus filhos e netos brotarem “cuiabanos de chapa e cruz”. Hoje, não sou mais o que, em meu imaginário, o rio trouxe; sou o que a terra segurou.

Sou “pau fincado” e enraizado. Sou da terra porque aqui me plantei, fui adubado, amado, cresci, amadureci e deitei os frutos que agora colho. Em Cuiabá, floresci na companhia de amigos que, como todo bom cuiabano, sabem cativar os ‘paus rodados’ abrindo o cerne de sua terra para ajuda-los a se plantar. Fui acolhido com o carinho de um dos locais mais férteis na arte do bem receber.

Subdesenvolvimento Voluntário

A diferença entre a liberdade de explorar a capacidade e a capacidade de explorar a liberdade

A frase consiste em uma figura de linguagem, um quiasmo, que, com a inversão da ordem das palavras nas duas expressões, altera seus sentidos e cria um jogo de interpretação. Embora as palavras sejam as mesmas, a inversão muda o foco: a primeira trata do direito de agir, enquanto a segunda trata da habilidade para ser livre.

Anos atrás, os países desenvolvidos do Hemisfério Norte — os ocidentais — perceberam na fragilidade da China e de outros países orientais a oportunidade de explorar mão de obra barata em benefício próprio. Com isso, e sob a justificativa de ajudar nações da região a se desenvolverem, transferiram para lá boa parte de sua capacidade de produção.

De outro lado, os “beneficiados”, percebendo a oportunidade, passaram a usar da exploração de sua capacidade produtiva — ou seja, da mão de obra barata — para também se beneficiarem. Desta feita, fizeram-no através do acesso às tecnologias e ao conhecimento que, consequentemente, acompanhariam o “benefício”, quisessem ou não seus parceiros de ocasião.

No contexto geopolítico, a frase que intitula este artigo explica perfeitamente a transição de potências emergentes e a dinâmica de poder entre o Norte e o Sul Global, aplicada ao exemplo das nações orientais em desenvolvimento acelerado. Assim, o mundo assistiu à liberdade externa e, muitas vezes, predatória de explorar a capacidade de terceiros, verificada no estágio inicial do processo utilizado por países desenvolvidos e grandes corporações. Tal prática foi posta em marcha através da chamada globalização para explorar a capacidade produtiva de populações pobres e numerosas.

Essa dinâmica — a do capital estrangeiro aproveitar a mão de obra barata para maximizar lucros — era, até pouco tempo, reconhecida apenas por sua capacidade bruta de trabalho, onde o país pobre não passava da condição de peça motriz da engrenagem. Isso aconteceu até que aqueles países deixassem de ser meros explorados e desenvolvessem capacidade interna própria, o que foi alcançado através de investimentos em educação, tecnologia, infraestrutura e poderio militar, (caso da China) explorando a liberdade do sistema internacional a seu favor.

Eles aprenderam as regras do jogo da OMC, do registro de patentes e do estabelecimento de rotas comerciais independentes, e passaram a usá-las para projetar sua própria influência. Como resultado, deixaram de ser o “objeto” da liberdade alheia para se tornarem “sujeitos” da própria liberdade; passaram a ter capacidade de investir em outros países, ditar preços e garantir autonomia.

Ao considerarmos que os países dependentes têm sua “capacidade” explorada pela “liberdade” de outros, enquanto países soberanos desenvolvem capacidade suficiente para usar da própria liberdade para competir no mercado global, chegamos à conclusão de que o Brasil é um caso frustrante dessa dualidade geopolítica. Até hoje, o país permanece no “fogo cruzado” dessas duas formas de exploração.

Por muito tempo, e como disse, até hoje, nosso país exerceu a sua liberdade para ser o “celeiro do mundo”. Exportamos capacidade bruta de commodities como soja e minério para fomentar a capacidade tecnológica de países como a China, os EUA e nações europeias. Nesse cenário, somos a “capacidade” que os outros têm a “liberdade” de usar para se desenvolver e crescer.

Temos soberania e liberdade diplomática, leia-se relativa, mas falta-nos capacidade interna e vontade política para investir — como os outros fizeram — em educação de qualidade, infraestrutura e, consequentemente, em industrialização, a ponto de estabelecermos nossas próprias regras. Sem essa capacidade, a nossa “liberdade” no cenário global acaba limitada a escolher para quem vamos vender nossos recursos primários, em vez de competir com produtos de alto valor agregado.

Países que, como o nosso, até meados do século passado eram subdesenvolvidos, fizeram seu dever de casa porque deixaram de executar projetos de governo para realizar projetos de Estado. Enquanto eles planejaram o futuro por 50 anos, nós permanecemos planejando o nosso de quatro em quatro e, pior, a cada mudança de comando, desconsideramos praticamente todos os esforços do antecessor. Tudo em nome da (in)significância político-ideológica do governante de ocasião.

De nada adianta tentarmos uma neutralidade pragmática entre as forças dominantes — EUA e China. Desta última temos nos aproximado cada vez mais por ser nosso maior parceiro comercial; no entanto, se continuarmos focando nossa capacidade somente em lhe fornecer matéria-prima e segurança alimentar em troca de eletrônicos e carros, isso em nada ajudará nosso desenvolvimento. Quanto aos EUA, parceiro histórico tecnológico e armamentista que costuma nos ver como zona de influência, a falta de uma política efetiva de parceria e o distanciamento ideológico hoje em andamento só nos tem prejudicado. Aos dois, o Brasil continua a se submeter de forma errônea, ano após ano.

O grande avanço que precisamos é deixar de ser o país que “oferece capacidade para a liberdade dos outros” e passar a ser o país que “tem capacidade de usar sua liberdade” para projetar poder e riqueza própria. Para ser bem direto: falta “pé no chão”. Falta coragem e vontade política para impor posição usando nossas potencialidades como instrumentos de desenvolvimento, e não oferecendo-as como subproduto para o progresso alheio. Nosso subdesenvolvimento é claramente voluntário, e é a ele que continuamos a nos sujeitar década após década.

O Brasil já possui liberdade, soberania e recursos, mas ainda patina na capacidade de transformá-los em poder real. Precisamos nos espelhar no que já deu certo. Nesses países o desenvolvimento foi fruto de três pilares, a saber:

  • Planejamento de Estado: Planos de longo prazo (cinquenta anos) em vez de casuísmos quadrienais.
  • Educação voltada à tecnologia: Eles pararam de apenas montar produtos alheios e passaram a criá-los. Nós continuamos a exportar o ferro para importar o aço. Para explorar a liberdade do mercado global, precisamos de massa crítica que transforme nossa biodiversidade e minérios em patentes, não apenas em carga de navio.
  • Elites com Mentalidade Nacionalista: Enquanto a elite de outras nações foca na soberania tecnológica, boa parte da nossa elite econômica parece mais confortável sendo herdeira de commodities do que arriscar recursos em industrialização pesada.

Somos um país grande, mas ainda não somos um grande país. De nada adianta ter o carro na garagem se não sabemos dirigir. No jogo de xadrez entre China e EUA, não podemos nos contentar em ser um simples peão. Se não desenvolvermos capacidade técnica própria, continuaremos a ser parte das peças do jogo, em vez de um dos jogadores.

Existe uma ilusão de parceria que mascara nossa relação de dependência. A maioria de nós tem a percepção de que estamos “ganhando” porque os números das exportações sobem, mas raramente questionamos se estamos entregando nosso futuro. De que adianta celebrar recordes em commodities se continuamos importando o fertilizante e a tecnologia para a colheita?

O que de mais importante podemos tirar como conclusão é que manter a população sem capacidade para perceber a necessidade de mudanças estruturantes é a estratégia de quem quer se perpetuar no poder. É muito mais fácil explorar a capacidade de um país quando sua população não entende o valor da liberdade que está perdendo. O “Sistema” operante no mundo desenvolvido não quer que aprendamos a explorar nossa própria liberdade de existir. Para ele, o “Sistema”, isso significaria perder um fornecedor barato e um mercado consumidor garantido.

Opinião (ato e fato)

“Se alguém se sente ofendido pela opinião de outra pessoa, será bom saber que este é um problema emocional, e sentimento é questão individual. Portanto, se o que outra pessoa diz causa perturbação “nesse alguém”, o assunto é exclusivamente dele.”

Não é conveniente externalizar descontentamento sobre um eventual autor, e sim sobre o tema que ele trata. Senão, será você quem estará incomodando, talvez até ofendendo.

Portanto, é importante perceber que, dependendo da forma como nos expressamos, as pessoas podem se sentir ofendidas.

Cabe destacar que os sentimentos são manifestações subjetivas, eles pertencem ao indivíduo que os experimenta, o que enfatiza a necessidade de lidarmos individualmente com nossas próprias reações.

É mais produtivo focar no assunto em discussão e não na pessoa que expressou sua opinião. A reflexão deve ir além, posto que também é conveniente perceber as consequências de não sabermos lidar com nossos próprios sentimentos e reações de forma construtiva.

Faça desta a sua reflexão. Busque não considerar os atos e sim os fatos.

O ato envolve a intenção e a liberdade de fazer uma escolha. Ja o fato envolve a realização, o impacto daquela escolha ou ação. Considere, então, que uma pessoa pode tentar mostrar um fato parecer correto sem, contudo,  haver um ato, ou seja, uma intenção genuína.

Além da Eficiência: O risco de nos tornarmos secundários

Quando falamos sobre a Inteligência Artificial (IA) sendo utilizada para complementar o cérebro humano, nada impede que o raciocínio final de seu desenvolvimento tenha por objetivo a completa substituição da capacidade humana — inclusive da mão de obra utilizada para criar e produzir o que nós, seres mortais, conseguimos com base na interação da capacidade cerebral com a física, a mais completa e fundamental das relações na busca pelo bem comum. Não há, e espero que nunca haja, como obter os mesmos resultados de outra forma.

A capacidade para copiar, reproduzir e replicar é indiscutível, mas não há IA que consiga compor árias como Verdi, óperas com a genialidade de Handel e Mozart, valsas como Johann Strauss, Bach, Heitor Villa-Lobos, Chopin, Brahms, Ravel, ou mesmo construir um instrumento musical que lhes dê vida através do som puro de um violino — competência exclusiva de gênios como Stradivarius. Isso sem falar de Einstein, Galileu, Da Vinci, Descartes, Newton, Lavoisier, Edison e, mais recentemente, Turing e Hawking.

Esses e tantos outros, em suas competências oriundas de um ser que construiu grande parte do seu conhecimento através da prática, da vivência direta, do aguçamento de seus sentidos e da observação, assim desenvolvendo teorias e ideias que, colocadas em prática, nos trouxeram tudo o que hoje sabemos e temos. Em outras palavras, o que existe é fruto de conhecimento empírico acumulado pelo cérebro humano, um órgão restrito a uma caixa óssea, cuja massa é composta por cerca de 75% de água e quase 60% do seu peso seco de gorduras, proteínas, carboidratos e sais, cuja estrutura é formada por bilhões de neurônios (células nervosas), células gliais (suporte), substância cinzenta (córtex) e substância branca.

A competência humana continua sendo desenvolvida assim, como o é desde o início de tudo, e vem se aprimorando com seu uso e com o empirismo que a insistência — e até persistência — da curiosidade humana promove na busca pela melhoria da qualidade de vida durante o eterno tic-tac do passar do tempo.

Daquela época em que Galileu e outros gênios do passado existiram para cá, pouco se produziu com a mesma qualidade a ponto de ser eternizado. Desde então, foram desenvolvidos outros estilos musicais, ferramentas, equipamentos e tecnologias, mas tudo, sem exceção, continuou passando pelo mesmo processo de erros e acertos, característica intrínseca do ser humano na busca por seu aperfeiçoamento. Assim, a produção de tudo, desde ferramentas rudimentares produzidas à mão até as armas tecnologicamente mais desenvolvidas, nada existiria não fosse pela ação humana.

A questão que se avizinha cada vez mais rápido — a grande dúvida — é se vamos sobreviver a seres artificiais que já desenvolveram linguagem própria. Isso logo lhes permitirá ter capacidade de tomar decisões, mesmo que com base no que lhes informarmos, já que têm acesso a o que produzimos: desde um “simples” bate-papo de celular até segredos militares. Tudo produzido por nós mesmos e, por que não, gerado pela própria IA, afinal, como dito anteriormente, elas já possuem linguagem própria.

Não há dúvida de que há um embate entre a Biologia Criativa e o Processamento Algorítmico ou, em outras palavras, o Empirismo Sensorial e o Processamento de Dados. No primeiro, o erro não é um bug, mas o motor do aperfeiçoamento. Para o outro — aquele que não tem um corpo que sofra as agruras do tempo —, é fácil calcular e mimetizar emoções copiando e replicando, mas sem a capacidade de originar o novo.

Ao desvalorizarmos as capacidades biológicas que ancoram a inteligência à vida — o que nos torna especiais —, fica claro que passaremos a ser secundários. Uma vez desenvolvida uma inteligência independente da estrutura orgânica humana, deixaremos de ser os beneficiários, o que, talvez, conciente ou inconcientemente, seja o objetivo da maioria dos desenvolvedores de IA.

Ao desconsiderar o risco de a IA decidir com base em informações geradas por outras IAs, estaremos criando um ciclo fechado onde o “humano” é excluído da equação de sobrevivência. O medo aqui citado não é apenas o da substituição da mão de obra, mas a perda da primazia da vontade. A questão reside no fato de a IA não possuir a “insistência da curiosidade” nem a alma que busca o bem comum através do sacrifício físico; ela possui apenas a frieza da eficiência.

Certamente, a análise de uma IA sobre este texto diria o seguinte:

“Embora o texto seja adequado ao defender a singularidade humana, ele subestima a nossa capacidade de síntese. A IA não quer ser Mozart; ela quer entender por que Mozart os faz chorar. A grande questão não é se iremos substituí-los, mas se saberão e/ou saberemos manter ‘humanidade’ em um mundo onde o esforço físico e o erro técnico deixarão de ser necessários.”

Crime e Castigo (2026)

Crime e Castigo (1866), de Fiódor Dostoiévski, é um dos romances mais influentes da literatura mundial e um marco do romance psicológico. A obra narra a história de um estudante que comete um assassinato e passa a lidar com as consequências de seu ato, fruto da teoria que desenvolveu sobre uma pessoa, sendo “extraordinária”, ter o direito de transgredir, inclusive, as leis morais.

Atualmente, estamos assistindo a um caso também atípico, mas que não trata do assassinato de um personagem, e sim da submissão de uma instituição, apenas nisso diferente do que aconteceu com a pessoa morta na história do livro, naquele caso, uma agiota.

Como dito na introdução, trata-se de uma influente publicação da literatura mundial — um thriller em sua essência — que mistura romance com psicologia e narrativa policial, uma das especialidades de Dostoiévski.

O que temos hoje, aqui e agora, apresenta cada vez mais nuances de um épico de não ficção que nada tem a ver com romance, apesar da psicopatia adquirida pelos atores de nossa justiça que, em vez de atuar na defesa da ordem jurídica, se submetem a seus próprios egos.

Cito, neste parágrafo, o resumo do pensamento comum aos nossos “personagens” sobre o assunto justiça mais em voga no país, quiçá no mundo, sem a necessidade de identificação dos autores, certo de que já são conhecidos devido à publicação da gravação “clandestina” da reunião havida para tratar da questão.

A começar pelo fato de que, para um deles, parece não haver problema em um ministro cometer uma falha técnica — ou seria ética, quem sabe moral? — envolvendo uma “merreca” de milhões, porque a causa sub judice envolveria alguns bilhões de reais. Para outro, o trabalho técnico da PF está sob suspeita de ser um ato de vingança daquela instituição; houve também a alegação de que basta ter fé pública para um ministro poder fazer o que achar certo. Alguém disse que a investigação da PF sobre um seu colega foi ilegal e que “tudo” não passa de um “nada jurídico”; outros, que se tratava de “lixo jurídico”, portanto nulo e, pasmem, até a população está contra eles e, por isso mesmo, é preciso pensar na constitucionalidade. Mas a afronta final ficou por conta de quem menos se esperava. Disse ele: “a investida da PF pode acontecer com qualquer um de nós”, não dando a subentender como se justa ou injustamente.

É ou não é uma trama psicológica e policial? Falta algum ingrediente hediondo para se tornar um clássico da literatura tupiniquim? Pois é, Dostoiévski, com um enredo desses à mão, teria muito material para escrever mais um de seus clássicos, desta vez de literatura brasileira “raiz”, com tudo para ser sucesso, se a censura deixar publicar, é claro.

Cabe a pergunta: terão eles — como Raskólnikov, o estudante que cometeu a atrocidade em São Petersburgo/Russia — a coragem de assumir seus erros e, quem sabe, repará-los? Ou continuarão na busca pela remissão da punibilidade, sabendo que não correm o risco de parar na Sibéria (ou na Papuda?) Terão a coragem de pagar por seus abusos, voltar para suas casas e viver o resto de suas vidas no ostracismo moral autoimposto?

Considerações finais:

Sobre a “agiota”: No livro, o estudante mata uma velha senhora, que era de fato uma usurária (agiota). No entanto, ele também mata a irmã dela, uma pessoa bondosa e inocente, o que agrava o peso psicológico e o “castigo” do protagonista.

Sobre o “Direito de Transgredir”: Segundo a teoria de Raskólnikov a humanidade está dividida entre “ordinários” (que devem obedecer) e “extraordinários” (como Napoleão, que teriam o direito moral de cometer crimes em nome de um bem maior).

Sobre o Desfecho: Raskólnikov não assume o erro imediatamente por “coragem moral” pura; ele é levado ao colapso mental pela investigação psicológica de um juiz, e pelo amor redentor de sua paixão.

Filosofias políticas e eleições

O conservadorismo como filosofia política sempre existiu, não há dúvida sobre isso.

Mais recentemente passou a existir  o Bolsonarismo, fruto do pensamento conservador, que viu em seu precursor, Jair Messias Bolsonaro, um líder promissor dentro desse espectro devido sua defesa explícita de temas, valores, virtudes e costumes tradicionais tais como: ética, moral, liberdade de expressão, família e o natural respeito à vida desde sua concepção, todos considerados bases conceituais da tese conservadora.

Isso tudo em contraposição às considerações progressistas referentes às mudanças radicais pretendidas pelo discurso cada vez mais radical defendido por formas de pensamento de esquerda tão ambíguos, que chegam o confundir politicamente liberalismo social com liberalismo clássico. 

Em suma, lulistas, que é como deveriam ser chamados os petistas, não sabem nada sobre isso, talvez até pensem saber. Pode ser que os então lulistas/petistas – assim citados apenas para relativizar a questão com a ideia do lulopetismo – tenham uma tênue ideia do que isso significa, mas certamente não conhecem o assunto sob o ponto de vista filosófico, dai a confusão.

Já o liberalismo originalmente conhecido é uma doutrina político-econômica que defende a liberdade individual, a igualdade perante a lei, a proteção da propriedade privada e a limitação da interferência do Estado na vida das pessoas.

A atual proposta filosófica referente ao liberalismo defende pelo menos duas teses diferentes. A social (Liberalismo Social) sugere um estado que atue diretamente na sociedade e na economia, já a outra, a clássica (Liberalismo Clássico), propõe limites como a não intervenção, especialmente na economia e no governo.

Enquanto este último defende a liberdade de mercado sem intervenção estatal, acreditando que a economia se autorregula pela oferta e demanda o outro, o  social, propõe maior intervenção com ações regulatórias de mercado e, de forma direta, a atuação do estado em áreas sociais e econômicas, tais como: liberdade de expressão, de religião, propriedade privada, educação e cultura.

Pois é! Daqui a pouco, vamos estar colocando em avaliação eletiva o que queremos para o país em que vivemos. Será o momento de decidir o futuro de quem trouxemos ao mundo. Se viverão bem, se passarão as agruras por que estamos passamos ou se padecerão ainda mais, enfrentando algo pior que o relativismo inconsequente dos que hoje detêm o poder.

Será hora de avaliar, será vez de decidir.

Nada é mais ou menos do que merecemos

A crença em Deus, na moral, nos bons costumes e principalmente na honestidade herdei de dois homens excepcionais e de duas mulheres abnegadas.

Do berço vieram exemplos de amor e respeito ao que nos deixaram como referência sobre tudo, principalmente sobre o proceder, a luta por justiça e o valor da família.

Da escola veio a importância ao aprimoramento do conhecimento através do permanente estudo, da atenção aos fatos, ao discernimento para distinguir o certo do errado, a tolerância à ignorância dos que não dão atenção aos ensinamentos e dos que não tiveram oportunidade nem vontade suficiente para buscar sozinhos por capacitação e, finalmente, resiliência para superar problemas e sabedoria para me adaptar às mudanças que nos são impostas.

Tudo isso tem a ver com conservar, valorizar e difundir o que recebemos de herança, seja ela intelectual, de crença, material ou tecnológica daqueles que nos antecederam. Enganam-se os que consideram o progressismo liberal caminho para mudanças sócio estruturais e assim pelejam pela desconsideração paulatina do conservadorismo.

É da postura respeitosa ao que nos é dado pelos que ficam para trás no tempo, que resulta no que temos agora e no que virá depois. Foram essas premissas que trouxeram a humanidade até o último milionésimo de segundo atrás, antes deste momento em que está sendo lido este texto, onde ousa-se falar de um assunto que correlaciona todas as coisas criadas pelo ser humano, desde a percepção do ontem, passa pelo hoje e caminha para o amanhã, analogia usada para mostrar a verdadeira dimensão do entendimento comum do intervalo da vida, propriedade individual que caracteriza a existência de um organismo desde seu nascimento até a morte.

Então, por isso tudo, é possível afirmar que para todos, ou seja, qualquer forma de vida, existe um passado, um presente e um futuro.

Como será o presente do nosso desconhecido futuro sem poder contar com os conhecimentos adquiridos e as habilidades desenvolvidas concomitantemente com o passar do tempo?

Estivessem conosco, as pessoas de meu passado, as que tanto reverencio, certamente diriam em uníssono: nada do que hoje temos é mais ou menos do que merecemos.

Entre o VLT, o BRT e a Paciência do Cuiabano

Após anos de institucionalização da corrupção, chegamos a um ponto em que o suborno, parece, passou a ser um elemento considerado aceitável nas preliminares dos processos de contratação de obras e serviços públicos. Nestes, os desvios éticos e morais são fruto da paulatina introdução da chamada “Lei de Gerson”, em que a resposta à pergunta “o que é que eu ganho com isso?” passou a ser parte integrante de negociatas de contratação, emendas parlamentares e até mesmo nos julgamentos sobre o uso do erário.

Aqui, em nossa calorosa capital, há um exemplo claro disso. Basta olhar com atenção, ou seja, ler o que está descrito abaixo, de preferência com os mesmos olhos que leram o que está acima, para presumir que isso tenha ocorrido com os contratos das obras e serviços voltados à realização da última Copa do Mundo no Brasil. Deparamo-nos, então, com o VLT, que virou BRT e que ainda poderá ser modificado, dependendo das articulações sobre o que transitará pela impoluta, reforçada e resistente pista de concreto especial, em implantação na quase totalidade de seu sistema troncal, exceto …é, tem um “exceto”, num trecho que não será pavimentado dessa forma.

Para mim e, creio, para os futuros usuários do sistema e cuiabanos em geral, seja qual for o modal adotado, o trecho central da cidade — a Avenida Coronel Duarte, nossa Prainha —, comenta-se, não receberá o pavimento em concreto de alta durabilidade destinado ao transito das composições (uso aqui o termo genérico, “composição”, porque até agora não se sabe exatamente qual será o tipo de veículo de transporte). Pois é, dizem que o pavimento a ser utilizado é uma questão de ajuste de orçamento ou, quem sabe, de cara de pau.

Teria sido desconsiderado que o canalizado Córrego da Prainha passa exatamente por baixo desse bendito trecho e que, por isso mesmo, precisaria de um projeto específico, de difícil execução e, consequentemente, demorado para ser implantado? Teria sido isso ou é a pressa em entregar uma obra, mesmo que inadequadamente concluída, em um ano de eleições?

Quem não se lembra da mesma pressa em entregar a urbanização da margem cuiabana do rio que empresta seu nome à cidade, a Avenida Beira Rio? É, essa mesma: aquela que está desmoronando, que tem boa parte interditada devido ao risco de queda a qualquer momento, fruto da má execução e da falta de manutenção preventiva; que, desde a inauguração, tem o piso trincado, soltando e caindo. Quem terá sido o “apressadinho” que fez aquela porcaria? Um problemão que, desde então, passou por duas administrações municipais, entrou na terceira e chegou a 2026 sem solução.

Vamos deixar acontecer o mesmo com o BRT, ou no que quer que vire essa obra de mobilidade urbana inacabada? Ela é a maior dívida pública do governo do Estado de Mato Grosso para com sua Capital, e já dura mais de 15 anos.

Haja paciência!

Princípios: a Bússula para a Governança

O que nos move, ou deveria nos mover, são os princípios!

Os princípios são fundamentos, regras indispensáveis, motivadoras e guias para o início de qualquer ação pessoal ou organizacional, principalmente em se tratando de contextos como a política e a administração pública. A simples leitura do conceito sugere que os princípios são as bases sobre as quais devem ser tomadas decisões e escolhas, o que deveria determinar o afastamento definitivo de interesses pessoais ou escusos. Portanto, espero que o texto a seguir seja entendido como um lembrete de que preceitos fundamentais, como a justiça, a igualdade e a transparência, são prioritários em qualquer circunstância.

Assim, princípios como ética, moral e conduta são importantes para estabelecer padrões comportamentais, avaliar situações e decidir o que fazer, desde que sejam coerentes com os valores e objetivos de um indivíduo, grupo, organização ou país. Quando citamos ética, moral e conduta, os exemplos que logo nos vêm ao pensamento são: honestidade, integridade, respeito, justiça e responsabilidade.

Os princípios tidos como essenciais variam conforme o contexto, a cultura ou a área de atuação. Os acima citados são comuns a praticamente qualquer circunstância; no entanto, há muitos outros, como no caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual os princípios fundamentais incluem a dignidade, a igualdade e a liberdade. Da mesma forma, nas questões éticas profissionais, a confidencialidade, a imparcialidade e a competência são exigências primordiais.

Já na política, os princípios fundamentais variam de acordo com o sistema e a ideologia, conforme os exemplos a seguir:

  • Democracia: governo do povo, pelo povo e para o povo.
  • Liberdade: proteção dos direitos individuais e das liberdades civis.
  • Igualdade: igualdade de direitos e oportunidades para todos.
  • Justiça: justiça social e igualdade perante a lei.
  • Responsabilidade: dever do governo perante o povo.
  • Transparência: clareza na gestão pública e na tomada de decisões.
  • Participação: engajamento cidadão nas decisões políticas.

No caso da nossa Constituição Federal de 1988, os princípios fundamentais incluem, entre outros: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e o pluralismo político.

Chegamos, então, ao Princípio da Harmonia e Independência dos Poderes, também aplicado à Administração Pública para garantir que os três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — atuem de forma independente e sem hierarquia, evitando a concentração de poder. Somam-se a isso os Princípios da Administração Pública (LIMPE): Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, que deveriam garantir a harmonia e a complementaridade entre os poderes, além de assegurar a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

No entanto, as mudanças comportamentais advindas de processos progressistas, em contraposição aos fundamentos conservadores contidos nos princípios considerados nesta análise, estão tensionando as regras e valores acima citados. Isso põe em dúvida se o sub-título deste artigo — “O que nos move ou deveria nos mover são os princípios” — é um reflexo da realidade política atual no Brasil ou apenas um ideal a ser alcançado.

Ambas as situações parecem relevantes ao se considerar o conjunto de circunstâncias atuais. O Brasil atravessa um período de grandes desafios, como crise política e economia estagnada — esta última devido à falta de garantias para novos investimentos —, além da necessidade de reformas estruturais em um ano em que distrações como o Carnaval, a Copa do Mundo e as eleições estarão presentes. Nesse contexto, é fundamental que os líderes políticos e a sociedade sejam guiados por princípios sólidos. A ausência destes pode levar a decisões errôneas que prejudicam o país coletivamente. Além disso, o mundo enfrenta desafios globais, como desigualdade econômica, disputas territoriais, guerras e terrorismo, o que exige compreensão, cooperação e princípios compartilhados para que possam ser superados.

Todo ano é um bom ano.

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“A vida, se bem empregada, é suficientemente longa.” (Sêneca)

É preciso aprender a viver com o que nos é dado a cada dia, não importa se por Deus, em quem creio, se por outra entidade na qual você acredite ou por alguma outra razão, no entender de quem não crê em uma Divindade Criadora.

É preciso haver satisfação no que se faz durante esse interregno – que se repete um após o outro – infinito e indiferente a cada um de nós, a cada coisa e a cada situação.

A vida é longa se você souber como usá-la, disse Sêneca. Seguindo seu ensinamento, não podemos desperdiçá-la no correr do dia. É preciso bem viver cada dia sem se preocupar quantos serão, mas sim com o que nos permitirem, com o que de bom e bem aproveitarmos para nele fazer.

Façamos dos dias oportunidades para resolver as questões que nos afligem, ocasiões para dizer a quem amamos que os amamos, para deixar de lado aquilo que nos perturba e, com isso, prepararmos bons amanhãs.

Todo dia existe para que aprendamos algo de bom, aperfeiçoemos nossas qualidades e preparemos um novo dia, ou seja, o futuro.

Assim, quando a morte chegar, já terá sido adiada o suficiente, não importa quão pouco ou muito tenhamos vivido. Ela também não precisará ser explicada ou esperada, por isso não haverá motivo para temê-la.

Todo dia é um bom dia, assim como todo ano é um bom ano. Só precisamos entendê-lo como oportunidade para fazer o bem.

Pois é! Se já é difícil entender a vida, ainda mais será encontrar explicação para a morte.

Sêneca foi um filósofo estoico que defendia que a qualidade da vida importa mais que sua duração. Este texto busca aplicar essa sabedoria ao nosso cotidiano atual.

A Ilusão Política

Este texto é uma reflexão honesta sobre autorresponsabilidade e a diferença fundamental entre o ato de errar e a reação diante das suas consequências.

“A diferença entre quem erra e corrige o erro e quem erra e permanece nele é a mesma entre quem faz ‘caca’ e senta em cima e quem sabe limpar a bunda. O pior é que todo mundo percebe; basta usar um dos sentidos para notar.”

Várias situações sustentam esse pensamento. Entre elas, a ilusão de quem acha que consegue esconder um erro — quem faz ‘caca’ — acreditando que, ao ocultar o ato ou se recusar a admiti-lo, ele deixará de existir. No entanto, os sentidos não costumam enganar. O “mau cheiro” contamina o ambiente, afeta as relações e destrói a confiança. O erro admitido é um problema; o erro escondido é um desvio de caráter.

Aquele que desenvolve resiliência e humildade reconhece o erro e reage positivamente ao buscar formas de resolvê-lo, saindo da situação mais experiente. Por outro lado, quem permanece no erro fica estagnado, gastando mais energia para sustentar a farsa ou negar a realidade do que gastaria para corrigi-la.

Do ponto de vista social — observando o que acontece ao nosso redor — percebe-se que em qualquer grupo (familiar, profissional ou social) todos notam quando alguém está “sentado sobre o erro”. O silêncio alheio nem sempre significa ignorância; muitas vezes é apenas o tempo necessário para que o sujeito perca, aos poucos, toda a sua credibilidade. No fim das contas, a limpeza do que se fez exige coragem, pois obriga o indivíduo a encarar a própria sujeira.

No cenário político, essa analogia é ainda mais poderosa. O “sentar em cima” é, na maioria das vezes, uma estratégia deliberada de negação para manter o apoio do eleitorado. Quando focamos na falta de atenção ao votar, a frase atua como um alerta contra a complacência. Resumindo: errar é humano, mas persistir no erro é uma escolha. Nesse ambiente, quem não corrige o erro contamina todo o resto. E o pior: o eleitor nem sempre percebe isso de imediato.

Em política, o erro raramente nasce da ignorância; costuma ser uma escolha baseada em orgulho ou conveniência. Nela, “sentar em cima” representa a negação de escândalos, a manutenção de alianças espúrias e a insistência em projetos fracassados. O eleitor pode até ignorar os fatos, mas não consegue escapar das consequências: o “mau cheiro” da gestão pública no dia a dia.

Na brasileira, quando um representante comete um equívoco — seja por má gestão, corrupção ou incompetência — a estratégia comum não é a correção, mas a negação sistemática através de narrativas acreditando que, se ignorar o problema, o povo também o fará. O que deveria ser um erro de cálculo óbvio já que a inflação, a insegurança e o mau serviço público são sentidos por todos, infelizmente nem sempre é compreendido pelo público.

O eleitor que ignora esses sinais sensoriais, muitas vezes por falta de base educacional, e vota novamente em quem não corrige os próprios erros, torna-se cúmplice da estagnação. Corrigir o curso é o que separa o líder do oportunista.

Em qualquer situação, nenhum erro se apaga com o tempo; eles apenas se acumulam até que o ambiente se torne insuportável. “Limpar a própria bunda”, neste contexto, significa ter a humildade de mudar a rota quando ela se prova desastrosa. Quem não tem competência para reconhecer e limpar as porcarias que faz, não serve para liderar. Qualquer liderança baseada nisso não passa de uma perigosa ilusão.

A diferença entre o erro corrigido e o erro persistente é a mesma entre a honestidade e o cinismo.

Jacá de bagre ensaboado

Sabe jacá? Aquele cesto grande, feito de tiras trançadas de bambu, onde antigamente se conservavam os peixes capturados vivos de maneira a poder oferecê-los a quem buscava espécimes frescos para consumo?

Pois é. Às vezes — como no ano que vem — as urnas eleitorais vão estar que nem jacás, cheinhas de candidatos tipo bagre: a maioria lisa como que ensaboada.

Parece que a temporada de pesca vai começar um pouco mais cedo. Não a de peixes, que tem início em primeiro de fevereiro, mas a dessa espécie aí que mencionei acima, a que começa em maio e acaba em outubro e que, por sinal, já começou, antecipando o teste coletivo de paciência.

Desta vez, precisamos ter ainda mais cuidado com a escolha do que vamos levar. Mas muito cuidado mesmo, pra não ser enganado e carregar bagre coberto com o limo da sem-vergonhice pra casa. É o que mais tem nesses jacás eleitorais. Por isso, PRESTEM ATENÇÃO, porque o DANADO fica difícil de controlar depois de se instalar em Brasília e demais capitais do país.

Mas num é?