A ORDEM DOS FATORES

Na aritmética a ordem dos fatores não altera o produto.

Em que pesem as discussões filosóficas sobre o axioma, a verdade é que em políticas públicas ele nem sempre é aplicado.

A essa “necessária ordem dos fatores” o governo pouco tem dado importância nos últimos anos, daí vivermos hoje o resultado dos erros insistentemente repetidos em relação a essa questão.

É fácil perceber que erraram ao promover incentivos ao consumo sem que estivéssemos preparados para produzir o que almejavam fosse consumido.

Não havendo preocupação concretas com a ordem dos fatores, de nada adiantou tentar exercitar o axioma. Quem disse que a ordem dos fatores não altera o produto certamente não estava falando em políticas públicas. No nosso caso tupiniquim foi como tentar fazer com que a flecha lançasse o arco.

O incentivo ao consumo interno deveria ser precedido ou ao menos acontecer concomitantemente ao incentivo à produção interna, a investimentos em infraestrutura e em programas de processamento das nossas commodities antes de exportá-las in natura, posto que tivemos a oportunidade e pouco fizemos neste sentido. Tivéssemos agido assim, teríamos agregado valor aos nosso produtos e gerado emprego nos processos produtivos e industriais, reduzindo proporcionalmente o risco de desabastecimento, desemprego, inflação e etc. Isto tudo, sem falar nas possibilidade de gerar divisas para investimentos nos setores prioritários, mas sempre deficitários da saúde, educação e segurança.

As cadeias produtivas deveriam ter sido incentivadas através de parcerias internas e externas, onde as nossas carências seriam minimizadas através de importação de tecnologias, equipamentos e conhecimentos de países desenvolvidos e em desenvolvimento como nós, mas infelizmente não foi isso o que aconteceu.

Com uma economia momentaneamente superavitária devido ao “boom” das commodities graças ao aumento do consumo em economias  emergentes (caso da China) o mundo se mostrava pronto para nós.

Parecia até que o país estava definitivamente resolvido, tanto que o governo  sentindo-se como uma potência econômica em ascensão, iniciou junto a economias tão ou mais deficitárias que a nossa uma política externa paternalista  ao mesmo tempo em que nos afastava das fortes economias que tradicionalmente tínhamos como parceiras.

Resumindo, entre outras coisas o que vimos foi a deterioração da indústria nacional devido a falta de políticas públicas voltadas a capacitá-la para atender a demanda interna gerada. Só assim teríamos feito frente à invasão de produtos importados para saciar o exacerbado consumo interno daqueles tempos.

Marcelo Augusto Portocarrero – Engenheiro Civil (UFMT)

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