O NEGÓCIO ANÁLOGO.

Certo professor e articulista contra o impedimento comparou as pedaladas do governo com a contratação de um projeto de arquitetura. Ao usar do mesmo “estratagema analógico” vou explicar como eu entendo o que ocorreu.

Vou ser mais explicito, de forma a que qualquer cidadão ou cidadã entenda o que aconteceu do meu ponto de vista.

Imagine um prostíbulo, uma casa de tolerância (esse último nome vem a calhar). Agora, considere que a dona ou, se preferir, cafetina do lugar, determine que as três melhores damas do pedaço façam o que bem sabem com alguns frequentadores especiais, mas só que na faixa, anotado na caderneta, como diziam antigamente.

– Vejam meninas isso só acontecerá com aqueles fregueses especiais. É que, de vez em quando, falta dinheiro para eles pagarem a comida da família, a escola dos filhos, o atendimento do hospital o seguro do carro, mas como são gente nossa, da casa, prometo que da próxima vez que vierem visitar vocês vão pagar tudo.

As visitas vão acontecendo, a história de repete, a caderneta vai se enchendo de anotações, o pessoal que “usa e abusa e não paga” vai se apertando cada vez mais, o final do ano chega e as festas de fim de ano também, e com isso tudo acumulado as dividas não podem mais ser quitadas.

Então a turma da administração do puteiro é obrigada a pedir moratória aos credores na Casa-da-Mãe-Joana (*) e têm suas contas ou débitos prorrogados para o ano seguinte. Ai começa tudo de novo.

Uma hora o negócio quebra, aliás, se continuar assim qualquer negócio quebra, não é mesmo?

(*) Casa-da-Mãe-Joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balburdia e a desorganização. Sua origem remonta ao século XIV.

Trazida para o Brasil serviu, por extensão, para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde impera a desordem e a desorganização.

Marcelo Augusto Portocarrero – 03/04/2016

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