Temos visto a realidade, mas não enchergamos a verdade.

Estão cada vez mais frequentes as notícias sobre o estado de abandono de nossas escolas, creches e outros locais públicos.
Essas situações, quando não são causadas pela incompetência dos gestores, certamente o são por nossa incapacidade de vê-las e de não sabermos avaliar suas causas, consequências e soluções.
Mal comparando, pouco tempo atrás assistimos uma reportagem sobre escolas e creches no Japão, onde as crianças, após as atividades normais do dia, limparam as instalações, materiais e equipamentos que ocuparam.
Na contra-mão, recentemente vimos uma outra reportagem, desta vez no Brasil, onde um pai reclama do estado de conservação da área externa da creche onde deixa seus filhos.
Então, como comparar esses dois mundos tão diferentes em tudo.
Em um país temos um povo que respeita seu espaço, sabe usá-lo e preservá-lo. Uma população onde seus filhos aprendem desde muito cedo que os ambientes que usam é comunitário e precisam ser cuidados por todos e para todos que os frequentam.
em outro mundo, este nosso, o cidadão e seus filhos não são educados para respeitar quaisquer espaços, talvez por isso não saibamos usá-los, mantê-los, muito menos respeitá-los e ao contrário, na primeira oportunidade em que nos sentimos atingidos em nossos direitos corremos a reclamar do estado de conservação do lugar sempre alegando que a responsabilidade é exclusivamente dos outros.
Não temos a cultura milenar do Japão, talvez por isso tudo que diz respeito a direitos é tão importante para nós que chega a ser visceral.
Com o passar do tempo a civilização brasileira, ao contrário das outras, vem desenvolvendo a cultura dos direitos e abandonando a dos deveres.
Estes, os deveres, vêm sendo deixados de lado na medida em que transferimos nossas responsabilidades de cidadãos a terceiros e, a partir dai, passamos a agir como se nossas obrigações de manter e respeitar os espaços comuns deixassem se existir, vez que nosso objetivo passou a ser apenas e tão somente o de usar e abusar.
Marcelo Augusto Portocarrero

Deixe um comentário