Orelhas cortadas

Outro dia assistindo uma dessas séries de comédia que passa na TV vi uma cena que poderia muito bem representar nossa tragicômica situação.

A cena em questão dizia respeito a forma com que um personagem se referia ao fato de preferir cortar suas orelhas para não mais ouvir as besteiras de seu interlocutor, o que por si só já seria trágico, mas não parou por aí. Na sequência, ele continua o diálogo dizendo que assim fazendo poderia costurá-las sobre seus próprios olhos para não enxergar as trapalhadas daquele com quem contracenava.

Algo extremamente controverso para se mostrar em um programa que se apresenta como comédia, não é mesmo?

Da mesma forma, trazer esse tema para nossa trágica história política contemporânea pode parecer inadequado.

Entretanto, a coisa está tão caótica que tal situação se apresenta como cabível no teatro de horrores em que se transformou nosso cotidiano político, consideradas as porcarias que diuturnamente somos obrigados a assistir graças à encrenca em que nos metemos ao eleger tanto gente ruim para no representar.

Ouvir e ver tanta baboseira produzida por essas quadrilhas que tomaram conta dos três poderes quando na verdade deveriam estar cuidando desse nosso sofrido país; assistir a essa sequência ininterrupta de atos ignóbeis contra nós e a favor da sobrevivência dessa corja que lá está e o pior, saber que fomos nós mesmos quem os elegeram chega a ser repugnante, porque não esperar haver quem considere cortar as orelhas e costurá-las sobre seus próprios olhos para não continuar assistindo o funesto destino que nos espera a continuarem as coisas como estão.

Marcelo Augusto Portocarrero – 14/12/2017

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