A gente colhe o que planta

Em se tratando do futuro, para qualquer exercício que se faça nesse sentido nada é mais adequado que considerar a frase acima, até porque seus termos encerram a mais pura realidade de antes e do agora.

Então, seguindo este mesmo raciocínio será correto afirmar que nestas eleições estaremos plantando o que pretendemos colher no futuro, e é neste sentido que temos muito que aprender com os erros cometidos nas escolhas políticas que fizemos no passado.

Nada do que foi dito e feito por aqueles que hoje exercem cargos eletivos justifica o descaso com que tratam quem os elegeu. Está constatação é percebida em todos os partidos, sem exceção, sejam eles de direita, centro ou esquerda.

Como que para confirmar tudo isso, bastou ter início o período das campanhas eleitorais para os candidatos a reeleição abandonarem seus empregos (por nós a eles outorgados) e sair a cata de eleitores, tão cientes estão de sua incapacidade de conseguir os votos necessários às suas reeleições por seus próprios méritos.

Durante seus mandatos trataram de tudo que lhes era de alguma forma recompensador, exceto os temas controversos, aqueles que pudessem colocar em riscos seus indispensáveis votos.

Assim, assuntos como reforma previdenciária, combate a corrupção, prisão em segundo grau, foro privilegiados e tantos outros dos quais o país precisa de solução imediata foram deliberadamente abandonados ou postergados com a conivência de todos os partidos.

Os últimos anos então foram pródigos em mostrar suas verdadeiras intenções e ambições, tão raros foram os que lá buscaram retribuir com trabalho a confiança neles depositada.

A pergunta que fica para todos nós é:

Vamos continuar a ser inconseqüentes a ponto de repetir os erros cometidos no passado e reeleger aqueles que já foram desmascarados por seus próprios atos, erros e omissões?

LUZ PRÓPRIA

A humanidade é pródiga em produzir pessoas que por suas qualidades ou defeitos e mesmo através da conjunção dessas duas características sejam singularmente únicas.

Observando a gramática dessas duas palavras com significados obviamente opostos descobriremos que elas também têm a propriedade de juntas exporem a essência e a natureza das pessoas. (A qualidade é um substantivo feminino e o defeito um substantivo masculino)

Já a palavra pessoa determina o indivíduo, o ser humano, e político, no sentido figurado, indica aquele que remete a esperteza, que se mostra tinhoso ou ladino, as vezes até diplomático, mas que nos últimos anos tem sido pródigo em tomar atitudes degradantes, expondo assim seu lado mais desprezível.

Então, como concordar que alguém de boa fé esteja engajado em um partido político?

Por mais justas, verdadeiras e altruístas sejam as intenções de um indivíduo a partir do instante em que ele se aproxima de um grupo que defenda idéias e ações diferentes das suas visando galgar posição de destaque este, obrigatoriamente, passa a aceitar, conviver e difundir as mesmas concepções político-programáticas das pessoas que através delas pretendam alcançar o poder.

É difícil aceitar que alguém com luz própria tenha, necessariamente, que associar seu nome a um programa partidário sem compromisso com a democracia e a verdade para expor suas convicções.

Obrigações ou Deveres?

Você sabe quais são suas obrigações como cidadão?

Pois é, hoje em dia essas “obrigações” estão em desuso graças a carga de preconceitos que carregam devido a pressão exercida por aqueles que só conseguem enxergar direitos” em tudo.

Daí preferirem substituí-las (as obrigações) por “deveres”, algo lúdico que algumas pessoas entendem poder deixar de cumprir, caso daquelas sem ética, vez que expressam bem menos responsabilidades, apesar de terem o mesmo significado cívico e moral. Como firmado em 1988 na sétima Constituição do Brasil, a aclamada Constituição Cidadã, aquela da inviolabilidade dos direitos, das liberdades básicas e dos preceitos humanitários progressistas.

Aconteceu que também nela inseriram vários penduricalhos injustificáveis, como é o caso das janelas abertas ao empreguismo nas estruturas dos três poderes, do vergonhoso acesso irrestrito ao erário para atender injustificáveis demandas públicas ( na realidade privadas) e dos infindáveis recursos protelatórios.

Transformada em um complexo e emaranhado conjunto de direitos e esvaziada de obrigações (deveres para alguns como dito anteriormente), culminou por reduzir as esperanças de que “um dia as desigualdades entre os brasileiros deixarão de existir e nossas igualdades finalmente prevalecerão”.

Assim, um verdadeiro tratado histórico reconhecido como um dos mais completos do mundo em termos individuais, a Constituicao Cidadã, de tão complexa acabou por também confundir direitos com garantias, fato que a deixou  sujeita a tantas interpretações conflitantes.

Chega de estórias

Fazendo uma retrospectiva nas estórias que nos têm nos contado os escritores, redatores e diretores de programas especiais, novelas, séries de televisão e do cinema nacional não há como deixar de compará-las com o que realmente aconteceu em nossa história e na de outros países também.

É como se “os nossos” estivessem tratando de assuntos relativos a pessoas que tiveram de se mudar às pressas e por isso mesmo colocado lençóis sobre as coisas antigas que ficaram para trás.

Aqueles sabem muito bem o valor do que foi deixado, mas suas propostas estão mais identificadas com a desconstrução do passado, razão pela qual muito pouco ou quase nada do que lá ficou é levado em consideração, só lhes interessa utilizá-las para escrever enredos novos e pouco realistas.

Parece até que nem sua própria origem interessa. Assim, seus roteiros usam o passado como pano de fundo apenas e tão somente para apresentar o que consideram importante no presente.

Esquecem que história é a ciência que conta em gênero, número e grau a passagem do ser humano pela terra, sua ação no tempo e no espaço. Mas não é isso que acontece, é quase tudo voltado para a construção de versões demagogicamente manipuladas, pouco se importando se com isso irão desconstruir o passado. Assim, quando para lá voltam seus olhos é principalmente para procurar algo errado, indelicado ou cruel, como se somente nisso estivessem os interesses das pessoas que irão assistir seus projetos ficcionais.

O intelecto daqueles só pode ter passado por alguma espécie de programação para o mal, pois a sensação que dá é a de que pretendem mudar o entendimento em relação aos tempos idos, de modo que reescrevem nossa história a seu bel prazer.

A impressão que fica quando lemos, vemos e ouvimos o que essa gente anda produzindo é de que pouco de bom e de bem foi feito no nosso passado vez que tudo não passa de estória, aquela forma pouco científica que encontramos em narrativas sem origem, de pouco veracidade e fora do contexto, posto não reproduzirem acontecimentos reais ou seja, a história factual propriamente dita.

Incerto futuro

As vezes, como agora, bate um incerto sentimento em relação ao futuro. Seja ele o nosso, o de nossa família, o de nosso país ou mesmo do planeta. O pior é que ele sempre está mal acompanhado de incômoda angústia.

Sem perceber e em razão das circunstâncias, na maioria das vezes somos induzidos a desenvolver raciocínios egoístas em relação ao que vem pela frente como se fosse algo que pudéssemos particionar, separando do todo só o que nos interessa ou afeta.

O pior é que quanto mais egocêntricos sejam nossos pensamentos e atitudes, mais nos enganamos acreditando serem aquelas as soluções dos nossos problemas, pouco nos importando se serão causa para os problemas dos outros.

Na verdade, precisamos entender que nosso incerto futuro cada vez mais depende de boas relações humanas, de ações comunitárias e de atitudes solidárias.

Diamantes em água.

– Estes são meus amigos! Chega a ser sublime poder pronunciar a frase.

Amigos são como diamantes em água, tão difíceis de encontrar que torna-se quase impossível possuí-los”.

Os políticos e o jornalismo de ocasião, aqueles que se ocupam de nos encher de lorotas têm caminhado de mãos dadas na manipulação da palavra “amigo“.

Vamos lá, buscar no conceito de amigo sua real e singela dimensão social que, a princípio, remete de uma solidariedade completa, para algo muito mais que fraternal.

A existência da amizade se dá entre as pessoas não importa o sexo, o grau de parentesco ou seus vínculos sociais, políticos e profissionais. Como sua base é o relacionamento, são o afeto, a compreensão e a confiança que criam este maravilhoso sentimento mútuo.

Alcançar este grau de relacionamento pode requerer anos de convivência ou simplesmente existir por acaso, como num toque Divino e de repente se tornar eterno.

O que se vê nas falas politizadas e reportagens manipuladas é a intenção proposital de confundir amizade com parceria, amizade com sociedade e amizade com cumplicidade a ponto de apresentarem este, um dos mais virtuosos sentimentos humanos, como algo dissimulado, até repugnante.

Um país para ser levado a sério

Depois reclamamos que não nos levam a sério!

Como desenvolver outro raciocínio a respeito de quem consegue transformar o maior desafio vencido pela justiça do país em piada?

O momento é muito mais de regozijo que de gozação, pois fez-se justiça. Aquela pela qual tanto ansiavamos, que não costumava usar sua venda quando o “paciente” carregava consigo interesses político-partidários, malas, mochilas e cuecas com conteúdo monetário de origem duvidosa. Mas precisamos tomar cuidado porque apesar da vitória obtida ela, a JUSTIÇA, ainda se mostra sujeita a interesses mesquinhos e carregada de conveniências demagógicas.

É hora de darmos alvíssaras a honestidade, de demonstrar nosso respeito e solidariedade aos que defendem a justa e perfeita aplicação da lei.

Devemos incentivar e agradecer aos que interpretaram a Constituição sem que interesses escusos estejam por detrás de seus atos.

Precisamos viver do esforço próprio, do trabalho honesto, da ação desinteressada, do amor ao próximo e no respeito às leis“.

Precisamos levar nosso país a sério!