Questão de talento ou de voto Excelência?

Palavras do Presidente do Senado: – “Só colocaram outro nome para indicação política. Será que as pessoas indicadas antes não tinham talento?” Perguntou ele, durante café da manhã com jornalistas.

Ao que ele mesmo respondeu: – “Não tinham talento, mas tinham voto”.

Exercitando assim sua ironia ao comentar a iniciativa da criação de um “banco de talentos” para o preenchimento de cargos técnicos dos escalões secundário e terciário do Governo Federal em mais uma tentativa de fazer valer as velhas e descabidas práticas de negociar espaço em órgãos e empresas públicas para amigos, parentes e correligionários em troca de voto, coisa que até a pouco tempo ele mesmo criticava.

Ora, ora, ora! Quer mais é que tudo permaneça como dantes no quartel de Abrantes de maneira a que os parlamentares continuem a ocupar e/ou indicar nomes para os cargos públicos sem a necessária qualificação técnica, bastando para tanto que tenham voto.

Essa tática passou a ficar cada vez mais evidente quando foi empregada tão logo foram confirmadas as eleições das presidências do Senado e da Câmara Federal. As intenções dos dois eleitos são exatamente as mesmas, tanto que convergem quanto ao objetivo final, querem espaço para negociar e o pior, a imprensa parece concordar com eles, pois também querem espaço para bisbilhotar. Basta observar que não perdem oportunidade de promover essa perniciosa estratégia alimentando o assunto todas as vezes em que os parlamentares são entrevistados. Os novatos que se cuidem, afinal elegeram duas figuras representativas de um passado que o povo não queria para dirigi-los no presente.

Sobre esta situação (da eleição para as presidências da Câmara e do Senado) cabe explorar o espaço para analisar filosoficamente a frase “não tinham talento mais tinham voto”, senão vejamos:

Fato inquestionável 01- os dois parlamentares eleitos têm talento político e voto;
Fato inquestionável 02 –  são frutos do passado se passando por resultados do presente;

Fato questionável 01 – talento e voto são a mesma coisa?
Fato questionável 02 – talento técnico é a mesma coisa que talento político?

Pois bem, dos males o menor, diriam o desavisados ou aqueles que não querem se aprofundar no assunto para não se comprometerem, o que nos permite fazer outras duas perguntinhas básicas sobre o comportamento dos parlamentares em relação ao nosso futuro e que não querem calar:

– Qual será o preço político da Reforma da Previdência?
– O que restará da proposta de combate ao crime e a corrupção encaminhada ao congresso?

A resposta pode ser dada de uma só vez, porque tudo dependerá da reação do governo a essa tentativa explicita de fazer com que tudo volte a depender da uma eventual sucumbência à “política do toma lá, dá cá” praticada no passado ou da validação dos votos que elegeram a esperança de acabar com essa prática destrutiva que tanto contribuiu para que confundíssemos os conceitos de Nação, Pátrias, País e Estado.

Para recuperarmos nossa sanidade política e intelectual será preciso recorrer resumidamente ao velho e bom Dicionário Houaiss onde:

Nação sublinha os valores culturais comuns a uma população – “comunidade de indivíduos que, dispersos em áreas geográficas e políticas diversas, estão unidos por identidade de origem, costumes, religião”;

Pátria salienta um país ou território enquanto realidade afetiva a que grupos e indivíduos estão ligados – “país em que se nasce e ao qual se pertence como cidadão”;

País refere-se a um território com organização política própria – “território geograficamente delimitado e habitado por uma coletividade com história própria”;

 Estado é a entidade responsável pela organização de um território e da vida da população ou do conjunto de populações que aí habitam – “conjunto das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que controlam e administram uma nação”.

Ao que tudo indica, a velha prática de se fazer política daquela maneira pretende manter essas definições em permanente confusão para que permaneçam juntas e misturadas em nossas mentes. Assim, a população nada cobrará e não ira atrapalhar seus planos.

A tática da desinformação

A fleugma, característica dos que não deveriam se perturbar, dos que precisam permanecer impassíveis e firmes na defesa e divulgação da verdade parece estar a caminho do abandono.

Principalmente por parte daqueles que tiveram expostos os meios pelos quais obtinham acesso aos assuntos tratados dentro do Gabinete da Presidência da República.

Pelo jeito vão continuar a colocar em prática suas estratégias de guerrilha, tática de desinformação, voltadas a combater o governo na pessoa de seu Presidente em um momento tão difícil para o país sem se importar com a falta de ética.

Os veículos de comunicação que adotaram essa postura podem até tentar explicar, mas não conseguirão justificar as reportagens que distorcem os fatos de maneira tão desastrosa. Estão mais para encruzilhadas de despachos. Sabe aquele lugar onde colocam alimentos misturados a flores e perfumes baratos para ficar com aparência bonita e enganar os incautos? Pois é, o objetivo maior dos autores desses despachos é causar o mal não se importando com quem possa ser a vítima. Dizem os entendidos que basta acreditar que algo de ruim pode acontecer com quem mexe neles para que os outros sofram por isso.

Vejam que como consequência os mesmos partidos e políticos oportunistas de sempre já começaram a dar sinais de que vão abandonar o navio da mesma forma com que os ratos se caracterizam nessas ocasiões. Aliás, o governo já deu mostrar que nunca contou com eles. Portanto, não farão falta, trata-se do natural expurgo do lixo que sempre fica mesmo após a limpeza.

Um desses jornalecos oportunistas já lançou dúvidas sobre a forma como o governo vai levar suas propostas ao congresso. Sugere, visto lhe faltar estofo para identificar a fonte, um provável acerto com os presidentes das duas casas, o qual autorizaria a volta das negociações por apoio em troca de acordos com garantias ilimitadas. É muita degeneração.

Se bem que essa qualidade que deveria ser intrínseca não existe nos grupos que detém o monopólio dos meios de comunicação, na pressa inerente ao jornalismo, na briga acirrada e diária pela notícia exclusiva ou da guerra pela audiência, o fato é que tais jornalistas e seus patrões muitas vezes se afastam da conduta ética e oferecem ao público uma informação de má qualidade (*). Essa constatação é do jornalista Eugênio Bucci que se debruçou sobre o tema em seu livro intitulado “SOBRE ÉTICA E IMPRENSA”, destinado ao público em geral e aos profissionais da área que se preocupam com a degradação da forma com que está sendo tratada a notícia no país.

(*) – baseado nas referências ao texto do livro SOBRE ÉTICA E IMPRENSA – autor Eugênio Bucci – Companhia das Letras.

Pessoas, personagens e personalidades inominadas

Pessoa é a palavra que sob ponto de vista moral irá designar a criatura humana consciente, seja homem ou uma mulher, que com capacidade própria e dotada de inteligência, seja responsável por seus atos.

Personagem é uma pessoa que chama a atenção por sua atuação e que, dependendo das circunstâncias, seja motivo de consideração especial. Geralmente a personagem representa um papel fictício, criado pela mente de alguém ou pela sua própria imaginação.

Personalidade é o conjunto de aspectos regidos por normas individuais que irão definir uma pessoa sob os pontos de vista ético e moral.

São três substantivos que dependendo do ponto de vista podem ser considerados sinônimos. Entretanto, podem seguir caminhos diferentes quando observados pelas óticas das disciplinas políticas e jornalísticas.

Infelizmente, os últimos acontecimentos nos intestinos de parte da política e da imprensa nacionais acabam por diferenciar de forma definitiva a aplicação dessas belas palavras e seus significados. Digo intestinos porque a porcaria que nos é mostrada todos os dias por esses dois pilares da democracia e da cidadania ficam cada vez mais expostos, trincados que estão, rachados mesmos, e com as ferragens ou seja, suas estruturas internas à mostra, como que prestes a ruir.

Isto se dá porque as pessoas que nelas labutam perderam a ética e a moral humanas, estão se movendo exatamente pela falta de consciência, como se não fossem responsáveis por seus atos. Da mesma forma passaram a atuar como personagens de uma ópera bufa, onde se apresentam em cenas curtas de um só ato e interpretam um enredo desatinado a promover uma catástrofe, tal qual a sequencia de uma erupção vulcânica onde mesmo sabendo dos resultados desastrosos do tsunami que fatalmente virá estão pouco se lixando. Querem vender apoios e notícias, mesmo que pereçam vítimas de suas próprias faltas de escrúpulos.

Quanto às eventuais personalidades que poderiam restar desse enredo tragicômico, elas nunca serão formalmente reconhecidas pelo público, carecem de postura, não se constroem pessoas ou personagens sem que essas contenham os ingredientes básicos para tanto. Falta-lhes a necessária rigidez ética e moral.

Questão de preferência

Há quem prefira que o Presidente Bolsonaro lave sua roupa suja em casa. Gosto não se discute! No entanto, os que estão criticando a forma direta como ele age em relação aos acontecimentos envolvendo o uso inadequado do Fundo Eleitoral de seu partido demonstram que não o conhecem. Ainda estão desnorteados com a natural franqueza com que trata os assuntos que a seu ver podem atingir a governabilidade.

Agindo assim o Presidente da República consegue ser ao mesmo tempo a realização personificada de quem o elegeu e o protótipo da ruptura para a parte do eleitorado que votou contra. Indubitavelmente ele é exatamente isso, coisa de mito, posto que encarna aspectos imprevisíveis e por isso mesmo inovadores para uma nação que havia se acostumado ao dirigismo demagógico, ao profissionalismo político, ao proselitismo ideológico e aos obscuros objetivos das negociatas entre governantes e membros do Congresso Nacional.

Toda essa desavergonhada mescla de coisas ruins gerou e ainda produz seus efeitos danosos nas atuais condições humanas do país. Já ele é direto, sem meias palavras nem meias medidas. Nós é que estamos mal acostumados com políticos que só sabem fazer de conta que nos entendem, que fingem trabalhar pelo país, que sonegam a verdade e que vilipendiam a nobreza de suas vitórias nas urnas enquanto se acomodam nas acolchoadas poltronas do plenário onde deveriam estar nos representando, mas que só fazem agir em seus próprios proveitos.

Já estão mostrando suas garras e a que vieram, afinal tiveram ótimos professores, alguns ainda estão por lá. Um deles, bem o disse quando percebeu que seria vencido pelo sagacidade de um de seus melhores alunos e por sua própria empáfia. Foi o que vociferou em seu último pronunciamento quando renunciou a disputa.

Aqueles que estão colocando a liderança de Bolsonaro em jogo apostam que conseguirão diminuir sua capacidade de gerenciar crises e vão tentar criar dificuldades a medida em que a equipe de governo for colocando em prática seus planos. Agora começam a se expor os políticos que se transvestiram de apoiadores só para se eleger e reeleger. Sem as máscaras da falsidade e já empossados aproveitarão qualquer oportunidade para atingi-lo. Caso do Presidente da Câmara dos Deputados que não poupou chumbo grosso para atacá-lo imediata e diretamente neste último episódio. Nem  procurou ouvir sua versão, como deveria ter feito antes de se manifestar de maneira tão desastrosa.

Daquela outra parte da imprensa então, nem é preciso citar as maledicências que foram imediatamente noticiadas para forçar que o evento se transformasse em uma hecatombe política, o que não conseguiram até agora.

A produtividade Maia

“-Não podemos cobrar do funcionário público a produtividade do empregado privado”.

Esta é mais uma pérola do corolário verborrágico da política brasileira, desta vez pronunciada pelo Excelentíssimo Senhor Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, em sua penúltima entrevista ao Jornal das dez da Globo News. Na última, atiçado pela reporter daquela mesma emissora, jogou lenha na nova fogueira com que querem assar o Governo. Naturalmente para exercitar suas já conhecidas táticas de desconstruir para depois negociar apoio. Coisa de seu caráter particular.

Uma afronta ao bom senso, um desrespeito ao trabalhador, seja ele publico ou privado, que paga os impostos que pagam os salários dos funcionalismo público concursado e/ou contratado para, nas palavras do Ilustre Deputado, produzir menos e mesmo assim ganhar mais que qualquer outra pessoa para fazer a mesmíssima coisa em outro lugar que não seja um emprego público.

Precisamos ter uma resposta adequada para o fato de diferentemente dos empregados privados os funcionários públicos terem o direito de receber melhores salários, se aposentarem melhor, trabalharem menos, ganharem mais abonos e benefícios, serem estáveis e mesmo assim não serem cobrados com o mesmo rigor por sua produtividade.

Podemos dizer que o Presidente Rodrigo Maia foi honesto ao reconhecer que lá prestam serviço pessoas que ganham mais para fazer menos? Não, porque sua intenção foi exatamente oposta a essa sua afirmação. Pelo visto ele apenas mostrou que não vai fazer o que é preciso ser feito. Em outras palavras, tenta nos enganar fazendo uma perfumada manipulação dos mecanismos de gestão de pessoal da Câmara dos Deputados para fugir do principal. Do que lhes corta a carne e esvazia os bolsos.

A proposta de modernização da Câmara Federal com mudanças apenas nos contratos de novos servidores sem o mesmo tratamento em relação às despesas dos ilustres e privilegiados Deputados Federais é como jogar pedra na lagoa porque só faz ondinha e se dissipa nas margens, se é que chegam tão longe. A desculpa de sempre faz referencia aos intocáveis direitos adquiridos, mesmo que imorais e até inconstitucionais pela forma com que foram obtidos.

Quem ainda não sabe que esses “direitos adquiridos” foram propostos por eles, para eles usufruírem e foi por eles mesmos aprovados? E mais, que seus efeitos foram e ainda são transmitidos em cascata para todos os outros poderes que por sua vez, tal qual uma epidemia virótica, vai infectando o país até alcançar o município do mais distante rincão da pátria, tal qual acaba de fazer o STF.

É desse mal que padeceremos até que sejam modificadas as leis que os instituíram e os decretos que os regulamentaram para que seus maléficos efeitos sejam aos poucos eliminados. (O titular do direito adquirido extrairá os efeitos jurídicos elencados pela norma que lhe conferiu esse direito mesmo que surja nova lei contrária à primeira. Continuará a gozar dos efeitos jurídicos da primeira norma mesmo depois da revogação da norma.)

Se há coragem para propor mudanças no regime de contratação do funcionalismo público na Câmara Federal também deveria haver para enfrentar o maior dos efeitos danosos destes poços sem fundos em que se transformaram suas despesas com salários e custeio graças aos despropositais aumentos consentidos.

Porque não aproveitar a oportunidade e propor a adoção das necessárias e urgentes medidas saneadoras nas estruturas dos três poderes da República daqui para a frente?

A resposta todos sabemos. É porque para isso não bastará apenas cortar da carne, será preciso estripar o monstro. Então, já que direitos adquiridos não podem ser descontinuados que sejam extintos seus cargos e funções.

Interessante salientar que o seleto grupo de entrevistadores da Globo News se fez de surdo e ficou calado ao ouvir tamanho impropério.

Um paradigma jornalístico

É o que se constata ao ver que parte da imprensa permanece em campanha, agora fazendo seu jogo de interesses. Como não tem competência legal nem legitimidade eletiva para representar politicamente quem quer que seja só lhe resta fazer politicagem.

Rebaixa-se aeticamente através de desinformações criadas a partir de dados obtidos por meio de colaboradores cooptados nas organizações públicas e políticas, verdadeiros informantes (muitas vezes políticos em mandado), com o objetivo sistêmico de buscar nos assuntos polêmicos sinais de necessários ajustes para expô-los como se desavenças fossem. A essas situações corriqueiras de trabalho em qualquer instituição, seja pública ou privada, classificam de tropeços e disputas pelo poder.

Como aconteceu no significativo caso das fake news plantadas em certo jornal paulista quando da campanha presidencial continuam a publicar matérias ditas exclusivas, mas que não passam de ilações de bastidores pois trazem a possibilidade de serem refutadas a qualquer momento já que se fundamentam em especulações e em valorizar o mal feito, desprestigiando propositalmente as boas notícias.

Uma ocasião que bem caracteriza os critérios utilizados (ou a falta deles) para decidir qual informação passar ao cidadão foi o reconhecimento ao vivo pelo jornalista Pedro Bial de que notícia boa não dá primeira página. Um verdadeiro escárnio, uma manifestação ostensiva de desdém para com o público.

A justificativa para que isso continue a acontecer parece ser um paradigma jornalístico onde permanece constante a incoerência de preferir destacar o mal em detrimento do bem. Como para os meios de comunicação notícia boa não vende jornal tudo leva a crer que continuarão a investir no que é pior para nós porque é melhor para eles.

Neste mesmo diapasão, sites que deveriam ser imparciais só fazem por em prática a máxima anarquista que diz: – “Hay gobierno? Se hay soy contra. Se no hay, también soy”. Será que não percebem que assim acabam por expor ainda mais suas ligações políticas e/ou a falta que fazem as metas financeiras alcançadas no passado através de seus contratos com os governos anteriores?

Parece que não, posto que permanecem usando como instrumentos de pressão as mesmas formas de manipulação das notícias quando estas se referem ao governo e seus dirigentes, inclusive familiares e amigos.

É o que se vê desde que foi encerrada a cobertura da campanha presidencial e parecem estar a trabalhar para obstruir os planos e projetos que vêm sendo desenvolvidos na intenção de resgatar um país que estava mergulhado em sua mais profunda crise socioeconômica.

A continuar assim logo estarão pagando o preço justo pela falta de bons critérios para a venda de seus serviços de informação a um público que, ao contrário do que imaginam, aprendeu a filtrar suas informações através das várias fontes disponíveis. Isso mostra como é importante separar o joio do trigo e que somente após as diversas etapas de apuração é que se chega aos diamantes ou, se quiserem, às notícias verdadeiras.

Seria fácil declarar essa parte da imprensa a única culpada, mas infelizmente não estão sós. Somos seus cúmplices na medida em que aceitamos pacificamente o cabresto que nos oferecem diuturnamente. Guiados pelas rédeas da má informação ou pela informação do mal, neste caso a ordem dos fatores não muda a notícia, permanecemos surdos, cegos e mudos diante da televisão e do aparelho celular.

Repassem sem dó.

Essa frase, quase um pedido, soa mais como uma proposta de articulação contra um inimigo tão imaginário quanto a boa intenção de quem a difunde. Ela pode ter sido o motivo pelo qual a maior rede de comunicação do país e uma das maiores do mundo iniciasse a campanha “a globo não mostra” a algumas semanas em seu programa dominical de atualidades.

As cenas finais daquele programa foram no mínimo uma declaração de intenção e o reconhecimento de que já vivem a desesperança do declínio. Reflexo que se verifica quando de sua posição ambígua frente a quem se atreva a não lhes estender a mão pedindo cartas como se fossem eles os crupiês do jogo de pôquer da imprensa brasileira.

A mesma situação é vivida pelo que resta da politocracia em que se tornou o país nas últimas três décadas, desde a Constituição de 1988, aquela que a princípio conhecemos como a constituição cidadã, mas que de tão manipulada foi transformada na constituição dos políticos. A começar pelas mudanças em seu Artigo Primeiro, Parágrafo Único, alterado para permitir os privilégios do poder a quem o exerce. Onde se lia “todo poder emana do povo e em seu nome é exercido” lê-se desde então “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos direta ou indiretamente, nos termos desta Constituição”Assim, uma nova constituição foi sendo reescrita por políticos para os políticos e para tornar-se sua própria tábua de salvação.

E o povo? O povo que se dane? O que nossos representantes eleitos menos fizeram até agora foi prestar contas a nós, seus representados eleitores, do que dizem fazer em nosso nome e que em verdade só a eles beneficia.

Dai, como se fossemos replicadores autômatos recebemos o tempo todo mensagens que dizem traduzir a verdade, que mostram a crueza dos fatos, que apresentam fatos incontestáveis, que prometem reverter situações irreversíveis e outras esperanças mais, bastando para tanto que vocês repassem sem dó seu conteúdo.

Ora bolas, isso é como tentar abraçar o vento. Um impropério tão grande como aquele que certa presidenta pensou poder ser feito ao sugerir estocá-lo como fonte de energia.