Perderam a essência

Quem você elegeu é um ambicioso político ou um político ambicioso?

Dependendo da construção da frase ou da ordem das palavras o substantivo vira adjetivo e vice-versa. É isso que estamos vivendo nos últimos tempos, um dilema existencial no âmbito da política nacional com nossos congressistas perambulando entre a razão de “ser” e a intenção de “ter”. Alguns já não escondem suas intenções nem se importam com a missão outorgada por quem os elegeu, agarram-se aos direitos e benefícios que obtiveram as nossas custas enquanto curtem seus mandatos, isso lhes basta, é o que lhes interessa.

Voltando à gramática, a ambição como substantivo traduz o anseio do indivíduo por alcançar determinado objetivo, já ambicioso é um adjetivo e indica desejo incontrolável por poder, riqueza, glória e/ou realização.

Política é outro substantivo, e denota arte ou mesmo ciência no que diz respeito ao ato de governar, entretanto, quando tratamos de quem a pratica e exerce, o político, passamos a conhecer uma das poucas situações em que uma palavra consegue ser adjetivo e substantivo, mas que na maioria das vezes remete a astúcia, esperteza, habilidade, maquiavelismo, trapaça e outras, todas substancialmente mais substantivos que adjetivos (a ênfase é pertinente).

Segundo Sócrates, político é um homem público que lida com a chamada “coisa pública”. Segundo Platão, é uma pessoa filiada a um partido ou “ideologia filosófica de conduta” (¹).

O purismo das mencionadas considerações filosóficas acima adquiriu aspectos nada edificantes quando através do tempo a ambição se transformou em ganância e a política em profissão; quando a astúcia se transformou em usura e a ética, por ser um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral (²) passou a ser um empecilho aos acordos e conchavos nas coxias do Congresso Nacional.

A história recente das relações políticas do país não tem a abnegação como fundo, não existe altruísmo em seu enredo nem honra em seus capítulos.

Muitas das pessoas que lá estão são figuras pálidas, toscas mesmo, perderam a essência, são carcaças podres, corroídas pela corrupção endêmica e rejeitados sociais, razões pelas quais vão precisar de muita coragem para voltar a andar a pé pelas ruas de seus redutos eleitorais.

(¹) Wikipédia (²) Estudegratis

 

Questão de sobrevivência

Quando se está quebrado quase nada é possível fazer de positivo, impactante e imediato. Há que antes ter tempo e apoio para trabalhar, administrar despesas, recuperar a economia e gerar os recursos financeiros necessários para investir em áreas prioritárias. Temos que ter coerência e ajudar, dar o devido tempo, senão correremos o risco de passar pelo que estamos vendo acontecer no Chile.

É compreensível, mas não aceitável a falta da percepção de pessoas que insistem em esperar do governo uma intervenção direta, uma reação forte e efetiva às provocações do condenado solto através de suas tempestivas provocações desde antes da decisão do STF de soltá-lo e descaradamente externalizadas desde o dia 7/11/2019.

Muitos não percebem o que a tempo está em gestação pelos estrategistas do lulopetismo. Não veem que a utilização da lei, mesmo que constitucional, irá dar a munição necessária aos que assim almejam para promover o caos, acusar o governo de ditadura e daí por diante tentar novamente consumar o fracassado golpe comunista de 1964.

É preciso ser realistas e ver que as estruturas dos partidos de esquerda estão prestes a se romper, para tanto basta o governo continuar administrando o país como competência, paciência e esperar que se afoguem em seus próprios erros ou se enforquem com suas próprias mãos.

Um atentado auto-promovido contra seu líder agora solto passa a ser uma possibilidade, um “plano B”, por assim dizer.

Sim, porque confirmada a perda da credibilidade do lulopetismo após não ter sido verificada qualquer comemoração espontânea por sua soltura também contribui para isso a forma racional como o governo vem tratando a crise que procuram instalar no país através de incentivos a atos de vandalismo e do desrespeito a ordem pública.

Os partidos de esquerda estão entrando em desespero, jamais imaginaram, o condenado solto e seus asseclas, tamanho desgaste à sua imagem. Sequer desconfiaram que seu papel aqui fora seria mais prejudicial a seus planos que a permanência dele na prisão.

Se a estratégia de soltura continuar não dando certo, como de fato não está, poderá não lhes faltar coragem para por em prática um“plano B”, um ato de desespero à semelhança de outros que se desconfia promoveram no passado contra seus próprios membros para alcançar objetivos.

Um atentado programado contra o líder para fazer de sua desgastada e cada vez mais apagada figura política uma quase vítima ou até um mártir, caso errem na forma, para instalar o clima de que precisam para por em prática a mesma estratégia da esquerda usada no Chile.

Os esquerdopatas vêm demonstrando através dos tempos que são capazes de tal insensatez, até porque hoje o condenado solto só atrapalha seu objetivo mais premente, a sobrevivência.

Eternos devaneios

Ouvir alguém comparar o ex-presidente condenado, preso e agora solto com Nelson Mandela é revoltante.

Vista disto cabe refletir sobre essa exdrúxula manipulação dos fatos, razão pela qual vamos citar apenas algumas das verdades que distanciam os dois posto que de outra forma seria necessário escrever um tratado sobre o certo e o errado.

Vamos lá:

  • Nelson Mandela foi preso por seu intenso ativismo político e sob a acusação de incitar greves de trabalhadores e de deixar o país sem permissão; O ex-presidente em questão foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Mandela foi condenado a prisão perpétua; O ex-presidente foi condenado a nove anos e oito meses de prisão.
  • Mandela passou 27 anos preso; O ex-presidente 1 ano e sete meses.
  • Mandela foi foi libertado quando sufocado pelas sanções internacionais o regime do Apartheid iniciou um processo de abertura e soltou o principal rosto de sua oposição. Antes ele havia recusado uma revisão da pena e a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada; O ex-presidente foi solto por uma manobra política através da modificação de uma decisão sobre prisão em Segunda Instância proferida pelo próprio STF três anos antes pelo mesmo placar (6 a 5) só que com o resultado inverso. Antes ele havia declarado que só sairia da prisão se fosse inocentado o que não aconteceu.
  • Mandela conquistou o prêmio Nobel da Paz ao lado do presidente da África do Sul, Frederik Willem de Klerk, por seus esforços conjuntos pela reconciliação do povo sul-africano; O ex-presidente ao ser solto propôs a revolução popular contra o presidente Jair Messias Bolsonaro ao invés de propor a pacificação política do Brasil, uma das razões pelas quais certamente nunca receberá o Prêmio Nobel.

Para não alongar “ad æternum a comparação entre os dois é bom finalizar destacando o fato mais marcante nas inúmeras diferenças entre eles.

Durante todos os 27 anos em que ficou preso Nelson Mandela, homem culto que se formou advogado e foi fundador do primeiro escritório liderado por negros em seu país teve por único e principal conselheiro o bom e velho travesseiro que certamente o lembrava dia após dia, noite após noite do homem que inspirou sua luta, o indiano Mahatma Gandhi que defendia o ideal de resistência pacífica.

Já o ex-presidente que continua condenado está solto, mas não livre recebeu diariamente seus advogados, militantes partidários, políticos comunistas, políticos socialistas, líderes de movimentos ilegais, jornalistas simpatizantes, outros ex-presidentes comunistas e por aí em diante, os quais certamente contribuíram para incentivar seus eternos devaneios.

STF – A derrota da honestidade na vitória da impunidade.

É o que temos para lamentar em um país onde a soberba do STF ou melhor, da maioria de seus membros, é comemorada pelas máfias do colarinho-branco e políticos corruptos juntamente com seus advogados ao mesmo tempo em que é lastimada pela desolada e agora ainda mais desprotegida população brasileira.

Como ter esperança de restaurar a prisão em segunda instância através do legislativo, aparentemente a última trincheira pacífica frente essa infâmia contra a ordem e a segurança do país, se em última análise suas duas casas têm se unido ao judiciário na defesa de seus mesquinhos interesses comuns e troca de favores quando a própria causa hoje perdida é uma das bandeiras de muitos, senão da maioria de seus repugnantes membros.

E pensar que a teimosa ignorância política ainda elege e nomeia gente assim para cuidar dos interesses do país.

O dia 7 de novembro de 2019 ficará na memória de todos como a data em que o judiciário traiu sua missão em favor daqueles que hoje estão presos por crimes contra o país e por agirem contra o próprio ordenamento jurídico que aprovaram pelo mesmo número de votos a três anos.

Dos tronos supremos de onde não só interpretam a constituição a seu bel-prazer como também alimentam seus egos a ponto de debochar do executivo e das instâncias judiciárias inferiores com palavras de baixo calão, sorrisos sarcásticos e brindes asquerosos pela vitória na derrota que impuseram a seu próprio país olham para nós como se fôssemos seres inferiores.

Hoje decretaram que neste país ser honesto passou a ser sinônimo de idiota porque o crime quando não compensar será inimputável por recursos e outros subterfúgios legalizados.

Belo recado estão dando ao mundo sobre a segurança jurídica de um país que tanto necessita dela. Aliás, as consequências já se avizinham e parecem cronometradas com as movimentações de radicais socialista e comunista inconformados com as derrotas que sofreram nas últimas eleições e com a prisão de seus líderes.

Os caminhos para a desordem e as ações terroristas que acontecem nos países vizinhos onde também foram derrotados foram pavimentados só falta serem percorridos e isso fatalmente acontecerá de uma forma ou de outra, seja pela libertação de presos, seja por decidirem mantê-los onde estão.

De qualquer forma corrigir essa desgraça pelos caminhos legais será demorado porque as chicanas serão de difícil transposição já que os seis soberanos ministros da discórdia tentarão manter abertas as portas do inferno enquanto lá permanecerem.