Ouvir alguém comparar o ex-presidente condenado, preso e agora solto com Nelson Mandela é revoltante.
Vista disto cabe refletir sobre essa exdrúxula manipulação dos fatos, razão pela qual vamos citar apenas algumas das verdades que distanciam os dois posto que de outra forma seria necessário escrever um tratado sobre o certo e o errado.
Vamos lá:
- Nelson Mandela foi preso por seu intenso ativismo político e sob a acusação de incitar greves de trabalhadores e de deixar o país sem permissão; O ex-presidente em questão foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
- Mandela foi condenado a prisão perpétua; O ex-presidente foi condenado a nove anos e oito meses de prisão.
- Mandela passou 27 anos preso; O ex-presidente 1 ano e sete meses.
- Mandela foi foi libertado quando sufocado pelas sanções internacionais o regime do Apartheid iniciou um processo de abertura e soltou o principal rosto de sua oposição. Antes ele havia recusado uma revisão da pena e a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada; O ex-presidente foi solto por uma manobra política através da modificação de uma decisão sobre prisão em Segunda Instância proferida pelo próprio STF três anos antes pelo mesmo placar (6 a 5) só que com o resultado inverso. Antes ele havia declarado que só sairia da prisão se fosse inocentado o que não aconteceu.
- Mandela conquistou o prêmio Nobel da Paz ao lado do presidente da África do Sul, Frederik Willem de Klerk, por seus esforços conjuntos pela reconciliação do povo sul-africano; O ex-presidente ao ser solto propôs a revolução popular contra o presidente Jair Messias Bolsonaro ao invés de propor a pacificação política do Brasil, uma das razões pelas quais certamente nunca receberá o Prêmio Nobel.
Para não alongar “ad æternum“ a comparação entre os dois é bom finalizar destacando o fato mais marcante nas inúmeras diferenças entre eles.
Durante todos os 27 anos em que ficou preso Nelson Mandela, homem culto que se formou advogado e foi fundador do primeiro escritório liderado por negros em seu país teve por único e principal conselheiro o bom e velho travesseiro que certamente o lembrava dia após dia, noite após noite do homem que inspirou sua luta, o indiano Mahatma Gandhi que defendia o ideal de resistência pacífica.
Já o ex-presidente que continua condenado está solto, mas não livre recebeu diariamente seus advogados, militantes partidários, políticos comunistas, políticos socialistas, líderes de movimentos ilegais, jornalistas simpatizantes, outros ex-presidentes comunistas e por aí em diante, os quais certamente contribuíram para incentivar seus eternos devaneios.
