Ainda sobre o VLT

Entro no assunto para tentar esclarecer alguns pontos colocados até o momento.

Faço isso devido minha formação profissional, mas sem outra motivação que não a de tornar acessíveis alguns aspectos do assunto que vão ficando à margem de comentários e opiniões o que só têm servido para confundir ainda mais a opinião pública dando pouca margem a seu necessário esclarecimento.

Não é de todo correto o ponto de vista de que o BRT causaria menos impacto no trânsito da cidade porque assim como o VLT ele também percorreria e cruzaria as mesmas avenidas e ruas tendo as mesmas prioridades em cruzamentos e sinais de trânsito. Os acessos aos ônibus também seriam feitos nos canteiros centrais além do que, devido à necessidade de mais áreas para as pistas de rolamento exclusivas para os veículos de seu sistema de transporte (mais que o VLT necessita) ocupariam parte ou mesmo todas as faixas de trânsito localizadas junto aos canteiros centrais causando com isso os necessários ajustes nas faixas laterais das avenidas o que provavelmente levaria à redução na largura das calçadas existentes e até mesmo desapropriações em maior escala, bem mais que o VLT causa para ajustar todas as vias ao BRT sem prejuízo ao trânsito de veículos e pedestres, principalmente estes últimos.

É claro que olhar o problema sobre os impactos negativos existentes depois de as obras terem sido paralisadas levam a equívocos exatamente por falta de informação, caso específico da aquisição das unidades de transporte do VLT. Acontece que tudo leva a crer que foram adquiridos considerando a relação direta do cronograma das obras com o cronograma de entrega dos equipamentos. Daí que as obras atrasaram, sequer foram concluídas, por outro lado os equipamentos não, posto que foram entregues conforme o contratado, resta alguém checar isto é falar o que de fato ocorreu.

Bem isso tudo não desmerece a preocupação de todos, estando certos ou equivocados, porque como cuiabanos estamos mesmo é furiosos com a situação ou seja, como sempre servindo de massa de manobras políticas e desrespeitados por quem nos enganou e provavelmente também nos enganaria caso o governo tivesse optado pelo BRT.

A verdade que parece existir e que nunca é citada é que uma obra deste vulto, com tamanha complexidade, diversas interfaces, várias interferências técnicas e com a necessidades de um relacionamento político proativo entre Governo do Estado e as duas Prefeituras Municipais envolvidas com o dia a dia da Região Metropolitana de Cuiabá, seja VLT como de fato é ou BRT, como poderia ter sido, o prazo de execução dificilmente seria cumprido para a Copa do Mundo de 2014. Todo e qualquer profissional da área envolvido no projeto ou não, deveria ter consciência disso.

A outra opção que muitos confundem com o BRT seria a implantação de pistas exclusivas para ônibus junto ou mesmo nos canteiros centrais, obra menos complexa, mas que certamente enfrentaria muitas das mesmas dificuldades para sua implantação, principalmente junto aos detentores dos contratos de concessão dos serviços de transporte urbano/metropolitano de passageiros.

Paro por aqui, porque em nada ajudaria tratar ou trazer outras considerações quando a intenção é de apenas esclarecer um pouco mais o assunto.

Espero ter contribuído.