Acho que Bolsonaro resistirá até a ultima gota de força que tiver, mas se continuar a ser traído como está sendo pode não chegar ao fim de seu mandato.
Tudo o que manda para os outros dois poderes não tem eco, fica sem resposta ou é deformado porque ele não negocia poder. Se negociar, muitos de seus próprios eleitores, aqueles que dizem o apoiar sob qualquer circunstância serão os primeiros a ir contra as medidas de força que ele tiver que tomar para manter o controle do governo.
Esqueçam os filhos, essa fantasia de interferência não se sustenta sozinha, a própria PF já mostrou isso. Fosse assim, ele já não estaria mais no governo porque algum delegado, o ex-Diretor Geral ou o próprio ex-Ministro o teria denunciado e com provas consistentes bem antes dessa pataquada ridícula estilo Glenn Greenwald.
Fato é que desde o primeiro dia de governo Bolsonaro não tem o apoio dos outros dois poderes porque representa o oposto do que querem. Como um Presidente da República age nessas horas? Qual alternativa teria para ser levada adiante estando sozinho? Digo sozinho porque não cabe outra explicação.
No caso da demissão de Mandetta muitos o criticaram por isso. Não perceberam que era preciso demiti-lo porque apesar do aparente bom trabalho ficou claro que o Ministro da Saúde era uma pessoa plantada pelo Legislativo e que se submetia antes a ele, o Legislativo por conveniência, e à mídia por outros interesses. Quem o conheceu como parlamentar e Secretário de Saúde da Prefeitura de Campo Grande/MS sabe disso.
Bem, Bolsonaro o trouxe para o governo como o médico indicado pelo DEM do Maia e do Alcolumbre ou seja, negociou com os dois chefes do Legislativo a indicação de um “técnico” e deu no que deu porque eles queriam mais.
Para muitos foi um erro tirar Mandetta para outros tantos um acerto. Acerto no sentido de manter o poder e a palavra que deu para quem o elegeu. Foi para a frente do combate ao Coronavírus chinês, se expôs como é sua característica, pediu ajuda ao Ministro da Saúde para apoiar suas propostas e nada.
Passado o tempo vemos agora que Mandetta, alguns governadores e vários prefeitos diziam estar seguindo somente a ciência, só que não era só ciência, o componente política também estava lá. Portanto, a questão envolveu e envolve disputa pelo poder, sempre ele.
Agora temos outro técnico no Ministério da Saúde, um cientista sem indicação política com pouco traquejo no lidar com espetáculos e que já está sendo criticado por isso. Prova que o Congresso não quer um cientista, o STF não quer um cientista e a imprensa não quer um cientista, querem um comunicador para dar, vender e até negociar notícias todos os dias as 17:00 h ou seja, um político.
Já o Moro fez o que fez porque ficou sem palco. Quando era chamado pela midia, a mesma que agora ele convocou, sempre foi para falar de sua relação com o Presidente, coisa que continuou a acontecer até quando ele promoveu seu show particular para a imprensa e o mundo. Tudo pelo poder, ele queria e continuar a querer poder!
Não, não foi a questão de quem seria o Diretor Geral da Polícia Federal e sim quem teria o poder de controlar a informação.
Quando Moro viu que quem ele controlava pediu para sair e que em consequência ele também perderia o poder de controlar a PF chiou e saiu atirando.
Essa história de pressão do Presidente sobre o DG da PF não convence mais, isso porque o próprio ex-diretor não saiu atirando acusando Bolsonaro como Moro o fez. Se fosse verdade ele estaria lá, na coletiva do ainda Ministro Moro, no palco, para referendar tudo o que estava sendo dito, inclusive usando seu próprio nome, ao vivo e a cores. Mas não, ele não estava lá. Estranho ou revelador? Você decide.
Bom, girei, girei e voltei a questão do poder ? Que poder o Presidente tem para exigir relatórios da PF? Nenhum, nem seus eleitores concordam com isso. Pois bem, ele nunca o teve e nunca terá. Alguém dúvida disso? Nem na época do FHC, do Lula, da Dilma e do Temer isso foi possível e olha que tentaram, e bem mais que Bolsonaro, até porque seus Ministros eram políticos e partidários. Os Diretores Gerais não, lembram, eram do quadro técnico e continuam a ser para nossa proteção.
Voltando ao assunto principal, como então continuar governando sem negociar com parte do Legislativo? Praticamente Impossível. Ele bem que tentou, mas em seus termos. Quem implodiu suas continuas tentativas foram os de sempre, deputados e senadores, porque ele nunca negociou o controle do Poder Executivo.
Por isso, por ser fiel a suas promessas de campanha sequer teve o apoio de todos aqueles congressistas eleitos nas suas costas, foi traído por vários e ao vivo.
Como então continuar sua luta? Não há saída, todas as portas estão sendo fechadas, as últimas são aquelas que estão nas mãos dos que o elegeram e que agora cobram solução, mas hesitam em dar o apoio que ele precisa para poder negociar com honra.
Com quem o Presidente vai negociar? Com a oposição? Não, só existe um campo à frente, o centrão, o fiel da balança, sempre foi e sempre será assim. Um campo cheio de minas espalhadas por toda sua extensão. Não será fácil, nunca foi, mas caminhar entre elas será mais uma missão do Presidente. Não há outro caminho.
O receio é de que sem negociar um mínimo de espaço para manter o poder ele não consiga ir até o fim de seu mandato porque muitos dos que o elegeram veem isso como traição. Vamos ver até onde ele e os que o apoiam conseguem chegar.
Espero que até 2022, onde não vai concorrer com Lula ou outro esquerdista qualquer, será Moro quem estará com a bandeira vermelha da social-democracia nas mãos. Alguns já dizem que pelo PSDB, quando finalmente os tucanos assumirão sua verdadeira coloração.
É assim que vão tentar voltar, isso já está claro, foi tramado e agora exposto qual ferida purulenta.



