Tempos atrás li em um livro sobre comportamento humano que Al Capone, o gângster, comentou após ser preso que se considerava um injustiçado e que não entendia porque não viam que tudo o que ele fez foi com a intenção de possibilitar prazer e alegria para as pessoas.
Já Hitler cometeu suicídio convicto de que estava certo em promover a limpesa étnica da raça ariana eliminando aqueles que considerava inferiores. Em seus delírios de autoritarismo fez aprovar ainda em 1935 as Leis de Nuremberg, sendo duas delas determinantes para seu intento. A Lei de Cidadania do Reich e a Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã. Estas leis incorporavam muitas das teorias raciais que embasam a ideologia nazista, a social-democracia alemã do III Reich.
Em outra ocasião, esta já em 1939, Hitler assinou o Aktion T4, um decreto que permitia aos médicos nazistas aplicarem o que chamava de morte misericordiosa aos doentes incuráveis, aos que tinham problemas físicos e mentais, idosos senis, além de outras circunstâncias que nem cabe citar tão degradante era a legislação imposta. Ela foi o instrumento utilizado por ele para perseguir judeus, outras etnias e pessoas que considerasse inúteis à sua pretensão de modo que seus atos ficassem dentro dos limites legais.
Outro caso emblemático sobre o comportamento das pessoas que consideravam seus atos justificáveis é o de Che Guevara, médico e homicida argentino que morreu acreditando ser uma pessoa que podia assassinar seus inimigos em nome da causa ideológica que militava. Um raciocínio tão brutal que prejudicou suas relações com os próprios companheiros de luta após chegarem ao poder. Guevara foi afastado por Fidel a partir do momento em que seus excessos sanguinários passaram a prejudicar a imagem da revolução. Ele virou herói depois de morto porque enquanto vivo atrapalhava mais que ajudava. Só depois de sua morte passou a ser melhor aproveitado, então como garoto propaganda. Suas desavenças com Fidel foram além das questões de autoridade que estavam em jogo após a vitória. Che era um argentino querendo mandar em Cuba e pior, era ligado ao partido comunista chinês enquanto que os cubanos desde o início foram ligados aos russos.
Algo parecido com a situação do ex-presidente Lula, vez que a social-democracia daqui não consegue esconder que seu líder atrapalhava menos quando estava preso que agora estando solto. Sua situação é tão vexatória que mesmo em liberdade a condição de condenado em segunda instância continua a mantê-lo ligado a seus crimes. Tanto, que não se atreve mais à exposição pública em ambientes não controlados por sua milícia ideológica por medo de ser ridicularizado. E ele ainda defende seus atos de corrupção e autoritarismo como se a razão de tudo o que fez pudesse ser justificada porque visava dar suporte financeiro a seus objetivos políticos. Seu erro foi ter o ego maior que a inconsequência, o que o levou como também a todos os criminosos citados anteriormente a se sentirem inimputáveis.
Esses exemplos servem de referência para descrever as personalidades que compõem o triunvirato de inimigos do atual governo vez que procuram justificar seus atos com o fim a que se destinam ou seja, tomar o poder através da imposição de um parlamentarismo forçado ao cercear os poderes e as prerrogativas do Executivo.
Percebe-se nos atos e nas justificativas apresentadas para comete-los a existência de uma sequência de situações previamente combinadas e que alegam ser constitucionais a cada passo dado em direção a seu intento. O que já não estava propositalmente previsto na Constituição é invariavelmente interpretado com viés contrário ao demandado pelo Executivo. Razão pela qual as mensagens, propostas e medidas, mesmo que provisórias do governo são deformadas, modificadas ou engavetadas até perderem a validade. Nesse mesmo sentido os processos encaminhados por opositores são priorizados pelo STF, já os do Executivo e de quem o apoia são relegados a segundo plano ou sumariamente derrotados pela maioria dos ministros que, sem exceção, foram galgados às posições de máximas autoridades judiciais do país por conveniência política, nenhum por mérito.
A prova incontestável dessa verdade reside no fato de que nenhum deles foi nomeado defendendo posições contrárias às dos Presidentes que os indicou, algo inadmissível em se tratando de um judiciário que tem uma estátua com os olhos vendados a simbolizar sua pretensa imparcialidade. Muitos, se não a totalidade, trabalharam para políticos e governos ou defenderam interesses partidários “fazendo por merecer” o régio reconhecimento pelos serviços prestados não ao país, mas a seus então dirigentes.
E agora então, com o pedido de demissão de um Ministro da Justiça e Segurança Pública a quem cabe provar as acusações que fez quando chamou a imprensa para se expor e ao governo publicamente, coisa que até ontem dizia abominar. Como um ex-juiz, hoje jurista respeitado internacionalmente se cala por tanto tempo sendo sabedor dos crimes que agora imputa ao Presidente da República? Não sabe ele que se associou aos mesmos crimes por não tê-los denunciado de pronto? Teria participado de tudo conscientemente enquanto vislumbrava vantagens futuras e por isso se calou por tanto tempo até pressentir sua demissão por outro motivo? Por fim, como reagirão os políticos e a população? O que esperar para o futuro quando um governo que tem no apoio popular seu maior trunfo se mostra travado por causa das crescentes dificuldades que vêm sob encomenda e as quais se somam aquelas que ele próprio cria? Sim, as perguntas são pertinentes porque ao contrário dos acontecimentos do passado as ações e decisões das pessoas são agora expostas tão logo tomadas, possibilitando assim serem avaliadas de imediato e por todos.
A lição que fica é que estamos cansados das mentiras e meias verdades ditas por membros dos Três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário).
Minha conclusão, ao contrário do que diz o ditado popular e a necessidade de se evitar o contágio pelo coronavírus chinês é que “nessa trama política em que estamos uma mão suja a outra”.
