O advento das comunicações modernas via satélite e cabo de fibra ótica, aparelho celular (o tal smartphone) e o computador permitiram que as questões relativas as conquistas dos Direitos passassem a ser amplamente discutidas e divulgadas…Deveres não.
Direitos e Deveres não são ideias, são regras. Há quem as considere dicotômicas como alguns psicólogos, daí serem entendidas por aqueles como regras distintas na origem o que bastaria para não considerarem uma mais importante que a outra. Nesse contexto há quem considere o “adjetivo” Direito pertinente a tudo que um indivíduo quer fazer. Entretanto, há que se considerar o”verbo” Dever da mesma forma e com a mesma importância porque é obrigação inexoravelmente ligada a tudo aquilo que se pode fazer.
Há um exemplo clássico para as regras sobre Direitos e Deveres que se aplica a tudo. Assim, é um Direito ter um cachorro em compensação é um Dever limpar a sujeira que ele faz, ou seja, Direitos e Deveres são regras fundamentais para qualquer coisa que fazemos na vida.
Entretanto, existem campanhas que colocam apenas o Direito em seus objetivos políticos como se os Deveres fossem apenas implícitos e com frequência dispensáveis.
Arvoram-se a reclamar Direitos a tudo e a todos tão logo pressentem algum ato que consideram injusto ou mesmo a possibilidade da injustiça acontecer. Entretanto, se esquecem por completo que Deveres acompanham estes Direitos. Mas, convenhamos, o correto não seria o inverso? Sim, porque primeiro devemos cumprir nossos Deveres para fazer jus aos Direitos deles decorrentes.
Afirmação capciosa dirão alguns, principalmente os ferrenhos defensores dos “Direitos em primeiro lugar”. Pra que trazer questões de Deveres ao debate público se estes não agrega simpatia a quem os propõe. Eis a razão pela qual não existem políticos falando em Deveres.
Praticar Deveres está fora de moda então para que se preocupar com eles se basta pagar impostos em dia. Sim, porque atualmente há quem entenda ser suficiente cumprir suas obrigações com o fisco para jogar a responsabilidade pelos Deveres aos governos.
Será tão simples e direto assim passar adiante as responsabilidades individuais? Pergunta capciosa dentro de uma afirmação indireta não vale dirão alguns.
– Sendo assim, temos o Direito de permanecer calados! ….Será?
Hoje em dia é comum ouvirmos alguém dizer que tem o Direito de fazer isto ou aquilo, quase tudo, por mas descabido que seja. Até atos terroristas são defendidos por aqueles que se sentem prejudicados de alguma forma “como se de Direito fossem” o que nos leva a ter que conviver com pessoas que acreditam ter Direito de agir assim mesmo que isto coloque a vida de inocentes em risco.
Estamos perdendo a noção de Deveres a medida em que vamos sendo condicionados a considerar que os Direitos vêm na frente.
Outro exemplo? Se coisa simples como andar de bicicleta na rua passasse a ser considerada apenas sob a ótica dos Direitos o que dizer em relação aos Deveres do ciclista quanto às situações implícitas no que se refere às leis de transito. Sim, o Dever de não andar na bicicleta sobre as calçadas, de não andar na contramão do transito, de usar equipamentos de proteção são regras frequentemente desconsideradas.
A questão é que esse entendimento vem sendo aplicado a quase tudo e os Deveres são da mesma forma desconsiderado por quase todos.
E lá se vão os Deveres em prol dos Direitos….

Boa tarde, Marcelo Portocarrero. Compreendo em parte quando escreve que “primeiro devemos cumprir nossos Deveres para fazer jus aos Direitos deles decorrentes”, contudo não creio que sejam ou se completem dessa maneira. Uma conversa presencial resolveria isso melhor, pois as possibilidades são inúmeras para o exercício de ambos. De toda forma, que se reflita que deveres precisam e devem ser cumpridos, e se reconheça que é muito mais neste diapasão que se encontra o equilíbrio social. É tijolo fundamental nessa construção. Direitos por sua vez devem ser reconhecidos, ainda que nos valha a possibilidade de nem mesmo exercitá-los. O debate filosófico encontraria a profundidade das Marianas, tamanha a compreensão que carregam enquanto construções sociais decorrentes de algo que é natural, inerente à própria condição de existência. Grato por refletir tais conceitos, hoje tão desconexos de sua natureza.
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