Latente dicotomia

O que está por detrás da pessoa dúbia é a incapacidade de se expressar de forma precisa

Quando em meio as turbas vocifera ilações desapercebida de si mesma, enquanto tenta se fazer perceber pelos outros

Só aceita a companhia dos que se submetem a seu ego, vez ser incapaz de aceitar discordância

É tão egoísta que mesmo não ambígua por natureza, nisso se transforma por opção

Sua dupla versão não lhe permite perceber a solidão em que se encontra, simplesmente porque se basta

Usa sua diferença como escudo, mas não para se defender e sim para disfarçar a agressividade

Quando em clara falta de coerência com a realidade, prefere guardar a aparência de oprimida

Vive o vale tudo por um lugar ao sol posando de vitima, quando é seu próprio algoz

Ao aceitar os outros esconde sua dupla personalidade, para que não percebam sua latente dicotomia

O ímpeto e a coragem

Quando jovens, aquela fase da vida que vivemos logo após a infância, época da curiosidade que nos levava a meter o nariz em quase tudo o ímpeto era o combustível que nos movia para a frente.

É prazeiroso lembrar de quando tínhamos que nos acotovelar com quem se metia a disputar conosco um lugar, fosse ele em uma fila para comprar uma entrada, no gargarejo de um show do Projeto Pixinguinha ou mesmo nos festivais de música popular.

O que dizer então das disputas esportivas, nas partidas interclubes e nos jogos universitários daquela época em que no auge da juventude usávamos nossas forças física, técnica e tática para enfrentar e vencer adversários.

Essa motivação natural, a impetuosidade, também foi muito importante no início de nossas vidas profissionais. Ela nos fez buscar por objetivos muitas das vezes sem a necessária reflexão sobre qual decisão tomar ou o caminho a seguir. Bastava surgir uma oportunidade e lá íamos nós à luta enfrentando os obstáculos plantados por aqueles que se valiam das influências sociais e políticas.

As justificativas para esse tipo de procedimento e o enriquecimento ilícito sempre fluíram fácil no raciocínio segundo o qual o que importa é ganhar mesmo que para isso seja preciso vender a alma ao diabo. Coisas daqueles que obtêm sucesso através de suas relações com os facilitadores do dia a dia, configurado assim o normal deles.

Conhecimento, caráter e honestidade eram nossas credenciais e ainda o são, entretanto, assim como antes ainda têm pouco valor nos esquemas montados por aqueles que fizeram do contrário seu “modus operandi”.

As exceções são as raras formas honestas de ser que sempre existirão não só para confirmar a própria natureza etimológica do termo honestidade como também para expor a dinâmica das ligações externas, sejam elas políticas, sociais e familiares, principalmente quando o objetivo é facilitar as coisas.

Trata-se de um procedimento desleal do comportamento humano e que permanece entre nós sendo utilizado pelos fracos de caráter configurando-se como verdadeiro trampolim profissional, quando não em salva-vidas dos incompetentes.

Assim era e continua a ser no raciocínio genérico do cada um por si e Deus por todos mesmo sabendo que não passa de uma contradição à realidade em relação à desejada intervenção divina. Mas Ele, que nunca interviu nesse sentido, sempre estará acompanhando nossos passos estejam eles nós levando em sua direção ou mesmo nos afastando dela.

Graças a Deus, apesar dos pesares, praticamente tudo deu certo principalmente quando lembramos que coroando aquela fase extraordinariamente dinâmica de nossas vidas a coragem sempre esteve presente. Com ela vencemos desafios e superamos obstáculos.

Certo é que em determinado momento a coragem se uniu à paixão e juntas nos levaram a encontra o amor das pessoas com quem construímos nossas famílias.

O ímpeto é o impulso que nos move inesperadamente. Ele é capaz de fazer vencer barreiras.

A coragem é como uma virtude. É a capacidade extraordinária que desenvolvemos para ir em frente, mesmo que com medo.