Meu pai adorava contar um caso que aconteceu com ele quando era um jovem bancário na cidade de Guararapes, no interior de São Paulo. Naquela época ele morava em uma pensão onde o café da manhã servido pela senhoria era bastante simples, mas nunca deixava de ter como opção de bebida quente um delicioso chá de cidreira.
Certa vez contou que em uma ocasião na qual as opções eram poucas ele e outros hospedes estavam cochichando sobre a situação e não perceberam a aproximação da dona. Então, para disfarçar a vergonha de terem sido pegos reclamando, passaram a elogiar o delicioso chá que estavam tomando e perguntaram a ela onde conseguia a erva para prepará-lo.
Sem pestanejar a senhoria foi logo dizendo a eles ser do quintal da pensão, ou seja, da moita de capim cidreira que ficava no canto do terreno, bem atrás dos quartos onde estavam hospedados e olhando firmemente para eles disse ser daquele mesmo lugar onde costumavam mijar à noite.
Pronto, a informação gerou alguns engasgos, assopros com respingos e até chá saindo pelo nariz, o que fez com que ela logo tivesse que passar um pano na mesa que acabavam de sujar. Enquanto isso, risos incontidos se faziam comuns a todos que estavam tomando café da manhã naquela hora.
É que durante a noite, quando tinham vontade de fazer xixi e batia aquela preguiça de ir até o banheiro comunitário localizado do lado de fora da ala onde estavam hospedados, ele e os rapazes se aliviavam justo na enorme moita de capim de onde era feito o delicioso chá que tomavam.
Por isso, quando ele queria me alertar sobre a importância de não desperdiçar nada do que encontrasse pela frente, começava contando essa história do chá e acabava dizendo que não se deve desperdiçar nem cocô de gato. Basta saber usar, dizia ele, é só enterrar que logo vira adubo da mesma forma que acontecia quando mijavam na moita de capim cidreira.


