Gol de placa

No dia 5 de março de 1961 Pelé marcou o gol (tento naquela época) mais bonito da história do Maracanã. O jornalista esportivo Joelmir Beting, então um jovem de 24 anos, estava presente e imortalizou o fato ao pagar do próprio bolso a confecção e a fixação de uma placa de bronze no estádio em deferência à espetacular jogada do Rei do Futebol dando origem ao porquê, a partir de então, ficaram conhecidas como “gols de placa” as jogadas que como a de Pelé mereceram destaque pela beleza e singularidade.

Pois bem, minha história com esse momento especial é devida a um acaso que acabou por colocar a mim e minha família dentro do Maracanã naquele dia. Não porque, aos sete anos de idade, eu me lembre de alguma coisa relacionada ao gol em si, mas sim porque papai nunca se esqueceu e sempre contava esse acontecimento em suas conversas futebolísticas como, aliás, é comum a todo os torcedores desse maravilhoso esporte e sobre o inesquecível Pelé, seu principal representante. Me lembro da emoção de lá estar, da grandiosidade do estádio e do barulho do público presente quando das comemorações dos 4 gols da partida (foi 3 a 1 para o Santos), no que anos depois, vim a saber, se tratava de uma partida pelo antigo Campeonato Rio-São Paulo.

Naqueles dias estávamos passando férias no Rio de Janeiro e papai combinou com seu amigo Jesuíno Aragão, irmão do Renato dos Trapalhões, de levarem as famílias ao Maracanãzinho para assistirem a um show internacional chamado Holiday on Ice, onde patinadores no gelo se exibiriam. Seo Jesuíno já tinha os ingressos para eles e nós tentaríamos que comprar os nossos na bilheteria.

Então, infelizmente ou felizmente, dependendo do ponto de vista, aconteceu de não haver mais ingressos disponíveis, o que fez papai mudar nossa programação para um jogo que iria acontecer no Maracanã e assim não perdermos a viajem de taxi até lá vez que o grande estádio fica bem ao lado de seu irmão menor. E lá fomos nós assistir Fluminense x Santos, o jogo no qual aconteceu a famosa jogada protagonizada pelo Rei do Futebol quando saiu da área do seu time e driblou quem estava pela frente até chutar a bola por debaixo do goleiro Castilho.

Essa é minha história com nosso eterno Rei Pelé, simples, singela e que se tornou inesquecível devido ao acaso e a meu pai, que sempre fez questão de contar que estávamos no Maracanã naquele dia.

Era uma vez …

Em alguns épicos do cinema do passado, me refiro a quando ele ainda era tido como a sétima arte, os títulos e seus temas costumavam contar aos cenéfilos de então histórias enredadas através de ficções criadas em um mundo cheio de modelos de vida ou mesmo arquétipos desprovidos de sentimentos outros que não a ganância, na falta de compaixão e no ódio porque seus personagens eram resultados da manipulação daquelas reações às emoções.

Foi assim em “Era uma vez no oeste” e “Era uma vez na América”, dois premiados filmes pela Academia de Cinema, os tais Oscars. Quem não assistiu ao faroeste com sabor spaghetti e ao thriller romântico-mafioso, ambos embalado pelas pertinentes e clássicas músicas de Ennio Morricone, deveria vê-los para assim tentar entender o enredo do que será viver sua versão tupiniquim, cujo título não poderá ser outro senão “Era uma vez no Brasil”.

Os ingredientes e o roteiro já dão mostras, será uma tragédia épica com personagens conhecidos da plateia e a história um “Déjà vu” igual aos de final tenebroso que vimos acontecer em nosso entorno geopolítico. Por outro lado, a sensação de familiaridade com o tema também remete a uma situação que vivenciamos na pocilga do passado.

Essa nova versão terá ingredientes ainda mais tenebrosos vez que nela estarão zumbis reavivados de seus túmulos por procedimentos judiciais malfazejos de modo a que pudessem retornar como mortos-vivos para acabar o que não conseguiram daquela vez.

Nela há o pressuposto da vingança contra os que tiveram a ousadia de trazer de volta o que a esquerda considerava ter extinto daqui ou seja, o latente conservadorismo brasileiro, o conceito de família como célula mater da sociedade, algo bem explícito em uma emblemática frase de Rui Barbosa e a verdade como busca da liberdade pela conhecimento individual desde que não preso a um caráter messiânico, mas sim a algo puro, espiritual e cristão.

Quem imagina saber o que acontecerá daqui para a frente deve estar com uma pulga atrás da orelha e se perguntando: – Será que aqueles que ontem fizeram o “L”, amanhã não estarão virando a letra e apontado-a ficticiamente para as próprias cabeças?

Um governo de oposição

Já vi acontecer por aqui oposição a governo, o que é comum nas democracias, mas governo de oposição será a primeira vez.

Pensando bem, é lógico que isso aconteça neste momento de turbulência política no Brasil. Afinal, o que temos como futuro governo é uma troupe de comparsas em razão das intimidades e referências comuns com processos arquivados, raras condenações e, quem diria, absurdas descondenações dos crimes cometidos.

Não será lógico inexistirem surpresas com a montagem do eventual futuro governo a cada pronunciamento sobre a composição do ministério que o comporá?

Senão, vejamos o que já temos definido: Para a pasta da Fazenda um auto-declarado incompetente para o cargo e personificado como o poste nº 1 do sujeito ungido presidente pela dupla STE/STF, em clara demonstração de desprezo pelas leis que regem o país e por seu futuro como nação independente; para a Justiça e Segurança Pública, tudo junto e misturado, um comunista de carteirinha em consonância com a mesma e previsível estratégia; na Casa Civil, uma receita certa em reconhecimento aos serviços prestados durante a pandemia na “aplicação” dos recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal; para a Defesa, um contumaz aprovador de contas da thurma e figurinha fácil em todo e qualquer governo, um verdadeiro camaleão e, por último a presidência do BNDES, sobre esse não vale a pena sequer tecer comentários, nem precisa, o mercado já deu seu recado. Com isso, já dá para entender tudo mais que vem por aí.

É isso, nada mais que mais do mesmo, só que agora com os requintes autoritários do STF, isso de acordo com a parceria (não seria submissão?) sugerida pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública.

Pelo visto o já curvado Legislativo se postará de joelhos frente à acima anunciada parceria com uma novidade, o futuro chefe do Executivo sendo alçado a ajudante de ordens dos supremos, posto serem estes seus fiadores. Então, será que “o tal cara” não vai se submeter a quem o segura pelo rabo invertendo a lógica aplicada pelo STF ao atual Presidente da República desde que se entenderam como os croupiers das cartas do jogo? Será?

Enfim, tudo indica, teremos pela frente um governo de oposição à moral, ao civismo, ao patriotismo, aos bons costumes, à propriedade e segurança privadas, aos cultos religiosos, à liberdade de expressão e etc.

O bastão da verdade

Como simples observador dos fatos é errado tentar responsabilizar quem nos trouxe até aqui, nos deu coragem para seguir em frente e nos levou a encarar a armação que se faz presente em nosso país a décadas sem que tivéssemos tido sequer espaço para falar alguma coisa quanto mais protestar se o motivo fosse conservar nossas referências morais, principalmente aquelas relativas à crença, família, pátria e liberdade.

O cidadão que hoje dirige o país, lutou praticamente sozinho contando para isso com poucas mas competentes pessoas para ajudá-lo a governar tendo como antagonistas, para não dizer inimigos, não apenas os outros dois poderes da República, mas também uma imprensa comprometida com os descalabros que assolaram o pais no passado recente e um sistema mundial de potentados que reage negativamente e de forma pusilânime a tudo o que foi proposto fazer, o que consequentemente afeta diretamente a todos nós. 

Isso, sem colocar naquele lado da balança da justiça aqueles que invariavelmente procuram um Judas para colocar a culpa e assim escamotear suas incongruências, melhor dizendo, suas inconsequências em relação à realidade do que está prestes a se consumar no país devido à relativização das coisas, o que restringe seus campos de ação somente aos espaços existentes ao redor de seus coniventes umbigos .

A realidade que se apresenta no momento é que a luta iniciada continuará com o descondenado sendo empossado ou não, com o atual presidente sendo mantido no cargo ou não, porque ela apenas começou. 

Alguém, em sã consciência, acha mesmo que se não fosse a competente gestão durante os quatro anos desse governo no enfrentamento das barreiras que foram constantemente colocadas em seu caminho pelo legislativo e pelo judiciário chegaríamos até aqui como chegamos?

Nossa economia, alavancada pelo agronegócio, se recuperou antes de qualquer outro país de nosso continente, quiçá do mundo, se considerarmos os entraves colocados por aqueles que mesmo sendo brasileiros só agem movidos pelo ódio sectário da ideologia de esquerda; nosso PIB foi de 4,6% em 2021, depois da queda de – 4,1% em 2020, com previsão de 2,8% para 2022, contrariando os pessimistas de sempre. Nesse período, nossa segurança também evoluiu satisfatoriamente mantendo e até reduzindo o número de homicídios desde 2019; na educação é certo que houve pouca, mas eficiente recuperação, mesmo com o estrago feito pela metodologia adotada por governos anteriores e as suspensões das aulas durante a virose, o que não permitiu recuperação melhor. Quanto à saúde então, em que pese a campanha capciosa contra as medidas tomadas pelo governo esse cumpriu sua missão nos mesmos níveis dos demais países do mundo.

Alguém, no domínio de suas atividades mentais, considera que ataques à democracia de fato e não da forma pacífica como permanecem agindo as pessoas que estão a mais de um mês se expondo às intempéries para defender o direito de protestar contra o que consideram injusto estaria acontecendo assim se fossem eles os acusados de manipular o resultado do pleito?

Não, ele não é um qualquer e sim o símbolo de resistência que nos motivou. Cabe a nós levarmos adiante o bastão da verdade sem cobrar de ninguém, senão de nós mesmos, qualquer responsabilidade, caso não se reverta o resultado duvidoso das eleições.