Mentiras sinceras não interessam

Diferentemente do saudoso Cazuza hoje vivemos momentos de intensa ansiedade só que em outro sentido, outra grandeza, ansiedade esta equivalente ao tamanho do nosso país.

Recentemente, um amigo falou sobre o mau estado psíquico de determinado político, com o que concordo, no entanto, entendo que essa sensação é comum a muitos, talvez à maioria dos brasileiros, mesmo que em intensidades deferentes.

Eu, por exemplo, não nego minha ansiedade, até porque a vejo em muitos dos com quem convivo, nas conversas que participo, nos trocas de mensagens via WhatsApp, Facebook e nos demais meios de comunicação que existem por aí, em especial aqueles que considero responsáveis por grande parte do mal-estar geral existente. Aliás, como a maioria das pessoas que conheço,

Por causa disso, considero que mentiras sinceras não interessam. Mentiras que bem mostram até que ponto a desonra, a imoralidade, a falta de caráter e tantas outras péssimas características existentes nos que apoiaram e ajudaram a tomada do governo na eleição presidencial do ano passado.

Mentiras, tais como:

– É um absurdo aumentar o preço dos combustíveis se somos auto-suficientes;

– Vamos fazer investimento para que a economia volte a funcionar e gerar empregos, quando nos seis meses desse desgoverno os índices oficiais mostram exatamente o contrário;

– Geraldo Alkmin (eleito vice-presidente) foi contra o impeachment de Dilma;

– No Brasil tem 30 milhões de crianças de rua – a gente ia inventando números – , Jaime Lerner que o diga;

– Quem votar nulo não terá direito de reclamar;

– No meu governo o povo vai voltar a comer picanha e tomar uma cervejinha nos finais de semana;

– Nos tiramos 36 milhões de pessoas da miséria absoluta e acabamos com a fome nesse pais, quando de acordo com o IPEA, em 2002, havia 14,2 milhões de pessoas nessas condições;

– Em nossos governos (passados) criamos 22 milhões de empregos com carteiras assinadas. Na verdade foram 15,4 milhões, ou seja, 6,6 milhões de pessoas fizeram parte dessa mentira;

– A Lava Jato causou a perda de 4,4 milhões de empregos;

– O conceito de democracia é relativo;

– Tem mais eleições na Venezuela que no Brasil.

Em suma, mentiras sinceras não deveriam interessar nem ser toleradas por um Congresso Nacional eleito pelo povo exatamente para defendê-lo das eventuais tramoias engendradas contra si por outros poderes da República, muito menos para as forças armadas, considerando que estas ainda se destinam à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem (sic).

Mentiras sinceras não interessam a quem defende o livre-arbítrio, como também não deveriam interessar às instituições que distinguem o bem do mal, são livres e de bons costumes.

Chorar faz bem.

Chorei de tristeza algumas vezes, sempre quando perdi pessoas queridas. No entanto, sinceramente, creio que chorei de felicidade em quase todas as outras ocasiões, seja quando casei, nos nascimentos dos filhos e netos, durante um filme, lendo um livro, escrevendo uma poesia, ou mesmo ouvindo uma música que tocou meu coração.

Interessante, que essa sensação de chorar de tristeza é, a princípio, uma agonia que depois se transforma em paz de espírito. Não sei explicar como é que essa sensação se torna algo tão sublime quanto aquele tipo de paz, mas é isso que sinto todas as vezes em que me emociono nas lembranças e de saudades das pessoas queridas.

Então, descobri que a magia do amor é permanente, posto que eterna. Sei disso, porque ele não acaba quando perdemos a esperança, pelo contrário, é quando descobrimos que o amor existirá até o último de nossos dias, ou seja, será infinito enquanto durar, como bem quis dizer Vinicius de Moraes em seu Soneto de Fidelidade.

Como é bom viver essas lembranças quando sonhamos e sentimos saudades dos carinhos gostosos, amorosos e permanentes que só são possíveis nas pessoas que amam. Neles, choramos em nossas solidões e seguimos em frente.

Pudessem as lágrimas serem traduzidas em palavras, certamente diriam o quanto são diferentes em relação aos motivos que as fazem fluir. Se causadas pela dor emocional ou física, por ódio ou paixão, se pela presença ou na solidão, na fartura ou na falta, tristeza ou alegria. Uma diferença que não se percebe apenas pelo externalizar dos sentimentos, até porque são como nos libertamos das tensões internas, razões pelas quais não devem ser suprimidas pela vergonha ou impedidas pelo receio de serem entendidas como fraquezas.

Ah lágrimas, como são benfazejas ao mostrarem nossas emoções de uma só forma e assim impedirem quem as vê de saberem seus verdadeiros motivos, se porquê ou por quem. Uma compreensão que só possui quem as derrama, razão pela qual chorar faz tão bem.