O 7 de setembro e as Forças Armadas.

A julgar pela matéria publicada no jornal Jovem Pan do dia 22/08/2022, falo especificamente da que leva o título “7 de setembro terá esquema de segurança similar ao da posse de Lula”, o governo atual, sabe-se lá se em razão do iminente fracasso do evento, vez que, hipoteticamente, não terá público simpático às autoridades que nele se farão presentes ou para propositalmente demostrar sua indisfarçável desconsideração para com suas forças armadas, irá reduzi-lo consideravelmente.

Será que alguém, em sã consciência, vai assistir ao tal desfile sem que haja incentivos, tais como sanduiches de mortadela, transporte pago e outros, costumeiramente utilizados pelo ParTido para cooptar necessitados?

A considerar a informação complementar de que outras forças governamentais, como é o caso da Polícia Federal que, a pedido do governo do país, não participará do desfile devido seu envolvimento em processos que implicam em prisões e invasões de domicílios de militares evidenciando desconforto, se não para os integrantes das cúpulas das Três Forças, certamente para suas tropas e nós civis, posto tratar-se de mais uma inconteste demonstração de menosprezo, a resposta é (NÃO).

Isso tudo, com a justificativa de que assim será feito para “tirar a política do foco do desfile”, como se este não fosse um ato descaradamente político. Sinceramente …

Diz a notícia sobre o desfile deste ano: “Na verdade, é um desfile que vai ter como foco a valorização das Forças Armadas e não mais um movimento político partidário. É um, movimento para exaltar a mesma questão da independência e o papel das Forças Armadas no país” [1](sic). Isso tudo dito por uma fonte do governo, sob reserva. O que, a essa altura dos acontecimentos, não deixa de ser bastante compreensível.

Para complementar, vem a informação de que haverá, entre os dias 7 a 10 de setembro, uma exposição de artefatos militares, que o próprio governo admite, será um MUSEU, para mostras as ações das FAs do Brasil.

Com essas atitudes, nos parece, já existem planos bem definidos para o destino das forças que participarão do desfile de 7 de setembro deste ano, pelo menos e, por enquanto, para parte delas. É o que diz a proposta de criação da Guarda Nacional em substituição as atividades da Força Nacional de Segurança, criado em 2004 pelo atual presidente, em seu primeiro mandado.

“Vai que, em algum momento, haja um governador extremista no Distrito Federal. Então, a segurança do Congresso, do Supremo, do Palácio do Planalto, ficaria submetida aos problemas da política local? Não pode. E esse é um erro que agora o presidente Lula quer corrigir”[2].(sic)

Estas são palavras ditas por Flávio Dino, atual Ministro da Justiça, para justificar, entre outras coisas, que essa força será formada mediante concurso público junto à população civil e não mais recrutada de forma episódica a partir de agentes que atuam em diferentes polícias do país, ao tentar justificar a criação da Guarda Nacional, segundo o qual já está com proposta pronta.

Imaginem o resto do que vem por aí.


[1] https://jovempan.com.br/noticias/brasil/7-de-setembro-tera-esquema-de-seguranca-similar-ao-da-posse-de-lula.

[2] https://www.poder360.com.br/justica/proposta-de-criacao-da-guarda-nacional-esta-pronta-diz-ministro/

CHUVAS X CIDADES

A mídia segue mostrando o resultado catastrófico da ação das chuvas nas cidades. Invariavelmente, a principal causa disso é o desordenado crescimento dos centros urbanos, fruto, não da falta de Planos Diretores, mas do descumprimento de suas diretrizes. Assim, a cada governo assistimos incrédulos o abandono de caros projetos de desenvolvimento urbano, injustificadamente substituídos por outros, que representarão novos custos e novos abandonos, perpetuando o caos em nossas cidades.

Aí vêm as chuvas, que encontram cada vez menos áreas verdes e mais asfalto, mais concreto, portanto, mais impermeabilização. Então, o “meio ambiente” deixa de ter “ambiente” para ser somente “meio”, a transportar água em volumes crescentes, que a cada esquina se avolumam e transformam nossas redes pluviais, nossos canais e rios nisso que estamos vendo.

Enquanto a cobertura da imprensa permanecer centrada nas consequências físicas e sociais das (in)evitáveis torrentes que inundam as ruas e as casas dos cidadãos pegos de surpresa pela violência das aguas, a impunidade prevalecerá sobre a necessidade.

Seriam essas catástrofes realmente inevitáveis?

Estariam nossos projetos de infraestrutura urbana considerando erroneamente as normas que orientam o dimensionamento destes tipos de obra?

Será que as execuções dos projetos estão seguindo rigorosamente o que determinam suas especificações e detalhamentos técnicos?

É preciso pensar e repensar sobre as indagações acima apresentadas.

Não se trata, a essa altura, de procurar responsáveis por antigos problemas. Já estamos cansados de ver essa iniciativa acabar em pizza. Devemos nos concentrar em soluções adequadas, mas não as do tipo que causam as catástrofes que estamos assistindo devastarem as cidades da China, que só pensa em ocupar os espaços antes verdes, com seus gigantescos arranha-céus e enormes condomínios; pavimentar largas avenidas/rodovias, com múltiplas faixas e implantar enormes e estéreis “praças populares”, tudo para que nelas caibam mais veículos e pessoas, quase todos locais nus, sem áreas verdes ou vegetação natural suficiente (e necessária); com seus rios transformados em canais impermeabilizados, e enormes represas, como a da Usina de Três Gargantas, que, dizem, estaria até afetando a rotação da Terra, por ter um reservatório de cerca de 39,3 quilômetros cúbicos de água. Um verdadeiro contraste com o que era no passado.

Enfim, antes de mais nada, devemos evitar novos erros, ou melhor, a continuação do cometimento de erros antigos. É preciso examinar com rigor quais as causas a partir dos efeitos que aí estão, como no caso do transporte de massa da nossa capital, que até agora não passa de conversa fiada de todos os poderes envolvidos. Um verdadeiro jogo de empurra-empurra, onde as vítimas são sempre as mesmas, os usuários, os cidadãos.

Temos um universo enorme de pesquisas e checagens a fazer, a começar por rever as normas que possam estar ultrapassadas, pesquisar novos materiais, novas soluções técnicas e adotarmos as que melhor resolvam os problemas das cidades e suas populações, não somente os dos políticos e suas armações, como costuma acontecer em obras de infraestrutura.

Uma coisa é certa, temos que agir rápido, pois estamos ficando cada vez expostos a riscos inaceitáveis.