Não Pare

Há pessoas que, ao se aposentar, entendem que o ócio é um prêmio do qual devem apenas desfrutar como uma recompensa merecida pelos prazeres que deixaram de usufruir durante a fase mais produtiva de suas vidas. O sociólogo Domenico De Masi, em seu livro “O Ócio Criativo” e em outros sobre o mesmo tema, analisa questões referentes à sociedade pós-industrial, à globalização, ao pouco uso da mão de obra tradicional e ao desemprego devido ao desenvolvimento tecnológico, além do surgimento de novas ideologias. Ele propõe, então, um novo modelo social que deve levar em consideração a necessária complementariedade entre o trabalho, o estudo e o lazer, considerando, principalmente, a crescente disponibilidade de tempo devido ao avanço das exigências sociais, cada vez mais determinantes nas reduções das jornadas de trabalho.

Resumindo, De Masi considera que os indivíduos e a sociedade devem passar por transformações que privilegiem a satisfação de necessidades específicas, como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e o entretenimento. Entretanto, os avanços propostos por ele, muitos já colocados em prática, se aplicam a indivíduos que estejam ativos, o que não se dá em relação àqueles que se aposentam. Essas pessoas, em grande parte, procuram se afastar de compromissos, horários e responsabilidades. De certa forma, diferentemente do que o sociólogo sugere, entendem o ócio como um direito adquirido, do qual querem desfrutar incondicionalmente.

Daí a diferença percebida em algumas reações à aposentadoria, que, ao invés de “ir devagar”, sugerem somente “vagar”, repousar em um sentido mais amplo, exceto no que se refere à família, ao lazer e às amizades.

Tanto para quem trabalha como para quem se aposenta, exercitar o cérebro é como estar permanentemente criando ligações entre os neurônios, atividade semelhante a fazer exercícios físicos para manter os músculos fortalecidos e, assim, sustentar os órgãos e a estrutura óssea. No caso do cérebro, os exercícios devem ser feitos para sustentar o raciocínio, a memória e outras práticas relacionadas à lucidez, capacidades que vão sendo reduzidas naturalmente com o avançar da idade.

No cérebro, não criamos músculos; promovemos ligações e ocupamos os espaços vazios que a falta de atividade pode criar devido à redução da dinâmica intelectual. Um exemplo: não basta ler; ler mantém a atividade, é preciso escrever. Escrever ativa a criatividade e, com isso, cria novas ligações, ocupando espaço.

Portanto, vamos desenvolver novas atividades, sejam elas físicas ou mentais, de maneira a tornar o ócio não a razão para a inação, mas um princípio que nos leve a ocupar de forma produtiva o tempo que nos resta de vida, em permanente busca por saúde, interação e convivência.

Por que você vota?

 Não confunda o “por que” escrito de forma separada, como o utilizado na pergunta acima, com o “porque” junto, que se aplica às respostas.

Ao considerar a primeira das situações, estamos pensando no futuro, no que queremos para Cuiabá. Já a outra requer que usemos o bom senso na análise detalhada da situação em que estamos, para então decidir se queremos a continuidade do que aí está ou se vamos impedi-la de se perpetuar.

O voto deixou de ser uma retribuição à amizade ou ao favorecimento para ser validação de esperança.

O futuro – tão evocado pelo pensamento progressista – está em uma encruzilhada, onde os desinformados confundem o avanço no caminho do progresso com a implantação da repressão – um retrocesso que dizem ter vivido no passado ao proporem a implantação de um tipo de governo que, sob o manto de progressismo sistêmico, esconde sua relativização da liberdade através da censura de opinião; confundem gestão técnica com compartilhamento político; administração de receitas e despesas com aumento de arrecadação e gastos; gerência honesta e realista com compromissos inexequíveis.

Já passou da hora de darmos ouvidos às oligarquias que até pouco tempo dominaram o cenário político com seus mandos e desmandos. São eles os que querem o continuísmo maniqueísta que divide o mundo entre o bem e o mal. O que, traduzido em fatos, significa o bem deles e nosso mal.

Chega do proselitismo ideológico da esquerda, que, desafortunada de bom senso, tenta cooptar e manter submisso o funcionalismo público consciente – por isso mesmo produtivo – como massa de manobra política para se perpetuar em um tipo de poder, que, ao invés de alcançarem através de realizações e propostas, o tomam por vias indecifráveis.

É hora da acabar com a persistente situação de manipulação do erário público em beneficio próprio, de terceiros apadrinhados e coniventes aquinhoados.

Causas e Efeitos

Ou você é parte da causa ou do efeito de um acontecimento. Não há meio termo; entre os dois, só existe o vazio, o vácuo, onde qualquer sopro, por mais tênue que seja, pode direcionar todos para onde quiser. Isso ocorre quando a subserviência vai contra o bom senso e o consenso.

Subserviência: Qualidade ou estado da pessoa que cumpre regras ou ordens de modo humilhante. Característica de quem se dispõe a atender as vontades de outrem. Ação de servir aos desejos de outrem por vontade própria; bajulação.

Bom senso: Capacidade de tomar decisões e julgamentos razoáveis e equilibrados, considerando as consequências e as realidades de cada situação.

Consenso: Opinião ou posição majoritária de um grupo ou de uma comunidade.

Vejam só quanta informação está contida na pequena frase-título deste artigo. Todas elas estão em consonância com o que estamos vendo acontecer nas duas casas do Parlamento e, pior, em uníssono, como se as duas figuras que as dirigem hoje fizessem parte de um pacto ou, no mínimo, de uma trama que desajusta o país através da intolerância a qualquer tipo de contraposição ao Executivo e seu parceiro, o Judiciário.

É certo que a oposição vem, há muito tempo, pedindo a cassação de certo ministro da Suprema Corte, aquela que considera seus membros superiores a tudo e a todos, vive das benesses da corte — como ocorre com a família real britânica — e se abstém de fazer justiça, tal como vemos acontecer na vizinha Venezuela. Mas também é certo que é preciso dar um basta em suas interferências sobre toda e qualquer ação e opinião que contrarie seus interesses e/ou suas interpretações da lei.

O que não está certo é o presidente de uma das casas legislativas do Congresso Nacional — qualquer um deles, no caso ambos — se portar de maneira tão subserviente ao não pautar as propostas votadas e aprovadas nas comissões encarregadas de estudar e esmiuçar a legislação pertinente para depois, após parlamentarem bastante, aprovarem o encaminhamento de suas decisões às mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, para vê-las engavetadas individualmente, tal qual acontece no poder a que inexplicavelmente se submetem.

Será receio de que, uma vez aprovadas, o outro passo seria a propositura de mudanças no tratamento dos processos encaminhados pelas comissões parlamentares, que também não poderiam mais ser engavetados ou arquivados ao bel-prazer dos presidentes das casas, mas sim somente após serem submetidos a colégios de líderes partidários ou aos respectivos plenários?

Afinal, se não eram cabíveis, sob o aspecto legal, os assuntos encaminhados para deliberação em comissões específicas, por que autorizaram seus funcionamentos? Por que esperaram tanto para prejulgá-los com ameaças de engavetamento? Quanta perda de tempo, quanto dinheiro jogado fora, quanta encenação para o desfecho fortuito de uma ópera bufa e sem sentido.

Foi para fingir o funcionamento do Poder Legislativo? Mas que poder é esse que nada pode sem a aprovação de quem deveria, única e tão somente, praticar toda e qualquer lei ou emenda constitucional aprovada por ele.