O nós não existe mais. Vivemos em um mundo onde outro pronome está presente no lugar daquele que assumia a função de um dos sujeitos coletivos das orações – antigamente conhecido como a 1ª pessoa do plural – o acima desconsiderado “nós”.
O poder, ao invés de ser buscado para servir a todos, voltou a ser usado para impor, impedir ou, em última instância, aniquilar quem com ele não concorda numa sequência de passos para atrás rumo à inquisição do século XIII, ela mesma, aquela usada pela Igreja Católica para combater a crença em doutrinas consideradas contrárias à fé cristã, só que às avessas.
Assim, ou você passa a ser parte do nós (deles) e ser chamado de nosso, no mais degradante sentido que esta palavra tenha, ou é entendido como sendo contra (eles), no mais deplorável sentido que isso possa ter, em todas as situações nas quais o entendimento de posse da consciência exista.
Essa é a forma como aqueles que não querem mais a prevalência do “nós amplo e irrestrito”, tanto que passaram a promover conflitos permanentes, de maneira a tornar as partes antagônicas inimigas de morte, o famigerado NÓS CONTRA ELES.
Vivemos um momento em que os poderosos buscam transformar o tudo posso naquele que me fortalece, segundo o apóstolo Paulo (Filipenses 4:13-1), em nada posso naquilo que o supremo permite.
Em politica, todos os pronomes pessoais deveriam ser unificados em apenas um, o “nós”, de forma a que tudo seja feito para todos, sem distinção. No entanto, não é isso que acontece, porque as forças que poderiam controlar abusos foram sendo cooptadas uma a uma e, ao que tudo indica, nada farão.
O “nós” está passando e logo será passado, o “eles” também, entretanto, os estragos que estão sendo feitos agora, se não contidos, recairão sobre os que serão o futuro. Olhando assim, até parece não existirem filhos e netos.
