Quando menos é mais

Às vezes, quando saímos com os amigos – os antigos, aqueles que cultivamos com paciência, cuidamos com carinho e até ousamos contrariar na certeza de que a confiança mútua existirá para sempre na etérea existência de nossas vidas –, nos posicionamos exacerbadamente sem perceber que nessas situações, menos vale mais.

Depois que isso acontece, ou seja, após aqueles momentos em que falamos mais do que deveríamos ao opinar mesmo sem ser perguntados, é que nos arrependemos por não ter ouvido mais e falado menos.

Então, ao pensar em tudo o que dissemos ou deixamos de dizer, percebemos que nos precipitamos e até avançamos o sinal quando não deveríamos, tudo por uma espécie particular de amor: o fraterno, aquele que sentimos pelos verdadeiros amigos, os irmãos de coração.

Mas ser amigo não é isso? Não é se fazer presente mesmo à distância, saber ouvir em silêncio, sentir, sorrir e chorar junto, abraçar e até carregar, ser, enfim, solidário?

A amizade é um poço sempre cheio de receptividade, na intenção de que nele se encontrem formas de aplacar a sede da esperança.

É como o oásis que buscamos no deserto da solidão, lugar onde sabemos existem formas de acabar com a sede de justiça, de compreensão, carinho e uma sombra acolhedora, abrigo garantido contra a rudeza dos momentos difíceis de suportar sozinho.

Às vezes, uma silenciosa mão estendida é a confirmação de que menos é mais, como este curto texto.

A saudade na tricotomia humana

Existe um tipo de saudade que pousa no coração e de lá fica a emocionar a gente com aquele olhar comprido, falando de lugares, pessoas e épocas da vida que jamais serão esquecidas.

Age como um espelho que reflete feições conhecidas, paisagens inesquecíveis, tempos idos e momentos vividos. É quando sentimos exalar no ar um perfume etéreo que só a tricotomia divina – a do espírito, da alma e do corpo – reconhece.

Ao considerarmos, em teoria, que o ser humano é composto dessas três partes: espírito, corpo e alma, e que cada uma delas tem características e funções próprias, inseparáveis e interconectadas, cremos que somos uma triunidade à semelhança da Trindade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, como Ele nos criou.

Assim sendo, nossa parte material, o corpo físico (mortal), é a que nos põe em contato com o exterior através dos sentidos; a alma é a parte que recebe as impressões do mundo externo por meio dos sentidos corporais: visão, audição, olfato, tato e paladar e, portanto, morada das emoções, desejos e sentimentos; o Espírito, sede da razão, moral, intelecto, vontade, pensamento e consciência, é a parte responsável por nossa identificação como criatura divina ao transferir a energia dada pelo sopro de Deus, para que nosso corpo físico receba a alma.

Essa interconexão das três partes faz com que a saudade ajude na compreensão da existência como instrumento de Deus e nos mantenha conectados com a realidade.