A imortalidade implícita

Uma das formas de alcançar a imortalidade está implícita no ato de escrever. Para tanto, basta estar focado em dar valor intelectual, educacional e histórico ao que se propõe produzir. Essas exigências naturais levam a considerar que uma eventual imortalidade acadêmica também deveria estar baseada na opinião dos leitores e não apenas na de eleitores de voto restrito (não subjetivo) de imortais vivos, posto que, embora aplicada desde o início e, portanto, consagrada, na atual conjuntura pode pressupor certo tipo de ativismo.

É o que o mato-grossense Manuel de Barros – Acadêmico Honorário da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – e tantos outros ilustres escritores parecem entender ao não se habilitarem ao honorável título.

A disputa pela honraria deixou de ser apenas e tão somente pelo conjunto da obra, para se tornar uma concorrência que também contempla o poder da influência político-ideológica junto aos membros da elite intelectual dominante na Academia. Os imortalizados de antes e, para ser justo, muitos dos de agora e daqueles que se candidatam foram e são fiéis à liturgia literária em tudo. É quando perdem para concorrentes beneficiados pelo contexto adicional anteriormente citado. Assim, a cada nova abertura de vaga, observa-se uma “situação” como a que recentemente ocorreu na Academia Brasileira de Letras.

Um evento notório, em que a pessoa imortalizada, no caso, Miriam Leitäo, esteve em concurso com outros doze ilustres autores finalistas, entre eles: o ex-ministro da educação, professor Cristovam Buarque, Tom Farias, Ruy da Penha Lôbo, Antônio Hélio da Silva, Rodrigo Cabrera Gonzales, Daniel Henrique Pereira, Angelos D’Arachosia, José Gildo Pereira Borges, Tamara Ribeiro de Oliveira, Martinho Ramalho de Melo, Chislene de Carvalho e Edir Meirelles, todos com enorme cabedal intelectual e/ou acervo literário.

Para não alongar ainda mais o desgastante assunto, cito apenas o acervo literário de Cristovam Buarque: 33 livros publicados sobre economia, história, sociologia e educação.

“Situação”, que pode inibir futuras candidaturas, restringindo a importante instituição a um grupo de imortais que parece aceitar como novo membro somente quem com ele tem afinidade. Se não é assim, essa é a impressão que transmite.

O autor, no caso o postulante, precisa ter muito de si na obra, não deve perder a espontaneidade no que gostaria de mostrar e na forma de dizer o que pensa e, o mais importante, não pode ficar preso a normas tipo stricto sensu.

É importante salientar que o mérito literário reside na originalidade do escritor, fruto inquestionável do cunho emocional, histórico e até ficcional, desenvolvido por sua capacidade de criar, contar contos, narrar casos, historiar o passado e poetizar.

O que confere imortalidade é o conjunto, a originalidade e a qualidade da obra, o que, convenhamos, nela já estão implícitos.

Tudo é suscetível

Passado muito tempo de minha existência, dei conta de que sou fruto do que costumo fazer, assim como são meus pensamentos habituais os responsáveis por meu caráter.

Estas são realidades difíceis de compreender e mais ainda de aceitar, mesmo para os estóicos.

A vida é assim mesmo, não é?

Não é o ambiente, a companhia, muito menos os eventos a que nos sujeitamos – voluntariamente ou não – que nos moldam. Tudo é suscetível à nossa avaliação, portanto, de como  reagimos ao que pode nos afetar e não aos fatos em si.

Obrigado, meninos!

Este final de semana foi especial, esplendoroso mesmo. Peguei bêra na pescaria de meu filho Bruno e sua turma.

Um grupo especial de rapazes que vi crescer e, maravilhado, se tornarem homens, hoje casados, pais orgulhosos, pessoas especiais por serem como são, amigos queridos, eternos parceiros.

Conheci a maioria deles desde pequenos, assim como boa parte de seus pais, e é aí que mora a maravilha de tudo isso. A enorme afeição que adquiri por todos, por alguns até mesmo antes de nascerem.

Um ‘tio setentão’ e seus sobrinhos de coração. Foi assim o final de semana, é isso que sinto, felicidade por tê-los todos bem guardados no lugar que em nós é a residência do carinho, onde bate e rebate o que sentimos por quem queremos bem.

Como não é mais possível trazer o que for pescado – mesmo que dentro da medida – dessa vez trouxe comigo não uma ‘cambada de peixe’, mas sim uma de rapazes especiais, de meninos que Deus nos deu. 

Esses, que um dia foram as crianças que levávamos para brincar nos salões, piscinas, quadras e campos dos saudosos clubes sociais que não existem mais; para quem, depois, maiores, íamos torcer quando disputavam campeonatos; aqueles adolescentes que pegavam nossos carros para sair e encontrar os amigos, namorar e outras coisitas impublicáveis, até porque sempre souberam observar seus limites e, por isso mesmo, gozavam de nossa confiança.

Pois é, bons tempos revivi, quando os observei fazer as mesmas brincadeiras que já fiz, os ouvi cantar, e como gostam de cantar esses meninos, tomamos umas e outras e rimos muito, muito mesmo. Nos divertimos pra valer.

Eles trouxeram à minha memória os tempos em que eu e meus amigos, muitos deles seus pais, nos encontrávamos para curtir a vida como fizeram nesse final de semana. Com isso, lembrei dos que vejo com frequência, daqueles que estão longe e dos que já se foram desta vida, mas que sempre estarão presentes em minhas orações.

Que bom, que alegria, que felicidade me proporcionaram. Foi um privilégio!

Valeu Bruno (Nobru), Leonado (Léo), Daniel (Gordão), Alexandre (Nitcho), Baruk (Caruso), Luis Eduardo, Omar (Turco), Erivelto (Cafú), Adriano (Gracie), Antônio Luis (Ninico), Tiago Borba (Dija), Leandro (Leandrinho), Rodrigo, Carlos Eduardo (Cadú) e Thales.

Obrigado, meus eternos meninos!

Tio Marcelo

Catinga, quando prega, não sai.

A expressão do título é um sarcástico provérbio, coisa típica  da nossa gente, quando quer se referir a uma situação na qual, por mais que se negue, a pecha já grudou em quem ultrapassou o limite do bom senso. 

A origem da palavra catinga é tupi-guarani, mas perdeu seu significado vinculado exclusivamente ao cheiro desagradável de plantas e animais para, popularmente, traduzir qualquer coisa ou odor repugnante, independente de sua origem.

E não adianta fazer zanga ou tentar dar uma de desentendido, dizendo não aceitar a balda ou apelar para o corporativismo doentio, coisa típica de indivíduos que ocupam cargos  públicos, políticos e tantas outras funções onde qualquer  folha de papel serve de palco para exarar suas idiossincrasias. 

Ultimamente isso tem acontecido com frequência, principalmente vindo de pessoas que deveriam saber que o rigor da lei não distingue ninguém, tampouco ignora ou desconsidera cargo, função ou autoridade.

Assim como as atitudes segregacionistas, sejam elas raciais, sociais ou de gênero, as comportamentais precisam ser combatidas de dentro para fora e de cima para baixo, principalmente devido seu caráter exemplar ou seja, a ‘autoridade’ deveria ser a primeira a se submeter à lei e não a última, muito menos não aceitar sua significância. 

Em outra palavras, questionar a aplicação da lei ou pretender ser inatingível a título de superioridade intrínseca alegando uma espécie de imunidade adquirida quando instado, além de ser deplorável é ridículo, principalmente se vier de membro da justiça.

O Limite do Quadrado de Cada Um

Parece que o limite de cada um deixou de ser regra e passou a ser exceção.

Prova disto é termos um legislativo que cede os seus, um governo que não os tem e um judiciário que não os respeita.

Uma vez assim entendido o assunto, é muito provável que o mesmo aconteça nas instâncias inferiores dos três poderes da República, replicando as já frequentes interpretações financeiras, políticas e técnicas, nesta ordem de prioridade, por eleitos e nomeados – togados ou não – e, quem sabe, até concursados, para fazer o contrário do que deveriam.

Falar em toga me faz lembrar uma frase de Musônio Rufo, um estoico, para quem a filosofia não consiste em exibição externa, mas em prestar atenção ao que é necessário e estar consciente disso.

A interpretação mais adequada de suas palavras consiste em que não é a vestimenta que faz o monge, nem a toga o juiz, muito menos um facelift, tão em moda no meio político, entre influencers, artistas e socialites, faz a real beleza.

Uma pessoa digna não é identificada pelo que possui, aparenta ter ou pensa ser.

Só existe uma maneira de se fazer reconhecer, e esta é pelo caráter.

Quanto a outras formas de reconhecimento, não se iluda; elas todas são parecidas com a fábula do escorpião com a rã, aquela em que ele pede para ser levado ao outro lado do rio prometendo não aplicar sua picada fatal.

Em nosso caso, a eventual analogia se aplica à causa da morte do modelo da democracia clássica ateniense ou, em outras palavras, à falácia da sociedade globalista, a tal Nova Ordem Mundial, incentivada e financiada pela “elite poderosa” à semelhança da que os atenienses diziam ser o câncer da sociedade e que, por incrível que pareça, permanece sendo o vetor do mal e não sua cura.

Recentemente, vimos algo semelhante acontecer nas decisões tomadas por organizações, foros e conselhos mundiais no enfrentamento da virose que, desconfia-se, possa ter sido produzida em laboratórios custeados por governos e instituições progressistas.

A falta de caráter foi o que nos trouxe ao caos em que nos metemos. O que leva a considerar que escorpiões existem de todos os tipos, tamanhos e formas.

Hoje, as razões de existirem esses artrópodes políticos parecem ser as mesmas, dadas as formas de atuação e modificações paulatinamente introduzidas por eles através das ampliações do pseudo escopo humanitário que buscam implementar a título de evolução, mas que não passam de reformas social-globalistas.

Provas disso são fáceis de perceber; basta olhar para o desregrado acolhimento de pessoas oriundas de países ex-colônias europeias, gente de boa fé mas também de interesses escusos, que acabaram por minar a estabilidade socioeconômica de seus antigos colonizadores, tal qual uma ampulheta sendo revirada, onde o que estava por cima parece estar se colocando no lado de baixo.

O certo não deveria ter sido reduzir os movimentos migratórios através de investimentos consistentes e definitivos em suas regiões de origem desde os tempos em que eram colônias das potências europeias?

Não seria essa a ação que evitaria a reação e as consequências para quem voltou a perder a razão ao se expor abertamente a uma droga cuja dosagem está se tornando veneno?

O que fazem instituições como a ONU, com seus 193 países membros; BRICS, composto por 5 membros fundadores e outros tantos agregados; o MERCOSUL, com 4 países-membros e 5 países membros-associados; a UE (União Europeia), que conta com 27 países membros, a dona da casa, por assim dizer; o WEF (Fórum Econômico Mundial), cujos 22 conselheiros nada propõem de concreto para solução das desigualdades que trouxeram a esta situação; e a OMS (Organização Mundial da Saúde), com 194 estados-membros, para quem a saúde parece não passar pelas desigualdades, vez que só busca remediar o que deveria ser evitado?

Que dizer então das outras tantas organizações, tais como: ONGs, OSCIPs, etc., que existem no mundo? Para que foram criadas e por que ainda não há solução de continuidade na miséria do mundo?

Isso tudo sem falar das organizações, alianças e tratados militares, que congregam países com objetivos comuns de defesa e, porque não, ocupação de espaço.

Não será porque querem mesmo é invadir o quadrado do outro quando dizem o contrário?