A Escolha Humana e a Fragmentação Social

Deus não é responsável pelos males. Ele certamente nos deu a vida e, com isso, a oportunidade de sermos virtuosos. No entanto, muitos se entregam ao “outro lado” em troca do poder existente em todos os degraus de uma escada que, em princípio, os levaria para cima, mas que, usada de forma errada serve apenas para conduzi-los na direção oposta, para baixo, vez que buscam o domínio irracional e a posse desbragada de bens materiais.

Apesar de parecer um pouco vaga, a expressão “muitos se entregam ao outro lado” na verdade remete ao dualismo maniqueísta (bem versus mal) de forma intencional, com o objetivo de abrir o tema à interpretação de quem ler este curto, mas complexo texto.

É fácil reconhecer essas atitudes, especialmente entre aqueles que seguem o caminho da diferenciação na busca por exaltar distinções, fazendo questão de exigir reconhecimento em toda e qualquer manifestação. O que antes propagava a união, a igualdade e a dignidade através de termos que reúnem, como os pronomes pessoais no plural (“nós”, “vós”, “eles”), aos poucos vem sendo substituído pela individualização singular, onde “eu”, “tu”, “ele/ela” são utilizados por aqueles que buscam um inconcebível consenso através da desunião. Esta é uma contradição no mínimo estapafúrdia, algo que toca de forma sensível na questão da fragmentação social.

Para eles, os pronomes pessoais plurais só são utilizados para repartir o mundo em grupos: “nós, vós, eles, os de…”, “nós, vós, eles, os com…”, “nós, vós, eles, os sem…”, etc.

Deus nos imaginou iguais, nos fez iguais e nos diferenciou apenas no que considerou necessário. Assim nascemos, bons homens e boas mulheres. O que acontece depois? Bem, isso não é algo que precisou fazer ou mesmo estabelecer. Por essa razão, Ele, em sua misericordiosa bondade e em nossa graça, dotou os seres humanos de livre-arbítrio, para que possamos construir nosso futuro. Desde então, somos nós quem traçamos e percorremos o caminho que escolhemos.

Na Bíblia, em Gênesis 1, encontra-se a passagem fundamental para a compreensão de como e por que fomos criados, sendo a fonte original do que aqui está colocado.

Antigo Testamento – Gênesis 1

1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.

26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.

27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

28 Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

29 Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.

30 E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi.

31 E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

Semente

Nascemos semente de nossa gente que, uma vez madura, a natureza leva a semear.

Esse é um rito de passagem que recebemos, a mais sublime forma de amar.

Consiste em preservar nossas origens e transmitir nossa descendência.

Razão para que, em nossa existência, estejamos voltados a participar.

Atentos, para desde o primeiro momento sermos o orvalho que rega e fertiliza a nova existência.

Semente pronta, para fixar sólidas e profundas suas raízes no jardim da vida.

Não importa onde, porque o lugar será aquele em que o sopro de Deus decidir levar.

Às vezes perto, às vezes longe, certo é que somos todos sementes que Ele ajuda a plantar.

Aqui, ali ou acolá, pouco importa; basta amar a pessoa com quem se está.

Certo é que a semente de nossa semente precisa germinar.

Jaculatória

João 14:8-10 

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. 

Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

Após ouvir essa homilia da Bíblia em uma missa fui para casa e antes de dormir, já na escuridão do quarto, refleti sobre as palavras que ouvi naquela noite, principalmente porque ficou ressoando em meu pensamento um dos trechos da fala de Jesus ao responder a Felipe dizendo:  

– Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? 

Depois disso, passei a iniciar minhas orações diárias a Deus através de uma frase semelhante, que faz com que eu sinta a presença Dele em mim.

“Deus está em mim e eu estou com Deus”

Desde então, essa jaculatória passou a fazer parte de minhas orações diárias.