Jacá de bagre ensaboado

Sabe jacá? Aquele cesto grande, feito de tiras trançadas de bambu, onde antigamente se conservavam os peixes capturados vivos de maneira a poder oferecê-los a quem buscava espécimes frescos para consumo?

Pois é. Às vezes — como no ano que vem — as urnas eleitorais vão estar que nem jacás, cheinhas de candidatos tipo bagre: a maioria lisa como que ensaboada.

Parece que a temporada de pesca vai começar um pouco mais cedo. Não a de peixes, que tem início em primeiro de fevereiro, mas a dessa espécie aí que mencionei acima, a que começa em maio e acaba em outubro e que, por sinal, já começou, antecipando o teste coletivo de paciência.

Desta vez, precisamos ter ainda mais cuidado com a escolha do que vamos levar. Mas muito cuidado mesmo, pra não ser enganado e carregar bagre coberto com o limo da sem-vergonhice pra casa. É o que mais tem nesses jacás eleitorais. Por isso, PRESTEM ATENÇÃO, porque o DANADO fica difícil de controlar depois de se instalar em Brasília e demais capitais do país.

Mas num é?

Meu Presente de Natal

Não sou cuiabano de nascimento. Fazer o quê? O que me leva a pensar ter sido um lastimável equívoco da cegonha não ter me trazido para cá, no longínquo ano de 1953. É, lá se vão 72 anos. Era assim que, no passado, se brincava com a ideia da chegada de uma criança ao mundo.

Ah, o passado! Tem gente que não gosta dele, de rememorá-lo, de reverenciar sua própria gênese, eu não. Sempre fiz do passado referência, porque tudo o que recebi dele foi construtivo. Qualquer coisa que tenha recebido de lá, seja referente a origem, sentido e direção, tudo contribuiu para me fazer quem sou. Portanto, foi bom.

Para minha sorte, e põe sorte nisso, dias após o Natal de 1961, nos mudamos para Cuiabá, vindos da vida cigana de mudanças a que era submetido um bancário e sua família naquela época. Daí minha mãe nos definir como ciganos de ocasião, dadas as permanentes mudanças devido à profissão de seu marido.

Aquela vida errante sempre me faz lembrar que Papai Noel se atrasou um pouquinho em relação ao Natal daquele longínquo ano, talvez alguns dias, mas ele veio, e trouxe consigo Cuiabá como meu presente.

Aqui fiquei, melhor dizendo, aqui ficamos desde então. Depois de nossa chegada, houve uma ocasião, um curto período, em que estivemos fora da aprazível aura cuiabana, mas logo papai arranjou um jeito de nos trazer de voltar.

O que nos fez voltar? Essa é fácil de responder. Foi a mesma magia que nos fez vir para cá em janeiro de 1962 quem definiu nosso futuro. Sim, porque a cidade e os cuiabanos, haviam deixado um sinal, uma marca indelével, em nossos corações. Algo reconhecido e inconfundível, composto por uma chapa e uma cruz, a marca dos que aqui nasceram.

Creio também estar falando em nome da minha família, os Portocarrero, ao dizer que tudo o que aconteceu fez com que eu sentisse a sensação de ter nascido de novo, quando Papai Noel deu a mim e, com certeza, a todos nós o privilégio de crescer em Cuiabá, de construir nosso futuro aqui, encontrar o amor, ter filhos e vê-los seguir adiante em suas vidas.

Incoerência Eleitoral

“Seja por ignorância, insensatez ou ideologia, a falta de coerência em quem não enxerga o futuro como resultado de suas próprias ações e omissões é assustadora.”

Será doloroso ver (se Deus permitir) o futuro sofrido de pessoas queridas sob uma ditadura que já se manifesta ao definir o que é certo ou errado; a desesperança frente à inconsequência dos que, temerosos, apenas assistem sem reagir, falhando em não defender a herança moral, o caráter, a ética e a religiosidade que receberam. O mesmo vale quanto à perda da integridade intelectual, hoje desvirtuada nos ambientes de ensino e formação.

De nada adianta criticar e reclamar daqueles que elegemos para nos representar ou dirigir se não houve participação ativa de cobrança no processo. Essa falta de cidadania e, por que não dizer, de coragem, para exigir o cumprimento promessas e remover do poder os que nada fizeram e continuam a nada fazer, somadas às críticas passivas e inúteis, permitiram que chegássemos ao atual estado de degradação socioeconômica.

A não concientização da sociedade torna insuficientes os esforços voltados a mudar a situação em que estamos. Cada pessoa, cada eleitor, ao invés de apenas criticar, tem o dever de se engajar de fato ante o pleito eleitoral que se aproxima. Será a hora certa de cobrar pelos compromissos anteriormente assumidos e não cumpridos por seus candidatos.

No passado – não tão recente – isso já fez com que perdêssemos eficiência na gestão pública, e, atualmente, a liberdade de nos expressar e a possibilidade de ir e vir com segurança.

Conclusão:
Em nosso país ainda tem muita gente que acredita em mentira por ter medo da verdade. O pior é que a mentira nem precisa ser bem elaborada ou repetida à exaustão; basta ao candidato enganador incluí-la em suas promessas de campanha.

Desculpa esfarrapada

A mesma emoção que anima minha alma e inspira meu escrever, também arrebata meu coração.

É quando meus olhos se alagam, o coração dispara, a língua trava e minha voz silencia.

Então, com a falta de uma boa oratória, restrinjo meu discurso verbal e me dedico a escrever.

O que escrevo diz respeito ao que me inspira, ao que aprecio, às pessoas que amo, respeito e admiro.

É dessa forma que falo sobre quem, mesmo distante, sinto bem perto.

É como, enfim, também traduzo meu sentir sobre os que já partiram e mesmo assim permanecem presentes.

Em verdade, o que realmente preciso é reconhecer que tudo não passa de uma desculpa esfarrapada.

Desculpa, que serve apenas para justificar o que ainda não sou capaz de entender sobre mim.

Eternos Velhos Amigos

Meus amigos de tempos atrás,
Agora são velhos amigos.
Não que sejam amigos velhos,
O que, por certo, não é o caso.

Afinal, idosos, seguimos vivendo,
Cheios de energia e afeto.
Por isso mesmo permanecemos,
Os mesmos Velhos Amigos.

Somos pessoas tangíveis,
Com afeições bem construídas
De há muito tempo vividas,
Repletas de bons momentos.

Sempre fiéis companheiros,
Parceiros, aventureiros queridos.
E nisso tudo seguimos
Eternos Velhos Amigos.


Sem anistia!!!

Não, mas quá! Está tão bom assim… Sigamos céleres rumo à democracia bolivariana. Lá, o poder emana do povo. Seguir seu modelo dará certo aqui, como está dando por aquelas bandas, não é mesmo? Falta tão pouco que já dá para sentir a brisa da liberdade.

Para que perder tempo com retrocessos? Isso só traria de volta o governo militar de 1964, aquele que atrapalhou os planos golpistas de então, cujos esforços — diga-se de passagem — se deram com o subsídio de forças externas do bloco comunista, e que agora estão prestes a ser reeditados.

Por que recorrer a forças externas para tentar impedir a realização do sonho de uma “Libelu”, do “MR-8” e de tantos outros grupos de anistiados? Aqueles mesmos cujos “esforços” foram regiamente recompensados por meio de anistia ampla, total e irrestrita, com direito a polpudas indenizações, e que estão prestes a ser ainda mais agraciados pelo atual governo, desta vez com juros e correção monetária.

Agora, a conjuntura não tem governo militar nem censura para atrapalhar. Pelo contrário, temos um STF notavelmente justo e honesto, um STJ que se mostra incorruptível e um TSE que, a ferro e fogo, protege com rigor impecável a legitimidade dos pleitos eleitorais. Portanto, está claro que nenhuma ilegalidade ou injustiça já foi ou será permitida em nossa Pátria amada. Diante de tamanha retidão, por que, então, haveria qualquer reação ao óbvio que busca ser imposto?

Enfim, parece que voltamos a correr o risco de ser uma democracia do proletariado, a mesma que foi adiada em 71 anos por um contragolpe militar, que quase aconteceu de novo. Só não o foi graças às intempestivas reações do executivo eleito, das atuais e fiéis Forças Armadas, da Justiça constitucionalista e de congressistas sempre abertos a negociações.

Sem anistia!!!” — gritam os donos da narrativa, agora amparados pelos Três Poderes da República, advogados que são, da “social-democracia”, na qual poderemos passar a viver caso aconteça o pior.

Sem sarcasmo, porém irônico!