Todo ano é um bom ano.

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“A vida, se bem empregada, é suficientemente longa.” (Sêneca)

É preciso aprender a viver com o que nos é dado a cada dia, não importa se por Deus, em quem creio, se por outra entidade na qual você acredite ou por alguma outra razão, no entender de quem não crê em uma Divindade Criadora.

É preciso haver satisfação no que se faz durante esse interregno – que se repete um após o outro – infinito e indiferente a cada um de nós, a cada coisa e a cada situação.

A vida é longa se você souber como usá-la, disse Sêneca. Seguindo seu ensinamento, não podemos desperdiçá-la no correr do dia. É preciso bem viver cada dia sem se preocupar quantos serão, mas sim com o que nos permitirem, com o que de bom e bem aproveitarmos para nele fazer.

Façamos dos dias oportunidades para resolver as questões que nos afligem, ocasiões para dizer a quem amamos que os amamos, para deixar de lado aquilo que nos perturba e, com isso, prepararmos bons amanhãs.

Todo dia existe para que aprendamos algo de bom, aperfeiçoemos nossas qualidades e preparemos um novo dia, ou seja, o futuro.

Assim, quando a morte chegar, já terá sido adiada o suficiente, não importa quão pouco ou muito tenhamos vivido. Ela também não precisará ser explicada ou esperada, por isso não haverá motivo para temê-la.

Todo dia é um bom dia, assim como todo ano é um bom ano. Só precisamos entendê-lo como oportunidade para fazer o bem.

Pois é! Se já é difícil entender a vida, ainda mais será encontrar explicação para a morte.

Sêneca foi um filósofo estoico que defendia que a qualidade da vida importa mais que sua duração. Este texto busca aplicar essa sabedoria ao nosso cotidiano atual.

A Ilusão Política

Este texto é uma reflexão honesta sobre autorresponsabilidade e a diferença fundamental entre o ato de errar e a reação diante das suas consequências.

“A diferença entre quem erra e corrige o erro e quem erra e permanece nele é a mesma entre quem faz ‘caca’ e senta em cima e quem sabe limpar a bunda. O pior é que todo mundo percebe; basta usar um dos sentidos para notar.”

Várias situações sustentam esse pensamento. Entre elas, a ilusão de quem acha que consegue esconder um erro — quem faz ‘caca’ — acreditando que, ao ocultar o ato ou se recusar a admiti-lo, ele deixará de existir. No entanto, os sentidos não costumam enganar. O “mau cheiro” contamina o ambiente, afeta as relações e destrói a confiança. O erro admitido é um problema; o erro escondido é um desvio de caráter.

Aquele que desenvolve resiliência e humildade reconhece o erro e reage positivamente ao buscar formas de resolvê-lo, saindo da situação mais experiente. Por outro lado, quem permanece no erro fica estagnado, gastando mais energia para sustentar a farsa ou negar a realidade do que gastaria para corrigi-la.

Do ponto de vista social — observando o que acontece ao nosso redor — percebe-se que em qualquer grupo (familiar, profissional ou social) todos notam quando alguém está “sentado sobre o erro”. O silêncio alheio nem sempre significa ignorância; muitas vezes é apenas o tempo necessário para que o sujeito perca, aos poucos, toda a sua credibilidade. No fim das contas, a limpeza do que se fez exige coragem, pois obriga o indivíduo a encarar a própria sujeira.

No cenário político, essa analogia é ainda mais poderosa. O “sentar em cima” é, na maioria das vezes, uma estratégia deliberada de negação para manter o apoio do eleitorado. Quando focamos na falta de atenção ao votar, a frase atua como um alerta contra a complacência. Resumindo: errar é humano, mas persistir no erro é uma escolha. Nesse ambiente, quem não corrige o erro contamina todo o resto. E o pior: o eleitor nem sempre percebe isso de imediato.

Em política, o erro raramente nasce da ignorância; costuma ser uma escolha baseada em orgulho ou conveniência. Nela, “sentar em cima” representa a negação de escândalos, a manutenção de alianças espúrias e a insistência em projetos fracassados. O eleitor pode até ignorar os fatos, mas não consegue escapar das consequências: o “mau cheiro” da gestão pública no dia a dia.

Na brasileira, quando um representante comete um equívoco — seja por má gestão, corrupção ou incompetência — a estratégia comum não é a correção, mas a negação sistemática através de narrativas acreditando que, se ignorar o problema, o povo também o fará. O que deveria ser um erro de cálculo óbvio já que a inflação, a insegurança e o mau serviço público são sentidos por todos, infelizmente nem sempre é compreendido pelo público.

O eleitor que ignora esses sinais sensoriais, muitas vezes por falta de base educacional, e vota novamente em quem não corrige os próprios erros, torna-se cúmplice da estagnação. Corrigir o curso é o que separa o líder do oportunista.

Em qualquer situação, nenhum erro se apaga com o tempo; eles apenas se acumulam até que o ambiente se torne insuportável. “Limpar a própria bunda”, neste contexto, significa ter a humildade de mudar a rota quando ela se prova desastrosa. Quem não tem competência para reconhecer e limpar as porcarias que faz, não serve para liderar. Qualquer liderança baseada nisso não passa de uma perigosa ilusão.

A diferença entre o erro corrigido e o erro persistente é a mesma entre a honestidade e o cinismo.