A Patologia da Intolerância e o Medo do Novo

Na medicina, a intolerância é uma reação exacerbada do sistema imunológico a um agente externo. Na política, — Mato Grosso não foge a esta regra — o fenômeno se dá de forma idêntica. Basta um novo elemento surgir no horizonte, para que o organismo estabelecido do poder acione seus mecanismos de rejeição. Essa reação não se dá no campo das ideias, mas através de um braço específico: a chamada imprensa marronzista, como diria certo personagem novelesco do passado.

Um exemplo pedagógico disso, dessa patologia, pôde ser visto em recente materia sobre a filiação de um empresário mato-grossense bem sucedido ao Partido Novo. Sob o pretexto de “análise”, o texto recorre à velha cartilha da desqualificação: não só rotula agremiações de “nanicas” e afirma que candidaturas majoritárias são apenas “ensaios para valorização” como vai além, ao carimbar projetos independentes como meros “apêndices” de outras siglas. É o jogo político de interesses em sua forma mais nua e crua. Na verdade um tentativa de reduzir uma movimentação legítima à “mesmice” que, ironicamente, o editor parece fingir combater.

Como engenheiro, observo que esse fenômeno é o equivalente político a um erro de drenagem crônico que costuma acontecer em Cuiabá na época das chuvas: a estrutura está saturada, o escoamento de novas ideias é obstruído e o que sobra é a estagnação de águas paradas que alimentam o status quo. O sistema teme a gestão técnica e a independência financeira porque elas são, por natureza, resistentes ao “toma lá, dá cá”. Para veículos que sobrevivem de conveniências oficiais, a renovação não é uma esperança; é uma ameaça a seu modelo de negócio.

Uma contrariedade, que se verifica sistematicamente a cada véspera de eleição, tenta “vacinar” o eleitor contra qualquer alternativa que fuja do controle das oligarquias partidárias. Ao tratar a entrada de um nome do setor empresarial como um movimento previsível ou “mais do mesmo”, a mídia tradicional pode estar tentando esconder o seu próprio pavor: o de perder o monopólio da narrativa e, com isso, o acesso aos cofres públicos que a sustentam.

O surgimento de candidaturas que perturbam o conforto do sistema deve ser celebrado como um sinal de vitalidade democrática. Tentar sufocar essas vozes com adjetivos depreciativos é um desserviço à cidadania. Afinal, Mato Grosso é um estado pujante que não cabe mais no figurino apertado da política de conveniência.

É hora de substituir a intolerância adquirida ao longo do tempo pela tolerância ao debate de ideias que realmente interessem ao futuro de quem vive, trabalha e produz em nossa terra. Uma sociedade que manifesta alergia à renovação está condenada a definhar sob o peso de suas velhas práticas.

Um comentário sobre “A Patologia da Intolerância e o Medo do Novo

  1. Alguns grupos de interesse parasitários, apavorados com qualquer sopro de renovação, na ânsia desesperada de se manterem sugando a sociedade matogrossense, tentam reduzir tudo e todos ao mesmo nível do lixo que eles próprios representam. Sem ideias ou projetos, só lhes resta desqualificar e atacar qualquer candidatura ou voz que os ameace. A renovação não é ameaça — é o oxigênio que estamos precisando. Excelente reflexão, Marcelo!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário