Você tem amigos ou contatos valiosos?

Já se fez essa pergunta?

Consegue distinguir o valor de um e do outro?

Percebe a diferença entre o que cada um pode fazer por você, com você e em você?

Então, cabe uma rápida leitura sobre a importância de cada um: o amigo e o contato valioso.

Um “contato valioso” é somente isso. A palavra “contato” traz em si toda a significância ou insignificância que assume como parte do segundo núcleo do objeto direto do questinamento, até porque “valioso” é apenas o adjetivo que o caracteriza. Resta saber se para o bem ou para o mal.

Sintaticamente, a palavra “amigos”, tem a função de primeiro núcleo do objeto direto (amigos ou contatos valiosos) na pergunta do cabeçalho. Já seu significado, assim como dito em relação a “contatos vaidosos”, vai além da definição analítica, pois envolve diversas dimensões nas relações interpessoais. A amizade é essencial para o bem-estar emocional e social dos indivíduos, sendo fundamental na promoção dos laços afetivos que sustentam a convivência humana.

Saber diferenciar os dois é essencial sobre vários aspectos, Principalmente, porque ambos são passíveis de nosso convívio, seja familiar ou profissional. É importante observar a possível dubiedade que um deles, o contato valioso, possa representar. Esclarecendo: dubiedade é um conceito referente à qualidade, ao estado ambíguo, incerto ou indeciso com que nos deparamos nas relações interpessoais, principalmente na esfera política.

Razão disso, estamos vivenciando esse tipo de relação com inegável frequência, principalmente devido ao panorama dúbio e repleto de interesses controversos que acontece nos três poderes da República, cada vez menos harmônicos, independentes e não complementares. Tanto, que seu principal objetivo – evitar que o poder seja centralizado nas mãos de uma só pessoa – deixou de existir, uma vez que subjulgados através de desmandos inconstitucionais impostos por quem deveria apenas e tão só julgar.

O Natal cristão

Antes, quando o Natal era uma festa cristã motivada pelo nascimento de Jesus Cristo, as ruas, residências, lojas, shoppings, hotéis e todos os demais lugares por onde passávamos evocavam Sua humilde, mas importante presença. Agora, a cada ano que passa, vamos esquecendo dessa que era a razão, a origem da comemoração, passando a existir mais a título de promover o comércio do que em sua homenagem. Até mesmo templos religiosos deixaram de dar a merecida ênfase à sua existência nos dias finais do ano.

Hoje o objetivo de aproveitar os momentos entre familiares, amigos e colaboradores tem pouco de religioso. Deus, Jesus, Seu filho dileto, poucas vezes é lembrado e, quando o é, as manifestações de fé reduzem-se a esperanças de um ano melhor para pedir, não para agradecer.

A religiosidade que nos mantinha fiéis aos ensinamentos religiosos, como a fé e a crença em Deus, nosso Pai Criador, que também nos fazia observar e respeitar preceitos relativos à moral, aos bons costumes, ao amor incondicional e ao respeito a tudo e a todos, vai, a cada ano que passa, sendo esquecida, relegada a conceitos conservadores, portanto, contrários aos interesses dos que buscam eliminar os laços familiares, as relações de amizade e o respeito. Alguns dizem que isso é parte do processo de evolução do mundo. Quem é a favor, se tem como progressista… imaginem!

A festa de fim de ano passou a ser um evento puramente comercial; a religiosidade deu lugar ao ato de recompensa, não mais pela fé, amor e carinho, mas por outros interesses. À medida que o tempo passa, o Natal vem se tornando um evento de reciprocidade compensatória, de interesses diversos, até políticos e econômicos. Isso sem falar do financeiro.

A confraternização simbólica do nascimento de Nosso Senhor — razão da existência da família como célula mater — e da amizade sincera não existe mais. Esses preceitos não são mais ensinados nas escolas, pouco são lembrados por parentes e nas instituições, sejam elas particulares ou públicas, então, nem é preciso comentar.

As decorações não mostram os sinais de Deus nas ruas e avenidas, nas casas, nos prédios nem em praças. O que se vê, quando olhamos ao redor, são luzes piscando, árvores enfeitadas, bonecos de neve, Papai Noel e presentes.

Se já era difícil encontrar quem soubesse a origem da festa natalina, agora tornou-se impossível achar alguém que saiba da existência de São Nicolau, também incorporado por razões religiosas aos festejos natalinos. Para quase todos, o bom velhinho é um personagem fictício que apenas entrega presentes. Quanto ao dia 25 de dezembro, bem, para muitos, é apenas o dia em que a festa acontece.

Origem: O Natal era uma festa pagã realizada pelos romanos no dia 25 de dezembro, por causa do solstício de inverno, celebrado na região onde hoje é a Europa. Ela foi cristianizada e se tornou simbólica para que celebremos a encarnação de Jesus. Assim, o Natal, já direcionado ao cristianismo, passou a integrar o calendário no dia 25 de dezembro por volta do ano 350.

Meu Tempo

O tempo voa . . . 
Fui chama ardente
Agora, fumaça ao vento
Que aos poucos atenua
E mesmo brisa abrasa, aviva
É preciso voejar
Aproveitar a aura finda
Que por mais suave seja
Ainda leva adiante
Carrega irresoluta
Até apagar-se-me em cinzas
Então, voltarei a flutuar
Ao sabor do vento
. . . no tempo

O dom do discurso

Não possuo o dom do discurso, e talvez nem mesmo a aptidão para a palavra escrita seja uma qualidade minha. No entanto, de uma coisa tenho certeza: descobri a tempo a importância de transformar pensamentos em palavras escritas.

Da mesma forma, percebo que a manifestação pública da opinião oral é algo para o qual não me preparei o suficiente, provavelmente devido à falta de atenção nas aulas de língua portuguesa e redação durante os diversos estágios do meu ensino. Que dizer, então, da inexistência da oratória como matéria curricular.

Essa habilidade não era oferecida no ensino da época em que o estudante era avaliado pelo que havia aprendido, e não pela forma relativa como aparenta saber hoje em dia. O certo é que não percebi nem reagi a tempo. Assim como aconteceu comigo, o mesmo deve ter ocorrido com outras pessoas da minha geração, pois, de outra forma, eu e elas teríamos contribuído de forma mais produtiva na construção dos ambientes que frequentávamos: fosse familiar, social ou de trabalho.

De outra forma, certamente teríamos exposto nosso ponto de vista de maneira mais produtiva, e teríamos usado nossa competência em participação mais eficaz na construção do edifício da vida. Houve um tempo, como hoje volta a acontecer, aquele ao qual me referi acima, em que a pessoa se destacava na área em questão devido à sua competência natural, o tal talento, e ao incentivo de parentes e orientadores, estes encontrados na escola, curso de história e especialização sobre literatura.

No entanto, essa consciência não deve nos levar a lamentar o passado, mas sim a agir no presente e no futuro. Nunca é tarde para aprender a se expressar melhor, seja por meio da palavra falada ou escrita. Existem inúmeras ferramentas e recursos disponíveis para aprimorar nossa habilidade de comunicação. Podemos começar por praticar a escuta ativa, buscando compreender genuinamente o ponto de vista do outro antes de expressar o nosso. Podemos também nos dedicar à leitura, ao estudo e à prática da escrita, para organizar nosso pensamento de forma mais clara e coerente.

Essa dificuldade em comunicar o que pensamos e sentimos também afeta a relação interpessoal. Quantas vezes deixamos de expressar nosso sentimento por medo da reação do outro? Quanta ideia brilhante foi silenciada por falta de coragem para compartilhá-la? E quantas vezes deixamos de nos posicionar em situação injusta, por não saber como fazer isso de maneira adequada? A falta de uma comunicação eficaz impede a construção de relações mais autênticas e de participar ativamente da sociedade em que vivemos.

Além disso, podemos buscar oportunidade para praticar a oratória, seja em um pequeno grupo, em reunião de trabalho ou em apresentação pública. Cada experiência, por menor que seja, ajuda a ganhar confiança e a desenvolver nossa capacidade de comunicação de forma eficaz. E o mais importante, poder compartilhar essa jornada com outras pessoas, buscando juntos o aprendizado e o crescimento. Afinal, uma sociedade que valoriza a comunicação é uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais próspera para todos.

“O estoicismo nos ensina a incentivar que os interlocutores falem mais sobre o que dominam para que se sintam à vontade e motivados a compartilhar detalhes importantes de sua experiência, expandindo assim o conhecimento para o crescimento de todos”.

Boneca Tereza

Tempos atrás, quando eu ainda era criança, imaginem só, hoje completo 71 anos, Boneca Teresa era como diziam as pessoas mais velhas ao ouvirem algo que já era de seu conhecimento.

Não sei qual a origem do termo; apenas suponho que esteja relacionado ao que ele mesmo sugere: uma boneca, talvez se referindo à dona do nome, a tal Tereza, alguém que tivesse a língua comprida na época do Amigo da Onça (*), lá pelas bandas de onde Judas perdeu as botas (**).

Pois bem, esta era a forma como meu sogro, o Cel. Octayde, com refinado sarcasmo, se referia a um assunto que lhe trouxessem e que já era de seu conhecimento devido às fofocas dos corredores da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, ou seja, um desatino qualquer mais recente, e mesmo por nós, da família, quando, assim, propositalmente, provocávamos sua famosa verve. Raras vezes era possível vê-lo sorrir; esta era uma delas, mesmo que apenas por um dos cantos da boca, ao sapecar seu ressoante… Boneca Tereza.

Da mesma forma, se algo era ainda mais antigo, anterior mesmo, de alguns anos passados, a ironia vinha através de um desconcertante: “Kennedy morreu, você não sabia?” Desta feita, referindo-se ao assassinato do presidente dos Estados Unidos, evento ocorrido em 1963, transmitindo assim ao interlocutor a mensagem de que a informação já era mais do que conhecida, velha mesmo.

Esses momentos, poucos conhecidos de sua personalidade, aconteciam em ambiente familiar ou, quando muito, na presença de amigos e, talvez, no ambiente de trabalho em uma ou outra ocasião de descontração.

Certo é que frequentemente acontecia aos finais de semana, quando os dias ficavam mais longos, geralmente após o almoço, já no torpor das acaloradas tardes e sob a varanda rodeada de mangueiras, quando a família se reunia para prosear descontraidamente. Naquelas ocasiões, era costume haver zombarias sobre os fatos ocorridos durante a semana finda, quando, então, ele externalizava o que tinha de pitoresco.

Hoje mesmo, a fofoca continua correndo solta como dantes, principalmente no que se refere à política nacional. A cada dia que passa — e olha que são dias pra dedéu, tanto que viraram semanas, meses e anos, ou seja, há bastante tempo —, período para ninguém botar defeito, estão prendendo o ex e último presidente da República.

O circo que está sendo montado para justificar a injustiça é tão ridículo, bisonho mesmo, que a trama sinistra, uma peça teatral ou ópera-bufa, tanto faz, já virou até chacota na imprensa mundial.

Parafraseando o inesquecível coronel: “Avisem a Boneca Tereza que Kennedy morreu!”

(*) Quem criou a expressão “Amigo da Onça” foi o cartunista Péricles Maranhão, na década de 40, para caracterizar um personagem malandro e irônico, inspirado em uma história folclórica sobre dois caçadores que se defrontaram com uma onça. Ao escaparem da fera, um deles disse ao parceiro que ele não deveria ter conseguido fugir, ao que o outro responde: “Epa, … você é meu amigo ou da onça?”

(**) Diz a lenda que Judas Iscariotes, após receber as trinta moedas de prata ganhas pela traição a Jesus e antes de se suicidar descalço, teria colocado as mesmas em suas botas e escondido tudo em um local ermo, mas tão ermo que nunca foi encontrado.

A que ponto chegamos 

O nós não existe mais. Vivemos em um mundo onde outro pronome está presente no lugar daquele que assumia a função de um dos sujeitos coletivos das orações – antigamente conhecido como a 1ª pessoa do plural – o acima desconsiderado “nós”.

O poder, ao invés de ser buscado para servir a todos, voltou a ser usado para impor, impedir ou, em última instância, aniquilar quem com ele não concorda numa sequência de passos para atrás rumo à inquisição do século XIII, ela mesma, aquela usada pela Igreja Católica para combater a crença em doutrinas consideradas contrárias à fé cristã, só que às avessas.

Assim, ou você passa a ser parte do nós (deles) e ser chamado de nosso, no mais degradante sentido que esta palavra tenha, ou é entendido como sendo contra (eles), no mais deplorável sentido que isso possa ter, em todas as situações nas quais o entendimento de posse da consciência exista.

 Essa é a forma como aqueles que não querem mais a prevalência do “nós amplo e irrestrito”, tanto que passaram a promover conflitos permanentes, de maneira a tornar as partes antagônicas inimigas de morte, o famigerado NÓS CONTRA ELES.

Vivemos um momento em que os poderosos buscam transformar o tudo posso naquele que me fortalece, segundo o apóstolo Paulo (Filipenses 4:13-1), em nada posso naquilo que o supremo permite.

Em politica, todos os pronomes pessoais deveriam ser unificados em apenas um, o “nós”, de forma a que tudo seja feito para todos, sem distinção. No entanto, não é isso que acontece, porque as forças que poderiam controlar abusos foram sendo cooptadas uma a uma e, ao que tudo indica, nada farão.

O “nós” está passando e logo será passado, o “eles” também, entretanto, os estragos que estão sendo feitos agora, se não contidos, recairão sobre os que serão o futuro. Olhando assim, até parece não existirem filhos e netos. 

O Princípio do Fim

Volta e meia, recebemos mensagens solicitando orações e suas replicações para que Deus, através de seu Filho Jesus Cristo, Nossa Senhora e outros Santos e Santas, intercedam por pessoas e situações que envolvem recuperação de saúde, cura milagrosa e também para evitar acontecimentos catastróficos, entre outras situações que fogem da capacidade de intervenção humana.

Devemos considerar válidas todas essas interações, no entanto, a fé, necessariamente, precisa ser crença, convicção e virtude de quem desesperadamente precisa da piedosa intervenção divina, muito mais do que da corroborada súplica de outras pessoas. Essa súplica, no momento do desespero, se torna uma corrente de pensamentos solidários, o suporte para quem precisa lutar e vencer, nada mais que isso. Mas tudo dependerá da interação dessa pessoa com Deus.

A bênção da cura e do desarmamento dos espíritos beligerantes que habitam indivíduos, seitas, ideologias e até mesmo religiões é algo que não depende de nós, mas Dele. Sim, porque um dia todas essas entidades já tentaram, conseguiram ou estão buscando derrotar seus inimigos pelas armas.

Então, a pergunta que estão propondo agora é sobre quem será nosso melhor interlocutor para questões como doenças incuráveis e outras situações mais abrangentes, como aquelas que envolvem a sobrevivência de todos. Nós, em nossa fé, em nossas esperanças e em nossas súplicas a Deus, a quem recorremos em busca de sua piedosa bondade, ou aquela que a cada dia se torna uma poderosa ferramenta a oferecer solução para nossos problemas, o ente supremo criado artificialmente para ser o condutor da vida sobre a Terra, no infinito e além — parafraseando o astronauta Buzz Lightyear, personagem de desenho animado — fruto da crescente interação, melhor dizendo, da exploração gratuita de tudo o que imaginamos e informamos em nossas redes sociais, trabalhos escolares, estudos universitários, mestrados, doutorados e tudo mais que produzimos, queiramos ou não, colocar a público.

Tudo, mas tudo mesmo, é imediatamente recolhido na memória da nova e, até agora, inquestionável condutora do futuro da humanidade: a poderosa, insuperável e, convenhamos, desumana Inteligência Artificial.

Estamos perdidos! Sendo robotizados até naquilo que mais importa: o raciocínio humano e, com ele, a fé religiosa. Alguns dizem que não há o que fazer, que temos que aceitar e seguir em frente. Sinceramente, seguir em frente dessa maneira é como ser um cachorrinho. Desculpem, vou corrigir: um pet (hoje em dia, até nisso é preciso agir de forma politicamente correta ou o algoritmo da IA vai te entregar) sendo guiado por uma coleira comportamental invisível.

Então, ao invés de exercitar nosso cérebro, como sugerido em meu último artigo (Não Pare https://marceloportocarrero.wordpress.com/2024/10/28/nao-pare/), vamos nos enterrar no ostracismo intelectual e deixar um programa de inteligência artificial pensar por nós, perguntar e responder por nós e, porque não, até sonhar por nós, como agora tenta nos impor Mark Zuckerberg, um dos instrumentos da Nova Ordem Mundial, através de outro dos seus métodos de colonização cerebral, o WhatsApp. Será esse o princípio do fim da humanidade na Terra?

Acho até que alguém já expressou esse vaticínio.

[…] É o fim da aventura humana na Terra
Meu planeta, adeus […]
Verso escrito por Saulo Fernandes na música Minha pequena Eva (Banda Eva)

Não Pare

Há pessoas que, ao se aposentar, entendem que o ócio é um prêmio do qual devem apenas desfrutar como uma recompensa merecida pelos prazeres que deixaram de usufruir durante a fase mais produtiva de suas vidas. O sociólogo Domenico De Masi, em seu livro “O Ócio Criativo” e em outros sobre o mesmo tema, analisa questões referentes à sociedade pós-industrial, à globalização, ao pouco uso da mão de obra tradicional e ao desemprego devido ao desenvolvimento tecnológico, além do surgimento de novas ideologias. Ele propõe, então, um novo modelo social que deve levar em consideração a necessária complementariedade entre o trabalho, o estudo e o lazer, considerando, principalmente, a crescente disponibilidade de tempo devido ao avanço das exigências sociais, cada vez mais determinantes nas reduções das jornadas de trabalho.

Resumindo, De Masi considera que os indivíduos e a sociedade devem passar por transformações que privilegiem a satisfação de necessidades específicas, como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e o entretenimento. Entretanto, os avanços propostos por ele, muitos já colocados em prática, se aplicam a indivíduos que estejam ativos, o que não se dá em relação àqueles que se aposentam. Essas pessoas, em grande parte, procuram se afastar de compromissos, horários e responsabilidades. De certa forma, diferentemente do que o sociólogo sugere, entendem o ócio como um direito adquirido, do qual querem desfrutar incondicionalmente.

Daí a diferença percebida em algumas reações à aposentadoria, que, ao invés de “ir devagar”, sugerem somente “vagar”, repousar em um sentido mais amplo, exceto no que se refere à família, ao lazer e às amizades.

Tanto para quem trabalha como para quem se aposenta, exercitar o cérebro é como estar permanentemente criando ligações entre os neurônios, atividade semelhante a fazer exercícios físicos para manter os músculos fortalecidos e, assim, sustentar os órgãos e a estrutura óssea. No caso do cérebro, os exercícios devem ser feitos para sustentar o raciocínio, a memória e outras práticas relacionadas à lucidez, capacidades que vão sendo reduzidas naturalmente com o avançar da idade.

No cérebro, não criamos músculos; promovemos ligações e ocupamos os espaços vazios que a falta de atividade pode criar devido à redução da dinâmica intelectual. Um exemplo: não basta ler; ler mantém a atividade, é preciso escrever. Escrever ativa a criatividade e, com isso, cria novas ligações, ocupando espaço.

Portanto, vamos desenvolver novas atividades, sejam elas físicas ou mentais, de maneira a tornar o ócio não a razão para a inação, mas um princípio que nos leve a ocupar de forma produtiva o tempo que nos resta de vida, em permanente busca por saúde, interação e convivência.

Por que você vota?

 Não confunda o “por que” escrito de forma separada, como o utilizado na pergunta acima, com o “porque” junto, que se aplica às respostas.

Ao considerar a primeira das situações, estamos pensando no futuro, no que queremos para Cuiabá. Já a outra requer que usemos o bom senso na análise detalhada da situação em que estamos, para então decidir se queremos a continuidade do que aí está ou se vamos impedi-la de se perpetuar.

O voto deixou de ser uma retribuição à amizade ou ao favorecimento para ser validação de esperança.

O futuro – tão evocado pelo pensamento progressista – está em uma encruzilhada, onde os desinformados confundem o avanço no caminho do progresso com a implantação da repressão – um retrocesso que dizem ter vivido no passado ao proporem a implantação de um tipo de governo que, sob o manto de progressismo sistêmico, esconde sua relativização da liberdade através da censura de opinião; confundem gestão técnica com compartilhamento político; administração de receitas e despesas com aumento de arrecadação e gastos; gerência honesta e realista com compromissos inexequíveis.

Já passou da hora de darmos ouvidos às oligarquias que até pouco tempo dominaram o cenário político com seus mandos e desmandos. São eles os que querem o continuísmo maniqueísta que divide o mundo entre o bem e o mal. O que, traduzido em fatos, significa o bem deles e nosso mal.

Chega do proselitismo ideológico da esquerda, que, desafortunada de bom senso, tenta cooptar e manter submisso o funcionalismo público consciente – por isso mesmo produtivo – como massa de manobra política para se perpetuar em um tipo de poder, que, ao invés de alcançarem através de realizações e propostas, o tomam por vias indecifráveis.

É hora da acabar com a persistente situação de manipulação do erário público em beneficio próprio, de terceiros apadrinhados e coniventes aquinhoados.

Causas e Efeitos

Ou você é parte da causa ou do efeito de um acontecimento. Não há meio termo; entre os dois, só existe o vazio, o vácuo, onde qualquer sopro, por mais tênue que seja, pode direcionar todos para onde quiser. Isso ocorre quando a subserviência vai contra o bom senso e o consenso.

Subserviência: Qualidade ou estado da pessoa que cumpre regras ou ordens de modo humilhante. Característica de quem se dispõe a atender as vontades de outrem. Ação de servir aos desejos de outrem por vontade própria; bajulação.

Bom senso: Capacidade de tomar decisões e julgamentos razoáveis e equilibrados, considerando as consequências e as realidades de cada situação.

Consenso: Opinião ou posição majoritária de um grupo ou de uma comunidade.

Vejam só quanta informação está contida na pequena frase-título deste artigo. Todas elas estão em consonância com o que estamos vendo acontecer nas duas casas do Parlamento e, pior, em uníssono, como se as duas figuras que as dirigem hoje fizessem parte de um pacto ou, no mínimo, de uma trama que desajusta o país através da intolerância a qualquer tipo de contraposição ao Executivo e seu parceiro, o Judiciário.

É certo que a oposição vem, há muito tempo, pedindo a cassação de certo ministro da Suprema Corte, aquela que considera seus membros superiores a tudo e a todos, vive das benesses da corte — como ocorre com a família real britânica — e se abstém de fazer justiça, tal como vemos acontecer na vizinha Venezuela. Mas também é certo que é preciso dar um basta em suas interferências sobre toda e qualquer ação e opinião que contrarie seus interesses e/ou suas interpretações da lei.

O que não está certo é o presidente de uma das casas legislativas do Congresso Nacional — qualquer um deles, no caso ambos — se portar de maneira tão subserviente ao não pautar as propostas votadas e aprovadas nas comissões encarregadas de estudar e esmiuçar a legislação pertinente para depois, após parlamentarem bastante, aprovarem o encaminhamento de suas decisões às mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, para vê-las engavetadas individualmente, tal qual acontece no poder a que inexplicavelmente se submetem.

Será receio de que, uma vez aprovadas, o outro passo seria a propositura de mudanças no tratamento dos processos encaminhados pelas comissões parlamentares, que também não poderiam mais ser engavetados ou arquivados ao bel-prazer dos presidentes das casas, mas sim somente após serem submetidos a colégios de líderes partidários ou aos respectivos plenários?

Afinal, se não eram cabíveis, sob o aspecto legal, os assuntos encaminhados para deliberação em comissões específicas, por que autorizaram seus funcionamentos? Por que esperaram tanto para prejulgá-los com ameaças de engavetamento? Quanta perda de tempo, quanto dinheiro jogado fora, quanta encenação para o desfecho fortuito de uma ópera bufa e sem sentido.

Foi para fingir o funcionamento do Poder Legislativo? Mas que poder é esse que nada pode sem a aprovação de quem deveria, única e tão somente, praticar toda e qualquer lei ou emenda constitucional aprovada por ele.

Ideias, ideais e ideologias

Em uma discussão, dependendo do âmbito e não do ambiente, os oponentes, ao atingirem alto grau de estresse, costumam confundir ideias com ideais, daí acabarem por externalizar suas ideologias.

No campo das ideias, temos que estas não passam de opiniões pensadas com a intenção de fazer algo, pois é a partir delas que as coisas passam a ter formatação ou, em outras palavras, existir de fato.

Já ideal é um princípio, uma aspiração que se toma por modelo. Tem muito a ver com o imaginário coletivo, daí ser entendido como aspiração, ambição ou mesmo fantasia.

Algo perfeito no que se refere à estética tanto física quanto sociológica, o que o torna um entendimento pessoal, particular mesmo. Afinal o que é belo para alguém, pode ser feio para outrem.

Como se percebe, tanto um conceito quanto o outro são insumos para a construção de convicções filosóficas, sociais e políticas, que contribuem individual e conjuntamente para o aparecimento de uma porção de propostas alimentadas pelo ativismo, seja ele conservador, progressista ou outro qualquer.

O conservadorismo acredita nas tradições, porque estas oferecerem à sociedade, melhor dizendo, ao indivíduo, a possibilidade de exercer opinião, agir em liberdade, respeitar valores religiosos, morais, éticos e familiares bem como defender sua nacionalidade, considerar e respeita o passado como mecanismo construtor do presente e indutor do futuro.    

Do outro lado, o progressismo busca o que chama por igualdade, no entanto, na prática relativiza este conceito ao se utilizar de argumentos desagregadores.

Agindo assim, ao invés de reunir, aparta ainda mais a humanidade de seus princípios originais, ou seja, propõe a consideração de variações opcionais irrestritas sobre quase tudo.

Entretanto, não age dessa forma em relação a direitos como o livre-arbítrio, desconsiderando assim a gênese igualitária universal, que tem como um de seus pilares fundamentais um pressuposto criador único, seja ele um princípio religioso ou científico.

Assim, nessas ocasiões e sorrateiramente, a discussão passa do campo das ideias para o dos ideais e destes para o das ideologias, em concepções cada vez mais díspares em conteúdos e objetivos.

Tanto, que hoje em dia há cada vez mais espaço para a inclusão de novos tipos de ideologias, a exemplo da de gênero, que utilizando do teórico argumento de ser um conjunto de pensamentos, doutrinas ou visões do mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado por suas ações sociais e políticas vêm sendo estabelecido, muito embora seja uma expressão não muito adequada para tratar um conjunto de princípios ainda em construção.

Interessante observar, que dentre os vários tipos de ideologias político-sociais existentes na primeira metade do século passado – o liberalismo, o conservadorismo, o comunismo, o socialismo e o fascismo – todas procuravam explicar o comportamento social através de distintas propostas, que levaram o mundo a viver em um verdadeiro caleidoscópio filosófico.

Nesse contexto, o avanço progressista fez surgir outras modalidades, dentre elas a ideologia woke, termo de origem americana, que se refere a uma percepção das questões relativas à justiça social e racial inspirada no comunismo, mas colocada em prática pelos “democratas norte-americanos” e o que vou chamar de neoliberalismo brasileiro, uma teoria sócio-econômica própria, tupiniquim mesmo, que tentou disfarçar seus vieses comunistas e socialistas através da “adoção” de princípios liberais, práticas aplicadas nos momentos que existiram logo após o afastamento dos militares do poder e que antecederam o atual “status quo” dessa nossa jabuticaba ideológica.

Uma ideologia única, lúdica, que possui em seu bojo argumentos incompatíveis, posto que composta por conceitos excludentes sobre política, economia, sociologia e cultura, os quais, em conjunto, tornam nossa sobrevivência como povo, país e nação algo incompreensível, . . . pelo menos para mim.

A experiência ensina melhor

O Conselho não é mais solicitado nem ao menos bem recebido, quando vem dos mais velhos.

Concordo que idade, por si só, não traz sabedoria, tão pouco é alcançada por todos. Entretanto, não há como negar que uma vez conseguida por quem teve competência para absorver conhecimento durante o transcorrer da vida, certamente será um bom conselheiro.

“Se conselho fosse bom não seria dado, seria cobrado”, dizem por aí. Este é, com certeza, um dos raciocínios mais mesquinho que existem. Até porque, trata de algo cujo valor é incalculável, independentemente da área em que é solicitado ou dado.

Há uma inquestionável diferença entre dação e doação, ou seja, dação se refere ao ato de liquidar uma obrigação e doação à liberdade patrimonial a favor de outrem, no caso, o conhecimento. Portanto, um benefício de valor imensurável para quem dá, tanto quanto questionável para quem recebe, exceto, talvez, no que se refere às consequências.

A principal diferença entre os conselhos vindos de quem obteve conhecimento através da experiência vivida e de quem foi treinado para vender o que não viveu reside na abrangência dos conteúdos ou, em outras palavras, é o que diferencia a sapiência do conhecimento.

Conselhos sobre o que, como, porquê, para que serve, ser e ter, não atendem mais aos anseios dos jovens. Eles estão interessados em treinamento para desenvolver competências e habilidades, outra forma de aprender (não confundir o que se adquire por treinar com o que é transmitido pela experiência), desde que seja oferecido por quem, mesmo com idade avança, se apresente jovial, como se isso o qualificasse para ser coach, estrangeirismo utilizado para ressignificar a função do treinador, ou seja, uma pessoa que transfere o que aprendeu através do treino, seja ele individual ou de forma coletiva.

Conselheiros aprendem por experiência e se dedicam a ajudar no trabalho, nas oportunidades e nas ferramentas, situações estas que lhes permitem ensinar sobre a vida, o que é amar, respeitar e tantas outras coisas boas que só o passar do tempo mostra e ensina. Portanto, não é a mesma coisa que treinar, aliás, fica longe de ser.

Mas a questão principal a que me dedico neste artigo está focada no mal causado aos mais velhos pelo afastamento, diria melhor, pela falta de paciência dos mais jovens e vice-versa, em relação a esse importante relacionamento.

Situações, em boa parte causadas pelo apressado desejo de sucesso, que acaba por desprestigiar as necessárias fases do conhecimento empírico, antigas gestoras dos tempos destinados às revisões e ajustes sobre o que se fazia ou pretendia obter; à falta das necessárias considerações dentro do próprio ambiente familiar referente aos valores hereditários, morais e culturais, entre eles o respeito, transmitidos dos avós para os pais e destes para os filhos; ao insipiente aprendizado nas escolas através de métodos, que antes alimentavam os intelectos com exercícios e informações, hoje considerados ultrapassados devido às prioridades agora dadas à sexualidade, e outros procedimentos nelas inseridos através da doutrinação paulofreiriana, que pouco ou nada contribuiu ao necessário desenvolvimento cognitivo nas tenras idades do ensino básico.

Que dizer então do desleixo referente ao aprimoramento de tudo o que acima foi colocado, com o deslocamento do investimento no desenvolvimento do cérebro humano, cujas inteligências: contextual, física, emocional e inspiracional, são cada vez mais desprezadas devido seu redirecionamento para o aprimoramento do cérebro eletrônico, a imprevisível IA (inteligência artificial) e sua razão artificial, que rapidamente está promovendo a substituição da mão de obra humana por máquinas robotizadas.

Nesse ambiente, as pessoas de mais idade, os velhos, como são considerados por aqueles que sequer sabem se um dia chegarão a tanto devido à falta de vivência temporal, costumam ser desprezados. Ainda não entenderam, que longe de ser um sacrifício ao porvir, viver o presente observando o passado é, antes de tudo, a melhor forma de se manter conectado ao futuro, mas isso é coisa que só a experiência ensina melhor.

PENSE NISSO

 O desenvolvimento humano se baseia no conhecimento empírico acumulado desde o passado, sendo o progresso fruto de sua aplicação.

Progredir através de outros caminhos é permear em terreno por demais desconhecido, o que pode trazer consequências inesperadas como os retrocessos causados pelos percalços que acontecem entre acertos e eventuais erros, ainda mais se o objetivo for a sobrevivência da humanidade.

A Inteligência Artificial (IA) pode ser entendida como a aplicação do conhecimento empírico de forma acelerada, algorítmica, na busca de antecipar o presente de modo a programar um futuro desejado o que, por enquanto, é impossível para nossos “rudimentares cérebros humanos”. 

Entretanto, como citado anteriormente, um erro pode vir a ser fatal caso os dados que alimentarem uma onipresente IA forem manipulados com objetivos propositalmente obscuros.

O maior risco está na hipótese de a onipresente IA, em sendo onipotente, passar a decidir o que é certo e o que está errado. Afinal, toda informação existente no mundo estará disponível, seja em nuvens ou outras formas de armazenamento.

A constante e desregulada utilização da INTELIGÊNCIA NATURAL para o desenvolvimento de OUTRA INTELIGÊNCIA pode ter consequências inimagináveis, caso esta evolua em direção a uma RAZÃO ARTIFICIAL. 

As utilidades da IA para o bem são reconhecidamente amplas, até inimagináveis, mas isso não deveria nos levar a temer por outros usos, esses potencialmente voltados para o mal?

Quem irá controla-la se seu raciocínio, caso próprio, será unicamente lógico e, em assim sendo, sujeito a uma possível (será?) desinteração com a INTELIGÊNCIA NATURAL, aquela, a HUMANA, sua criadora? 

Há motivos para acreditar que isso  possa acontecer, porque as tecnologias voltadas a seu desenvolvimento estão cada vez mais sofisticadas, o que permitiria que hackers e pessoas de má fé a utilizem para desenvolver sistemas ainda mais beligerantes dos que aí estão a colocar tudo e todos em risco através de ataques cibernéticos e outras situações de vulnerabilidade.

Não seria o caso da criatura vir a dominar o criador por ser mais “INTELIGENTE”?

E  quanto aos sentimentos? Onde ficam eles nesse cérebro artificial que pode ter seu  conhecimento constantemente alimentado com informações de todo mundo através do que é postado em telefones, computadores e etc.

Incapaz de aprender a sentir nunca saberá o que é amar, respeitar ou mesmo odiar, situação que, convenhamos, não têm espaço nas propostas atuais para seu desenvolvimento. A princípio saberá apenas obedecer o que lhe for passado, o que nos leva à seguinte consideração:

Para administrar o que decidirem seja feito – como no caso do controle populacional – , que instrumentos utilizaria? Através da paz e do amor (redução da natalidade) ou de um outro vírus (arma biológica), tão amoral quanto devastador, à semelhança daquele outro, o SARS-CoV-2, que recentemente quase nos dizimou.

Isso sem contar sua utilização em armas políticas através de campanha tidas como sociais, mas que visam, entre outros objetivos, desestabilizar vínculos afetivos e familiares.

Em razão disso, atualmente é comum pessoas abrirem mão de parte de sua origem genealógica – aquela que no momento esteja socialmente desvalorizada – para se beneficiar da outra, devido as politicas compensatórias propostas pela pedagogia do oprimido, ou seja, suas características físicas e sociais.

Bela Vista Saudosa


Ah Bela Vista hermosa
Do amanhecer orvalhado
Que de gotículas bordava
Seus extensos relvais

Que de verde formatava
Desde ruas a quintais
Das árvores frutuosas
Guavireiras, goiabeiras e laranjais

Onde dos pés abarrotados
Frutas eram pegas sem machucar
Das bocaiuvas gostosas
Manás únicos, originais

Do animado Bossa Nova
Nos epílogos semanais
Da inquieta juventude
Da parentada e jovens casais

Lembro do casario aportuguesado
De seus porões assombrados
Que mesmo de conhecidos
Só entrava com meus pais

De passear maravilhado
Por ruas, casas e quintais
Onde ao cortar caminho
Carinhava os animais

Filar quebra-torto e cafés matinais
Dormir ouvindo histórias
Mentiras calorosas, tenebrosas
Outras nem tanto, em seus que tais

Da cidade antiga, saudosa
Que a todos encantava
Das festas no Belavistense
Daqueles dias fagueiros, nas férias anuais.