Momento conservador

Escrevo este texto para promover a necessária, saudável e pertinente discussão sobre os objetivos do que precisamos seja, em Mato Grosso, a causa da preservação do movimento conservador, que renasceu no país alguns anos antes das eleições de 2018 e serviu para mostrar ao mundo que esse sentimento estava apenas adormecido, latente em nossos corações, mas acordou, foi personalizado no presidente eleito naquela ocasião e continua firme e forte entre nós.

O que nos garante essa realidade é o que aconteceu naquela ocasião. Sim, porque naquela ano não tivemos uma eleição, mas uma reação ao que vinha ocorrendo no pais após seguidos governos de esquerda, os tais progressistas, na busca de sua eternização no poder. Todos nós sabemos o que aconteceu de lá para cá graças à falta de coesão, pensamento e ação política da direita remanescente.

Movimento este que ficou letárgico por 30 anos, desde a promulgação da constituição de 1988, a tal constituição cidadã, abafado que foi pela inexistência de lideranças políticas realmente conservadoras e devido à falta de coragem dos políticos que se apresentavam como sendo de direita naquelas três últimas décadas, e não eram.

O que agora foi confirmado é que seus interesses pessoais e benefícios escusos sempre estiveram à frente das máximas que determinam os objetivos conservadores, quais sejam, a família, a moral, os bons costume, a propriedade privada, a liberdade de ir e vir, de pensamento, expressão e credo.

Das imagens que vimos desde o final do ano passado, sempre será importante recordarmos das reações das pessoas integras e honestas, brasileiros e brasileiras como nós. Lembrar do desconforto estampado em seus rostos, do tom de suas vozes, do abatimento em seus semblantes e do desânimo contido em suas palavras sem sequer sabermos o que ainda estava por vir.

Não minha gente, não há quem não tenha vivido a mesma sensação de frustração ao se dar conta que nosso país, nossa nação e nossa pátria foram aos poucos deixando de existir porque, desde então, estiveram permanentemente deixadas ao descaso pela exacerbação proposital do conceito progressista de republica que, na prática, apesar de tê-las como partes integrantes do texto constitucional, em nada foram consideradas nos governos de esquerda, como esse que aí está e enche o peito ao proclamar que tomou o poder.

Para terminar, acredito ser importante ao conservadorismo que nos empenhemos ainda mais no sentido de manter acesa a chama que ressurgiu através do governo eleito em 2018 para que as sementes plantadas sejam adubadas com a melhor força que temos, nosso patriotismo, que sejam convenientemente protegidas por procedimentos legais e adequados para que possam germinar, florescer e dar bons frutos.

“O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O ideólogo, pelo contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até mesmo transformar a natureza humana na sua marcha em direção à utopia. O ideólogo é impiedoso.” Russell Kirk (1918 – 1994), teórico político americano.

Ressureições

Aquele que é ressuscitado pelo ódio é o oposto de Lázaro.

Lázaro foi trazido de volta à vida para o convívio com a família pelo amor de Jesus como prova viva do poder do Criador.

Já quem foi retirado do mausoléu dos condenados e voltou à vida para trabalhar pelo domínio do mal, uma contradição com as leis divinas e terrenas, é seu oposto.

É devastador ver quem se apresenta como representante d’Aquele que ressuscitou Lázaro confraternizar e até abençoar este e outros contraventores, o que nos leva a considerar a “santidade em questão” um profanador da religião sob a qual o filho de Deus erigiu sua igreja.

A permissividade pode levar ao caos

Todas as vezes que somos tolerantes perante situações que sabemos estarem erradas somos permissivos. O transito é uma delas, e serve de bom exemplo quanto à permissividade, pois a cada esquina a praticamos constantemente. No entanto, a falta de respeito às leis do setor é considerada por muitos uma transgressão permissível.

Triste realidade até para os que se dizem bem instruídos. Seja de qualquer credo, raça ou situação social, pouca gente respeita muita coisa quando se trata de conviver com o transito. Nesse quesito, quase todos querem mesmo é ganhar tempo, como se agindo assim levassem algum tipo de vantagem.

A começar como pedestres – Os pedestres, invariavelmente, atravessam as ruas em qualquer lugar. Para muita gente as faixas exclusivas são estorvos que se prestam mais à perda de tempo. No entanto, existe lei (Lei 9.503/97) que orienta o cidadão sobre como agir, sendo seu dever fazer gesto com o braço indicando a intenção de atravessar a pista e aguardar a parada dos veículos, mas ninguém lhe dá importância, ainda mais se estiver com o telefone celular na mão. Simplesmente param frente a faixa de pedestre e esperam que os motoristas adivinhem que pretendem atravessar.

O que dizer do comportamento como usuários de transporte coletivo – Aí então, há ainda mais prodígios no desrespeito a tudo e a todos. Para que esperar o ônibus no ponto de parada se aquele local é mera formalidade, até porque o sinal de transito fica bem ali, na esquina, e lá são obrigados a parar. Essa situação está tão imiscuída em nossas mentes que tem gente que reclama quando não acontece. Não é um primor de permissividade?

Quando há disposição de ir ao ponto de ônibus o agravante é que a maioria dos usuários não considera as prioridades. Nestas ocasiões vale a Lei de Gerson (pobre Gerson, sempre levando a culpa) , aplicada pelos que correm para entrar primeiro no coletivo. O pior, é que o motorista vai abrir a porta para estes “cidadãos exemplares” sem nenhuma consideração.

Motoqueiros e ciclistas – Nessas condições, como sempre, a impunidade prevalece. Nelas, seguem ruas a fora na contramão ou em cima das calçadas sem dar muita importância aos outros. À motoqueiros e ciclista quase tudo é permitido, melhor dizendo, permissível. Assim, muitos pensam que todos os espaços são deles, os pedestres que saiam da frente.

Carros e outros veículos de transporte de passageiros – Como as leis de transito os consideram responsáveis por tudo que acontecer, cabe a eles a obrigação de dirigir para si e para todos. Pois é justamente aí que mora o perigo, porque nessas situações boa parte dos motoristas não respeita nada que não se mostre arriscado a seus raciocínios permissivistas.

Um caso emblemático e corriqueiro é o que acontece nos sinais de transito – Quando se deparam com um sinal amarelo, ao invés de reduzirem a velocidade para parar antes da faixa de pedestre é quase certo que alguns vão acelerar para passar antes que fique vermelho. A sensação é a de que estão em uma corrida onde o sinal amarelo é a bandeirada de chagada e precisam atravessá-la antes que isso aconteça.

Nessas ocasiões, a inversão de valores faz com que acreditem que quem passar por último será o primeiro, o vencedor, na corrida invertida contra a hipotética perda de tempo. Uma ironia desastrosa no que se refere ao Livro de Mateus – Versículo 20:16 – da Bíblia Sagrada. (Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos).

Certo é que essa situação é resultado da contaminação geral dos bons hábitos pela permissividade existente nos poderes da República. O pior, é que somos levados por eles a sermos permissivos até quando coíbem a aplicação da lei em benefício próprio. Daí, uma permissividade levar a outra, e assim por diante.

Vejamos a situação em relação à educação do país, onde o conhecimento e a cultura parecem estar sendo transmitidos por uma espécie de difusão por osmose como se, para tanto, bastasse estar presente em sala de aula, porque a presença vale mais que nota em prova. Nossos jovens estão sendo empurrados para a frente não pelo conhecimento que deveriam adquirir, mas sim para melhorar as estatísticas do setor.

De maneira geral, é isto que acontece com os investimentos públicos quando da contratação de obras de qualquer natureza pelos diversos setores dos governos federal, estaduais e municipais. Nesse sentido, cada vez mais vemos nosso dinheiro sendo gasto na contratação de obras públicas faraônicas onde reinarão suas excelências, para muito pouco devolverem aos cidadãos em retribuição pelos impostos pagos.

Em um pais onde tudo que é degradante parece estar voltando a ser permissível e exigir respeito, dignidade, moralidade, saúde, segurança e educação é tido como atividade antidemocrática nada mais resta, senão esperar pelo caos.

A fé é tão presente quanto a gravidade. Não as vemos nem tocamos, no entanto, elas permanecem agindo sobre tudo o que fazemos durante nossas vidas.

Assim, ter fé é crer em algo que permanece dentro e fora de nós, que nos alimenta mesmo quando a esperança atinge seu limite e repentinamente parece acabar, deixando latente a dilacerante dor da perda, que enquanto existe tudo abala.

Depois, muito além do tempo, que nesses momentos deixa de existir, a fé ressurge do absurdo abismo causado pelo sofrimento.

Apesar disso e do vazio que resta, a fé é o sentimento que prove força para aceitar a falta, porque é através dela que compreendemos que a ausência física entre nós significa a passagem do espírito para outra dimensão do amor, a mais sublime e definitiva forma de amar, aquela que vem de Deus.

Se viver faz parte do processo de evolução do espírito, morrer também o faz. Afinal, sucessivas mortes e nascimentos possibilitam que aqui retornemos várias vezes para nos aperfeiçoarmos na busca da que será a última e perfeita estada antes da eterna permanência junto ao Criador.

A reação de 2018

Em 2018 não tivemos uma eleição, tivemos uma reação. Essa é a principal razão pela qual precisamos resistir e continuar.

Naquela reação, acordamos de um passado nefasto e evitamos por quatro anos o que agora estamos prestes a passar novamente, tempo insuficiente para a realização das mudanças que tanto precisávamos.

Não, não dá para recuar e aceitar passivamente o que estão querendo impor, até porque não concordar é um direito constitucional que ainda temos, mesmo que alguns desistam e aceitem se submeter resignadamente ao mal que nos espreita. E olha, tudo leva a crer, a volta da esquerda será muito pior do que antes.

Não podemos simplesmente aceitar porque dói menos como dizem os apátridas por opção, que tomaram o poder graças àqueles que ainda acreditam em histórias da carochinha. É preciso manter o foco na recuperação do Brasil não só como país e nação, mas principalmente como pátria, nem que isso demore outros quatro ano ou o tempo que se fizer necessário.

Precisamos agir assim e também cobrar vigorosamente essa ação daqueles que foram eleitos para nos representar e nisso sabermos nos posicionar digna e legalmente contra as arbitrariedades e os desmandos que possibilitaram a tomada do poder da forma escatológica como foi, e da qual tanto se gabam os que apoiaram a manobra urdida pela esquerda. Uma sórdida armação do mal contra a qual nem podemos nos referir publicamente sob risco de prisão sem processo legal.

O que assistimos no passado, vamos continuar a ouvir em seus discursos, tais como as juras que fizeram, ano após ano, de não medir esforços, de ir até o inferno, de não considerar as consequências e outros sincericídios que sempre foram sua regra, seu modus operandi, enquanto se refestelarem sob o manto protetor da impunidade imposta por oligarcas do judiciário e um legislativo que se mostra cada vez mais submisso.

A reação iniciada em 2018 precisa continuar, e isso só depende de nós.

A fé e o medo

O principal equívoco da igreja católica é não entender que a fé reside apenas e tão somente em Deus e que ela deveria ser (de novo, apenas e tão somente) uma instituição criada para congregar pessoas que creem Nele e em seu dileto filho Jesus Cristo.

É o que está acontecendo com outras instituições que também passaram a dar mais ênfase à arrecadação do dízimo que para a fé religiosa de quem as frequenta.

Isso está ocorrendo desde que passou a dar importância ao material em detrimento do espiritual, momento em que começou a perder este importante elo de ligação com o Criador.

A meu ver, essa má orientação e o consequente afastamento de sua razão de existir está causando perda de relevância em relação ao cristianismo original.

É difícil encontrar alguém que tenha se convertido ao cristianismo católico devido às mudanças propostas através de novas teologias, a exemplo dessa que se auto interpreta como sendo da libertação.

O que se percebe, estatisticamente falando, é a sensível redução no número de cristãos seguindo essa, digamos, nova ordem, que aos poucos vai se apossando do tradicional catolicismo. Se estão tão certos de sua orientação filosófica, porque não fundam a sua? Esta questão surge porque, de outra forma, já a teriam criado e aberto mão do dízimo dos católicos conservadores que tanto combatem. Assim seria, se fossem o que dizem ser mas não são, porque não vão largar aquele enorme patrimônio humano, físico e financeiro devido, entre outras coisas, seu maior comprometimento com o material que com o espiritual.

Esse movimento, percebido pelos gnósticos nos primórdios do cristianismo e por Lutero lá atrás, acabou por oportunizar que outras instituições cristãs surgissem no vazio deixado pela igreja católica quando de sua guinada progressista na medida em que a fé, sua principal coluna de sustentação, passou a dividir espaço com o medo, neste caso representado pelo materialismo. Vide a pompa e riqueza do Vaticano, uma cidade-estado, algo inimaginável, se não filosoficamente inconcebível para os primórdios do que se tornou a igreja católica.

Para bem complementar o raciocínio do parágrafo anterior, é importante salientar que a fé e o medo são dois sentimentos que não coexistem devido o primeiro significar a existência de amor e o segundo o desespero de sua ausência.

Quando a sabedoria popular diz que a fé remove montanhas, na verdade está ensinando, como Maomé o fez, onde não é a montanha que vem até nós e sim que nós devemos ir até a montanha, ou seja, a razão deve superar o desejo, e isso só se dará pelo crescimento espiritual.

O crescimento material é passageiro e dura apenas uma existência física, já o espiritual é conhecimento interior, aprimoramento que evolui a cada tempo terreno e nos acompanha na medida em que buscamos a perfeição em Deus.

O tempo sempre será senhor da razão, entretanto, o materialista o usa para enriquecer o corpo enquanto o espiritualista o tem para enriquecer a alma.

Vem vovô, vem, vem…

Vem vovô, vem, vem…como resistir a esse chamado!

As vezes as crianças têm formas sutis de acender em nós emoções que superam em muito as que vivenciamos com os filhos.

Não precisam mais que um olhar ou um sorriso, mesmo um gesto, quando não de uma palavra para ocupar de uma vez os corações dos avós.

Túlio, meu segundo neto, como todos, tem essa capacidade e sabe usar todos os sentidos para fazer valer seu domínio, principalmente quando segura minha mão e fala suas palavras mágicas – Vem vovô, vem, vem – e com isso me leva para onde quer.

Théo, o mais velho deles também sabe exercer esse poder sobre nós, eu em especial, até pelo celular, quando estamos em videochamada. Então, quando percebe a possibilidade de perda do controle da situação sapeca um “eu te amo vovô” e logo recupera o domínio. É impressionante como eles aprendem rápido essa competência sobre os avós.

Agora chegou uma neta, meu Deus, se os meninos já nos controlam fico imaginando o que vai ser de nós com ela no comando. Sim, porque uma característica de nossa família é de uma superioridade esmagadora de ascendência e descendência masculina. Somos quatro irmãos e nenhuma irmã, tenho dois filhos e nenhuma filha e já tive dois netos antes da chegada da Lívia.

Vai ser um arraso essa menina.

Luta

Minha luta é com palavras 

Nela o pensamento é minha arma

Das letras faço munição.



Da censura opressora

Não temo retaliação

Sigo em frente destemido

Tenho minha opinião.



Não me rendo a opressão

Seja ela de quem for

Com a força da minha mente

Sigo firme sem temor.

A relativização da liberdade

Para se tornar prisioneiro da verdade dos outros não é preciso acreditar nela, basta aceitá-la pacificamente. Essa é a diferença entre os que lutam por liberdade e os que teimam em relativiza-la.

“Cogito, ergo sum”, traduzindo, Penso, logo existo ou, ao pé da letra, “Penso, portanto sou” – A frase do filósofo René Descartes, autor de Discurso sobre o método é uma orientação para bem conduzir a razão na busca da liberdade, um exemplo clássico de que ela é sua, própria, e está especificamente relacionada ao pensamento individual, não ao coletivo, pois esse remete à liberdade com os limites impostos por quem a controla.

“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência” – Para Mahatma Gandhi, advogado, nacionalista e especialista em ética política, que inspirou movimentos pelos direitos civis e liberdade em todo o mundo está claro que ela é permanente desde que consciente. A questão colocada por ele é pertinente porque o controle externo não impede a liberdade vez que ela está no pensamento e não na ação ou em sua falta. Como dito, para Gandhi, a liberdade não é causa, muito menos efeito, e sim consciência.

“Você é livre para pensar suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências” – É o que diz Pablo Neruda, poeta, diplomata e Prêmio Nobel de literatura cujo ideologia foi razão de seu sucesso na literatura e fracasso na vida. Aqui vemos a realidade da liberdade exposta da maneira concisa. Nela Neruda se refere aos atos de pensar, escolher e agir como ações libertárias que, inevitavelmente, voltarão a seu autor com suas consequências.

Não há como escapar das consequências da liberdade, assim acontece com quem luta por ela, mas principalmente com aquele que a relativiza e sob esse pretexto a impede, tornando esse contexto a atual realidade do país.

Meu pirão primeiro

A frase, tida como capitalista, é a que melhor expressa a antiga prática dos oportunistas de ocasião. Hábito esse, que voltou a estar em pleno vigor desde o dia 01/01/2023. Talvez até antes disso, a considerar o que acontece descaradamente nas altas cúpulas dos três poderes da República.

Só não vê quem tapa os olhos com uma viseira relacionada a outro dito, qual seja, “o que é que eu vou ganhar com isso”, muito popular nos três níveis de governança e nas empresas de comunicação onde até a notícia é paga. Para quem não entendeu a questão da governança, trata-se da maneira de gerir instituições, nesse caso as públicas e de economia mista.

Pirão, no jargão político, é o que se ganha na arte de negociar o que não é seu, o que para muitos também é entendido como a astúcia de tirar proveito da coisa alheia, principalmente em se tratando do erário público. Já em relação à culinária, pirão é o resultado da inserção de farinha para engrossar um caldo. Creio que essa singela explicação basta para fazer entender a analogia com o que está acima colocado.

Então, a abstinência dessa apreciada iguaria política deixou muita gente desesperada a ponto de o desconforto cegá-las quanto às consequências de seus atos. Adicionando essa somatização aos costumes da gastança desenfreada, das alianças inconsequentes e dos compromissos impagáveis teremos como resultado a negociação da dignidade, se é que um dia ela existiu em quem só se satisfaz se tiver desse pirão no seu cardápio.

A muito custo essa costumeira prática na arte de fazer política chegou a ser reduzida no passado recente na vã tentativa de moralizar a escrachada, ridicularizada, desacreditada, depreciada, desconceituada e desabonada leva de parlamentares que, eleição após eleição, vem sendo conduzida às duas Casas do Congresso Nacional, em grande parte graças aos votos de legenda e procedimentos nada republicanos de compra de votos.

Seria o caso de dizer inacreditavelmente, mas não dá porque efetivamente a maioria dos processos de cassação (quando existem) de candidatos desonestos não termina, melhor dizendo, termina em nada. A justiça, seja ela comutativa, geral ou legal e distributiva, cuja simbólica estátua a apresenta como impossibilitada de ver, portanto, de ser manipulada pelos pesos colocados em sua balança, mostra não ser ela totalmente cega quando se deixa levar por subterfúgios habilmente plantados nas entrelinhas do livro das leis, seu Vade Mecum, para ser burlada em sua essência.

De acordo com o site etmologia.com.br, a ideia de justiça tem uma abordagem dupla, pois de um lado expressa a qualidade de ser justa e equilibrada na tomada de decisões e, paralelamente, faz referência a um sistema legal. Então, é nesse paralelismo com “O SISTEMA” que tudo pode acontecer como de fato acontece, infelizmente.

Busca

Fui Roubado, nunca roubei
Enganado, jamais fingi
Injustiçado, não prejudiquei
Desconsiderado, de reclamar abdiquei
Ofendido, ninguém injuriei
Discriminado, agregar procurei.

Fiz o bem, o mal nunca empreguei
Sou por competência, não sob influência
Faço por acreditar, não em desconfiar
Sigo na fé, sem me deixar levar
Doo em compaixão, não para retribuir
Rezo por crer, jamais para pedir.

O indignado perdoa, o indigno não
Seus atos o atestam
Só dá valor à sua vez
De resto nada lhe presta
Pela dor lembrará do que fez
Na eternidade que lhe resta.

Deus escreve certo por linhas retas
Torto é quem não entende
Creio Nele, por ser uno
E o procuro na jornada
Em espírito sou eterno
Na busca da última estada.

A causa

Nossa causa é aquilo pelo que fazemos algo, a origem, o motivo e a razão de todas as lutas. Já o que a enfraquece é a desculpa, o pretexto e o relativismo com outras causas como o comunismo, socialismo e o bonde. Sim, “o bonde”, como se identifica o grupo de bandidos armados que inferniza a vida de quem encontrar pela frente em suas jornadas de assaltos e outros crimes, simplesmente por saberem que o cidadão comum a eles está sujeito por força da lei, a mesma que mantem as ditaduras no poder.

O que acontece é que muitos confundem a causa com o personagem como vemos acontecer agora onde a causa conservadora é confundida com a pessoa, a faísca, que reacendeu sua chama. Da mesma forma, a causa do outro lado foi mantida e personalizada, o que para entender basta ser um bom observador.

Só para citar um exemplo, se de um lado a causa está focada na manutenção de princípios como o da família, instituição sagrada e unidade social mais antiga da humanidade, do outro a meta é sua dissolução como pré-condição para alcançar seu objetivo. Nela os princípios são contrários, ou seja, os filhos não são frutos dos pais, mas seus produtos; os cônjuges simples pares, posto que perdem seu significado divino porque a eles basta o caráter civil, material.

É o suficiente para tentar eliminar aquele outro conceito, tido como concepção retrógrada no entender de quem se alinha à causa coletivista segundo a qual a família passa a ser um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária. (Dicionário Houaiss)

Para eles, o tradicional papel da família na transmissão de valores morais, sociais, tradições, costumes e mesmo conhecimento não se aplica mais, foi transferido aos professores e para o assistencialismo social onde o estado define os valores e conhecimentos que devem ser repassados, desde que estejam de acordo com sua orientação ideológica. Mas o pior ambiente enfrentado está na Internet, âmbito em que as ideias conservadoras foram abolidas pela mídia jornalística e programas televisivos através dos quais difundem de forma sistêmica e programada somente as ideias progressistas.

Voltando a falar da causa conservadora e da faísca que reacendeu sua chama, bastaram quatro anos para que vicejasse como que infinita, fato que os eternos descontentes insistem em desacreditar, eu não.

Parafraseando o poeta Vinicius de Moraes nas duas últimas linhas de seu antológico Soneto de Fidelidade:

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinita enquanto dure.

Gol de placa

No dia 5 de março de 1961 Pelé marcou o gol (tento naquela época) mais bonito da história do Maracanã. O jornalista esportivo Joelmir Beting, então um jovem de 24 anos, estava presente e imortalizou o fato ao pagar do próprio bolso a confecção e a fixação de uma placa de bronze no estádio em deferência à espetacular jogada do Rei do Futebol dando origem ao porquê, a partir de então, ficaram conhecidas como “gols de placa” as jogadas que como a de Pelé mereceram destaque pela beleza e singularidade.

Pois bem, minha história com esse momento especial é devida a um acaso que acabou por colocar a mim e minha família dentro do Maracanã naquele dia. Não porque, aos sete anos de idade, eu me lembre de alguma coisa relacionada ao gol em si, mas sim porque papai nunca se esqueceu e sempre contava esse acontecimento em suas conversas futebolísticas como, aliás, é comum a todo os torcedores desse maravilhoso esporte e sobre o inesquecível Pelé, seu principal representante. Me lembro da emoção de lá estar, da grandiosidade do estádio e do barulho do público presente quando das comemorações dos 4 gols da partida (foi 3 a 1 para o Santos), no que anos depois, vim a saber, se tratava de uma partida pelo antigo Campeonato Rio-São Paulo.

Naqueles dias estávamos passando férias no Rio de Janeiro e papai combinou com seu amigo Jesuíno Aragão, irmão do Renato dos Trapalhões, de levarem as famílias ao Maracanãzinho para assistirem a um show internacional chamado Holiday on Ice, onde patinadores no gelo se exibiriam. Seo Jesuíno já tinha os ingressos para eles e nós tentaríamos que comprar os nossos na bilheteria.

Então, infelizmente ou felizmente, dependendo do ponto de vista, aconteceu de não haver mais ingressos disponíveis, o que fez papai mudar nossa programação para um jogo que iria acontecer no Maracanã e assim não perdermos a viajem de taxi até lá vez que o grande estádio fica bem ao lado de seu irmão menor. E lá fomos nós assistir Fluminense x Santos, o jogo no qual aconteceu a famosa jogada protagonizada pelo Rei do Futebol quando saiu da área do seu time e driblou quem estava pela frente até chutar a bola por debaixo do goleiro Castilho.

Essa é minha história com nosso eterno Rei Pelé, simples, singela e que se tornou inesquecível devido ao acaso e a meu pai, que sempre fez questão de contar que estávamos no Maracanã naquele dia.

Era uma vez …

Em alguns épicos do cinema do passado, me refiro a quando ele ainda era tido como a sétima arte, os títulos e seus temas costumavam contar aos cenéfilos de então histórias enredadas através de ficções criadas em um mundo cheio de modelos de vida ou mesmo arquétipos desprovidos de sentimentos outros que não a ganância, na falta de compaixão e no ódio porque seus personagens eram resultados da manipulação daquelas reações às emoções.

Foi assim em “Era uma vez no oeste” e “Era uma vez na América”, dois premiados filmes pela Academia de Cinema, os tais Oscars. Quem não assistiu ao faroeste com sabor spaghetti e ao thriller romântico-mafioso, ambos embalado pelas pertinentes e clássicas músicas de Ennio Morricone, deveria vê-los para assim tentar entender o enredo do que será viver sua versão tupiniquim, cujo título não poderá ser outro senão “Era uma vez no Brasil”.

Os ingredientes e o roteiro já dão mostras, será uma tragédia épica com personagens conhecidos da plateia e a história um “Déjà vu” igual aos de final tenebroso que vimos acontecer em nosso entorno geopolítico. Por outro lado, a sensação de familiaridade com o tema também remete a uma situação que vivenciamos na pocilga do passado.

Essa nova versão terá ingredientes ainda mais tenebrosos vez que nela estarão zumbis reavivados de seus túmulos por procedimentos judiciais malfazejos de modo a que pudessem retornar como mortos-vivos para acabar o que não conseguiram daquela vez.

Nela há o pressuposto da vingança contra os que tiveram a ousadia de trazer de volta o que a esquerda considerava ter extinto daqui ou seja, o latente conservadorismo brasileiro, o conceito de família como célula mater da sociedade, algo bem explícito em uma emblemática frase de Rui Barbosa e a verdade como busca da liberdade pela conhecimento individual desde que não preso a um caráter messiânico, mas sim a algo puro, espiritual e cristão.

Quem imagina saber o que acontecerá daqui para a frente deve estar com uma pulga atrás da orelha e se perguntando: – Será que aqueles que ontem fizeram o “L”, amanhã não estarão virando a letra e apontado-a ficticiamente para as próprias cabeças?

Um governo de oposição

Já vi acontecer por aqui oposição a governo, o que é comum nas democracias, mas governo de oposição será a primeira vez.

Pensando bem, é lógico que isso aconteça neste momento de turbulência política no Brasil. Afinal, o que temos como futuro governo é uma troupe de comparsas em razão das intimidades e referências comuns com processos arquivados, raras condenações e, quem diria, absurdas descondenações dos crimes cometidos.

Não será lógico inexistirem surpresas com a montagem do eventual futuro governo a cada pronunciamento sobre a composição do ministério que o comporá?

Senão, vejamos o que já temos definido: Para a pasta da Fazenda um auto-declarado incompetente para o cargo e personificado como o poste nº 1 do sujeito ungido presidente pela dupla STE/STF, em clara demonstração de desprezo pelas leis que regem o país e por seu futuro como nação independente; para a Justiça e Segurança Pública, tudo junto e misturado, um comunista de carteirinha em consonância com a mesma e previsível estratégia; na Casa Civil, uma receita certa em reconhecimento aos serviços prestados durante a pandemia na “aplicação” dos recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal; para a Defesa, um contumaz aprovador de contas da thurma e figurinha fácil em todo e qualquer governo, um verdadeiro camaleão e, por último a presidência do BNDES, sobre esse não vale a pena sequer tecer comentários, nem precisa, o mercado já deu seu recado. Com isso, já dá para entender tudo mais que vem por aí.

É isso, nada mais que mais do mesmo, só que agora com os requintes autoritários do STF, isso de acordo com a parceria (não seria submissão?) sugerida pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública.

Pelo visto o já curvado Legislativo se postará de joelhos frente à acima anunciada parceria com uma novidade, o futuro chefe do Executivo sendo alçado a ajudante de ordens dos supremos, posto serem estes seus fiadores. Então, será que “o tal cara” não vai se submeter a quem o segura pelo rabo invertendo a lógica aplicada pelo STF ao atual Presidente da República desde que se entenderam como os croupiers das cartas do jogo? Será?

Enfim, tudo indica, teremos pela frente um governo de oposição à moral, ao civismo, ao patriotismo, aos bons costumes, à propriedade e segurança privadas, aos cultos religiosos, à liberdade de expressão e etc.