Perdão não se pede, se dá
Pedir perdão humilha, magoa e não resolve
Perdoar sim, é remédio poderoso, genuíno
Abafa o resíduo da ofensa, é conciliação
Desculpa também não se pede, se dá
Uma vez que fruto de erro sem intenção
Desculpar sim, é ato de compreender
Resolução para a culpa fortuita
Deus, em sua sabedoria, assim doutrinou
Sendo, com isso, misericordioso para com todos
Não foi só sobre perdoar e desculpar que falou
O fez, sobretudo, para ensinar a amar o próximo
É preciso agir como o Pai instruiu, fazer por merecer
Em essência, Ele abençoa, e assim também perdoa e desculpa
Aprendamos com Ele a importância do abençoar
A levar compaixão e amor a quem precisa
Meu Tempo
O tempo voa . . .
Fui chama ardente
Agora, fumaça ao vento
Que aos poucos atenua
E mesmo brisa abrasa, aviva
É preciso voejar
Aproveitar a aura finda
Que por mais suave seja
Ainda leva adiante
Carrega irresoluta
Até apagar-se-me em cinzas
Então, voltarei a flutuar
Ao sabor do vento
. . . no tempo
Bela Vista Saudosa
Ah Bela Vista hermosa
Do amanhecer orvalhado
Que de gotículas bordava
Seus extensos relvais
Que de verde formatava
Desde ruas a quintais
Das árvores frutuosas
Guavireiras, goiabeiras e laranjais
Onde dos pés abarrotados
Frutas eram pegas sem machucar
Das bocaiuvas gostosas
Manás únicos, originais
Do animado Bossa Nova
Nos epílogos semanais
Da inquieta juventude
Da parentada e jovens casais
Lembro do casario aportuguesado
De seus porões assombrados
Que mesmo de conhecidos
Só entrava com meus pais
De passear maravilhado
Por ruas, casas e quintais
Onde ao cortar caminho
Carinhava os animais
Filar quebra-torto e cafés matinais
Dormir ouvindo histórias
Mentiras calorosas, tenebrosas
Outras nem tanto, em seus que tais
Da cidade antiga, saudosa
Que a todos encantava
Das festas no Belavistense
Daqueles dias fagueiros, nas férias anuais.
A vida e o hiato
Devido a vida não ser um hiato
Nela existir ávida procura por encontros
Não de vogais, mas de gente
Os eventos, neste caso, são desejos
Nela existe um fenômeno não vocálico
Que existindo tal qual um hiato
Dá às pessoas significados intrínsecos
Até porquê também não estão na mesma sílaba
São separadas tempestivamente
Cada uma pertence a outra pessoa
Por isso, na vida, os hiatos estão nas almas
Afinal, pertencem a entes diferentes
E mesmo quando são iguais em intenção
Como em (co-o-perar) e no eu te (aben-ço-o)
Estão juntas no que recebemos a cada dia
De todos os que nos dão vida e criação.
Que dirá então na diferença
Quando uma só palavra, (sa-ú-de), traduz bem-estar
Outra, (pa-ís), contextualiza pátria
Esta, (di-as), indica uma fração do tempo para todos nós
São elas a inspiração transloucada desta singela (po-e-si-a).
Lamento
Lamento, por não ver
A verdade prevalecer
O ódio sucumbir
E o amor florescer
Lamento, por não existir
Harmonia nos fatos
Liberdade de ir e vir
Nem coerência nos atos
Lamento, por não poder falar
Haver tão pouca compreensão
Só vejo censurar
Calar a boca da nação
Lamento, por quem não percebe
A gravidade da situação
Ficou preso no passado
Permanece na ilusão.
Deixa de ter pressa
Chega onde for
Por teu próprio esforço
Não corra sem parar
Nem sem muito pensar
Vá devagar até onde puderes
Nem sempre onde pretendes
Faça o que for preciso
Nem sempre o que quiseres
Come o que te faz bem
Nem sempre o que gostas
Bebe o que é saudável
Nem sempre o que aprecias
Conversa com quem te importa
Não com quem convém aos outros
Dê maior atenção ao que te interessa
Não aos interesses alheios
Adeus meu amigo, há Deus (II)
Lá se foi mais um
A cada partida viver fica mais sofrido
São pedaços do coração que se vão
Dói muito toda vez que acontece
Meus amigos, meus queridos, meus irmãos
Ficar por último não é opção pretendida
Pois será difícil a solidão
O time já não tem atacantes
Resta cada vez menos em cada posição
Adeus meu querido amigo
Um dia nos encontraremos todos
No jogo da redenção
Em homenagem ao meu compadre Evanildo Aguirre
Em 29/04/2024
Lá vou eu
Agora vivo fase de legar
Não de possuir
Passou a época de correr
É hora de vagar
Olhar para trás sem nostalgia
Mas com compreensão
Não é caso de retroceder
E sim de persistir
Avançar lentamente
Caminhar desapressado
Há muito que compartilhar
Combinar tempo com bom senso
Sem açodamento
Seguir na jornada
Ouvindo meu passos
No ritmo do coração
O que passou passado é
Onde não estive antes
Agora vou
Nem que seja a pé
Dentro e fora
Por dentro
Tenho alento
Esperança
Emoção
Por fora
Existe o tempo
Jornada
Fazimento
Juntos
São complementos
Contam a vida
Cada momento
Na viagem
Há Passado
Tem Presente
Futuro que vem
Até quando?
Imprevisto
Ninguém sabe
Fortuito
Não há partes
Nem disfarces
São essências
Realidades
É como me sinto
Meu conteúdo
Amalgama
Combinação
Por dentro
Sabedoria
Por fora
Compreensão
Sujeito de ocasião
Sujeito de ocasião é o tal, que mal te conhece e já se apresenta como amigão.
Passa anos sem sequer dar um bom dia e, dependendo da situação, passa reto ou corre pra te dar um abração.
É aquele que mesmo te encontrando diariamente só reconhece você em reunião e olha lá, vai depender da tua posição.
Tipo de gente encontrada em todo lugar, no trabalho, na instituição, no bar da esquina e mesmo em casa, vai depender da situação.
Esse, não dá pra chamar de amigo, é sujeito de ocasião.
Lamento
Lamento, por não ver
A verdade prevalecer
O ódio sucumbir
E o amor florescer
Lamento, por não existir
Harmonia nos fatos
Liberdade de ir e vir
Nem coerência nos atos
Lamento, por não poder falar
Tão pouca compreensão
Só vejo censurar
Calar a boca da nação
Lamento, por quem não percebeu
A gravidade da situação
Ficou preso no passado
Permanece na ilusão.
É POESIA
É POESIA
Falar de amor é poesia,
Escrever sobre paixão também o é.
É dar vazão a nostalgia,
Em Deus crer, Nele ter fé.
Sonhei caminhar sobre as nuvens,
Parecia coisa sem explicação.
Sonhar é como escrever poesia,
Basta lembrar do amor, ter emoção.
Para escrever um belo verso é só ouvir o coração.
É ter saudade mesmo estando junto,
Sentir amor, viver paixão.
Quem a isto dá alento sente n’alma agonia.
Se souber traduzir o sentimento,
Logo transforma verso em poesia.
Marcelo Augusto Portocarrero em 05/11/2015
Significados
Mesmo que faça sofrer,
Deve ser dita.
Ocultá-la nada resguarda, só adia.
Adiada nada protege, é agonia.
A mentira,
Esconde receios.
Causa dor e nada traz,
Senão a tardia razão,
É culpa atrasada, sofrida, mordaz.
A sinceridade,
Da verdade amiga,
É necessária, ainda que afete.
De pessoa querida, amada,
É prova de amor, abriga.
A falsidade,
Que a tudo e todos maltrata,
Se da mentira for parceira,
Quando não constrange, fere,
Ou outra desgraça faz, mata.
Sem título
Esta poesia não tem a pretenção de ser entendida, seu pressuposto foi a falta de inspiração.
Escrita livre de intenção, interesse ou objetivo, foi como voar ao sabor da emoção.
Lembrou do acordar com o bater do coração e da esperança sentida a cada nascer do sol.
Fez notar a vida se revelar indefinida, como quando se redescobre um novo dia a cada manhã.
Tal qual página em branco na frente do escritor ou o fundo embaçado do espelho sem refletor.
Foi como ver a luz na escuridão, foi ouvir no silêncio profundo a sonoridade de uma canção.
O que provocou minha alma foi o improvável e fez da solidão uma amiga no tumulto da multidão.
Para que um título se ele não a traduz nem da sentido ao que me propus.
Esta é a razão do aqui escrito, mas também pode não ser, por isso esta sem título.
Cuida dela Senhor
Insuportável vê-la sofrer.
Injusta sentença, sem cabimento.
Nada explica tanto dor,
Não tem porque esse padecimento.
O que resta fazer,
Senão ajuda divina implorar.
Meu Deus vem socorrer,
A quem só soube amar.
Venha Senhor,
Olha por nossa querida.
Remove de nossa mãe,
Essa opressora dor.
Leva consigo esse mal,
Lascivo tormento tão implacável.
Afasta o sofrimento desse corpo impotente,
Que sofre calado essa dor presente, maldosa, latente.
Para Lília,
Marcelo Augusto Portocarrero
– 31/12/2017
