Semente

Nascemos semente de nossa gente que, uma vez madura, a natureza leva a semear.

Esse é um rito de passagem que recebemos, a mais sublime forma de amar.

Consiste em preservar nossas origens e transmitir nossa descendência.

Razão para que, em nossa existência, estejamos voltados a participar.

Atentos, para desde o primeiro momento sermos o orvalho que rega e fertiliza a nova existência.

Semente pronta, para fixar sólidas e profundas suas raízes no jardim da vida.

Não importa onde, porque o lugar será aquele em que o sopro de Deus decidir levar.

Às vezes perto, às vezes longe, certo é que somos todos sementes que Ele ajuda a plantar.

Aqui, ali ou acolá, pouco importa; basta amar a pessoa com quem se está.

Certo é que a semente de nossa semente precisa germinar.

A vida e o hiato

Devido a vida não ser um hiato
Nela existir ávida procura por encontros
Não de vogais, mas de gente
Os eventos, neste caso, são desejos
Nela existe um fenômeno não vocálico
Que existindo tal qual um hiato
Dá às pessoas significados intrínsecos
Até porquê também não estão na mesma sílaba
São separadas tempestivamente
Cada uma pertence a outra pessoa
Por isso, na vida, os hiatos estão nas almas
Afinal, pertencem a entes diferentes
E mesmo quando são iguais em intenção
Como em (co-o-perar) e no eu te (aben-ço-o)
Estão juntas no que recebemos a cada dia
De todos os que nos dão vida e criação.
Que dirá então na diferença
Quando uma só palavra, (sa-ú-de), traduz bem-estar
Outra, (pa-ís), contextualiza pátria
Esta, (di-as), indica uma fração do tempo para todos nós
São elas a inspiração transloucada desta singela (po-e-si-a).

Ações e reações Inconsequentes

Quando políticos defendem que pessoas sob investigação “não podem” ser impedidas de assumir ou mesmo concorrer a cargos públicos fica claro que não se importam com o que acontecerá com seu país, mas sim com seus próprios interesses e os de seus correligionários.

Quando políticos não querem se responsabilizar formalmente por suas indicações para ocupantes de cargos no Poder Executivo estão assumindo posições diametralmente opostas àquelas para as quais foram eleitos.

Quando pessoas que estão nessa situação são indicadas a cargos públicos e aceitam, assumem com isso serem protagonistas da história do mau-caratismo que busca permanecer atuante no meio político do país.

Quando políticos reconhecem publicamente que se as medidas econômicas propostas pelo Governo forem aprovadas ninguém será capaz de contê-lo e atuam no sentido de impedi-las ou diminuir seus efeitos sem considerar suas importâncias para o país chegamos a conclusão que se trata da inequívoca demonstração da pequenez do Legislativo frente a esse momento tão importante para o futuro dos brasileiros.

Quando quem deveria julgar passa a investigar e condenar inverte o papel da justiça contrariando as razões pelas quais os poderes da República são constituídos e deixam de agir com isenção dentro de suas atribuições constitucionais.

Quando a imprensa passa a desacreditar as ações que buscam resgatar a capacidade do Governo de reverter a situação caótica em que o país se encontra e abandona os princípios de imparcialidade que deveriam reger sua atuação torna-se a sepultura, a vala comum, dentro da qual serão enterradas as vítimas de suas inconsequências.

O Estádio Presidente Dutra – É na dificuldade que surgem as oportunidades

O Estádio Eurico Gaspar Dutra, mais conhecido como Dutrinha, continua pouco utilizado enquanto as autoridades ignoram suas parcas necessidades alegando dificuldades financeiras.

Esta situação aparentemente sem solução de curto prazo,na verdade representa excelente oportunidade aos empresários aqui instalados ou mesmo àqueles de fora que tenham interesses na região, além, naturalmente, do próprio governo.

Tomadas as devidas precauções temos aqui uma daquelas situações onde fatores positivos passam despercebidos em um cenário desfavorável no qual poucos se dão conta devido à situação econômica do momento.

Vamos a alguns fatos:
1. Trata-se de uma histórica praça esportiva construída em 1952 e muito bem localizada no Centro-Sul de Cuiabá, tendo sido o principal campo de futebol de Mato Grosso desde aquela época até 1976, quando da inauguração do Estádio José Fragelli, o Verdão;

2. Tem vocação especial para abrigar os eventos do Rugby e Futebol Americano, duas novas modalidades de esporte por aqui com potencial extraordinário para utilizar suas instalações;

3. Recuperado, pode continuar a receber os jogos de futebol de campo das categorias menores tanto locais quanto regionais, no masculino e no feminino;

4. Devido sua localização e dimensões tem natural vocação para espaço cultural, esportes e shows ao ar livre;

5. Seu custo de manutenção é relativamente baixo comparado à Arena Pantanal;

6. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico de Cuiabá em 1990 através de proposta do então Vereador e atual Prefeito Emanuel Pinheiro (Lei Municipal nº 2.671de 25/05/1990);

7. Em 2015 foi fechado para reformas. Sua recuperação e merecida incorporação ao espaço público municipal pode ser oferecida à iniciativa privada para que, em parceria formal com o município, passe a ser administrado e explorado neste formato (resguardas as exigências legais e os direitos de acesso e utilização da população através de Lei específica).

Teríamos então uma Arena Municipal com possibilidades viáveis de gestão e exploração comercial voltada a eventos e atividades esportivas como aquelas que não devem ser levadas à Arena Pantanal devido aos elevados custos.

Esta sugestão visa mostrar alternativa de solução à Prefeitura de Cuiabá para que possa atender ao clamor de seus munícipes sem prejudicar o erário público.

Em outubro de 2015 uma comissão formada pelo Ministério Público juntamente com a Polícia Militar, a Prefeitura de Cuiabá e a Federação Mato-grossense de Futebol chegaram a conclusão que a recuperação do Dutrinha estava estimada em aproximadamente R$ 400 mil.

Se levarmos em conta o volume de investimentos feitos em propaganda e marketing por grupos empresariais, pelo próprio Município e pelo Governo Estadual fica clara a oportunidade a que me refiro no título deste texto.

Se for para apresentar uma imagem ao público da capital visando resultados econômicos, financeiros, políticos e sociais de longo prazo esta é uma boa, rara e viável oportunidade que se apresenta.

Livres Verdades

Livres deveríamos ser todos por natureza.

Verdades devem ser verdadeiras porque implicam consequências.

A afirmação parece errada se simplesmente lida, mas não, ela não é para ser somente lida, é para ser vivida e vivê-la muda sua compreensão, pois se trata da forma difícil, até dolorosa, de alcançarmos a plenitude em nossa existência. Conseguir aceitá-la já é uma vitória da conseqüência sobre a inconsequência.

Se somos livres devemos ser verdadeiros porque a liberdade nasce da verdade e dela depende para existir.

Ser verdadeiro significa agir livremente em todos os sentidos, exceto quando dividimos nosso espaço com outras pessoas.

Se nossa verdade afeta a liberdade de alguém não estamos sendo verdadeiros na correta acepção da palavra.

Somos realmente livres quando nossas verdades são críveis e compartilhadas por todos que conosco convivem.

Amanhã vou acordar em Cuiabá

Em 1971, após passados sete anos que havíamos mudado de Cuiabá surgiu a oportunidade de voltarmos para cá. Meu pai nem pestanejou, pois seu desejo de retornar à cidade onde, em suas palavras, sua família havia vivido os melhores anos estava a ponto de se realizar.

De volta, a primeira coisa após sermos acomodados no Hotel Santa Rosa foi invocar as lembranças guardadas na memória.

Havia muita coisa pra relembrar, locais para rever, pessoas para encontrar e momentos para rememorar após passar tanto tempo longe.

Reencontrar pessoas queridas é como massagear o coração, até porque são criadas espectativas, tanto boas quanto ruins.

-Será que nos receberão bem?

-Terão sentido nossa falta assim como a deles sentimos?

Foi preciso administrar esse pequeno turbilhão de emoções, mistura de saudades com expectativas que agitaram minha alma naquela ocasião.

As crianças que fomos, a pre-adolescência que vivemos e as experiências que esperimentamos perambulam pela memória, vez em quando despertando o sentimentalismo latente que existe em todos nós, queiramos ou não.

Os locais onde vivi minha infância estariam como os deixei?

Alguns eram especiais como o local onde moramos na Rua do Meio em frente ao Foto Chau e vizinho da casa de Seu Raul Vieira, o Clube Dom Bosco, os cines Teatro Cuiabá e Tropical, o rio Cuiabá debaixo da ponte, bem pertinho da casa do Seu Id Scaff onde íamos lavar o carro, os pedregulhos no leito das límpidas águas do rio Coxipó na altura da Chácara do Deputado Emanuel Pinheiro e a Praça Alencastro, onde encontrávamos os amigos após a última missa do domingo sempre habitaram minha memória.

Só de lembrar daquelas missas sinto no coração e no nariz o inebriante odor do incenso alimentado pelas brasas do turíbulo quando balançado no momento da consagração, época em que eu era coroinhas na antiga Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá.

Amanhã será um dia especial, vou acordar em Cuiabá.

– Marcelo Augusto Portocarrero

LIVRE INTERPRETAÇÃO 

Como está cada vez mais arriscado usar das palavras na livre expressão de pensamento deixo aqui, para para quem quiser, a oportunidade de escolher a forma de opinar sobre a criação de mais um ministério no governo Temer:

a) Canalhice;

b) Cumplicidade;

c) Temeridade;

d) Todas as opções estão corretas;

Ganância

Não vou tratar aqui sobre sua existência, mas sim de sua ausência.

Começo por dizer que nada aprendi sobre ela com minha família ou através de sua existência nas pessoas que me foram e são importantes.

O mais perto que dela cheguei foi por força de ofício devido minhas atividades profissionais e de pessoas com as quais acabei por me relacionar no vai-e-vem da vida, embora procurasse evitá-las.

Graças a Deus consegui administrar essas relações mantendo a distância necessária para que não me contaminassem. Entretanto, é impossível eliminá-las por completo de nosso cotidiano, quanto mais proeminentes sejam as pessoas com quem nos relacionamos.

Isto é o que permanentemente acontece no ambiente público e, infelizmente, também em alguns ambientes privados.

Ganância é um substantivo feminino que denota a avidez pelo lucro, seja ele lícito ou ilícito onde, apesar de se apresentar como um sentimento, na verdade tem características relacionadas a um desejo insaciável e individual de obter riqueza material pelo dinheiro sem medir consequências.

Decidi falar do tema devido à reação de uma pessoa que me é muito querida e pela forma como interpretaram seus atos em uma situação que envolvia o investimento de recursos financeiros em sociedade com terceiros.

Vi em suas reações as mesmas frustrações que tive nas perambulações de trabalho por que passei, onde é relativamente comum pessoas medirem os outros por suas próprias métricas.

Ações gananciosas costumam prejudicar outras pessoas direta e indiretamente, além de atingir os próprios autores na medida em que julgam estar protegidos por eventuais foros privilegiados, posições sociais ou mesmo pela força.

Não se esqueçam que tudo é transitório na vida e que nada é levado para o outro lado, exceto o que se faz de bom e de bem.

PRESENTE no Natal 

Sabe família no sentido mais abrangente que essa palavra possa ter, aquele em que lá estão pai, mãe, filhos e netos? 

Então, até este ano este maravilhoso grupos de pessoas especiais que Deus colocou juntas aqui no mundo teve sua primeira perda. E foi justamente a raiz de tudo, a razão da nossa existência, nossa mãe. 

Ele a chamou primeiro, deve ter lá suas razões, todas dolorosamente incompreensíveis para nós.

As vezes me pego a imaginar como teria sido sua reação se um de seus filhos fosse chamado antes dela e não tenho duvidas de que teria sido muito mais doloroso do que foi para nós tê-la perdido. Como também tenho certeza que sua religiosidade e fé seriam os pilares que sustentariam suas forças para seguir em frente. 

Creio que Ele a chamou primeiro para poupá-la dessa dor e para que em sua companhia ela agora possa continuar a olhar por nós, vez que a idade avançada já a privava da maioria das coisas que tanto a enchiam de prazer.

Este final de ano será muito difícil para todos nós, mas são os desígnios de Deus e saberemos superar a dor de sua falta lembrando com carinho dos exemplos de dedicação a tudo que fez e a todos que com ela tiveram a maravilhosa oportunidade de conviver. 

– Feliz Natal mamãe, você estará sempre PRESENTE em nosso corações! 

Carta de agradecimento a Jô Soares

CARTA DE AGRADECIMENTO A JÔ SOARES.

Prezado Jô Soares,

Antes de mais nada quero agradecer por sua definição de “conceito” ante a de “preconceito” por ocasião de seu último programa na quinta-feira, dia 24/08/16.
Tenho 62 anos e como vários de minha idade tento, sem muito sucesso, transmitir aos que consideram preconceito o fato de termos dificuldades para nos adaptar a novos costumes e procedimentos posto que, hoje em dia,  os antigos conceitos passam por constantes e rápidas modificações.
Para mim é difícil, mas não impossível entender e respeitar estas mudanças. Infelizmente só não é possível fazê-lo do dia para a noite, como um passe de mágica ou por decreto.
No meu sincero entender é preciso que respeitem o fato de termos sido educados em um mundo onde diversas situações hoje consideradas normais não eram entendidas, sequer ensinadas  como sendo naturais.
Em outras palavras, o que vivemos no passado, em nosso infância e até adolescência, tinha conotações diferentes de muitas das que hoje são tão ampla e corretamente difundidas.
Entendo que necessitamos de um certo tempo de convivência com os atuais conceitos para que não interpretem nossas dificuldades de adaptação como preconceitos.
Saber a diferença entre estas duas situações é fundamental para todos, pena que muitos não  intendam assim.
Agir de maneira refratária a esta questão também deveria rotular de preconceituosos aqueles que não aceitam as naturais dificuldades que gerações anteriores às de agora têm para reajustar antigos conceitos frente às rápidas transformações que a humanidade passa em seu processo evolutivo.

Atenciosamente,

Marcelo Augusto Portocarrero

 

Temos visto a realidade, mas não enchergamos a verdade.

Estão cada vez mais frequentes as notícias sobre o estado de abandono de nossas escolas, creches e outros locais públicos.
Essas situações, quando não são causadas pela incompetência dos gestores, certamente o são por nossa incapacidade de vê-las e de não sabermos avaliar suas causas, consequências e soluções.
Mal comparando, pouco tempo atrás assistimos uma reportagem sobre escolas e creches no Japão, onde as crianças, após as atividades normais do dia, limparam as instalações, materiais e equipamentos que ocuparam.
Na contra-mão, recentemente vimos uma outra reportagem, desta vez no Brasil, onde um pai reclama do estado de conservação da área externa da creche onde deixa seus filhos.
Então, como comparar esses dois mundos tão diferentes em tudo.
Em um país temos um povo que respeita seu espaço, sabe usá-lo e preservá-lo. Uma população onde seus filhos aprendem desde muito cedo que os ambientes que usam é comunitário e precisam ser cuidados por todos e para todos que os frequentam.
em outro mundo, este nosso, o cidadão e seus filhos não são educados para respeitar quaisquer espaços, talvez por isso não saibamos usá-los, mantê-los, muito menos respeitá-los e ao contrário, na primeira oportunidade em que nos sentimos atingidos em nossos direitos corremos a reclamar do estado de conservação do lugar sempre alegando que a responsabilidade é exclusivamente dos outros.
Não temos a cultura milenar do Japão, talvez por isso tudo que diz respeito a direitos é tão importante para nós que chega a ser visceral.
Com o passar do tempo a civilização brasileira, ao contrário das outras, vem desenvolvendo a cultura dos direitos e abandonando a dos deveres.
Estes, os deveres, vêm sendo deixados de lado na medida em que transferimos nossas responsabilidades de cidadãos a terceiros e, a partir dai, passamos a agir como se nossas obrigações de manter e respeitar os espaços comuns deixassem se existir, vez que nosso objetivo passou a ser apenas e tão somente o de usar e abusar.
Marcelo Augusto Portocarrero

PRECISAMOS SER AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA .

Pessoas de má fé vivem trabalhando para que o país continue dividido.

Para mim não deveriam ser dois lados opostos, mas sim duas metades que se completam ou, como dizem os orientais, a composição de duas forças opostas, Yin e Yang, cujo equilíbro entre si é essencial para a vida.

Basta observar nossa situação político-econômica. Sem a necessária armonia entre estes dois ambientes não há como o país avançar no sentido correto e sair dessa espiral descendente causada pela falta de senso comum.

Estamos cansados de assistir a esse eterno cabo de guerra cujo avanço de um lado sempre será entendido como o recuo do outro e a vitória de um, se houver, significará a derrota de todos.

O progresso de todos não pode estar na obtenção do poder político mas na gestão do poder em disputa.

Chega dos discursos erráticos e dos atos desprovidos de objetivos comuns que estão destruindo o pouco que resta do país.

E agora?

E agora?
Existem pessoas que vieram ao mundo para confundir outras para enganar mesmo.
Vendo algumas das ilustres figuras que participaram da votação do IMPEACHMENT me vêm à lembrança aqueles que lá estão para enganar.
Não se lembram do passado, aquele passado em que se travestiram de defensores da liberdade e dos oprimidos pelo golpe militar de 1964.
Agora são deputados, senadores, presidentes, ex-presidentes e outras funções públicas, mas enganam-se ao pensam que a população não tem memória.
Pois saibam que temos sim, senhores e senhoras autoridades de araque.
Assim como ninguém esquece as atrocidades da ditadura, também não vamos esquecer as posições desses safados no passado, tão diferentes das que têm agora.
Com tempo e boa vontade, vamos aos poucos nos lembrar de um por um.
O que fizeram e o que diziam na época da ditadura e comparar com o que fazem e dizem agora.
O que possuíam naqueles tempos com o que possuem hoje, mas principalmente como juntaram tanto fazendo tão pouco.
Não, podemos deixar pedra sobre pedra sem olhar o que tem em baixo. Só assim separaremos o joio do trigo para mostrar toda a verdade.
A verdade sobre todos e a verdade sobre tudo. Não essa que é contada por ai, onde só tem mocinho de um lado e bandido do outro.
Quem duvidava que existiram bandidos do lado daqueles que se diziam mocinhos estão descobrindo aos poucos que não foi e não é bem assim…
Já passou da hora de nossos historiadores, pesquisadores e comissões da verdade irem atrás do que aconteceu com os personagens da nossa história após os anos de ferro e fogo da chamada ditadura.
Como estarão hoje os atores daqueles momentos históricos que são lembrados com glamour enquanto vítimas da opressão e que hoje têm desmascadas suas verdadeiras personalidades.
Como estarão hoje econômica e financeiramente aqueles que lutaram contra e pelo regime militar.
Terão nossos historiadores e pesquisadores coragem e disposição para se debruçar sobre as questões do que aconteceu depois com os personagens dos dois lados e compará-las?
Existiram corruptos entre os que participaram daqueles governos militares? Algum deles ou suas famílias obteve benefícios, privilégios e presentes?
Eu não conheço, e você, conhece alguma família milionaria que veio dos governantes do regime militar?
Devemos considerar que foram incompetentes e não souberam aproveitar a oportunidade ou reconhecer simplesmente que foram e continuam honestos?
E aqueles que assumiram o governo do país desde então? E estes que ai estão a se locupretar, têm a mesma índole?
Não se trata de exaltar ou mesmo apoiar uma ação semelhante àquela, mas de alertar nossas consciências a respeito do caminho tortuoso e incerto que estamos percorrendo e se é neste rumo que devemos ir.
Não da mais para acreditar que teremos futuro com esse presente tão cheio de mentiras e mentirosos, corrupção e corruptos, safadezas e safados.
Marcelo Augusto Portocarrero, em 21/4/2016

Hoje voltei a sentir um aperto gostoso no coração.

Tenho pensado bastante sobre a empreitada que enfrentamos para comemorar 35 anos de formatura.

Na verdade, foram quarenta e poucos anos de convivência com pessoas tão queridas, como considero todos e todas as pessoas quem tive o privilégio de conhecer, conviver, aprender a respeitar e querer desde os tempos da universidade (muitos até antes disto).

Lembro-me dos momentos inesquecíveis de estudos em sala de aula, dos bate-papos sentados na rodoviária do Bloco de Exatas, das dicas passadas sobre os professores – olha o Laerte faz questão disso e daquilo, o London é rigoroso, o Amorézio é genioso e tantos outros personagens que atuaram de maneira tão importante em nossa formação. Enfim, como não se lembrar nossos queridos mestres com muito carinho.

E os muitos casamentos que começaram naqueles corredores? Só pra citar alguns, lá começaram a pensar na vida juntos o Sidney e a Márcia, o Brito e a Vera, eu e a Clara, o Bosco e a Marisa, o Henrique e a Ivana e por ai vai…

Que dizer então dos temas polêmicos da política daquela época em que alguns colegas já começavam suas caminhadas nessa área.

Também me lembro da forma natural com que alguns de nós, como o Luiz Salvador e a Lilian já deixavam transparecer suas paixões pela carreira do ensino; daqueles outros que desde cedo apresentaram espírito empreendedor e empresarial; dos que demonstravam ter a veia política aflorando, bem como daquele que, como eu, começaram a vida profissional no serviço público acreditando que assim estaríamos contribuindo para a construção de um Estado melhor.

A engenharia tem esta característica especial de ser multiformadora de personalidades, e foi assim que ela se manifestou em nós de maneira tão marcante e maravilhosa.

Marcel Augusto Portocarrero – março/2016

O NEGÓCIO ANÁLOGO.

Certo professor e articulista contra o impedimento comparou as pedaladas do governo com a contratação de um projeto de arquitetura. Ao usar do mesmo “estratagema analógico” vou explicar como eu entendo o que ocorreu.

Vou ser mais explicito, de forma a que qualquer cidadão ou cidadã entenda o que aconteceu do meu ponto de vista.

Imagine um prostíbulo, uma casa de tolerância (esse último nome vem a calhar). Agora, considere que a dona ou, se preferir, cafetina do lugar, determine que as três melhores damas do pedaço façam o que bem sabem com alguns frequentadores especiais, mas só que na faixa, anotado na caderneta, como diziam antigamente.

– Vejam meninas isso só acontecerá com aqueles fregueses especiais. É que, de vez em quando, falta dinheiro para eles pagarem a comida da família, a escola dos filhos, o atendimento do hospital o seguro do carro, mas como são gente nossa, da casa, prometo que da próxima vez que vierem visitar vocês vão pagar tudo.

As visitas vão acontecendo, a história de repete, a caderneta vai se enchendo de anotações, o pessoal que “usa e abusa e não paga” vai se apertando cada vez mais, o final do ano chega e as festas de fim de ano também, e com isso tudo acumulado as dividas não podem mais ser quitadas.

Então a turma da administração do puteiro é obrigada a pedir moratória aos credores na Casa-da-Mãe-Joana (*) e têm suas contas ou débitos prorrogados para o ano seguinte. Ai começa tudo de novo.

Uma hora o negócio quebra, aliás, se continuar assim qualquer negócio quebra, não é mesmo?

(*) Casa-da-Mãe-Joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balburdia e a desorganização. Sua origem remonta ao século XIV.

Trazida para o Brasil serviu, por extensão, para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde impera a desordem e a desorganização.

Marcelo Augusto Portocarrero – 03/04/2016