Falar de alguém tão especial é emocionante e desafiador.
Falar de Dona Iracy, minha mãe, melhor dizendo, da nossa mãe, em poucas linhas é isso multiplicado pela enésima vez.
É como descrever algo indescritível, imaginar coisa inimaginável, extrapolar o extraordinário e outros tantos predicados somados, e com isso tudo na cabeça contar a história das nossas vidas.
Sim porque ela nos ajudou a construir nossos mundos em torno de sua vida como esposa e mãe.
Encantou-nos com seus encantos, nos abençoou com suas orações, nos alimentou com sua seiva materna, nos curou com sua dedicação incondicional, nos ensinou magistralmente com seu pouco estudo e nos educou exemplarmente com sua bondade infinita e, principalmente, nos ensinou o que significa amar de maneira integral.
Mamãe foi dessas pessoas que vieram ao mundo com a missão definida para amar, e quando não conseguia deixar isso perceptível, sua alma misericordiosa sofria tanto a ponto de se penitenciar. Nesses momentos sua reação instantânea era recorrer a suas orações, a seu terço de todos os momentos.
Nele ela encerrava tudo, sua fé inabalável, sua crença verdadeira e seu amor infinito a Jesus Cristo na figura de Nossa Senhora, a quem ela se dedicou apaixonadamente, pois perdeu sua mãe com poucos meses de idade, como também a Santo Antônio, através de sua devoção. Erá por intermédio deste último, seu eterno protetor, que ela pedia por tudo e por todos.
Mamãe não teve mãe, a sua, Deus chamou ainda jovem. Quem a criou até a primeira infância foi sua avó, que também a deixou pouco tempo depois. Foi então que passou a viver sob a criação da segunda esposa de seu pai e a se apegar a Nossa Senhora.
Do pouco que ela nos conta sobre esta fase de sua vida tudo leva a entender sua dedicação a nós e a papai, a quem ela se entregou de corpo e alma ainda menina, quando se casou aos 16 anos de idade. Sobre isto, dizia com satisfação que tudo que aprendeu de verdade na vida devia a essas duas pessoas, sua avó materna e a seu marido.
De sua família, entenda-se pai e mãe, nada se materializou através de ensinamentos. De seu dois irmãos mais velhos sempre teve amor, proteção e dedicação desde crianças até seus últimos dias de vida. Aos demais irmãos, filhos do segundo casamento de seu pai, crianças para as quais dedicou boa parte de sua infância, sempre ofereceu e recebeu amor e carinho.
Dizia também que se não tivesse encontrado Cazuza, como ela sempre chamou papai, teria sido freira, dedicaria sua vida a servir a Deus. Disso nunca duvidamos, pois sua religiosidade foi acentuando-se com o passar do tempo através de sua abnegada devoção a religião católica, em especial a seu querido Santo Antônio o grande intermediário de seus pedidos e promessas.
