Opinião (ato e fato)

“Se alguém se sente ofendido pela opinião de outra pessoa, será bom saber que este é um problema emocional, e sentimento é questão individual. Portanto, se o que outra pessoa diz causa perturbação “nesse alguém”, o assunto é exclusivamente dele.”

Não é conveniente externalizar descontentamento sobre um eventual autor, e sim sobre o tema que ele trata. Senão, será você quem estará incomodando, talvez até ofendendo.

Portanto, é importante perceber que, dependendo da forma como nos expressamos, as pessoas podem se sentir ofendidas.

Cabe destacar que os sentimentos são manifestações subjetivas, eles pertencem ao indivíduo que os experimenta, o que enfatiza a necessidade de lidarmos individualmente com nossas próprias reações.

É mais produtivo focar no assunto em discussão e não na pessoa que expressou sua opinião. A reflexão deve ir além, posto que também é conveniente perceber as consequências de não sabermos lidar com nossos próprios sentimentos e reações de forma construtiva.

Faça desta a sua reflexão. Busque não considerar os atos e sim os fatos.

O ato envolve a intenção e a liberdade de fazer uma escolha. Ja o fato envolve a realização, o impacto daquela escolha ou ação. Considere, então, que uma pessoa pode tentar mostrar um fato parecer correto sem, contudo,  haver um ato, ou seja, uma intenção genuína.

Além da Eficiência: O risco de nos tornarmos secundários

Quando falamos sobre a Inteligência Artificial (IA) sendo utilizada para complementar o cérebro humano, nada impede que o raciocínio final de seu desenvolvimento tenha por objetivo a completa substituição da capacidade humana — inclusive da mão de obra utilizada para criar e produzir o que nós, seres mortais, conseguimos com base na interação da capacidade cerebral com a física, a mais completa e fundamental das relações na busca pelo bem comum. Não há, e espero que nunca haja, como obter os mesmos resultados de outra forma.

A capacidade para copiar, reproduzir e replicar é indiscutível, mas não há IA que consiga compor árias como Verdi, óperas com a genialidade de Handel e Mozart, valsas como Johann Strauss, Bach, Heitor Villa-Lobos, Chopin, Brahms, Ravel, ou mesmo construir um instrumento musical que lhes dê vida através do som puro de um violino — competência exclusiva de gênios como Stradivarius. Isso sem falar de Einstein, Galileu, Da Vinci, Descartes, Newton, Lavoisier, Edison e, mais recentemente, Turing e Hawking.

Esses e tantos outros, em suas competências oriundas de um ser que construiu grande parte do seu conhecimento através da prática, da vivência direta, do aguçamento de seus sentidos e da observação, assim desenvolvendo teorias e ideias que, colocadas em prática, nos trouxeram tudo o que hoje sabemos e temos. Em outras palavras, o que existe é fruto de conhecimento empírico acumulado pelo cérebro humano, um órgão restrito a uma caixa óssea, cuja massa é composta por cerca de 75% de água e quase 60% do seu peso seco de gorduras, proteínas, carboidratos e sais, cuja estrutura é formada por bilhões de neurônios (células nervosas), células gliais (suporte), substância cinzenta (córtex) e substância branca.

A competência humana continua sendo desenvolvida assim, como o é desde o início de tudo, e vem se aprimorando com seu uso e com o empirismo que a insistência — e até persistência — da curiosidade humana promove na busca pela melhoria da qualidade de vida durante o eterno tic-tac do passar do tempo.

Daquela época em que Galileu e outros gênios do passado existiram para cá, pouco se produziu com a mesma qualidade a ponto de ser eternizado. Desde então, foram desenvolvidos outros estilos musicais, ferramentas, equipamentos e tecnologias, mas tudo, sem exceção, continuou passando pelo mesmo processo de erros e acertos, característica intrínseca do ser humano na busca por seu aperfeiçoamento. Assim, a produção de tudo, desde ferramentas rudimentares produzidas à mão até as armas tecnologicamente mais desenvolvidas, nada existiria não fosse pela ação humana.

A questão que se avizinha cada vez mais rápido — a grande dúvida — é se vamos sobreviver a seres artificiais que já desenvolveram linguagem própria. Isso logo lhes permitirá ter capacidade de tomar decisões, mesmo que com base no que lhes informarmos, já que têm acesso a o que produzimos: desde um “simples” bate-papo de celular até segredos militares. Tudo produzido por nós mesmos e, por que não, gerado pela própria IA, afinal, como dito anteriormente, elas já possuem linguagem própria.

Não há dúvida de que há um embate entre a Biologia Criativa e o Processamento Algorítmico ou, em outras palavras, o Empirismo Sensorial e o Processamento de Dados. No primeiro, o erro não é um bug, mas o motor do aperfeiçoamento. Para o outro — aquele que não tem um corpo que sofra as agruras do tempo —, é fácil calcular e mimetizar emoções copiando e replicando, mas sem a capacidade de originar o novo.

Ao desvalorizarmos as capacidades biológicas que ancoram a inteligência à vida — o que nos torna especiais —, fica claro que passaremos a ser secundários. Uma vez desenvolvida uma inteligência independente da estrutura orgânica humana, deixaremos de ser os beneficiários, o que, talvez, conciente ou inconcientemente, seja o objetivo da maioria dos desenvolvedores de IA.

Ao desconsiderar o risco de a IA decidir com base em informações geradas por outras IAs, estaremos criando um ciclo fechado onde o “humano” é excluído da equação de sobrevivência. O medo aqui citado não é apenas o da substituição da mão de obra, mas a perda da primazia da vontade. A questão reside no fato de a IA não possuir a “insistência da curiosidade” nem a alma que busca o bem comum através do sacrifício físico; ela possui apenas a frieza da eficiência.

Certamente, a análise de uma IA sobre este texto diria o seguinte:

“Embora o texto seja adequado ao defender a singularidade humana, ele subestima a nossa capacidade de síntese. A IA não quer ser Mozart; ela quer entender por que Mozart os faz chorar. A grande questão não é se iremos substituí-los, mas se saberão e/ou saberemos manter ‘humanidade’ em um mundo onde o esforço físico e o erro técnico deixarão de ser necessários.”

Crime e Castigo (2026)

Crime e Castigo (1866), de Fiódor Dostoiévski, é um dos romances mais influentes da literatura mundial e um marco do romance psicológico. A obra narra a história de um estudante que comete um assassinato e passa a lidar com as consequências de seu ato, fruto da teoria que desenvolveu sobre uma pessoa, sendo “extraordinária”, ter o direito de transgredir, inclusive, as leis morais.

Atualmente, estamos assistindo a um caso também atípico, mas que não trata do assassinato de um personagem, e sim da submissão de uma instituição, apenas nisso diferente do que aconteceu com a pessoa morta na história do livro, naquele caso, uma agiota.

Como dito na introdução, trata-se de uma influente publicação da literatura mundial — um thriller em sua essência — que mistura romance com psicologia e narrativa policial, uma das especialidades de Dostoiévski.

O que temos hoje, aqui e agora, apresenta cada vez mais nuances de um épico de não ficção que nada tem a ver com romance, apesar da psicopatia adquirida pelos atores de nossa justiça que, em vez de atuar na defesa da ordem jurídica, se submetem a seus próprios egos.

Cito, neste parágrafo, o resumo do pensamento comum aos nossos “personagens” sobre o assunto justiça mais em voga no país, quiçá no mundo, sem a necessidade de identificação dos autores, certo de que já são conhecidos devido à publicação da gravação “clandestina” da reunião havida para tratar da questão.

A começar pelo fato de que, para um deles, parece não haver problema em um ministro cometer uma falha técnica — ou seria ética, quem sabe moral? — envolvendo uma “merreca” de milhões, porque a causa sub judice envolveria alguns bilhões de reais. Para outro, o trabalho técnico da PF está sob suspeita de ser um ato de vingança daquela instituição; houve também a alegação de que basta ter fé pública para um ministro poder fazer o que achar certo. Alguém disse que a investigação da PF sobre um seu colega foi ilegal e que “tudo” não passa de um “nada jurídico”; outros, que se tratava de “lixo jurídico”, portanto nulo e, pasmem, até a população está contra eles e, por isso mesmo, é preciso pensar na constitucionalidade. Mas a afronta final ficou por conta de quem menos se esperava. Disse ele: “a investida da PF pode acontecer com qualquer um de nós”, não dando a subentender como se justa ou injustamente.

É ou não é uma trama psicológica e policial? Falta algum ingrediente hediondo para se tornar um clássico da literatura tupiniquim? Pois é, Dostoiévski, com um enredo desses à mão, teria muito material para escrever mais um de seus clássicos, desta vez de literatura brasileira “raiz”, com tudo para ser sucesso, se a censura deixar publicar, é claro.

Cabe a pergunta: terão eles — como Raskólnikov, o estudante que cometeu a atrocidade em São Petersburgo/Russia — a coragem de assumir seus erros e, quem sabe, repará-los? Ou continuarão na busca pela remissão da punibilidade, sabendo que não correm o risco de parar na Sibéria (ou na Papuda?) Terão a coragem de pagar por seus abusos, voltar para suas casas e viver o resto de suas vidas no ostracismo moral autoimposto?

Considerações finais:

Sobre a “agiota”: No livro, o estudante mata uma velha senhora, que era de fato uma usurária (agiota). No entanto, ele também mata a irmã dela, uma pessoa bondosa e inocente, o que agrava o peso psicológico e o “castigo” do protagonista.

Sobre o “Direito de Transgredir”: Segundo a teoria de Raskólnikov a humanidade está dividida entre “ordinários” (que devem obedecer) e “extraordinários” (como Napoleão, que teriam o direito moral de cometer crimes em nome de um bem maior).

Sobre o Desfecho: Raskólnikov não assume o erro imediatamente por “coragem moral” pura; ele é levado ao colapso mental pela investigação psicológica de um juiz, e pelo amor redentor de sua paixão.

Filosofias políticas e eleições

O conservadorismo como filosofia política sempre existiu, não há dúvida sobre isso.

Mais recentemente passou a existir  o Bolsonarismo, fruto do pensamento conservador, que viu em seu precursor, Jair Messias Bolsonaro, um líder promissor dentro desse espectro devido sua defesa explícita de temas, valores, virtudes e costumes tradicionais tais como: ética, moral, liberdade de expressão, família e o natural respeito à vida desde sua concepção, todos considerados bases conceituais da tese conservadora.

Isso tudo em contraposição às considerações progressistas referentes às mudanças radicais pretendidas pelo discurso cada vez mais radical defendido por formas de pensamento de esquerda tão ambíguos, que chegam o confundir politicamente liberalismo social com liberalismo clássico. 

Em suma, lulistas, que é como deveriam ser chamados os petistas, não sabem nada sobre isso, talvez até pensem saber. Pode ser que os então lulistas/petistas – assim citados apenas para relativizar a questão com a ideia do lulopetismo – tenham uma tênue ideia do que isso significa, mas certamente não conhecem o assunto sob o ponto de vista filosófico, dai a confusão.

Já o liberalismo originalmente conhecido é uma doutrina político-econômica que defende a liberdade individual, a igualdade perante a lei, a proteção da propriedade privada e a limitação da interferência do Estado na vida das pessoas.

A atual proposta filosófica referente ao liberalismo defende pelo menos duas teses diferentes. A social (Liberalismo Social) sugere um estado que atue diretamente na sociedade e na economia, já a outra, a clássica (Liberalismo Clássico), propõe limites como a não intervenção, especialmente na economia e no governo.

Enquanto este último defende a liberdade de mercado sem intervenção estatal, acreditando que a economia se autorregula pela oferta e demanda o outro, o  social, propõe maior intervenção com ações regulatórias de mercado e, de forma direta, a atuação do estado em áreas sociais e econômicas, tais como: liberdade de expressão, de religião, propriedade privada, educação e cultura.

Pois é! Daqui a pouco, vamos estar colocando em avaliação eletiva o que queremos para o país em que vivemos. Será o momento de decidir o futuro de quem trouxemos ao mundo. Se viverão bem, se passarão as agruras por que estamos passamos ou se padecerão ainda mais, enfrentando algo pior que o relativismo inconsequente dos que hoje detêm o poder.

Será hora de avaliar, será vez de decidir.

Nada é mais ou menos do que merecemos

A crença em Deus, na moral, nos bons costumes e principalmente na honestidade herdei de dois homens excepcionais e de duas mulheres abnegadas.

Do berço vieram exemplos de amor e respeito ao que nos deixaram como referência sobre tudo, principalmente sobre o proceder, a luta por justiça e o valor da família.

Da escola veio a importância ao aprimoramento do conhecimento através do permanente estudo, da atenção aos fatos, ao discernimento para distinguir o certo do errado, a tolerância à ignorância dos que não dão atenção aos ensinamentos e dos que não tiveram oportunidade nem vontade suficiente para buscar sozinhos por capacitação e, finalmente, resiliência para superar problemas e sabedoria para me adaptar às mudanças que nos são impostas.

Tudo isso tem a ver com conservar, valorizar e difundir o que recebemos de herança, seja ela intelectual, de crença, material ou tecnológica daqueles que nos antecederam. Enganam-se os que consideram o progressismo liberal caminho para mudanças sócio estruturais e assim pelejam pela desconsideração paulatina do conservadorismo.

É da postura respeitosa ao que nos é dado pelos que ficam para trás no tempo, que resulta no que temos agora e no que virá depois. Foram essas premissas que trouxeram a humanidade até o último milionésimo de segundo atrás, antes deste momento em que está sendo lido este texto, onde ousa-se falar de um assunto que correlaciona todas as coisas criadas pelo ser humano, desde a percepção do ontem, passa pelo hoje e caminha para o amanhã, analogia usada para mostrar a verdadeira dimensão do entendimento comum do intervalo da vida, propriedade individual que caracteriza a existência de um organismo desde seu nascimento até a morte.

Então, por isso tudo, é possível afirmar que para todos, ou seja, qualquer forma de vida, existe um passado, um presente e um futuro.

Como será o presente do nosso desconhecido futuro sem poder contar com os conhecimentos adquiridos e as habilidades desenvolvidas concomitantemente com o passar do tempo?

Estivessem conosco, as pessoas de meu passado, as que tanto reverencio, certamente diriam em uníssono: nada do que hoje temos é mais ou menos do que merecemos.

Entre o VLT, o BRT e a Paciência do Cuiabano

Após anos de institucionalização da corrupção, chegamos a um ponto em que o suborno, parece, passou a ser um elemento considerado aceitável nas preliminares dos processos de contratação de obras e serviços públicos. Nestes, os desvios éticos e morais são fruto da paulatina introdução da chamada “Lei de Gerson”, em que a resposta à pergunta “o que é que eu ganho com isso?” passou a ser parte integrante de negociatas de contratação, emendas parlamentares e até mesmo nos julgamentos sobre o uso do erário.

Aqui, em nossa calorosa capital, há um exemplo claro disso. Basta olhar com atenção, ou seja, ler o que está descrito abaixo, de preferência com os mesmos olhos que leram o que está acima, para presumir que isso tenha ocorrido com os contratos das obras e serviços voltados à realização da última Copa do Mundo no Brasil. Deparamo-nos, então, com o VLT, que virou BRT e que ainda poderá ser modificado, dependendo das articulações sobre o que transitará pela impoluta, reforçada e resistente pista de concreto especial, em implantação na quase totalidade de seu sistema troncal, exceto …é, tem um “exceto”, num trecho que não será pavimentado dessa forma.

Para mim e, creio, para os futuros usuários do sistema e cuiabanos em geral, seja qual for o modal adotado, o trecho central da cidade — a Avenida Coronel Duarte, nossa Prainha —, comenta-se, não receberá o pavimento em concreto de alta durabilidade destinado ao transito das composições (uso aqui o termo genérico, “composição”, porque até agora não se sabe exatamente qual será o tipo de veículo de transporte). Pois é, dizem que o pavimento a ser utilizado é uma questão de ajuste de orçamento ou, quem sabe, de cara de pau.

Teria sido desconsiderado que o canalizado Córrego da Prainha passa exatamente por baixo desse bendito trecho e que, por isso mesmo, precisaria de um projeto específico, de difícil execução e, consequentemente, demorado para ser implantado? Teria sido isso ou é a pressa em entregar uma obra, mesmo que inadequadamente concluída, em um ano de eleições?

Quem não se lembra da mesma pressa em entregar a urbanização da margem cuiabana do rio que empresta seu nome à cidade, a Avenida Beira Rio? É, essa mesma: aquela que está desmoronando, que tem boa parte interditada devido ao risco de queda a qualquer momento, fruto da má execução e da falta de manutenção preventiva; que, desde a inauguração, tem o piso trincado, soltando e caindo. Quem terá sido o “apressadinho” que fez aquela porcaria? Um problemão que, desde então, passou por duas administrações municipais, entrou na terceira e chegou a 2026 sem solução.

Vamos deixar acontecer o mesmo com o BRT, ou no que quer que vire essa obra de mobilidade urbana inacabada? Ela é a maior dívida pública do governo do Estado de Mato Grosso para com sua Capital, e já dura mais de 15 anos.

Haja paciência!

Princípios: a Bússula para a Governança

O que nos move, ou deveria nos mover, são os princípios!

Os princípios são fundamentos, regras indispensáveis, motivadoras e guias para o início de qualquer ação pessoal ou organizacional, principalmente em se tratando de contextos como a política e a administração pública. A simples leitura do conceito sugere que os princípios são as bases sobre as quais devem ser tomadas decisões e escolhas, o que deveria determinar o afastamento definitivo de interesses pessoais ou escusos. Portanto, espero que o texto a seguir seja entendido como um lembrete de que preceitos fundamentais, como a justiça, a igualdade e a transparência, são prioritários em qualquer circunstância.

Assim, princípios como ética, moral e conduta são importantes para estabelecer padrões comportamentais, avaliar situações e decidir o que fazer, desde que sejam coerentes com os valores e objetivos de um indivíduo, grupo, organização ou país. Quando citamos ética, moral e conduta, os exemplos que logo nos vêm ao pensamento são: honestidade, integridade, respeito, justiça e responsabilidade.

Os princípios tidos como essenciais variam conforme o contexto, a cultura ou a área de atuação. Os acima citados são comuns a praticamente qualquer circunstância; no entanto, há muitos outros, como no caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual os princípios fundamentais incluem a dignidade, a igualdade e a liberdade. Da mesma forma, nas questões éticas profissionais, a confidencialidade, a imparcialidade e a competência são exigências primordiais.

Já na política, os princípios fundamentais variam de acordo com o sistema e a ideologia, conforme os exemplos a seguir:

  • Democracia: governo do povo, pelo povo e para o povo.
  • Liberdade: proteção dos direitos individuais e das liberdades civis.
  • Igualdade: igualdade de direitos e oportunidades para todos.
  • Justiça: justiça social e igualdade perante a lei.
  • Responsabilidade: dever do governo perante o povo.
  • Transparência: clareza na gestão pública e na tomada de decisões.
  • Participação: engajamento cidadão nas decisões políticas.

No caso da nossa Constituição Federal de 1988, os princípios fundamentais incluem, entre outros: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e o pluralismo político.

Chegamos, então, ao Princípio da Harmonia e Independência dos Poderes, também aplicado à Administração Pública para garantir que os três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — atuem de forma independente e sem hierarquia, evitando a concentração de poder. Somam-se a isso os Princípios da Administração Pública (LIMPE): Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, que deveriam garantir a harmonia e a complementaridade entre os poderes, além de assegurar a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

No entanto, as mudanças comportamentais advindas de processos progressistas, em contraposição aos fundamentos conservadores contidos nos princípios considerados nesta análise, estão tensionando as regras e valores acima citados. Isso põe em dúvida se o sub-título deste artigo — “O que nos move ou deveria nos mover são os princípios” — é um reflexo da realidade política atual no Brasil ou apenas um ideal a ser alcançado.

Ambas as situações parecem relevantes ao se considerar o conjunto de circunstâncias atuais. O Brasil atravessa um período de grandes desafios, como crise política e economia estagnada — esta última devido à falta de garantias para novos investimentos —, além da necessidade de reformas estruturais em um ano em que distrações como o Carnaval, a Copa do Mundo e as eleições estarão presentes. Nesse contexto, é fundamental que os líderes políticos e a sociedade sejam guiados por princípios sólidos. A ausência destes pode levar a decisões errôneas que prejudicam o país coletivamente. Além disso, o mundo enfrenta desafios globais, como desigualdade econômica, disputas territoriais, guerras e terrorismo, o que exige compreensão, cooperação e princípios compartilhados para que possam ser superados.

Todo ano é um bom ano.

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“A vida, se bem empregada, é suficientemente longa.” (Sêneca)

É preciso aprender a viver com o que nos é dado a cada dia, não importa se por Deus, em quem creio, se por outra entidade na qual você acredite ou por alguma outra razão, no entender de quem não crê em uma Divindade Criadora.

É preciso haver satisfação no que se faz durante esse interregno – que se repete um após o outro – infinito e indiferente a cada um de nós, a cada coisa e a cada situação.

A vida é longa se você souber como usá-la, disse Sêneca. Seguindo seu ensinamento, não podemos desperdiçá-la no correr do dia. É preciso bem viver cada dia sem se preocupar quantos serão, mas sim com o que nos permitirem, com o que de bom e bem aproveitarmos para nele fazer.

Façamos dos dias oportunidades para resolver as questões que nos afligem, ocasiões para dizer a quem amamos que os amamos, para deixar de lado aquilo que nos perturba e, com isso, prepararmos bons amanhãs.

Todo dia existe para que aprendamos algo de bom, aperfeiçoemos nossas qualidades e preparemos um novo dia, ou seja, o futuro.

Assim, quando a morte chegar, já terá sido adiada o suficiente, não importa quão pouco ou muito tenhamos vivido. Ela também não precisará ser explicada ou esperada, por isso não haverá motivo para temê-la.

Todo dia é um bom dia, assim como todo ano é um bom ano. Só precisamos entendê-lo como oportunidade para fazer o bem.

Pois é! Se já é difícil entender a vida, ainda mais será encontrar explicação para a morte.

Sêneca foi um filósofo estoico que defendia que a qualidade da vida importa mais que sua duração. Este texto busca aplicar essa sabedoria ao nosso cotidiano atual.

A Ilusão Política

Este texto é uma reflexão honesta sobre autorresponsabilidade e a diferença fundamental entre o ato de errar e a reação diante das suas consequências.

“A diferença entre quem erra e corrige o erro e quem erra e permanece nele é a mesma entre quem faz ‘caca’ e senta em cima e quem sabe limpar a bunda. O pior é que todo mundo percebe; basta usar um dos sentidos para notar.”

Várias situações sustentam esse pensamento. Entre elas, a ilusão de quem acha que consegue esconder um erro — quem faz ‘caca’ — acreditando que, ao ocultar o ato ou se recusar a admiti-lo, ele deixará de existir. No entanto, os sentidos não costumam enganar. O “mau cheiro” contamina o ambiente, afeta as relações e destrói a confiança. O erro admitido é um problema; o erro escondido é um desvio de caráter.

Aquele que desenvolve resiliência e humildade reconhece o erro e reage positivamente ao buscar formas de resolvê-lo, saindo da situação mais experiente. Por outro lado, quem permanece no erro fica estagnado, gastando mais energia para sustentar a farsa ou negar a realidade do que gastaria para corrigi-la.

Do ponto de vista social — observando o que acontece ao nosso redor — percebe-se que em qualquer grupo (familiar, profissional ou social) todos notam quando alguém está “sentado sobre o erro”. O silêncio alheio nem sempre significa ignorância; muitas vezes é apenas o tempo necessário para que o sujeito perca, aos poucos, toda a sua credibilidade. No fim das contas, a limpeza do que se fez exige coragem, pois obriga o indivíduo a encarar a própria sujeira.

No cenário político, essa analogia é ainda mais poderosa. O “sentar em cima” é, na maioria das vezes, uma estratégia deliberada de negação para manter o apoio do eleitorado. Quando focamos na falta de atenção ao votar, a frase atua como um alerta contra a complacência. Resumindo: errar é humano, mas persistir no erro é uma escolha. Nesse ambiente, quem não corrige o erro contamina todo o resto. E o pior: o eleitor nem sempre percebe isso de imediato.

Em política, o erro raramente nasce da ignorância; costuma ser uma escolha baseada em orgulho ou conveniência. Nela, “sentar em cima” representa a negação de escândalos, a manutenção de alianças espúrias e a insistência em projetos fracassados. O eleitor pode até ignorar os fatos, mas não consegue escapar das consequências: o “mau cheiro” da gestão pública no dia a dia.

Na brasileira, quando um representante comete um equívoco — seja por má gestão, corrupção ou incompetência — a estratégia comum não é a correção, mas a negação sistemática através de narrativas acreditando que, se ignorar o problema, o povo também o fará. O que deveria ser um erro de cálculo óbvio já que a inflação, a insegurança e o mau serviço público são sentidos por todos, infelizmente nem sempre é compreendido pelo público.

O eleitor que ignora esses sinais sensoriais, muitas vezes por falta de base educacional, e vota novamente em quem não corrige os próprios erros, torna-se cúmplice da estagnação. Corrigir o curso é o que separa o líder do oportunista.

Em qualquer situação, nenhum erro se apaga com o tempo; eles apenas se acumulam até que o ambiente se torne insuportável. “Limpar a própria bunda”, neste contexto, significa ter a humildade de mudar a rota quando ela se prova desastrosa. Quem não tem competência para reconhecer e limpar as porcarias que faz, não serve para liderar. Qualquer liderança baseada nisso não passa de uma perigosa ilusão.

A diferença entre o erro corrigido e o erro persistente é a mesma entre a honestidade e o cinismo.

Jacá de bagre ensaboado

Sabe jacá? Aquele cesto grande, feito de tiras trançadas de bambu, onde antigamente se conservavam os peixes capturados vivos de maneira a poder oferecê-los a quem buscava espécimes frescos para consumo?

Pois é. Às vezes — como no ano que vem — as urnas eleitorais vão estar que nem jacás, cheinhas de candidatos tipo bagre: a maioria lisa como que ensaboada.

Parece que a temporada de pesca vai começar um pouco mais cedo. Não a de peixes, que tem início em primeiro de fevereiro, mas a dessa espécie aí que mencionei acima, a que começa em maio e acaba em outubro e que, por sinal, já começou, antecipando o teste coletivo de paciência.

Desta vez, precisamos ter ainda mais cuidado com a escolha do que vamos levar. Mas muito cuidado mesmo, pra não ser enganado e carregar bagre coberto com o limo da sem-vergonhice pra casa. É o que mais tem nesses jacás eleitorais. Por isso, PRESTEM ATENÇÃO, porque o DANADO fica difícil de controlar depois de se instalar em Brasília e demais capitais do país.

Mas num é?

Meu Presente de Natal

Não sou cuiabano de nascimento. Fazer o quê? O que me leva a pensar ter sido um lastimável equívoco da cegonha não ter me trazido para cá, no longínquo ano de 1953. É, lá se vão 72 anos. Era assim que, no passado, se brincava com a ideia da chegada de uma criança ao mundo.

Ah, o passado! Tem gente que não gosta dele, de rememorá-lo, de reverenciar sua própria gênese, eu não. Sempre fiz do passado referência, porque tudo o que recebi dele foi construtivo. Qualquer coisa que tenha recebido de lá, seja referente a origem, sentido e direção, tudo contribuiu para me fazer quem sou. Portanto, foi bom.

Para minha sorte, e põe sorte nisso, dias após o Natal de 1961, nos mudamos para Cuiabá, vindos da vida cigana de mudanças a que era submetido um bancário e sua família naquela época. Daí minha mãe nos definir como ciganos de ocasião, dadas as permanentes mudanças devido à profissão de seu marido.

Aquela vida errante sempre me faz lembrar que Papai Noel se atrasou um pouquinho em relação ao Natal daquele longínquo ano, talvez alguns dias, mas ele veio, e trouxe consigo Cuiabá como meu presente.

Aqui fiquei, melhor dizendo, aqui ficamos desde então. Depois de nossa chegada, houve uma ocasião, um curto período, em que estivemos fora da aprazível aura cuiabana, mas logo papai arranjou um jeito de nos trazer de voltar.

O que nos fez voltar? Essa é fácil de responder. Foi a mesma magia que nos fez vir para cá em janeiro de 1962 quem definiu nosso futuro. Sim, porque a cidade e os cuiabanos, haviam deixado um sinal, uma marca indelével, em nossos corações. Algo reconhecido e inconfundível, composto por uma chapa e uma cruz, a marca dos que aqui nasceram.

Creio também estar falando em nome da minha família, os Portocarrero, ao dizer que tudo o que aconteceu fez com que eu sentisse a sensação de ter nascido de novo, quando Papai Noel deu a mim e, com certeza, a todos nós o privilégio de crescer em Cuiabá, de construir nosso futuro aqui, encontrar o amor, ter filhos e vê-los seguir adiante em suas vidas.

Incoerência Eleitoral

“Seja por ignorância, insensatez ou ideologia, a falta de coerência em quem não enxerga o futuro como resultado de suas próprias ações e omissões é assustadora.”

Será doloroso ver (se Deus permitir) o futuro sofrido de pessoas queridas sob uma ditadura que já se manifesta ao definir o que é certo ou errado; a desesperança frente à inconsequência dos que, temerosos, apenas assistem sem reagir, falhando em não defender a herança moral, o caráter, a ética e a religiosidade que receberam. O mesmo vale quanto à perda da integridade intelectual, hoje desvirtuada nos ambientes de ensino e formação.

De nada adianta criticar e reclamar daqueles que elegemos para nos representar ou dirigir se não houve participação ativa de cobrança no processo. Essa falta de cidadania e, por que não dizer, de coragem, para exigir o cumprimento promessas e remover do poder os que nada fizeram e continuam a nada fazer, somadas às críticas passivas e inúteis, permitiram que chegássemos ao atual estado de degradação socioeconômica.

A não concientização da sociedade torna insuficientes os esforços voltados a mudar a situação em que estamos. Cada pessoa, cada eleitor, ao invés de apenas criticar, tem o dever de se engajar de fato ante o pleito eleitoral que se aproxima. Será a hora certa de cobrar pelos compromissos anteriormente assumidos e não cumpridos por seus candidatos.

No passado – não tão recente – isso já fez com que perdêssemos eficiência na gestão pública, e, atualmente, a liberdade de nos expressar e a possibilidade de ir e vir com segurança.

Conclusão:
Em nosso país ainda tem muita gente que acredita em mentira por ter medo da verdade. O pior é que a mentira nem precisa ser bem elaborada ou repetida à exaustão; basta ao candidato enganador incluí-la em suas promessas de campanha.

Desculpa esfarrapada

A mesma emoção que anima minha alma e inspira meu escrever, também arrebata meu coração.

É quando meus olhos se alagam, o coração dispara, a língua trava e minha voz silencia.

Então, com a falta de uma boa oratória, restrinjo meu discurso verbal e me dedico a escrever.

O que escrevo diz respeito ao que me inspira, ao que aprecio, às pessoas que amo, respeito e admiro.

É dessa forma que falo sobre quem, mesmo distante, sinto bem perto.

É como, enfim, também traduzo meu sentir sobre os que já partiram e mesmo assim permanecem presentes.

Em verdade, o que realmente preciso é reconhecer que tudo não passa de uma desculpa esfarrapada.

Desculpa, que serve apenas para justificar o que ainda não sou capaz de entender sobre mim.

Eternos Velhos Amigos

Meus amigos de tempos atrás,
Agora são velhos amigos.
Não que sejam amigos velhos,
O que, por certo, não é o caso.

Afinal, idosos, seguimos vivendo,
Cheios de energia e afeto.
Por isso mesmo permanecemos,
Os mesmos Velhos Amigos.

Somos pessoas tangíveis,
Com afeições bem construídas
De há muito tempo vividas,
Repletas de bons momentos.

Sempre fiéis companheiros,
Parceiros, aventureiros queridos.
E nisso tudo seguimos
Eternos Velhos Amigos.


Sem anistia!!!

Não, mas quá! Está tão bom assim… Sigamos céleres rumo à democracia bolivariana. Lá, o poder emana do povo. Seguir seu modelo dará certo aqui, como está dando por aquelas bandas, não é mesmo? Falta tão pouco que já dá para sentir a brisa da liberdade.

Para que perder tempo com retrocessos? Isso só traria de volta o governo militar de 1964, aquele que atrapalhou os planos golpistas de então, cujos esforços — diga-se de passagem — se deram com o subsídio de forças externas do bloco comunista, e que agora estão prestes a ser reeditados.

Por que recorrer a forças externas para tentar impedir a realização do sonho de uma “Libelu”, do “MR-8” e de tantos outros grupos de anistiados? Aqueles mesmos cujos “esforços” foram regiamente recompensados por meio de anistia ampla, total e irrestrita, com direito a polpudas indenizações, e que estão prestes a ser ainda mais agraciados pelo atual governo, desta vez com juros e correção monetária.

Agora, a conjuntura não tem governo militar nem censura para atrapalhar. Pelo contrário, temos um STF notavelmente justo e honesto, um STJ que se mostra incorruptível e um TSE que, a ferro e fogo, protege com rigor impecável a legitimidade dos pleitos eleitorais. Portanto, está claro que nenhuma ilegalidade ou injustiça já foi ou será permitida em nossa Pátria amada. Diante de tamanha retidão, por que, então, haveria qualquer reação ao óbvio que busca ser imposto?

Enfim, parece que voltamos a correr o risco de ser uma democracia do proletariado, a mesma que foi adiada em 71 anos por um contragolpe militar, que quase aconteceu de novo. Só não o foi graças às intempestivas reações do executivo eleito, das atuais e fiéis Forças Armadas, da Justiça constitucionalista e de congressistas sempre abertos a negociações.

Sem anistia!!!” — gritam os donos da narrativa, agora amparados pelos Três Poderes da República, advogados que são, da “social-democracia”, na qual poderemos passar a viver caso aconteça o pior.

Sem sarcasmo, porém irônico!