Um beco sem saída?

A ideia de estabelecer um porta-voz dentro do Supremo Tribunal Federal (STF), na esperança de que isso passasse despercebido, parece, finalmente, estar causando grande desconforto à esquerda. As poucas vozes discordantes no tribunal foram insuficientes para evitar excessos, incapazes que foram de promover o bom senso ou o respeito às regras republicanas e à própria Constituição.

Qualquer pessoa, mesmo sem ser da área jurídica, pode perceber o que está em jogo. Com as intervenções indevidas, o futuro do país se torna incerto, à medida que tudo passa a ser interpretativo e impositivo. Isso está longe da harmonia entre os poderes e as instituições.

O tratamento segregacionista dado por parte da imprensa tradicional é desrespeitoso. Essa mídia, que se autodenomina porta-voz da verdade, trata aqueles que discordam do status quo como “extremistas de direita”. O que é ainda mais preocupante é ver a OAB, parte do próprio Poder Judiciário, a Câmara e o Senado agindo em conjunto nesse cenário. Já a atuação do Poder Executivo nesta “tragédia grega moderna” é evidente e dispensa comentários.

Ela perdeu a oportunidade de se adaptar ao mundo digital, onde as notícias são imediatas, diretas e menos manipuladas. É irônico ver jornais que se consideram tradicionais usando “fake news” para se referir a notícias falsas, um estrangeirismo que eles próprios difundem. Essa imprensa seletiva e enviesada busca esconder a verdade para promover narrativas de interesse próprio.

Há cerca de três décadas, desde a Constituição de 1988, o avanço deliberado do neoliberalismo/socialismo, independentemente de quem o promova, vem nos conduzindo a um caos constitucional, social, político e econômico. A questão é: quem são os verdadeiros extremistas? Aqueles que defendem o cumprimento da Constituição de 1988 — a Constituição Cidadã —, ou aqueles que propõem uma ruptura brusca com o Estado democrático de direito?

Esse é o dilema da “extrema esquerda”, um termo usado para equiparar aqueles que levam suas convicções ao extremo, independentemente do lado. A pergunta que fica é: o que está acontecendo é um erro ou um acerto?

Seria isso resultado das ações políticas de um presidente que busca romper com normas estabelecidas, ou do desafio de um ex-presidente com sua opinião e direitos políticos cassados? Este homem — já formalmente punido e sem chance de recurso — ainda é considerado mais poderoso que seu sucessor? Seria este um sinal de que estamos em um beco sem saída?

O jogo do perde-perde

A estratégia de usar o termo bolsonarismo como uma referência negativa para prejudicar a ascensão da direita no cenário político nacional demonstra claramente a intenção daqueles que pretendem se eternizar no poder. Afinal, desde 1988, o Brasil teve 33 anos de governos de esquerda e apenas 4 de direita.

Essa tática, no entanto, agora se volta contra o próprio extremismo de esquerda, que se autodenomina “progressista” — um eufemismo para disfarçar o termo ‘comunista’. Esse extremismo representa uma degradação política que surgiu do decadente petismo e evoluiu para o lulopetismo, a causa do retrocesso social, econômico e político que vivemos.

Esse cenário é resultado da velha e ultrapassada ideologia propagada por seu ‘menestrel’ – hoje um peso morto – galgado ao maior cargo executivo do país. A ele, submete-se a esquerda, ano após ano, governo após governo, desde 1988, quando a ‘Constituição Cidadã’ foi instrumentalizada e usada para intervir nos Poderes da República, em vez de harmonizá-los. Cada vez mais, essa situação submete o povo às interpretações nada republicanas de um grupo de indivíduos mal-intencionados, que sequer foram eleitos.

Seus membros, escolhidos criteriosamente para os mais altos cargos da justiça pelo Sistema, agem como ‘filhos da serpente’ ao punir quem discorda deles, como se a discordância fosse um fruto proibido – não aquele oferecido a Eva pelo Criador, mas um outro, este produzido por criaturas inomináveis.

É por isso que, no tabuleiro do xadrez global, daqui para a frente, correremos o risco de não passar de um dos peões do jogo. Para isso, basta considerar que desde 2023 o Brasil vem se apequenando no cenário internacional devido à sanha ideológica de um governo que só age para tentar recuperar eleitores e subverter os desinformados. Esse governo sequer se preocupa com as repercussões internas, quanto mais externas, de seus atos, devido seu permanente olhar para o próprio umbigo.

É um governo que erra na dose, erra na forma e, principalmente, erra ao não perceber que seus movimentos estão, paulatinamente, deixando de ser próprios na medida em que, cada vez mais, se bandeia para o lado negro da força.

Como dito anteriormente, nosso país está se tornando um mero peão na geopolítica mundial, o que pode levar a incorrer no risco de ser miseravelmente usado durante o verdadeiro jogo bruto global por quem realmente movimenta as peças.

Ninguém está certo agindo assim. Para alguns, o que aconteceu em 9 de julho de 2025 foi uma reação do governo norte-americano a uma série de ações intempestivas do nosso. Para outros, foi uma reação do governo brasileiro à forma exacerbada de agir de quem ele mesmo, recentemente, chamou de “o maior fascista do século”.

É certo que os tempos são outros e tudo leva a crer que não haverá clemência de nenhum dos lados no jogo político local do “nós contra eles”. Esse jogo está sendo implementado por um dos lados para reagir ao risco de perder na disputa política de 2026, que já começou e poderá afetar o mundo todo, independentemente do resultado. É o que podemos chamar de “jogo do perde-perde”, onde ninguém ganha.

Nós, eleitores, seremos os carrascos ou as vítimas do que está por vir em uma disputa onde o povo será o único atingido. É bom estarmos cientes disso.

A Escolha Humana e a Fragmentação Social

Deus não é responsável pelos males. Ele certamente nos deu a vida e, com isso, a oportunidade de sermos virtuosos. No entanto, muitos se entregam ao “outro lado” em troca do poder existente em todos os degraus de uma escada que, em princípio, os levaria para cima, mas que, usada de forma errada serve apenas para conduzi-los na direção oposta, para baixo, vez que buscam o domínio irracional e a posse desbragada de bens materiais.

Apesar de parecer um pouco vaga, a expressão “muitos se entregam ao outro lado” na verdade remete ao dualismo maniqueísta (bem versus mal) de forma intencional, com o objetivo de abrir o tema à interpretação de quem ler este curto, mas complexo texto.

É fácil reconhecer essas atitudes, especialmente entre aqueles que seguem o caminho da diferenciação na busca por exaltar distinções, fazendo questão de exigir reconhecimento em toda e qualquer manifestação. O que antes propagava a união, a igualdade e a dignidade através de termos que reúnem, como os pronomes pessoais no plural (“nós”, “vós”, “eles”), aos poucos vem sendo substituído pela individualização singular, onde “eu”, “tu”, “ele/ela” são utilizados por aqueles que buscam um inconcebível consenso através da desunião. Esta é uma contradição no mínimo estapafúrdia, algo que toca de forma sensível na questão da fragmentação social.

Para eles, os pronomes pessoais plurais só são utilizados para repartir o mundo em grupos: “nós, vós, eles, os de…”, “nós, vós, eles, os com…”, “nós, vós, eles, os sem…”, etc.

Deus nos imaginou iguais, nos fez iguais e nos diferenciou apenas no que considerou necessário. Assim nascemos, bons homens e boas mulheres. O que acontece depois? Bem, isso não é algo que precisou fazer ou mesmo estabelecer. Por essa razão, Ele, em sua misericordiosa bondade e em nossa graça, dotou os seres humanos de livre-arbítrio, para que possamos construir nosso futuro. Desde então, somos nós quem traçamos e percorremos o caminho que escolhemos.

Na Bíblia, em Gênesis 1, encontra-se a passagem fundamental para a compreensão de como e por que fomos criados, sendo a fonte original do que aqui está colocado.

Antigo Testamento – Gênesis 1

1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.

26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.

27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

28 Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

29 Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.

30 E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi.

31 E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

Jaculatória

João 14:8-10 

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. 

Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

Após ouvir essa homilia da Bíblia em uma missa fui para casa e antes de dormir, já na escuridão do quarto, refleti sobre as palavras que ouvi naquela noite, principalmente porque ficou ressoando em meu pensamento um dos trechos da fala de Jesus ao responder a Felipe dizendo:  

– Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? 

Depois disso, passei a iniciar minhas orações diárias a Deus através de uma frase semelhante, que faz com que eu sinta a presença Dele em mim.

“Jesus está em mim e eu estou com jesus”

Desde então, essa jaculatória passou a fazer parte de minhas orações diárias.

A imortalidade implícita

Uma das formas de alcançar a imortalidade está implícita no ato de escrever. Para tanto, basta estar focado em dar valor intelectual, educacional e histórico ao que se propõe produzir. Essas exigências naturais levam a considerar que uma eventual imortalidade acadêmica também deveria estar baseada na opinião dos leitores e não apenas na de eleitores de voto restrito (não subjetivo) de imortais vivos, posto que, embora aplicada desde o início e, portanto, consagrada, na atual conjuntura pode pressupor certo tipo de ativismo.

É o que o mato-grossense Manuel de Barros – Acadêmico Honorário da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – e tantos outros ilustres escritores parecem entender ao não se habilitarem ao honorável título.

A disputa pela honraria deixou de ser apenas e tão somente pelo conjunto da obra, para se tornar uma concorrência que também contempla o poder da influência político-ideológica junto aos membros da elite intelectual dominante na Academia. Os imortalizados de antes e, para ser justo, muitos dos de agora e daqueles que se candidatam foram e são fiéis à liturgia literária em tudo. É quando perdem para concorrentes beneficiados pelo contexto adicional anteriormente citado. Assim, a cada nova abertura de vaga, observa-se uma “situação” como a que recentemente ocorreu na Academia Brasileira de Letras.

Um evento notório, em que a pessoa imortalizada, no caso, Miriam Leitäo, esteve em concurso com outros doze ilustres autores finalistas, entre eles: o ex-ministro da educação, professor Cristovam Buarque, Tom Farias, Ruy da Penha Lôbo, Antônio Hélio da Silva, Rodrigo Cabrera Gonzales, Daniel Henrique Pereira, Angelos D’Arachosia, José Gildo Pereira Borges, Tamara Ribeiro de Oliveira, Martinho Ramalho de Melo, Chislene de Carvalho e Edir Meirelles, todos com enorme cabedal intelectual e/ou acervo literário.

Para não alongar ainda mais o desgastante assunto, cito apenas o acervo literário de Cristovam Buarque: 33 livros publicados sobre economia, história, sociologia e educação.

“Situação”, que pode inibir futuras candidaturas, restringindo a importante instituição a um grupo de imortais que parece aceitar como novo membro somente quem com ele tem afinidade. Se não é assim, essa é a impressão que transmite.

O autor, no caso o postulante, precisa ter muito de si na obra, não deve perder a espontaneidade no que gostaria de mostrar e na forma de dizer o que pensa e, o mais importante, não pode ficar preso a normas tipo stricto sensu.

É importante salientar que o mérito literário reside na originalidade do escritor, fruto inquestionável do cunho emocional, histórico e até ficcional, desenvolvido por sua capacidade de criar, contar contos, narrar casos, historiar o passado e poetizar.

O que confere imortalidade é o conjunto, a originalidade e a qualidade da obra, o que, convenhamos, nela já estão implícitos.

Tudo é suscetível

Passado muito tempo de minha existência, dei conta de que sou fruto do que costumo fazer, assim como são meus pensamentos habituais os responsáveis por meu caráter.

Estas são realidades difíceis de compreender e mais ainda de aceitar.

A vida é assim mesmo, não é?

Não é o ambiente, a companhia, muito menos os eventos a que nos sujeitamos – voluntariamente ou não – que nos moldam.

Tudo é suscetível à nossa avaliação, portanto, de como  reagimos ao que pode nos afetar e não aos fatos em si.

Obrigado, meninos!

Este final de semana foi especial, esplendoroso mesmo. Peguei bêra na pescaria de meu filho Bruno e sua turma.

Um grupo especial de rapazes que vi crescer e, maravilhado, se tornarem homens, hoje casados, pais orgulhosos, pessoas especiais por serem como são, amigos queridos, eternos parceiros.

Conheci a maioria deles desde pequenos, assim como boa parte de seus pais, e é aí que mora a maravilha de tudo isso. A enorme afeição que adquiri por todos, por alguns até mesmo antes de nascerem.

Um ‘tio setentão’ e seus sobrinhos de coração. Foi assim o final de semana, é isso que sinto, felicidade por tê-los todos bem guardados no lugar que em nós é a residência do carinho, onde bate e rebate o que sentimos por quem queremos bem.

Como não é mais possível trazer o que for pescado – mesmo que dentro da medida – dessa vez trouxe comigo não uma ‘cambada de peixe’, mas sim uma de rapazes especiais, de meninos que Deus nos deu. 

Esses, que um dia foram as crianças que levávamos para brincar nos salões, piscinas, quadras e campos dos saudosos clubes sociais que não existem mais; para quem, depois, maiores, íamos torcer quando disputavam campeonatos; aqueles adolescentes que pegavam nossos carros para sair e encontrar os amigos, namorar e outras coisitas impublicáveis, até porque sempre souberam observar seus limites e, por isso mesmo, gozavam de nossa confiança.

Pois é, bons tempos revivi, quando os observei fazer as mesmas brincadeiras que já fiz, os ouvi cantar, e como gostam de cantar esses meninos, tomamos umas e outras e rimos muito, muito mesmo. Nos divertimos pra valer.

Eles trouxeram à minha memória os tempos em que eu e meus amigos, muitos deles seus pais, nos encontrávamos para curtir a vida como fizeram nesse final de semana. Com isso, lembrei dos que vejo com frequência, daqueles que estão longe e dos que já se foram desta vida, mas que sempre estarão presentes em minhas orações.

Que bom, que alegria, que felicidade me proporcionaram. Foi um privilégio!

Valeu Bruno (Nobru), Leonado (Léo), Daniel (Gordão), Alexandre (Nitcho), Baruk (Caruso), Luis Eduardo, Omar (Turco), Erivelto (Cafú), Adriano (Gracie), Antônio Luis (Ninico), Tiago Borba (Dija), Leandro (Leandrinho), Rodrigo, Carlos Eduardo (Cadú) e Thales.

Obrigado, meus eternos meninos!

Tio Marcelo

Catinga, quando prega, não sai.

A expressão do título é um sarcástico provérbio, coisa típica  da nossa gente, quando quer se referir a uma situação na qual, por mais que se negue, a pecha já grudou em quem ultrapassou o limite do bom senso. 

A origem da palavra catinga é tupi-guarani, mas perdeu seu significado vinculado exclusivamente ao cheiro desagradável de plantas e animais para, popularmente, traduzir qualquer coisa ou odor repugnante, independente de sua origem.

E não adianta fazer zanga ou tentar dar uma de desentendido, dizendo não aceitar a balda ou apelar para o corporativismo doentio, coisa típica de indivíduos que ocupam cargos  públicos, políticos e tantas outras funções onde qualquer  folha de papel serve de palco para exarar suas idiossincrasias. 

Ultimamente isso tem acontecido com frequência, principalmente vindo de pessoas que deveriam saber que o rigor da lei não distingue ninguém, tampouco ignora ou desconsidera cargo, função ou autoridade.

Assim como as atitudes segregacionistas, sejam elas raciais, sociais ou de gênero, as comportamentais precisam ser combatidas de dentro para fora e de cima para baixo, principalmente devido seu caráter exemplar ou seja, a ‘autoridade’ deveria ser a primeira a se submeter à lei e não a última, muito menos não aceitar sua significância. 

Em outra palavras, questionar a aplicação da lei ou pretender ser inatingível a título de superioridade intrínseca alegando uma espécie de imunidade adquirida quando instado, além de ser deplorável é ridículo, principalmente se vier de membro da justiça.

O Limite do Quadrado de Cada Um

Parece que o limite de cada um deixou de ser regra e passou a ser exceção.

Prova disto é termos um legislativo que cede os seus, um governo que não os tem e um judiciário que não os respeita.

Uma vez assim entendido o assunto, é muito provável que o mesmo aconteça nas instâncias inferiores dos três poderes da República, replicando as já frequentes interpretações financeiras, políticas e técnicas, nesta ordem de prioridade, por eleitos e nomeados – togados ou não – e, quem sabe, até concursados, para fazer o contrário do que deveriam.

Falar em toga me faz lembrar uma frase de Musônio Rufo, um estoico, para quem a filosofia não consiste em exibição externa, mas em prestar atenção ao que é necessário e estar consciente disso.

A interpretação mais adequada de suas palavras consiste em que não é a vestimenta que faz o monge, nem a toga o juiz, muito menos um facelift, tão em moda no meio político, entre influencers, artistas e socialites, faz a real beleza.

Uma pessoa digna não é identificada pelo que possui, aparenta ter ou pensa ser.

Só existe uma maneira de se fazer reconhecer, e esta é pelo caráter.

Quanto a outras formas de reconhecimento, não se iluda; elas todas são parecidas com a fábula do escorpião com a rã, aquela em que ele pede para ser levado ao outro lado do rio prometendo não aplicar sua picada fatal.

Em nosso caso, a eventual analogia se aplica à causa da morte do modelo da democracia clássica ateniense ou, em outras palavras, à falácia da sociedade globalista, a tal Nova Ordem Mundial, incentivada e financiada pela “elite poderosa” à semelhança da que os atenienses diziam ser o câncer da sociedade e que, por incrível que pareça, permanece sendo o vetor do mal e não sua cura.

Recentemente, vimos algo semelhante acontecer nas decisões tomadas por organizações, foros e conselhos mundiais no enfrentamento da virose que, desconfia-se, possa ter sido produzida em laboratórios custeados por governos e instituições progressistas.

A falta de caráter foi o que nos trouxe ao caos em que nos metemos. O que leva a considerar que escorpiões existem de todos os tipos, tamanhos e formas.

Hoje, as razões de existirem esses artrópodes políticos parecem ser as mesmas, dadas as formas de atuação e modificações paulatinamente introduzidas por eles através das ampliações do pseudo escopo humanitário que buscam implementar a título de evolução, mas que não passam de reformas social-globalistas.

Provas disso são fáceis de perceber; basta olhar para o desregrado acolhimento de pessoas oriundas de países ex-colônias europeias, gente de boa fé mas também de interesses escusos, que acabaram por minar a estabilidade socioeconômica de seus antigos colonizadores, tal qual uma ampulheta sendo revirada, onde o que estava por cima parece estar se colocando no lado de baixo.

O certo não deveria ter sido reduzir os movimentos migratórios através de investimentos consistentes e definitivos em suas regiões de origem desde os tempos em que eram colônias das potências europeias?

Não seria essa a ação que evitaria a reação e as consequências para quem voltou a perder a razão ao se expor abertamente a uma droga cuja dosagem está se tornando veneno?

O que fazem instituições como a ONU, com seus 193 países membros; BRICS, composto por 5 membros fundadores e outros tantos agregados; o MERCOSUL, com 4 países-membros e 5 países membros-associados; a UE (União Europeia), que conta com 27 países membros, a dona da casa, por assim dizer; o WEF (Fórum Econômico Mundial), cujos 22 conselheiros nada propõem de concreto para solução das desigualdades que trouxeram a esta situação; e a OMS (Organização Mundial da Saúde), com 194 estados-membros, para quem a saúde parece não passar pelas desigualdades, vez que só busca remediar o que deveria ser evitado?

Que dizer então das outras tantas organizações, tais como: ONGs, OSCIPs, etc., que existem no mundo? Para que foram criadas e por que ainda não há solução de continuidade na miséria do mundo?

Isso tudo sem falar das organizações, alianças e tratados militares, que congregam países com objetivos comuns de defesa e, porque não, ocupação de espaço.

Não será porque querem mesmo é invadir o quadrado do outro quando dizem o contrário?

Quando menos é mais

Às vezes, quando saímos com os amigos – os antigos, aqueles que cultivamos com paciência, cuidamos com carinho e até ousamos contrariar na certeza de que a confiança mútua existirá para sempre na etérea existência de nossas vidas –, nos posicionamos exacerbadamente sem perceber que nessas situações, menos vale mais.

Depois que isso acontece, ou seja, após aqueles momentos em que falamos mais do que deveríamos ao opinar mesmo sem ser perguntados, é que nos arrependemos por não ter ouvido mais e falado menos.

Então, ao pensar em tudo o que dissemos ou deixamos de dizer, percebemos que nos precipitamos e até avançamos o sinal quando não deveríamos, tudo por uma espécie particular de amor: o fraterno, aquele que sentimos pelos verdadeiros amigos, os irmãos de coração.

Mas ser amigo não é isso? Não é se fazer presente mesmo à distância, saber ouvir em silêncio, sentir, sorrir e chorar junto, abraçar e até carregar, ser, enfim, solidário?

A amizade é um poço sempre cheio de receptividade, na intenção de que nele se encontrem formas de aplacar a sede da esperança.

É como o oásis que buscamos no deserto da solidão, lugar onde sabemos existem formas de acabar com a sede de justiça, de compreensão, carinho e uma sombra acolhedora, abrigo garantido contra a rudeza dos momentos difíceis de suportar sozinho.

Às vezes, uma silenciosa mão estendida é a confirmação de que menos é mais, como este curto texto.

A saudade na tricotomia humana

Existe um tipo de saudade que pousa no coração e de lá fica a emocionar a gente com aquele olhar comprido, falando de lugares, pessoas e épocas da vida que jamais serão esquecidas.

Age como um espelho que reflete feições conhecidas, paisagens inesquecíveis, tempos idos e momentos vividos. É quando sentimos exalar no ar um perfume etéreo que só a tricotomia divina – a do espírito, da alma e do corpo – reconhece.

Ao considerarmos, em teoria, que o ser humano é composto dessas três partes: espírito, corpo e alma, e que cada uma delas tem características e funções próprias, inseparáveis e interconectadas, cremos que somos uma triunidade à semelhança da Trindade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, como Ele nos criou.

Assim sendo, nossa parte material, o corpo físico (mortal), é a que nos põe em contato com o exterior através dos sentidos; a alma é a parte que recebe as impressões do mundo externo por meio dos sentidos corporais: visão, audição, olfato, tato e paladar e, portanto, morada das emoções, desejos e sentimentos; o Espírito, sede da razão, moral, intelecto, vontade, pensamento e consciência, é a parte responsável por nossa identificação como criatura divina ao transferir a energia dada pelo sopro de Deus, para que nosso corpo físico receba a alma.

Essa interconexão das três partes faz com que a saudade ajude na compreensão da existência como instrumento de Deus e nos mantenha conectados com a realidade.

Fazemos por merecer

A crença em Deus, na família, na moral, nos bons costumes e, principalmente, na honestidade, herdei dos meus dois principais mentores: meu pai e meu sogro.

Do berço materno vieram exemplos de amor e respeito, legados por quem me deixou referências positivas sobre tudo, a começar por como proceder com juizo, lutar por justiça e valorizar a família.

Da escola e da vida vieram a importância de aprimorar o conhecimento através do estudo permanente, a devida atenção aos fatos, o discernimento para distinguir o certo do errado, a tolerância à ignorância de quem não deu atenção aos ensinamentos ou não teve oportunidade nem vontade suficiente para buscar sozinho seu aperfeiçoamento, resiliência para superar problemas e sabedoria para me adaptar às mudanças que nos são impostas.

Tudo isso tem a ver com preservar, valorizar e difundir o que recebi de herança, seja ela intelectual, de crença, material ou tecnológica daqueles que me antecederam. Engana-se quem considera liberalismo sinônimo de progresso, é assim que peleja quem desconsidera o passado.

É da postura respeitosa em relação ao que nos foi dado pelos que ficaram para trás no tempo que resulta o que temos agora e o que deixaremos para depois de nós. Foram essas premissas que trouxeram a humanidade até a última milionésima parte do segundo de tempo atrás, exatamente antes deste momento em que você está lendo este texto, onde ouso falar de um assunto universal que relativiza todas as coisas criadas por Deus, principalmente a percepção do ontem, do hoje e do amanhã, analogia que uso para mostrar a dimensão do entendimento comum do intervalo da vida.

Vida é a propriedade individual que caracteriza a existência de cada organismo desde seu nascimento até sua morte. Então, por isso mesmo, é possível afirmar que para todos, sejam animais ou vegetais, existe um passado, um presente e um futuro.

Como seria o presente do nosso desconhecido futuro se não pudéssemos contar com os conhecimentos adquiridos e as habilidades concomitantemente desenvolvidas pelos humanos ao longo do tempo? Boa pergunta, não é mesmo?

Estivessem vivos, meus mentores estariam dizendo: “Nada do que temos hoje é mais ou menos do que fazemos por merecer”.

A praga do piolho

Esta é curta…

É costume dizer que pegar piolho na escola, em boné ou pente emprestado é a causa da doença, mas não é nem nunca foi. 

Desde antes, como agora,  havia entendimento de que o infortúnio dessa praga só pode ser resolvido eliminando a origem. No entanto, não há como detectá-la antes que se instale. 

Como evitar que o hospedeiro traga o parasita ao ambiente? A resposta é simples e direta:

– Ao que não se consegue prever, não há como impedir, portanto…

Assim, lamentavelmente, essa situação só será resolvida quando conseguirmos evitar  que se instale, até afastá-la por completo.

Para um bom entendedor, meio piolho basta. A analogia fica por conta de quem lê.