Livro sobre o Coronel Octayde Jorge da Silva

A jornada de pesquisa sobre o Tenente-Coronel Octayde Jorge da Silva revelou-se não apenas uma difícil busca por informações, mas o verdadeiro redescobrimento de uma época marcada por transformações e desafios. As entrevistas realizadas com ex-alunos, colegas, professores e amigos foram fundamentais para traçar o amplo retrato do impacto que o Coronel teve na vida de tantas pessoas, pena que as buscas nas instituições às quais dedicou sua vida não tenham sido tão profíquas quanto esperávamos.

Mesmo assim, as memórias compartilhadas trouxeram à tona relatos emocionantes, que evidenciam a dedicação do Coronel Octayde à educação e seu papel como mentor exemplar. Muitos ex-alunos relembraram não apenas o conhecimento técnico que adquiriram, mas também as lições de vida que levaram consigo, reforçando valores fundamentais como a disciplina, o respeito e a perseverança.

Além disso, ao mergulharmos nas histórias pessoais e coletivas, conseguimos captar o espírito de uma época vibrante e cheia de nuances. Os anos 70 e 80 foram um período de efervescência cultural e política, onde ele se destacou como um agente de mudança, moldando não apenas cidadãos mais bem preparados, mas seres humanos engajados e conscientes de seu papel na sociedade.

O livro, portanto, se propõe a ser mais do que uma biografia; é uma ode à educação e ao legado duradouro de um homem que, através de sua paixão pela instrução, deixou uma marca indelével na comunidade cuiabana. Através de suas páginas, os leitores poderão não apenas conhecer a história do Coronel, mas também refletir sobre a importância da educação como instrumento de transformação social e pessoal. A pesquisa, que começou com uma simples intenção, convergiu para um projeto que celebra a memória, a cultura e a esperança de um futuro melhor.

O trabalho foi se transformando ao longo do tempo, e a ideia de incluir depoimentos no livro se revelou uma decisão acertada. Os relatos não apenas enriquecem a narrativa, mas também revelam a profundidade das relações que as pessoas tinham com esse homem, que continua a tocar nossos corações quando mencionado. As emoções expressas nos depoimentos trazem uma dimensão pessoal e íntima à história, permitindo que os leitores se conectem de maneira mais intensa com a figura central da obra.

Além disso, a pesquisa nos levou a descobrir uma variedade de documentos que ele produziu, tais como: palestras, aulas, artigos, crônicas e declarações. Essas peças informativas, somadas aos testemunhos de terceiros, criaram um panorama abrangente sobre sua vida e legado. Os leitores terão a oportunidade de perceber como a combinação desses depoimentos e documentos não apenas complementa, mas também ilumina aspectos fundamentais da trajetória do Coronel.

O resultado é um conjunto inesquecível de relatos e informações que não apenas merecem ser preservados, mas também compartilhados. Ao disponibilizá-los, estamos honrando a memória e oferecendo ao público uma visão rica e multifacetada de sua vida e impacto. A relevância dessa coletânea é indiscutível, e é com grande satisfação que a apresento, certo de que ela tocará e inspirará muitos.

A quantidade de fotos anexadas pode, à primeira vista, parecer excessiva, mas a família considera ser essencial mostrar não apenas os alunos e a escola, como também destacar os eventos que marcaram a trajetória do Coronel Octayde e da própria ETF-MT naquele período. Essas imagens são uma forma de fazer com que todos se sintam parte das histórias que moldaram essa instituição e a vida de tantos alunos, professores e funcionários.

O livro também representa um resgate histórico. Com 34 anos desde o falecimento do Coronel e 57 anos de um passado riquíssimo, é uma oportunidade única de reviver memórias e laços que foram construídos ao longo de 18 anos em que ele esteve à frente do Departamento de Ensino da instituição. Seu lançamento será uma oportunidade para reunirmos pessoas que compartilharam aquelas experiências, relembrar os momentos vivenciados e as amizades construídas.

Portanto, essa homenagem transcende a figura do Coronel; ela é uma celebração do espírito da ETF-MT e de todos que por ela passaram. Através deste livro, buscamos não apenas recordar, mas também reafirmar a importância da educação, da amizade e das memórias que nos unem. Que este registro se torne um legado, um tributo ao passado e uma inspiração para o futuro.

O livro está pronto, editado e sendo impresso para publicação. Assim, no dia 24 de abril próximo, a partir das 18h30min, no Salão de Eventos do CDL – Clube de Diretores Logistas de Cuiabá, na Avenida Getúlio Vargas, esquina com a Rua Marechal Deodoro, será feito seu lançamento, para o qual contamos com a presença de familiares, alunos, professores, amigos e admiradores.

IMPORTANTE: O acesso ao estacionamento para veículos será feito pelo portão localizado logo atrás, na Rua Candido Mariano.

Com a cara e a coragem

Toda inclusão causa efeito e, com isso, consequência, para o bem ou para o mal. Esta é a principal razão pela qual a competência deve estabelecer a norma, a razão, e não apenas consideração. Exemplos disso se encontram em todas as atividades humanas, assim como naquelas referentes ao reino animal, onde, de maneira ainda mais determinante, quem não tem competência – no caso, força – não sobrevive, tampouco se estabelece.

Nos esportes, em um bom exemplo, a competência é adquirida com muito treino. O talento, sendo um ingrediente nato, é uma vantagem real, mas não basta; ele precisa ser complementado, lapidado seria uma melhor explicação, com muito treino e, por que não, investimento. De outra forma, haverá considerável chance de esse dom natural ser mal aproveitado, quando não perdido.

Seguindo nos exemplos, cabe tratar daquele onde deveria haver a busca pela excelência na formação do aluno, de modo a que lhe seja proporcionada a condição necessária para buscar qualidade de vida. Pois bem, é lá, exatamente onde deveria haver cobrança nesse sentido, que vemos famílias desorientadas a exigir que seus filhos passem de ano, como se estar na escola para aprender fosse um compromisso informal, do tipo basta a presença física (muitas vezes nem isso), já que a nota de desempenho por conhecimento passou a ser substituída por percentual de aproveitamento, não mais pela média nas notas de aprovação nas disciplinas ministradas. O importante é passar o aluno de ano, senão ele poderá ficar abalado, frustrado, até revoltado, com a inconcebível reprovação. Inverte-se, assim, causa e efeito, afinal a causa é o não aprendizado e o efeito a ignorância, no sentido de má formação intelectual.

Os países que, como o nosso, ainda estavam no rol dos subdesenvolvidos nas décadas que se seguiram após a Segunda Guerra Mundial, passaram por processos inversos ao que nos foi apresentado como metodologia de ensino, por isso conseguiram evoluir e fazer parte do grupo entendido como de países desenvolvidos. Já nosso pífio resultado, bem, este não merece receber qualquer aprofundamento, porque seria desconfortável para os que enaltecem Paulo Freire e implementaram sua metodologia nas décadas que se seguiram desde sua adoção até hoje.

Graças a ela, nossa participação nos rankings sobre qualidade de conhecimento na educação, desenvolvimento intelectual e cognitivo são alarmantes em todos os sentidos. Isto se referindo ao ensino de base, aquele que deveria preparar os jovens para os cursos superiores, onde o acesso também deveria ser rigorosamente medido pelo grau de conhecimento e pela capacidade de compreensão do estudante em relação ao seu próprio desenvolvimento e, por consequência, ao de sua família, sua comunidade e seu país.

Onde refletem os efeitos danosos dessa situação? No acesso ao mercado de trabalho, nas oportunidades de galgar posições salariais compensatórias, no preparo adequado ao empreendedorismo tão em voga nos dias atuais e em outras tantas oportunidades que, queiramos ou não, vão exigir conhecimento, competência e desempenho.

A substituição dessas qualificações por métodos não ortodoxos de evolução das pessoas tem limite, e esse limite começa a ser considerado exatamente na hora em que o jovem chega à rua, na estrada da vida ou, como dizem os mais antigos, somente com a cara e a coragem, sem ter outra coisa a oferecer senão a si mesmo.

Nada estabelece uma pessoa, senão ela mesma. Ser beneficiado com mecanismos que buscam elevar o patamar sociológico do indivíduo como forma de compensação pode até ser justo sob esse ponto de vista – o social – devido à incompetência do Estado em formar seu cidadão. Neste caso, é compreensível o entendimento inverso por parte do pretenso beneficiado, afinal, para ele, tudo o que vier como o que ele entende ser recompensa é justo e bem-vindo, entretanto a reposição do que entende lhe era devido por direito, somente beneficia o próprio Estado, vez que, através deste subterfúgio, passa a enganosa imagem de benemérito, quando na verdade é o algoz.

Políticas inclusivas geralmente vêm pintadas de cores vibrantes e variadas, eivadas de retórica e nutridas de intenções reparadoras. No entanto, pouco valem se não vierem acompanhadas do necessário reconhecimento por recorrentes e cumulativos erros, inclusive um necessário e intempestivo “mea culpa”, além de mudanças quali-quantitativas em relação aos processos educacionais básicos, regulares e superiores em vigor. De nada adianta o discurso político inclusivo, porque é exatamente dele que os jovens, nossas esperanças de um futuro melhor, recebem o letal veneno da ignorância ministrado em doses homeopáticas, o que, com o passar do tempo, poderá nos levar à ruína.

Movimento conservador

Não escrevo este texto como um questionamento sobre o momento que estamos vivendo. Em vez disso, farei um desabafo. Faço isso porque qualquer pergunta, neste momento, ensejaria a abertura de uma acalorada discussão que, por mais saudável e pertinente que fosse, não atenderia ao meu objetivo, que é o fortalecimento do movimento conservador que renasceu alguns anos antes das eleições de 2018. O movimento mostrou ao mundo que esse sentimento estava apenas adormecido, latente, mas que reviveu, foi ressuscitado naquele ano, continua firme e cada vez mais forte entre nós.

Sim, porque naquela ocasião não tivemos uma eleição, mas uma reação ao que vinha ocorrendo no país, ano após ano, com os governos de esquerda, os tais progressistas, em sua sanha por eternização no poder.

Todos nós sabemos o que aconteceu de lá para cá graças à falta de coesão e ação política da direita remanescente, situação que ficou letárgica por 30 anos, desde a promulgação da Constituição de 1988, a tal constituição cidadã (será ainda?), abafada pela falta de lideranças políticas realmente conservadoras e pela covardia de políticos que, enganosamente, se apresentavam como sendo de direita. O que recebemos deles em troca de nossos votos foram “cachos de banana”. Ao contrário do porquê e para que foram eleitos, vimos somente a busca pela realização de seus interesses pessoais, barganhas sinistras e benefícios escusos. Mas foi ainda pior, porque vimos nossas aspirações serem colocadas de lado, em detrimento das máximas razões que determinam os objetivos conservadores, quais sejam: a família, a moral, os bons costumes, a educação como ferramenta fundamental ao desenvolvimento da cidadania, a segurança como instrumento de proteção e, principalmente, a liberdade de ir e vir, de pensamento, expressão e credo serem desconsideradas.

Peço a todos que, porventura, lerem este texto, que se lembrem do que nos foi ensinado sobre integridade e honestidade; sobre ser brasileiro em essência e conteúdo, posto que a essência é nossa natureza básica e conteúdo é o que preenche nossa determinação em reagir com perseverança contra o mal. Peço que vejam no desconforto estampado em cada rosto que encontramos, no tom das vozes que ouvimos clamar por justiça, no abatimento e no desânimo exposto em cada pronunciamento que se refere à catástrofe que está por vir caso continuemos entregues ao desmando, à sede de vingança e ao globalismo inconsequente, este último um movimento político cuja pretensão é desestabilizar as soberanias nacionais para implantar um dirigismo único no mundo.

Não, minha gente, não há entre nós quem não tenha vivido essa mesma sensação de frustração ao se dar conta de que nosso país, nossa nação, nossa pátria, aos poucos, está deixando de existir vez que submetida ao descaso pela exacerbação progressista do governo assumidamente comunista que aí está, bancado e sustentado por “terceiros poderosos”, e que enche o peito para bradar aos quatro cantos que tomou o poder.

Para terminar, gostaria de propor a continuidade do esforço conjunto levado adiante até agora aos trancos e barrancos, chicanado e censurado, no sentido de manter acesa a chama que reacendeu em 2018, para que as sementes plantadas naquela ocasião permaneçam vivas e que as raízes por elas fincadas continuem a ser nutridas pelo adubo do bom senso e da resiliência de maneira que a árvore da esperança se torne cada vez mais forte e frondosa; que frutifique e produza novas sementes para continuar a multiplicar-se eternamente; e que essas germinem convenientemente protegidas para que reproduzam e deem bons frutos.

Perguntar não ofende

Estamos passando novamente por um daqueles momentos estranhamente conturbados de nossa comunicação. Aquele ciclo vicioso, que não fica difícil de perceber nos meios chamados tradicionais de informação, as inconfundíveis empresas ou conglomerados de comunicação.

Trata-se da típica situação em que aqueles meios não conseguem largar o jargão profissional nem a metodologia ortodoxa embutida através das faculdades e nas redações das instituições, quando tuteladas.

Não percebem ou não querem entender que, ao continuarem assim, estão direcionando seus comentários e análises, em boa parte contaminados por questões ideológicas, para o próprio meio acadêmico especializado de onde se originam, agindo como se em um troca-troca de informações, ignorando que o material de onde tiram o que depois geram também está disponível para outras mídias, as não tradicionais, graças aos avanços tecnológicos.

Elas mesmas, as seletivamente entendidas como inimigas, a ponto de o lado obscuro da geração de notícias apoiar a censura de outras formas de informar, seja para o bem ou para o mal, a título de controlar a disseminação de “notícias falsas” para proteger a democracia.

A palavra “democracia” é originária do grego – demokratia – em latim: democratia, seguindo a etimologia de sua origem. Ela é formada pelas palavras: demos, “POVO”, e kratos, “PODER”, em português: “poder do povo” ou “governo do povo”. De outra forma, sob o controle da informação, ela não existe. É da opinião divergente que se desenvolve o bom debate e o conhecimento. É no bom debate que se toma posição, que se defende conceito e se encontra solução de interesse comum.

Aprendemos, a duras e demoradas penas, que não adianta aumentar o tom do discurso; que o verdadeiro líder não é aquele que grita e vocifera sobre o que fez, faz ou pretende fazer; que saber negociar e fechar acordos é fundamental em uma democracia saudável; que é através da gestão correta, com informações verdadeiras sobre o que acontece nos bastidores da política, seja ela econômica, educacional, de saúde, segurança ou qualquer outra área de atuação pública, sem desvio de qualquer natureza, sem acordo obscuro e, principalmente, sem ideologia, que se governa um país.

Hoje em dia, vários âncoras, analistas e especialistas de redação não buscam confirmar com a necessária persistência os dados que recebem dos ditos bastidores do poder, das empresas e de supremos informantes incógnitos. Ao que parece, baseiam-se suficientemente em imagens e pessoas, geralmente interessadas no rumo que a notícia vai dar aos fatos, por isso buscam exercer influência sobre o que apresentam. Estão ancorando um navio parado em águas profundas, portanto, perigosas, e distantes do porto seguro chamado realidade.

Esqueceram de que, se aproveitadas corretamente (talvez honestamente seja a palavra certa a ser utilizada aqui), toda forma de noticiar é meio de confirmação da veracidade sobre o que é apresentado a ouvintes, leitores e telespectadores. Em análise mais abrangente, as pessoas comuns, essas que a cada dia têm mais e mais formas de checar o que lhes é jogado para dentro de casa, já não são facilmente conduzidas, e censura não é mais cabresto há quarenta anos. Então, por que tentar colocá-lo de novo?

Ao invés de obter na academia o estudo, o preparo e a disposição necessários para trabalhar com informação comprometida com a realidade, parece haver pressa somente em aprender a ser o primeiro a dar a NOTÍCIA URGENTE ou o responsável pelo FURO DE REPORTAGEM que, em última análise, poderá beneficiar quem está no poder e prejudicar quem lhe faz oposição.

Não há como encontrar aquilo que não se procura se, a priori, já há decisão sobre desconsiderar aspectos que não interessam ao que se pretende informar. Assim, se o âncora, o analista e o especialista consultado rejeitam o outro lado do acontecido, como poderão noticiar de forma isenta? Fica a pergunta!

Salve, salve o Clube Dom Bosco, salve o Clube da Colina…

Pois é, lá se vão 100 anos de fundação e muita, mas muita saudade mesmo de sua gloriosa presença nos esportes e na vida social da cidade. Dizem os historiadores que tudo começou por obra do então Presidente do Estado de Mato Grosso, Manuel José Murtinho, em 1883, quando pediu à Diocese de Dom Bosco, dos Padres Salesianos, autorização para, com a ajuda deles, implantar uma escola em Cuiabá.

Esse foi um dos mais importantes eventos para a cuiabania, pois a instituição de ensino passou a dar guarida aos jovens tanto no aspecto religioso quanto educacional. Isso sem falar nas atividades atléticas e esportivas, nas quais os Padres do Colégio Salesiano São Gonçalo sempre foram pródigos. Tanto que seu legado persiste até os dias de hoje e incentivou um grupo de alunos, juntamente com eles, a se empenhar na fundação do Clube Esportivo Dom Bosco, que leva o nome em homenagem ao fundador e patrono da Congregação Salesiana.

Assim, no dia 4 de janeiro de 1925, foi fundado o Clube Esportivo Dom Bosco, tendo as cores azul e branco como estandarte e como mascote um leão. Daí ser chamado até hoje de Clube Esportivo Dom Bosco, o Leão da Colina, nos meios esportivos.

O clube tem sua maravilhosa história marcada por torcedores importantes, muitos deles tendo sido tanto jogadores quanto diretores e até presidentes da instituição desde sua fundação. Entre os sócios em qustão, destacam-se José de Carvalho, Manoel Miraglia, Antônio Bastos, Caraciolo Azevedo de Oliveira, Manoel Vieira da Silva, Lino Miranda, Antônio Gonçalo Souto de Arruda, Joaquim Francisco de Assis, Claudio Barreto, João Bosco Delamônica, May do Couto, Paulo de Campos Borges, João Barbosa Caramuru, Francisco Vilanova Filho, Renato Miguéis Olavarría, Alceu Francisco de Oliveira, Álvaro Scolfaro e, por último, o advogado e Procurador Aposentado do Estado de Mato Grosso, Adbar da Costa Salles.

Fiz este pequeno histórico inicial para trazer ao conhecimento das pessoas que não tiveram a felicidade de fazer parte da época de ouro dombosquina, antes de falar de sua indiscutível importância como local frequentado pela sociedade cuiabana. Era para o Clube Esportivo Dom Bosco que íamos nos divertir em suas agradáveis instalações, como as piscinas, quadras de esporte, áreas de lazer e o inesquecível Salão de Festas. Era lá, no Salão de Festas, que tudo acontecia: shows, bailes das debutantes, almoços e jantares acompanhados de músicas ao vivo, que nós, os mais jovens, chamávamos de “Brincadeiras Dançantes”, tudo acontecendo de maneira sadia, elegante e charmosa.

No entanto, os momentos mais saudosos, pelo menos para mim, foram os carnavais. Suas comemorações começavam muito antes das datas oficiais, com os avanços carnavalescos se estendendo nos finais de semana, tanto para a criançada, geralmente nas tardes dos sábados e nas noites, tanto para jovens e pessoas de mais idade se divertirem. Esses festejos permanecem latentes em nossos corações.

Infelizmente, tudo isso foi aos poucos desaparecendo nos anos 80, quando as instalações começaram a ser fechadas devido a dificuldades administrativas, com as relações financeiras entre a parte social e a gestão do futebol. Ambas eram importantes, e as disputas por investimento levaram à paralisação de ambas as atividades. O nome do Clube ainda permanece, como que ressuscitado por pessoas abnegadas ligadas ao futebol, mas as atividades sociais foram definitivamente encerradas.

Os demais clubes daquela época também enfrentaram dificuldades de gestão, a ponto de se imaginar que nunca tiveram ou deixaram de ter atividades sociais. O interessante é que vários de seus torcedores e sócios frequentavam as instalações do Dom Bosco para se divertir, sem que isso incomodasse os dombosquinos; pelo contrário, sempre foram bem recebidos, já que muitos mixtenses, operarianos e torcedores de outros clubes também eram sócios do Dom Bosco, mesmo não torcendo pelo time de futebol da agremiação.

Falando sobre a sede, ela foi adquirida em 1957, junto ao Professor André Avelino Ribeiro, durante a gestão do Coronel Caraciolo Azevedo de Oliveira. A construção da sede foi um marco importante para a sociedade cuiabana da época.

A edificação continua lá, no topo da colina do Bairro Bandeirantes, mas sob disputas legais, portanto, abandonada. Em 2019, a Prefeitura Municipal de Cuiabá mostrou interesse em recuperá-la, mas não se sabe por que motivo não levou a cabo essa intenção, para a decepção não só dos dombosquinos, mas também de todos os cuiabanos.

Salvem, salvem o Clube Dom Bosco, salvem o Clube da Colina…

Você tem amigos ou contatos valiosos?

Já se fez essa pergunta?

Consegue distinguir o valor de um e do outro?

Percebe a diferença entre o que cada um pode fazer por você, com você e em você?

Então, cabe uma rápida leitura sobre a importância de cada um: o amigo e o contato valioso.

Um “contato valioso” é somente isso. A palavra “contato” traz em si toda a significância ou insignificância que assume como parte do segundo núcleo do objeto direto do questinamento, até porque “valioso” é apenas o adjetivo que o caracteriza. Resta saber se para o bem ou para o mal.

Sintaticamente, a palavra “amigos”, tem a função de primeiro núcleo do objeto direto (amigos ou contatos valiosos) na pergunta do cabeçalho. Já seu significado, assim como dito em relação a “contatos vaidosos”, vai além da definição analítica, pois envolve diversas dimensões nas relações interpessoais. A amizade é essencial para o bem-estar emocional e social dos indivíduos, sendo fundamental na promoção dos laços afetivos que sustentam a convivência humana.

Saber diferenciar os dois é essencial sobre vários aspectos, Principalmente, porque ambos são passíveis de nosso convívio, seja familiar ou profissional. É importante observar a possível dubiedade que um deles, o contato valioso, possa representar. Esclarecendo: dubiedade é um conceito referente à qualidade, ao estado ambíguo, incerto ou indeciso com que nos deparamos nas relações interpessoais, principalmente na esfera política.

Razão disso, estamos vivenciando esse tipo de relação com inegável frequência, principalmente devido ao panorama dúbio e repleto de interesses controversos que acontece nos três poderes da República, cada vez menos harmônicos, independentes e não complementares. Tanto, que seu principal objetivo – evitar que o poder seja centralizado nas mãos de uma só pessoa – deixou de existir, uma vez que subjulgados através de desmandos inconstitucionais impostos por quem deveria apenas e tão só julgar.

O Natal cristão

Antes, quando o Natal era uma festa cristã motivada pelo nascimento de Jesus Cristo, as ruas, residências, lojas, shoppings, hotéis e todos os demais lugares por onde passávamos evocavam Sua humilde, mas importante presença. Agora, a cada ano que passa, vamos esquecendo dessa que era a razão, a origem da comemoração, passando a existir mais a título de promover o comércio do que em sua homenagem. Até mesmo templos religiosos deixaram de dar a merecida ênfase à sua existência nos dias finais do ano.

Hoje o objetivo de aproveitar os momentos entre familiares, amigos e colaboradores tem pouco de religioso. Deus, Jesus, Seu filho dileto, poucas vezes é lembrado e, quando o é, as manifestações de fé reduzem-se a esperanças de um ano melhor para pedir, não para agradecer.

A religiosidade que nos mantinha fiéis aos ensinamentos religiosos, como a fé e a crença em Deus, nosso Pai Criador, que também nos fazia observar e respeitar preceitos relativos à moral, aos bons costumes, ao amor incondicional e ao respeito a tudo e a todos, vai, a cada ano que passa, sendo esquecida, relegada a conceitos conservadores, portanto, contrários aos interesses dos que buscam eliminar os laços familiares, as relações de amizade e o respeito. Alguns dizem que isso é parte do processo de evolução do mundo. Quem é a favor, se tem como progressista… imaginem!

A festa de fim de ano passou a ser um evento puramente comercial; a religiosidade deu lugar ao ato de recompensa, não mais pela fé, amor e carinho, mas por outros interesses. À medida que o tempo passa, o Natal vem se tornando um evento de reciprocidade compensatória, de interesses diversos, até políticos e econômicos. Isso sem falar do financeiro.

A confraternização simbólica do nascimento de Nosso Senhor — razão da existência da família como célula mater — e da amizade sincera não existe mais. Esses preceitos não são mais ensinados nas escolas, pouco são lembrados por parentes e nas instituições, sejam elas particulares ou públicas, então, nem é preciso comentar.

As decorações não mostram os sinais de Deus nas ruas e avenidas, nas casas, nos prédios nem em praças. O que se vê, quando olhamos ao redor, são luzes piscando, árvores enfeitadas, bonecos de neve, Papai Noel e presentes.

Se já era difícil encontrar quem soubesse a origem da festa natalina, agora tornou-se impossível achar alguém que saiba da existência de São Nicolau, também incorporado por razões religiosas aos festejos natalinos. Para quase todos, o bom velhinho é um personagem fictício que apenas entrega presentes. Quanto ao dia 25 de dezembro, bem, para muitos, é apenas o dia em que a festa acontece.

Origem: O Natal era uma festa pagã realizada pelos romanos no dia 25 de dezembro, por causa do solstício de inverno, celebrado na região onde hoje é a Europa. Ela foi cristianizada e se tornou simbólica para que celebremos a encarnação de Jesus. Assim, o Natal, já direcionado ao cristianismo, passou a integrar o calendário no dia 25 de dezembro por volta do ano 350.

Meu Tempo

O tempo voa . . . 
Fui chama ardente
Agora, fumaça ao vento
Que aos poucos atenua
E mesmo brisa abrasa, aviva
É preciso voejar
Aproveitar a aura finda
Que por mais suave seja
Ainda leva adiante
Carrega irresoluta
Até apagar-se-me em cinzas
Então, voltarei a flutuar
Ao sabor do vento
. . . no tempo

O dom do discurso

Não possuo o dom do discurso, e talvez nem mesmo a aptidão para a palavra escrita seja uma qualidade minha. No entanto, de uma coisa tenho certeza: descobri a tempo a importância de transformar pensamentos em palavras escritas.

Da mesma forma, percebo que a manifestação pública da opinião oral é algo para o qual não me preparei o suficiente, provavelmente devido à falta de atenção nas aulas de língua portuguesa e redação durante os diversos estágios do meu ensino. Que dizer, então, da inexistência da oratória como matéria curricular.

Essa habilidade não era oferecida no ensino da época em que o estudante era avaliado pelo que havia aprendido, e não pela forma relativa como aparenta saber hoje em dia. O certo é que não percebi nem reagi a tempo. Assim como aconteceu comigo, o mesmo deve ter ocorrido com outras pessoas da minha geração, pois, de outra forma, eu e elas teríamos contribuído de forma mais produtiva na construção dos ambientes que frequentávamos: fosse familiar, social ou de trabalho.

De outra forma, certamente teríamos exposto nosso ponto de vista de maneira mais produtiva, e teríamos usado nossa competência em participação mais eficaz na construção do edifício da vida. Houve um tempo, como hoje volta a acontecer, aquele ao qual me referi acima, em que a pessoa se destacava na área em questão devido à sua competência natural, o tal talento, e ao incentivo de parentes e orientadores, estes encontrados na escola, curso de história e especialização sobre literatura.

No entanto, essa consciência não deve nos levar a lamentar o passado, mas sim a agir no presente e no futuro. Nunca é tarde para aprender a se expressar melhor, seja por meio da palavra falada ou escrita. Existem inúmeras ferramentas e recursos disponíveis para aprimorar nossa habilidade de comunicação. Podemos começar por praticar a escuta ativa, buscando compreender genuinamente o ponto de vista do outro antes de expressar o nosso. Podemos também nos dedicar à leitura, ao estudo e à prática da escrita, para organizar nosso pensamento de forma mais clara e coerente.

Essa dificuldade em comunicar o que pensamos e sentimos também afeta a relação interpessoal. Quantas vezes deixamos de expressar nosso sentimento por medo da reação do outro? Quanta ideia brilhante foi silenciada por falta de coragem para compartilhá-la? E quantas vezes deixamos de nos posicionar em situação injusta, por não saber como fazer isso de maneira adequada? A falta de uma comunicação eficaz impede a construção de relações mais autênticas e de participar ativamente da sociedade em que vivemos.

Além disso, podemos buscar oportunidade para praticar a oratória, seja em um pequeno grupo, em reunião de trabalho ou em apresentação pública. Cada experiência, por menor que seja, ajuda a ganhar confiança e a desenvolver nossa capacidade de comunicação de forma eficaz. E o mais importante, poder compartilhar essa jornada com outras pessoas, buscando juntos o aprendizado e o crescimento. Afinal, uma sociedade que valoriza a comunicação é uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais próspera para todos.

“O estoicismo nos ensina a incentivar que os interlocutores falem mais sobre o que dominam para que se sintam à vontade e motivados a compartilhar detalhes importantes de sua experiência, expandindo assim o conhecimento para o crescimento de todos”.

Boneca Tereza

Tempos atrás, quando eu ainda era criança, imaginem só, hoje completo 71 anos, Boneca Teresa era como diziam as pessoas mais velhas ao ouvirem algo que já era de seu conhecimento.

Não sei qual a origem do termo; apenas suponho que esteja relacionado ao que ele mesmo sugere: uma boneca, talvez se referindo à dona do nome, a tal Tereza, alguém que tivesse a língua comprida na época do Amigo da Onça (*), lá pelas bandas de onde Judas perdeu as botas (**).

Pois bem, esta era a forma como meu sogro, o Cel. Octayde, com refinado sarcasmo, se referia a um assunto que lhe trouxessem e que já era de seu conhecimento devido às fofocas dos corredores da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, ou seja, um desatino qualquer mais recente, e mesmo por nós, da família, quando, assim, propositalmente, provocávamos sua famosa verve. Raras vezes era possível vê-lo sorrir; esta era uma delas, mesmo que apenas por um dos cantos da boca, ao sapecar seu ressoante… Boneca Tereza.

Da mesma forma, se algo era ainda mais antigo, anterior mesmo, de alguns anos passados, a ironia vinha através de um desconcertante: “Kennedy morreu, você não sabia?” Desta feita, referindo-se ao assassinato do presidente dos Estados Unidos, evento ocorrido em 1963, transmitindo assim ao interlocutor a mensagem de que a informação já era mais do que conhecida, velha mesmo.

Esses momentos, poucos conhecidos de sua personalidade, aconteciam em ambiente familiar ou, quando muito, na presença de amigos e, talvez, no ambiente de trabalho em uma ou outra ocasião de descontração.

Certo é que frequentemente acontecia aos finais de semana, quando os dias ficavam mais longos, geralmente após o almoço, já no torpor das acaloradas tardes e sob a varanda rodeada de mangueiras, quando a família se reunia para prosear descontraidamente. Naquelas ocasiões, era costume haver zombarias sobre os fatos ocorridos durante a semana finda, quando, então, ele externalizava o que tinha de pitoresco.

Hoje mesmo, a fofoca continua correndo solta como dantes, principalmente no que se refere à política nacional. A cada dia que passa — e olha que são dias pra dedéu, tanto que viraram semanas, meses e anos, ou seja, há bastante tempo —, período para ninguém botar defeito, estão prendendo o ex e último presidente da República.

O circo que está sendo montado para justificar a injustiça é tão ridículo, bisonho mesmo, que a trama sinistra, uma peça teatral ou ópera-bufa, tanto faz, já virou até chacota na imprensa mundial.

Parafraseando o inesquecível coronel: “Avisem a Boneca Tereza que Kennedy morreu!”

(*) Quem criou a expressão “Amigo da Onça” foi o cartunista Péricles Maranhão, na década de 40, para caracterizar um personagem malandro e irônico, inspirado em uma história folclórica sobre dois caçadores que se defrontaram com uma onça. Ao escaparem da fera, um deles disse ao parceiro que ele não deveria ter conseguido fugir, ao que o outro responde: “Epa, … você é meu amigo ou da onça?”

(**) Diz a lenda que Judas Iscariotes, após receber as trinta moedas de prata ganhas pela traição a Jesus e antes de se suicidar descalço, teria colocado as mesmas em suas botas e escondido tudo em um local ermo, mas tão ermo que nunca foi encontrado.

A que ponto chegamos 

O nós não existe mais. Vivemos em um mundo onde outro pronome está presente no lugar daquele que assumia a função de um dos sujeitos coletivos das orações – antigamente conhecido como a 1ª pessoa do plural – o acima desconsiderado “nós”.

O poder, ao invés de ser buscado para servir a todos, voltou a ser usado para impor, impedir ou, em última instância, aniquilar quem com ele não concorda numa sequência de passos para atrás rumo à inquisição do século XIII, ela mesma, aquela usada pela Igreja Católica para combater a crença em doutrinas consideradas contrárias à fé cristã, só que às avessas.

Assim, ou você passa a ser parte do nós (deles) e ser chamado de nosso, no mais degradante sentido que esta palavra tenha, ou é entendido como sendo contra (eles), no mais deplorável sentido que isso possa ter, em todas as situações nas quais o entendimento de posse da consciência exista.

 Essa é a forma como aqueles que não querem mais a prevalência do “nós amplo e irrestrito”, tanto que passaram a promover conflitos permanentes, de maneira a tornar as partes antagônicas inimigas de morte, o famigerado NÓS CONTRA ELES.

Vivemos um momento em que os poderosos buscam transformar o tudo posso naquele que me fortalece, segundo o apóstolo Paulo (Filipenses 4:13-1), em nada posso naquilo que o supremo permite.

Em politica, todos os pronomes pessoais deveriam ser unificados em apenas um, o “nós”, de forma a que tudo seja feito para todos, sem distinção. No entanto, não é isso que acontece, porque as forças que poderiam controlar abusos foram sendo cooptadas uma a uma e, ao que tudo indica, nada farão.

O “nós” está passando e logo será passado, o “eles” também, entretanto, os estragos que estão sendo feitos agora, se não contidos, recairão sobre os que serão o futuro. Olhando assim, até parece não existirem filhos e netos. 

O Princípio do Fim

Volta e meia, recebemos mensagens solicitando orações e suas replicações para que Deus, através de seu Filho Jesus Cristo, Nossa Senhora e outros Santos e Santas, intercedam por pessoas e situações que envolvem recuperação de saúde, cura milagrosa e também para evitar acontecimentos catastróficos, entre outras situações que fogem da capacidade de intervenção humana.

Devemos considerar válidas todas essas interações, no entanto, a fé, necessariamente, precisa ser crença, convicção e virtude de quem desesperadamente precisa da piedosa intervenção divina, muito mais do que da corroborada súplica de outras pessoas. Essa súplica, no momento do desespero, se torna uma corrente de pensamentos solidários, o suporte para quem precisa lutar e vencer, nada mais que isso. Mas tudo dependerá da interação dessa pessoa com Deus.

A bênção da cura e do desarmamento dos espíritos beligerantes que habitam indivíduos, seitas, ideologias e até mesmo religiões é algo que não depende de nós, mas Dele. Sim, porque um dia todas essas entidades já tentaram, conseguiram ou estão buscando derrotar seus inimigos pelas armas.

Então, a pergunta que estão propondo agora é sobre quem será nosso melhor interlocutor para questões como doenças incuráveis e outras situações mais abrangentes, como aquelas que envolvem a sobrevivência de todos. Nós, em nossa fé, em nossas esperanças e em nossas súplicas a Deus, a quem recorremos em busca de sua piedosa bondade, ou aquela que a cada dia se torna uma poderosa ferramenta a oferecer solução para nossos problemas, o ente supremo criado artificialmente para ser o condutor da vida sobre a Terra, no infinito e além — parafraseando o astronauta Buzz Lightyear, personagem de desenho animado — fruto da crescente interação, melhor dizendo, da exploração gratuita de tudo o que imaginamos e informamos em nossas redes sociais, trabalhos escolares, estudos universitários, mestrados, doutorados e tudo mais que produzimos, queiramos ou não, colocar a público.

Tudo, mas tudo mesmo, é imediatamente recolhido na memória da nova e, até agora, inquestionável condutora do futuro da humanidade: a poderosa, insuperável e, convenhamos, desumana Inteligência Artificial.

Estamos perdidos! Sendo robotizados até naquilo que mais importa: o raciocínio humano e, com ele, a fé religiosa. Alguns dizem que não há o que fazer, que temos que aceitar e seguir em frente. Sinceramente, seguir em frente dessa maneira é como ser um cachorrinho. Desculpem, vou corrigir: um pet (hoje em dia, até nisso é preciso agir de forma politicamente correta ou o algoritmo da IA vai te entregar) sendo guiado por uma coleira comportamental invisível.

Então, ao invés de exercitar nosso cérebro, como sugerido em meu último artigo (Não Pare https://marceloportocarrero.wordpress.com/2024/10/28/nao-pare/), vamos nos enterrar no ostracismo intelectual e deixar um programa de inteligência artificial pensar por nós, perguntar e responder por nós e, porque não, até sonhar por nós, como agora tenta nos impor Mark Zuckerberg, um dos instrumentos da Nova Ordem Mundial, através de outro dos seus métodos de colonização cerebral, o WhatsApp. Será esse o princípio do fim da humanidade na Terra?

Acho até que alguém já expressou esse vaticínio.

[…] É o fim da aventura humana na Terra
Meu planeta, adeus […]
Verso escrito por Saulo Fernandes na música Minha pequena Eva (Banda Eva)

Não Pare

Há pessoas que, ao se aposentar, entendem que o ócio é um prêmio do qual devem apenas desfrutar como uma recompensa merecida pelos prazeres que deixaram de usufruir durante a fase mais produtiva de suas vidas. O sociólogo Domenico De Masi, em seu livro “O Ócio Criativo” e em outros sobre o mesmo tema, analisa questões referentes à sociedade pós-industrial, à globalização, ao pouco uso da mão de obra tradicional e ao desemprego devido ao desenvolvimento tecnológico, além do surgimento de novas ideologias. Ele propõe, então, um novo modelo social que deve levar em consideração a necessária complementariedade entre o trabalho, o estudo e o lazer, considerando, principalmente, a crescente disponibilidade de tempo devido ao avanço das exigências sociais, cada vez mais determinantes nas reduções das jornadas de trabalho.

Resumindo, De Masi considera que os indivíduos e a sociedade devem passar por transformações que privilegiem a satisfação de necessidades específicas, como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e o entretenimento. Entretanto, os avanços propostos por ele, muitos já colocados em prática, se aplicam a indivíduos que estejam ativos, o que não se dá em relação àqueles que se aposentam. Essas pessoas, em grande parte, procuram se afastar de compromissos, horários e responsabilidades. De certa forma, diferentemente do que o sociólogo sugere, entendem o ócio como um direito adquirido, do qual querem desfrutar incondicionalmente.

Daí a diferença percebida em algumas reações à aposentadoria, que, ao invés de “ir devagar”, sugerem somente “vagar”, repousar em um sentido mais amplo, exceto no que se refere à família, ao lazer e às amizades.

Tanto para quem trabalha como para quem se aposenta, exercitar o cérebro é como estar permanentemente criando ligações entre os neurônios, atividade semelhante a fazer exercícios físicos para manter os músculos fortalecidos e, assim, sustentar os órgãos e a estrutura óssea. No caso do cérebro, os exercícios devem ser feitos para sustentar o raciocínio, a memória e outras práticas relacionadas à lucidez, capacidades que vão sendo reduzidas naturalmente com o avançar da idade.

No cérebro, não criamos músculos; promovemos ligações e ocupamos os espaços vazios que a falta de atividade pode criar devido à redução da dinâmica intelectual. Um exemplo: não basta ler; ler mantém a atividade, é preciso escrever. Escrever ativa a criatividade e, com isso, cria novas ligações, ocupando espaço.

Portanto, vamos desenvolver novas atividades, sejam elas físicas ou mentais, de maneira a tornar o ócio não a razão para a inação, mas um princípio que nos leve a ocupar de forma produtiva o tempo que nos resta de vida, em permanente busca por saúde, interação e convivência.