Por que implantar agora o sistema de cobrança de estacionamento rotativo, o tal Digipare?
Creio que a pergunta vem a calhar, principalmente devido estamos em vias de iniciar a época em que é costume ir às compras para as festas de Natal e Fim de Ano na região central de Cuiabá. Afinal é o que nos resta a comemorar, não é mesmo?
Bem, vamos diretamente ao que importa considerando que ainda há tempo para a revisão e adiamento dessa inapropriada iniciativa sem que as mínimas condições para isso estejam disponíveis. Digo isso em relação às pessoas que serão atingidas impiedosamente pelo custo de ir a um lugar sem ter onde estacionar seu veículo, a não ser que pague por mais esse custo municipal adicional.
Essa seria uma excelente inciativa para melhorar o trânsito no centro da cidade e bairros periféricos desde que já estivesse funcionando a tão esperada solução metropolitana para os deslocamentos dos usuários via transporte coletivos urbano de superfície, o BRT (Bus Rapid Transit) ou, em bom português, OTR (Ônibus de Transporte Rápido). Infraestrutura cujas obras ainda estão lá pelas bandas de Várzea Grande, portanto, a enorme distância e com um longo tempo de espera para chegar ao centro de Cuiabá e daí por diante.
Isso, sem falar que para se tornar operacional será preciso também estarem funcionando perfeitamente as linhas alimentadoras (ônibus regulares), que trarão dos bairros os usuários/passageiros que farão uso do OTR (BRT ), tanto em Cuiabá como em Várzea Grande, tudo isso servido por estações de embarque e desembarque prontas, tanto nas linhas alimentadoras quanto em todo o percurso de seu eixo principal.
E tem mais, para que seja condizente com a demanda de usuários, necessário se faz haver um eficaz sistema de gerenciamento das linhas alimentadoras e do eixo principal que interligará as duas principais cidades da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. Se não, continuaremos a ter trânsito congestionado e superlotações nos ônibus durante os horários de pico.
Ao observarmos os dois sistemas, OTR e Digipare, a lógica nos leva a perceber que são complementares. Um, porque transportara seus usuários a um custo e velocidade consideravelmente mais em conta, o que ensejará reduzir os deslocamentos através de automóveis. O outro, porque em função do menor número de veículos em circulação devido ao OTR, será uma alternativa para as situações em que aquele recurso se mostre inviável, ou seja, os dois sistemas são sim complementares e fica claro, que isoladamente não serão eficazes o suficiente.
Não estando o OTR (BRT) pronto para garantir aos habitantes das duas cidades e pessoas que para elas se dirijam a um custo condizente e em menor tempo, sugiro que adiem o inicio do Digipare devido ao risco de sua implementação prejudicar de forma direta e contundente a sobrevivência dos já combalidos comércio e prestação de serviços da região central da cidade e seus bairros periféricos.
