Digipare agora, por quê?

Por que implantar agora o sistema de cobrança de estacionamento rotativo, o tal Digipare?

Creio que a pergunta vem a calhar, principalmente devido estamos em vias de iniciar a época em que é costume ir às compras para as festas de Natal e Fim de Ano na região central de Cuiabá. Afinal é o que nos resta a comemorar, não é mesmo?

Bem, vamos diretamente ao que importa considerando que ainda há tempo para a revisão e adiamento dessa inapropriada iniciativa sem que as mínimas condições para isso estejam disponíveis. Digo isso em relação às pessoas que serão atingidas impiedosamente pelo custo de ir a um lugar sem ter onde estacionar seu veículo, a não ser que pague por mais esse custo municipal adicional.

Essa seria uma excelente inciativa para melhorar o trânsito no centro da cidade e bairros periféricos desde que já estivesse funcionando a tão esperada solução metropolitana para os deslocamentos dos usuários via transporte coletivos urbano de superfície, o BRT (Bus Rapid Transit) ou, em bom português, OTR (Ônibus de Transporte Rápido). Infraestrutura cujas obras ainda estão lá pelas bandas de Várzea Grande, portanto, a enorme distância e com um longo tempo de espera para chegar ao centro de Cuiabá e daí por diante.

Isso, sem falar que para se tornar operacional será preciso também estarem funcionando perfeitamente as linhas alimentadoras (ônibus regulares), que trarão dos bairros os usuários/passageiros que farão uso do OTR (BRT ), tanto em Cuiabá como em Várzea Grande, tudo isso servido por estações de embarque e desembarque prontas, tanto nas linhas alimentadoras quanto em todo o percurso de seu eixo principal.

E tem mais, para que seja condizente com a demanda de usuários, necessário se faz haver um eficaz sistema de gerenciamento das linhas alimentadoras e do eixo principal que interligará as duas principais cidades da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. Se não, continuaremos a ter trânsito congestionado e superlotações nos ônibus durante os horários de pico.

Ao observarmos os dois sistemas, OTR e Digipare, a lógica nos leva a perceber que são complementares. Um, porque transportara seus usuários a um custo e velocidade consideravelmente mais em conta, o que ensejará reduzir os deslocamentos através de automóveis. O outro, porque em função do menor número de veículos em circulação devido ao OTR, será uma alternativa para as situações em que aquele recurso se mostre inviável, ou seja, os dois sistemas são sim complementares e fica claro, que isoladamente não serão eficazes o suficiente.

Não estando o OTR (BRT) pronto para garantir aos habitantes das duas cidades e pessoas que para elas se dirijam a um custo condizente e em menor tempo, sugiro que adiem o inicio do Digipare devido ao risco de sua implementação prejudicar de forma direta e contundente a sobrevivência dos já combalidos comércio e prestação de serviços da região central da cidade e seus bairros periféricos.

Nossas praças ignoradas

Por que algumas áreas de convivência, as tais praças, são tão badaladas e outras simplesmente ignoradas?

Não, não estou falando das restaurações, verdadeiras transformações, que sofrem essas áreas públicas a título de reforma. Ações tão contundentes que de original só lhes restam os nomes, isso quando também não são “reformados” para acabar de vez com todas as suas lembranças históricas e com elas nosso passado, já tão castigado pelas ondas de ataques promovidos pelas hordas progressistas.

Me refiro a seus usos, aos quais também poderíamos juntar os costumes, se bem que esse termo é um daqueles que a cada dia vêm se tornando motivo de repressão pelos que consideram agressivo tudo o que parece conservador, ou seja, palavras atos e pensamentos que remontem às épocas passadas, desde que não estejam dentro do que hoje seja considerado politicamente correto pelos poderosos censores das cortes superiores et caterva.

Então, quando digo usos é sobre as diversas serventias que podem e devem ser dadas a esses espaços como comemorações, apresentações, exposições e práticas de lazer. Afinal, além de servirem como locais de descanso aos moradores do seu entorno, essas outras atividades fazem parte dos outros fins a que se destinam. Entretanto, infelizmente não é assim que costuma acontecer em nossa querida Cuiabá, cidade outrora cheia de tradições, usos e costumes, que aos poucos estão sendo delapidados por inconsequentes ou consumidos pelo passar do tempo sem o devido cuidado.

− É culpa do progresso! Dirão alguns, tentando maximizar os efeitos auferidos pela atual realidade do país em relação a assuntos que envolvam sentimento, passado e história. Entretanto, não é somente sobre estes aspectos das questões relativas às praças que devemos nos preocupar.

A realidade mostra que existem diversas praças em nossa cidade, as quais embora tenham sido reformadas, restauradas ou transformadas ainda não foram revitalizadas no sentido de trazer vida permanente a seus interiores. Estão entregues ao abandono quanto ao aproveitamento de todas aquelas atividades acima referidas e somente algumas, as localizadas nos pontos mais bem frequentados da cidade, recebem atenção nesse sentido. Exemplos disso são as pujantes Praças 8 de abril e Santos Dumont, ambas localizadas em bairros não tão distantes do centro da capital.

Seus frequentes usos são bons exemplos a serem aplicados nas áreas de convivência que estão nos outros bairros da cidade onde, proporcionalmente, gastou-se tanto dinheiro público quanto nelas. Entretanto, até agora poucas vezes ou nunca, foram assim utilizadas, exceto para abrigar desvalidos, pessoas acometidas pelos males dos vícios e, eventualmente, como locais de prostituição. Exemplo disso está bem ali, no encontro da Avenida Beira Rio com a Avenida 15 de Novembro, à beira do rio Cuiabá, e se chama Praça Luís de Albuquerque.

Sabiam que existe uma praça na Rua São Sebastião, esquina com a Travessa das Palmeiras, Bairro Quilombo, que se chama Praça Oscar Brandão, bem perto do Hospital Municipal São Benedito? Pois é, ela possuiu belos passeios internos, é bem arborizada e ainda oferece à população um pequeno anfiteatro a céu aberto, que parece feito sob medida para eventos de esportes como a capoeira, apresentações de teatro, música e outras atividades destinadas a um público menor. No entanto, devido ao descaso, à falta de manutenção e à insegurança causada pelo abandono nunca foi utilizada para nada disso, quiçá para o lazer de seus vizinhos.

Então gente boa da cultura, serviços públicos e lazer vamos dar conta de resolver isso e tornar nossa cidade mais humana, menos perigosa e mais calorosa através da adequada utilização de (todos) seus espaços públicos. Tenho certeza que os moradores dos bairros atendidos pelo uso equitativo de suas praças ficarão muito gratos.

E olha, tem mais, porque os agradecimentos também virão dos cidadãos que moram nas cercanias das praças que hoje estão sendo sobre-utilizadas. Nestes casos, em função do descanso que terão, pelo menos durante alguns finais de semana.

Ego bipolar

Existem pessoas que têm o ego tão exacerbado que possuem dupla personalidade. Uma delas ególatra, a outra, egocêntrica.

A ególatra é assim devido ao excessivo amor que tem por si mesmo e a seus bens, por isso vive às turras com a egocêntrica. Ela não aceita que a outra seja o centro de seu próprio eu.

Se você gosta de alguém com esse essas características é porque o idolatra, o que é ainda pior.

Sujeito de ocasião

Sujeito de ocasião é o tal, que mal te conhece e já se apresenta como amigão.

Passa anos sem sequer dar um bom dia e, dependendo da situação, passa reto ou corre pra te dar um abração.

É aquele que mesmo te encontrando diariamente só reconhece você em reunião e olha lá, vai depender da tua posição.

Tipo de gente encontrada em todo lugar, no trabalho, na instituição, no bar da esquina e mesmo em casa, vai depender da situação.

Esse, não dá pra chamar de amigo, é sujeito de ocasião.

Cêtenta

De repente setenta e com ele toda a bagagem que traz.

Que alegria chegar onde tanta gente tenta e espera alcançar.

Estar saudável, junto à família, amigos e até desafetos.

Viver vitórias, amores e também dissabores.

Então, você-tenta parar de se importar, de trabalhar e se aposenta.

Daí você-tenta compreender, conviver e apenas não aborrecer.

Para isso você-tenta ajudar, apoiar e não atrapalhar.

Mesmo quando ninguém te percebe, escuta ou entende, persistentemente você-tenta.

Fica difícil conversar, discordar e até concordar, mesmo assim você-tenta.

A solidão quer companhia, te convida, alicia e resistir você-tenta.

Ah setenta, como é que você pode ser tão maravilhosa e incompreensível ao mesmo tempo.

Quem garante o cumprimento da Constituição?

Que Senado é esse que continua a aprovar e permitir que se apoderem do sublime significado de nossa Carta Magna, usufruam de sua importância e não titubeiem em se desviar do caminho por ela traçado os ungidos da vez?

Que congressistas são esses que permitem aos outros poderes agirem como donos de escritórios de negócios cujos objetivos os leva a tomar decisões que contrariam os interesses nacionais; como aceitam pacificamente que um outro poder subverta sua própria razão de existir; com consentem que continuem a atender clientela preferencial como se não existissem outras instâncias a percorrer.

Se vivemos de boas relações, se nos propusemos ser honestos, respeitar as leis, preservar a moral e os bons costumes, porque temos que suportar poderes que usam seus cargos e função para manipular corporativamente e tirar proveito de nossos princípios constitucionais?

É o que está estabelecido em nossa regra legal que precisa ser seguido ou são os regimentos internos dos poderes que dela se apossaram? Não pode ser possibilitado a ninguém decidir sobre o que contraria ou não interesses outros que não os da lei maior que recebemos, a não ser que nos submetamos definitivamente a esse poder, principalmente porque violam sua própria razão de existir.

Se somos honestos, se pagarmos nossos impostos e obedecemos às leis da forma e para o que foram aprovadas, não será uma instância que invade outras alçadas, que irá nos dizer como agir e pensar. É preciso restringi-la a seu papel institucional e basta.

Se temos uma constituição séria, como de fato consta de nossos preceitos fundamentais, se ela defende e promove a honestidade, se cuida para que seus cidadãos não se percam, sejam cientes e usufruam de seus direitos sobre tudo que é legal e moral, porque não podemos continuar a nos mover nessa direção ao invés de nos desviarmos? Será devido aos obstáculos que a cada momento colocam à nossa frente?

O desenvolvimento que precisamos atingir e a segurança a que nos propusemos alcançar com certeza se encontram na busca do conhecimento de nós mesmos, tanto quanto na compreensão de nossas responsabilidades individuais e coletivas em relação a tudo que envolve a carta política que nos rege.

Entretanto, para que alcancemos este conhecimento, necessário se faz viver dentro dos marcos constitucionais e tradicionais. Estes últimos, os tradicionais, de a muito deixaram de ser apenas reportações históricas vez que não são simplesmente simbólicas porque o tempo as tornou imutáveis como é o patriotismo, tão significativo quanto as leis básicas de nosso país. Entre elas também estão o respeito e vencer nossos conflitos, principalmente os que conduzem às paixões deletérias, imorais, corruptivas e degradantes, posto ser nelas que encontramos os genes da destruição, do que causa dano e do que é nocivo.

A quem cabe garantir o cumprimento da Constituição? Quem a escreveu, quem a interpreta, quem a utiliza, todas estas instâncias ou o povo para o qual e por que está em vigor?

Boicote

Já que não podemos fazer o que queremos, também não vamos fazer o que querem que façamos, portanto, vamos nos ajustar à realidade e boicotar quem apoiou e apoia esse governo. Afinal, é o que ainda nos resta de livre arbítrio.

Assim, considerando a evolução dos acontecimentos, precisamos nos adaptar à situação do nosso jeito, ou seja, do jeito conservador, religioso, moral e legal ao não seguir, não aplaudir, não comprar, não consumir, não ler, não assistir, não frequentar e outros tantos nãos a serem utilizados na luta contundente da qual podemos e devemos participar contra os que novamente estão pretendendo se estabelecer em nosso país através de uma ditadura assumidamente comunista.

Participar das iniciativas de reação aos lacradores, sejam eles de ocasião ou de fato (os ideológicos) é um procedimento que faz sentido frente à indignação que se vê presente em todas as localidades e ambientes de um país, que de acordo com a justiça eleitora elegeu o atual governo para a gestão dos recursos sociais e econômicos de nosso país visando seu desenvolvimento, o que, convenhamos, não está acontecendo.

Se alguém ainda tem dúvidas, basta olhar as atividades dos quase 40 ministérios, mais as das côrtes de justiça e do congresso nacional, todos em letras minúsculas, porque minúsculos o são, ao apoiarem majoritariamente o que o presidente (também minúsculo) está fazendo com o Brasil.

Outra coisa, não vejam nas enganosas mudanças de posturas dos meios de comunicação que ajudaram a eleger o atual mandatário um reconhecimento de erro. Não, eles jamais farão isso, porque seria como sentarem na “caca” que produziram e isso os destruiria. Além disso, seus controladores internos e externos não permitiriam, vez que o retorno dos investimentos de risco feitos durante os últimos 4 anos na volta de um passado indigesto passaria a correr riscos inaceitáveis.

Dadas as circunstâncias, precisamos agir de maneira firme através dessa que é uma das últimas estratégias que nos restam para desestabilizar aqueles que apoiaram o que fizeram conosco. Vamos ao boicote.

Perfeita para mim

Sua beleza sem artifícios
Natural e pura
Como Deus a fez
É perfeita para mim

Sua virtude em ser bela
Por dentro e por fora
Como Deus a fez
É perfeita para mim

Sua presença sublime
Permanente e linda
Como Deus a fez
É perfeita para mim

Sua qualidade de ser
Digna e Clara
Como Deus a fez
É perfeita para mim

Viver em sua presença
Divina e sublime
Como Deus a fez
É perfeita para mim

Você minha querida
É maravilhosamente assim
Como Deus a fez
Perfeita para mim

Para Clara Maria - Clarita, minha inspiração.

Centelha Divina

Centelha de Deus que habita em mim
Mantenha acesa a chama
Que ilumina meu caminho

Centelha de Deus que habita em mim
Dá-me forças para vencer os obstáculos
Ou resiliência para contorna-los

Centelha de Deus que habita em mim
Perdoa meus desatinos
Sustenta minha fé

Centelha de Deus que habita em mim
Receba minhas suplicas
Sendo justas, leva-as ao Pai

Centelha de Deus que habita em mim
Conserva minha esperança
De com Ele estar ao final da jornada

Denúncia Vazia

Da mesma forma com que acontece na denúncia vazia dos processos envolvendo contratos de aluguel, desde a um bom tempo estamos vivendo momentos particularmente desconcertantes quanto à determinadas denúncias apresentadas junto ao STF e pelo próprio Tribunal em relação ao Estado Democrático de Direito, exatamente por conterem uma mesma característica, são vazias.

Como sabemos, Estado Democrático de Direito é aquele que visa à garantia do exercício de direitos individuais e sociais.

De outro lado, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário foram constituídos de maneira a exercerem funções especificadas na Constituição do país sem a interferência de um nas atividades dos outros.

O Estado democrático de direito é um conceito que se refere a um Estado onde exista respeito pelos direitos humanos e pelas garantias fundamentais. Um Estado em que também existam garantiam aos direitos individuais e coletivos, aos direitos sociais e aos direitos políticos.

Em outras palavras, para que um Estado possa ser considerado um Estado Democrático de Direito, todo e qualquer dos direitos dos seus cidadãos devem ser protegidos juridicamente e garantidos pelo próprio Estado.

É o que estamos vivendo?

No afã de mostrar as incongruências dos poderes Executivo e Judiciário em suas aventuras perante as atribuições do Legislativo, somada à inoperância deste último frente às agressões perpetradas sobre suas próprias prerrogativas constitucionais, situação esta cada vez mais frequente devido à bisonhice da maioria de seus integrantes, resta ao povo que os elegeu se manifestar.

Mas como se manifestar, se a esse mesmo povo é imposta a mordaça da tirania, o controle da censura ideológica, a perseguição descabida pelo simples discordar e pelo fato de a maior parte dos meios de comunicação estar comprometida como o Sistema que lhes subsidia com o pão com mortadela financeiro de cada dia?

A quem recorrer, se é o próprio juízo superior que o submete com mão de ferro?

Sim meus caros, estamos sendo despejados de nossos direitos como locatários indesejados e sem aviso prévio, de um país que aos poucos vem sendo entregue a terceiros e poderosos interesses internacionais e ao charlatanismo do narco-comunismo disfarçado de social-democracia, tudo isso com o artifício da “denúncia vazia” aplicado por um espúrio poder.

Abnegados

Fala-se bastante sobre amizade
Dizem desse sentimento
Ser coisa de irmandade
Um bem-querer diferente
Até por definição
Enquanto aquela evoca presença
A outra é superação
Afetos que se confundem
Ser amigo e ser irmão
Um é pura sintonia
Nasce sem pai nem mãe
Sendo fruto do coração
O outro é diferente
A gente ganha de Deus
Tanto que existe pra sempre
É complementação
Às vezes um se torna o outro
Posto serem congruentes
Daí serem apropriados
Naturalmente pertinentes
Por isso mesmo abnegados

Quando sinto você em mim

Em frente ao espelho
Ao lavar o rosto e o cabelo
Os mesmo gestos repetidos
É quando sinto você em mim

Molhar uma mão de cada vez
Umedecer os fios meus
Que brancos lembram os teus
É quando sinto você em mim

Um gesto repetido
O gosto pelo simples
O olhar, as vezes perdido
É quando sinto você em mim

Nas lágrimas afogadas
Quando lembro do passado
Que ainda me habita
É quando sinto você em mim

Viva apenas o presente
Era o que você dizia
Viu o que foi e sabia como seria
É quando sinto você em mim … pai.

O 7 de setembro e as Forças Armadas.

A julgar pela matéria publicada no jornal Jovem Pan do dia 22/08/2022, falo especificamente da que leva o título “7 de setembro terá esquema de segurança similar ao da posse de Lula”, o governo atual, sabe-se lá se em razão do iminente fracasso do evento, vez que, hipoteticamente, não terá público simpático às autoridades que nele se farão presentes ou para propositalmente demostrar sua indisfarçável desconsideração para com suas forças armadas, irá reduzi-lo consideravelmente.

Será que alguém, em sã consciência, vai assistir ao tal desfile sem que haja incentivos, tais como sanduiches de mortadela, transporte pago e outros, costumeiramente utilizados pelo ParTido para cooptar necessitados?

A considerar a informação complementar de que outras forças governamentais, como é o caso da Polícia Federal que, a pedido do governo do país, não participará do desfile devido seu envolvimento em processos que implicam em prisões e invasões de domicílios de militares evidenciando desconforto, se não para os integrantes das cúpulas das Três Forças, certamente para suas tropas e nós civis, posto tratar-se de mais uma inconteste demonstração de menosprezo, a resposta é (NÃO).

Isso tudo, com a justificativa de que assim será feito para “tirar a política do foco do desfile”, como se este não fosse um ato descaradamente político. Sinceramente …

Diz a notícia sobre o desfile deste ano: “Na verdade, é um desfile que vai ter como foco a valorização das Forças Armadas e não mais um movimento político partidário. É um, movimento para exaltar a mesma questão da independência e o papel das Forças Armadas no país” [1](sic). Isso tudo dito por uma fonte do governo, sob reserva. O que, a essa altura dos acontecimentos, não deixa de ser bastante compreensível.

Para complementar, vem a informação de que haverá, entre os dias 7 a 10 de setembro, uma exposição de artefatos militares, que o próprio governo admite, será um MUSEU, para mostras as ações das FAs do Brasil.

Com essas atitudes, nos parece, já existem planos bem definidos para o destino das forças que participarão do desfile de 7 de setembro deste ano, pelo menos e, por enquanto, para parte delas. É o que diz a proposta de criação da Guarda Nacional em substituição as atividades da Força Nacional de Segurança, criado em 2004 pelo atual presidente, em seu primeiro mandado.

“Vai que, em algum momento, haja um governador extremista no Distrito Federal. Então, a segurança do Congresso, do Supremo, do Palácio do Planalto, ficaria submetida aos problemas da política local? Não pode. E esse é um erro que agora o presidente Lula quer corrigir”[2].(sic)

Estas são palavras ditas por Flávio Dino, atual Ministro da Justiça, para justificar, entre outras coisas, que essa força será formada mediante concurso público junto à população civil e não mais recrutada de forma episódica a partir de agentes que atuam em diferentes polícias do país, ao tentar justificar a criação da Guarda Nacional, segundo o qual já está com proposta pronta.

Imaginem o resto do que vem por aí.


[1] https://jovempan.com.br/noticias/brasil/7-de-setembro-tera-esquema-de-seguranca-similar-ao-da-posse-de-lula.

[2] https://www.poder360.com.br/justica/proposta-de-criacao-da-guarda-nacional-esta-pronta-diz-ministro/

CHUVAS X CIDADES

A mídia segue mostrando o resultado catastrófico da ação das chuvas nas cidades. Invariavelmente, a principal causa disso é o desordenado crescimento dos centros urbanos, fruto, não da falta de Planos Diretores, mas do descumprimento de suas diretrizes. Assim, a cada governo assistimos incrédulos o abandono de caros projetos de desenvolvimento urbano, injustificadamente substituídos por outros, que representarão novos custos e novos abandonos, perpetuando o caos em nossas cidades.

Aí vêm as chuvas, que encontram cada vez menos áreas verdes e mais asfalto, mais concreto, portanto, mais impermeabilização. Então, o “meio ambiente” deixa de ter “ambiente” para ser somente “meio”, a transportar água em volumes crescentes, que a cada esquina se avolumam e transformam nossas redes pluviais, nossos canais e rios nisso que estamos vendo.

Enquanto a cobertura da imprensa permanecer centrada nas consequências físicas e sociais das (in)evitáveis torrentes que inundam as ruas e as casas dos cidadãos pegos de surpresa pela violência das aguas, a impunidade prevalecerá sobre a necessidade.

Seriam essas catástrofes realmente inevitáveis?

Estariam nossos projetos de infraestrutura urbana considerando erroneamente as normas que orientam o dimensionamento destes tipos de obra?

Será que as execuções dos projetos estão seguindo rigorosamente o que determinam suas especificações e detalhamentos técnicos?

É preciso pensar e repensar sobre as indagações acima apresentadas.

Não se trata, a essa altura, de procurar responsáveis por antigos problemas. Já estamos cansados de ver essa iniciativa acabar em pizza. Devemos nos concentrar em soluções adequadas, mas não as do tipo que causam as catástrofes que estamos assistindo devastarem as cidades da China, que só pensa em ocupar os espaços antes verdes, com seus gigantescos arranha-céus e enormes condomínios; pavimentar largas avenidas/rodovias, com múltiplas faixas e implantar enormes e estéreis “praças populares”, tudo para que nelas caibam mais veículos e pessoas, quase todos locais nus, sem áreas verdes ou vegetação natural suficiente (e necessária); com seus rios transformados em canais impermeabilizados, e enormes represas, como a da Usina de Três Gargantas, que, dizem, estaria até afetando a rotação da Terra, por ter um reservatório de cerca de 39,3 quilômetros cúbicos de água. Um verdadeiro contraste com o que era no passado.

Enfim, antes de mais nada, devemos evitar novos erros, ou melhor, a continuação do cometimento de erros antigos. É preciso examinar com rigor quais as causas a partir dos efeitos que aí estão, como no caso do transporte de massa da nossa capital, que até agora não passa de conversa fiada de todos os poderes envolvidos. Um verdadeiro jogo de empurra-empurra, onde as vítimas são sempre as mesmas, os usuários, os cidadãos.

Temos um universo enorme de pesquisas e checagens a fazer, a começar por rever as normas que possam estar ultrapassadas, pesquisar novos materiais, novas soluções técnicas e adotarmos as que melhor resolvam os problemas das cidades e suas populações, não somente os dos políticos e suas armações, como costuma acontecer em obras de infraestrutura.

Uma coisa é certa, temos que agir rápido, pois estamos ficando cada vez expostos a riscos inaceitáveis.

MORRER DE AMOR

Com o passar do tempo, em muitas ocasiões, durante muito sofrimento e muita dedicação, o amor chega a ser capaz de, em sua falta, causar tanta dor que a morte se apresenta como válvula de escape.

Não, não estou me referindo a suicídio na forma como é conhecida a decisão abrupta de dar fim a própria vida. Aqui, faço referência à desistência paulatina e irreversível de viver sem a presença de uma pessoa especial, a pessoa amada.

Acho que nunca tinha me deparado tão de perto com uma situação dessas, até ser informado da morte de um amigo de juventude, da época em que morei em Campo Grande, Mato Grosso do sul.

Existem outras formas de aparente desistência, como no caso de estresses e doenças incuráveis que podem causar esse tipo de sofrimento. Com certeza já vivemos essas situações, o que nos leva a considerar que a depressão é seu ápice.

Os momentos de introspecção dolorosa pela perda de alguém que nos foi muito importante acaba por machucar a todos os que conheceram as causas ou motivos, muito embora não tenham participado dos acontecimentos que fazem com que uma pessoa se sinta tão mal a ponto de desistir.

A situação a que me refiro se deu com esse amigo, amigo querido, devido à devoção com que dedicou seus últimos anos de vida a cuidar da pessoa a quem amava.

É uma história que começa distante, na época em que eram jovens e se apaixonaram pela primeira vez. Depois, o tempo e as situações por ele criadas foram paulatinamente os afastando. Casaram-se com outros amores, tiveram filhos e um dia se viram separados, portanto, livres para que a providencia de Deus os fizesse se encontrar novamente.

O que aconteceu nesse grande intervalo de suas vidas antes do reencontro foram situações terríveis, principalmente na vida dela, pois perdeu os pais, uma irmã e um irmão em um acidente de carro no qual estava presente, fazendo com que ela e sua outra irmã, as únicas sobreviventes da tragédia, ficassem órfãs. Então, passaram a ser cuidadas e amparadas por seus tios e tias, morando ora com uns ora com outros, até atingiram condições de voltar à Campo Grande, de maneira a se inteirarem de seus bens e administrá-los.

Uma delas, como já me referi anteriormente, casou-se com quem então amava, tiveram filhos e progrediram, mas um dia o bom relacionamento terminou, as razões não vêm ao caso, mesmo assim, não se separaram na forma civil, no entanto, a separação física ocorreu sem muitos desgastes, como era de esperar, acontecesse entre pessoas consequentes.

Foi quando se reencontraram. Ele separado, também sozinho, a aproximação, muito embora paulatina devido as relações com filhos e situações outras que a delicadeza da situação apresentava tiveram duras barreiras a superar, mas conseguiram.

Certo dia uma dor de cabeça insistente a fez procurar solução médica e descobriu-se um tumor no cérebro que, operado, a deixou dependente da ajuda de outras pessoas pelo resto da vida. De repente se viu efetivamente só e com dois filhos para criar. Sim, porque mesmo antes de casada já era e continuou a ser independente, uma das faces de sua marcante personalidade.

Ele se aproximou ainda mais e foram novamente se relacionando, revivendo o passado que outrora os uniu e que o presente se lhes apresentou novamente a oportunidade.

Entre as boas fases de aparente recuperação física e as recaídas reconstruíram uma ligação que se tornou bastante forte, a ponto de fazer com que superassem os revezes que continuaram a se apresentar, cada vez com mais frequência. Os filhos cresceram, se casaram e foram para lugares distantes. A ligação com a pessoa a quem ainda estava civilmente ligada transcorria de forma tranquila, mesmo na constante presença do atual companheiro a seu lado.

Sofrida, endurecida, porém decidida, enfrentou os incontáveis e amargos revezes que se apresentaram contra sua invejável perseverança sem desistir, até que a derradeira das armadilhas de sua vida aconteceu com a precoce perda do filho querido. Um jovem promissor, forte, resultado da bonita mistura das características dos pais, mas que o implacável vírus da epidemia que se alastrou pelo mundo alcançou e levou. Para piorar, com a distância e as condições de segurança epidemiológica vigentes ela se viu impedida de ver o filho pela última vez.

Foi a gota que faltava para que a desesperança retomasse força e a despedaçasse. Paulatinamente a tristeza foi tomando conta de sua existência e a fez desistir. Parou de lutar e por isso morreu.

Quanto a ele. Ele assistiu a tudo a seu lado apoiando, tentando fazer o possível e o impossível para reanimá-la, mas não conseguiu e assim ela se foi.

Ficaram as lembranças do amor inesquecível e, agora sabemos, insubstituível que o levou pelo mesmo caminho.

Sozinho novamente, sem esperanças à frente, sobreviveu à ausência de sua amada por sofridos 18 meses. Também desistiu. Resistindo aos apelos dos filhos e amigos, aos poucos foi se afastando de tudo e de todos. Decidiu pelo que acreditou ser a única forma de ir ao encontro dela e definhou até MORRER DE AMOR.