Meu pirão primeiro

A frase, tida como capitalista, é a que melhor expressa a antiga prática dos oportunistas de ocasião. Hábito esse, que voltou a estar em pleno vigor desde o dia 01/01/2023. Talvez até antes disso, a considerar o que acontece descaradamente nas altas cúpulas dos três poderes da República.

Só não vê quem tapa os olhos com uma viseira relacionada a outro dito, qual seja, “o que é que eu vou ganhar com isso”, muito popular nos três níveis de governança e nas empresas de comunicação onde até a notícia é paga. Para quem não entendeu a questão da governança, trata-se da maneira de gerir instituições, nesse caso as públicas e de economia mista.

Pirão, no jargão político, é o que se ganha na arte de negociar o que não é seu, o que para muitos também é entendido como a astúcia de tirar proveito da coisa alheia, principalmente em se tratando do erário público. Já em relação à culinária, pirão é o resultado da inserção de farinha para engrossar um caldo. Creio que essa singela explicação basta para fazer entender a analogia com o que está acima colocado.

Então, a abstinência dessa apreciada iguaria política deixou muita gente desesperada a ponto de o desconforto cegá-las quanto às consequências de seus atos. Adicionando essa somatização aos costumes da gastança desenfreada, das alianças inconsequentes e dos compromissos impagáveis teremos como resultado a negociação da dignidade, se é que um dia ela existiu em quem só se satisfaz se tiver desse pirão no seu cardápio.

A muito custo essa costumeira prática na arte de fazer política chegou a ser reduzida no passado recente na vã tentativa de moralizar a escrachada, ridicularizada, desacreditada, depreciada, desconceituada e desabonada leva de parlamentares que, eleição após eleição, vem sendo conduzida às duas Casas do Congresso Nacional, em grande parte graças aos votos de legenda e procedimentos nada republicanos de compra de votos.

Seria o caso de dizer inacreditavelmente, mas não dá porque efetivamente a maioria dos processos de cassação (quando existem) de candidatos desonestos não termina, melhor dizendo, termina em nada. A justiça, seja ela comutativa, geral ou legal e distributiva, cuja simbólica estátua a apresenta como impossibilitada de ver, portanto, de ser manipulada pelos pesos colocados em sua balança, mostra não ser ela totalmente cega quando se deixa levar por subterfúgios habilmente plantados nas entrelinhas do livro das leis, seu Vade Mecum, para ser burlada em sua essência.

De acordo com o site etmologia.com.br, a ideia de justiça tem uma abordagem dupla, pois de um lado expressa a qualidade de ser justa e equilibrada na tomada de decisões e, paralelamente, faz referência a um sistema legal. Então, é nesse paralelismo com “O SISTEMA” que tudo pode acontecer como de fato acontece, infelizmente.

Busca

Fui Roubado, nunca roubei
Enganado, jamais fingi
Injustiçado, não prejudiquei
Desconsiderado, de reclamar abdiquei
Ofendido, ninguém injuriei
Discriminado, agregar procurei.

Fiz o bem, o mal nunca empreguei
Sou por competência, não sob influência
Faço por acreditar, não em desconfiar
Sigo na fé, sem me deixar levar
Doo em compaixão, não para retribuir
Rezo por crer, jamais para pedir.

O indignado perdoa, o indigno não
Seus atos o atestam
Só dá valor à sua vez
De resto nada lhe presta
Pela dor lembrará do que fez
Na eternidade que lhe resta.

Deus escreve certo por linhas retas
Torto é quem não entende
Creio Nele, por ser uno
E o procuro na jornada
Em espírito sou eterno
Na busca da última estada.

A causa

Nossa causa é aquilo pelo que fazemos algo, a origem, o motivo e a razão de todas as lutas. Já o que a enfraquece é a desculpa, o pretexto e o relativismo com outras causas como o comunismo, socialismo e o bonde. Sim, “o bonde”, como se identifica o grupo de bandidos armados que inferniza a vida de quem encontrar pela frente em suas jornadas de assaltos e outros crimes, simplesmente por saberem que o cidadão comum a eles está sujeito por força da lei, a mesma que mantem as ditaduras no poder.

O que acontece é que muitos confundem a causa com o personagem como vemos acontecer agora onde a causa conservadora é confundida com a pessoa, a faísca, que reacendeu sua chama. Da mesma forma, a causa do outro lado foi mantida e personalizada, o que para entender basta ser um bom observador.

Só para citar um exemplo, se de um lado a causa está focada na manutenção de princípios como o da família, instituição sagrada e unidade social mais antiga da humanidade, do outro a meta é sua dissolução como pré-condição para alcançar seu objetivo. Nela os princípios são contrários, ou seja, os filhos não são frutos dos pais, mas seus produtos; os cônjuges simples pares, posto que perdem seu significado divino porque a eles basta o caráter civil, material.

É o suficiente para tentar eliminar aquele outro conceito, tido como concepção retrógrada no entender de quem se alinha à causa coletivista segundo a qual a família passa a ser um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária. (Dicionário Houaiss)

Para eles, o tradicional papel da família na transmissão de valores morais, sociais, tradições, costumes e mesmo conhecimento não se aplica mais, foi transferido aos professores e para o assistencialismo social onde o estado define os valores e conhecimentos que devem ser repassados, desde que estejam de acordo com sua orientação ideológica. Mas o pior ambiente enfrentado está na Internet, âmbito em que as ideias conservadoras foram abolidas pela mídia jornalística e programas televisivos através dos quais difundem de forma sistêmica e programada somente as ideias progressistas.

Voltando a falar da causa conservadora e da faísca que reacendeu sua chama, bastaram quatro anos para que vicejasse como que infinita, fato que os eternos descontentes insistem em desacreditar, eu não.

Parafraseando o poeta Vinicius de Moraes nas duas últimas linhas de seu antológico Soneto de Fidelidade:

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinita enquanto dure.

Gol de placa

No dia 5 de março de 1961 Pelé marcou o gol (tento naquela época) mais bonito da história do Maracanã. O jornalista esportivo Joelmir Beting, então um jovem de 24 anos, estava presente e imortalizou o fato ao pagar do próprio bolso a confecção e a fixação de uma placa de bronze no estádio em deferência à espetacular jogada do Rei do Futebol dando origem ao porquê, a partir de então, ficaram conhecidas como “gols de placa” as jogadas que como a de Pelé mereceram destaque pela beleza e singularidade.

Pois bem, minha história com esse momento especial é devida a um acaso que acabou por colocar a mim e minha família dentro do Maracanã naquele dia. Não porque, aos sete anos de idade, eu me lembre de alguma coisa relacionada ao gol em si, mas sim porque papai nunca se esqueceu e sempre contava esse acontecimento em suas conversas futebolísticas como, aliás, é comum a todo os torcedores desse maravilhoso esporte e sobre o inesquecível Pelé, seu principal representante. Me lembro da emoção de lá estar, da grandiosidade do estádio e do barulho do público presente quando das comemorações dos 4 gols da partida (foi 3 a 1 para o Santos), no que anos depois, vim a saber, se tratava de uma partida pelo antigo Campeonato Rio-São Paulo.

Naqueles dias estávamos passando férias no Rio de Janeiro e papai combinou com seu amigo Jesuíno Aragão, irmão do Renato dos Trapalhões, de levarem as famílias ao Maracanãzinho para assistirem a um show internacional chamado Holiday on Ice, onde patinadores no gelo se exibiriam. Seo Jesuíno já tinha os ingressos para eles e nós tentaríamos que comprar os nossos na bilheteria.

Então, infelizmente ou felizmente, dependendo do ponto de vista, aconteceu de não haver mais ingressos disponíveis, o que fez papai mudar nossa programação para um jogo que iria acontecer no Maracanã e assim não perdermos a viajem de taxi até lá vez que o grande estádio fica bem ao lado de seu irmão menor. E lá fomos nós assistir Fluminense x Santos, o jogo no qual aconteceu a famosa jogada protagonizada pelo Rei do Futebol quando saiu da área do seu time e driblou quem estava pela frente até chutar a bola por debaixo do goleiro Castilho.

Essa é minha história com nosso eterno Rei Pelé, simples, singela e que se tornou inesquecível devido ao acaso e a meu pai, que sempre fez questão de contar que estávamos no Maracanã naquele dia.

Era uma vez …

Em alguns épicos do cinema do passado, me refiro a quando ele ainda era tido como a sétima arte, os títulos e seus temas costumavam contar aos cenéfilos de então histórias enredadas através de ficções criadas em um mundo cheio de modelos de vida ou mesmo arquétipos desprovidos de sentimentos outros que não a ganância, na falta de compaixão e no ódio porque seus personagens eram resultados da manipulação daquelas reações às emoções.

Foi assim em “Era uma vez no oeste” e “Era uma vez na América”, dois premiados filmes pela Academia de Cinema, os tais Oscars. Quem não assistiu ao faroeste com sabor spaghetti e ao thriller romântico-mafioso, ambos embalado pelas pertinentes e clássicas músicas de Ennio Morricone, deveria vê-los para assim tentar entender o enredo do que será viver sua versão tupiniquim, cujo título não poderá ser outro senão “Era uma vez no Brasil”.

Os ingredientes e o roteiro já dão mostras, será uma tragédia épica com personagens conhecidos da plateia e a história um “Déjà vu” igual aos de final tenebroso que vimos acontecer em nosso entorno geopolítico. Por outro lado, a sensação de familiaridade com o tema também remete a uma situação que vivenciamos na pocilga do passado.

Essa nova versão terá ingredientes ainda mais tenebrosos vez que nela estarão zumbis reavivados de seus túmulos por procedimentos judiciais malfazejos de modo a que pudessem retornar como mortos-vivos para acabar o que não conseguiram daquela vez.

Nela há o pressuposto da vingança contra os que tiveram a ousadia de trazer de volta o que a esquerda considerava ter extinto daqui ou seja, o latente conservadorismo brasileiro, o conceito de família como célula mater da sociedade, algo bem explícito em uma emblemática frase de Rui Barbosa e a verdade como busca da liberdade pela conhecimento individual desde que não preso a um caráter messiânico, mas sim a algo puro, espiritual e cristão.

Quem imagina saber o que acontecerá daqui para a frente deve estar com uma pulga atrás da orelha e se perguntando: – Será que aqueles que ontem fizeram o “L”, amanhã não estarão virando a letra e apontado-a ficticiamente para as próprias cabeças?

Um governo de oposição

Já vi acontecer por aqui oposição a governo, o que é comum nas democracias, mas governo de oposição será a primeira vez.

Pensando bem, é lógico que isso aconteça neste momento de turbulência política no Brasil. Afinal, o que temos como futuro governo é uma troupe de comparsas em razão das intimidades e referências comuns com processos arquivados, raras condenações e, quem diria, absurdas descondenações dos crimes cometidos.

Não será lógico inexistirem surpresas com a montagem do eventual futuro governo a cada pronunciamento sobre a composição do ministério que o comporá?

Senão, vejamos o que já temos definido: Para a pasta da Fazenda um auto-declarado incompetente para o cargo e personificado como o poste nº 1 do sujeito ungido presidente pela dupla STE/STF, em clara demonstração de desprezo pelas leis que regem o país e por seu futuro como nação independente; para a Justiça e Segurança Pública, tudo junto e misturado, um comunista de carteirinha em consonância com a mesma e previsível estratégia; na Casa Civil, uma receita certa em reconhecimento aos serviços prestados durante a pandemia na “aplicação” dos recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal; para a Defesa, um contumaz aprovador de contas da thurma e figurinha fácil em todo e qualquer governo, um verdadeiro camaleão e, por último a presidência do BNDES, sobre esse não vale a pena sequer tecer comentários, nem precisa, o mercado já deu seu recado. Com isso, já dá para entender tudo mais que vem por aí.

É isso, nada mais que mais do mesmo, só que agora com os requintes autoritários do STF, isso de acordo com a parceria (não seria submissão?) sugerida pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública.

Pelo visto o já curvado Legislativo se postará de joelhos frente à acima anunciada parceria com uma novidade, o futuro chefe do Executivo sendo alçado a ajudante de ordens dos supremos, posto serem estes seus fiadores. Então, será que “o tal cara” não vai se submeter a quem o segura pelo rabo invertendo a lógica aplicada pelo STF ao atual Presidente da República desde que se entenderam como os croupiers das cartas do jogo? Será?

Enfim, tudo indica, teremos pela frente um governo de oposição à moral, ao civismo, ao patriotismo, aos bons costumes, à propriedade e segurança privadas, aos cultos religiosos, à liberdade de expressão e etc.

O bastão da verdade

Como simples observador dos fatos é errado tentar responsabilizar quem nos trouxe até aqui, nos deu coragem para seguir em frente e nos levou a encarar a armação que se faz presente em nosso país a décadas sem que tivéssemos tido sequer espaço para falar alguma coisa quanto mais protestar se o motivo fosse conservar nossas referências morais, principalmente aquelas relativas à crença, família, pátria e liberdade.

O cidadão que hoje dirige o país, lutou praticamente sozinho contando para isso com poucas mas competentes pessoas para ajudá-lo a governar tendo como antagonistas, para não dizer inimigos, não apenas os outros dois poderes da República, mas também uma imprensa comprometida com os descalabros que assolaram o pais no passado recente e um sistema mundial de potentados que reage negativamente e de forma pusilânime a tudo o que foi proposto fazer, o que consequentemente afeta diretamente a todos nós. 

Isso, sem colocar naquele lado da balança da justiça aqueles que invariavelmente procuram um Judas para colocar a culpa e assim escamotear suas incongruências, melhor dizendo, suas inconsequências em relação à realidade do que está prestes a se consumar no país devido à relativização das coisas, o que restringe seus campos de ação somente aos espaços existentes ao redor de seus coniventes umbigos .

A realidade que se apresenta no momento é que a luta iniciada continuará com o descondenado sendo empossado ou não, com o atual presidente sendo mantido no cargo ou não, porque ela apenas começou. 

Alguém, em sã consciência, acha mesmo que se não fosse a competente gestão durante os quatro anos desse governo no enfrentamento das barreiras que foram constantemente colocadas em seu caminho pelo legislativo e pelo judiciário chegaríamos até aqui como chegamos?

Nossa economia, alavancada pelo agronegócio, se recuperou antes de qualquer outro país de nosso continente, quiçá do mundo, se considerarmos os entraves colocados por aqueles que mesmo sendo brasileiros só agem movidos pelo ódio sectário da ideologia de esquerda; nosso PIB foi de 4,6% em 2021, depois da queda de – 4,1% em 2020, com previsão de 2,8% para 2022, contrariando os pessimistas de sempre. Nesse período, nossa segurança também evoluiu satisfatoriamente mantendo e até reduzindo o número de homicídios desde 2019; na educação é certo que houve pouca, mas eficiente recuperação, mesmo com o estrago feito pela metodologia adotada por governos anteriores e as suspensões das aulas durante a virose, o que não permitiu recuperação melhor. Quanto à saúde então, em que pese a campanha capciosa contra as medidas tomadas pelo governo esse cumpriu sua missão nos mesmos níveis dos demais países do mundo.

Alguém, no domínio de suas atividades mentais, considera que ataques à democracia de fato e não da forma pacífica como permanecem agindo as pessoas que estão a mais de um mês se expondo às intempéries para defender o direito de protestar contra o que consideram injusto estaria acontecendo assim se fossem eles os acusados de manipular o resultado do pleito?

Não, ele não é um qualquer e sim o símbolo de resistência que nos motivou. Cabe a nós levarmos adiante o bastão da verdade sem cobrar de ninguém, senão de nós mesmos, qualquer responsabilidade, caso não se reverta o resultado duvidoso das eleições.

“PERDEU MANÉ”


Se existe forma de saber a índole de uma pessoa é vê-la participar do saque à integridade de uma nação.

Desde 30 de outubro de 2022 estamos percebendo que as tentativas de quem se considera eleito trazer para seu lado pessoas que tenham moral, gozam de respeito e considerarão está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. Isto se deve aos descalabros que ele expõe como verdadeiros motivos da “tomada do poder”. Aliás, ações que já se mostravam evidentes quando começaram a mostrar o esquema agora revelado posto que tramado desde antes do transcorrer dos quatro anos de governo Bolsonaro, evento este que apenas adiou a execução dos objetivos foropaulistanos.

É isso que estamos descobrindo a cada análise que fazemos das ações perpetradas por integrantes dos órgãos que comandam os processos legislativos, judiciais e eleitorais do país.

Nem o quarto poder, a imprensa, que de forma neutra e afastada de sentimentos íntimos e ideologias deveria divulgar os acontecimentos terá sucesso em sua apologia à submissão do povo a quem pode ter usurpado o poder de forma ilegal. Ao se negarem a comunicar o fluxo e o refluxo de ideias e acontecimentos ou seja, tornar comum a todos o que está acontecendo, o que as partes dizem ao se manifestarem quanto ao processo decisório mesmo após sua conclusão, passam a confirmar sua vassalagem a esse mesmo poder.

A mensagem lenta e maquiavélica enviada pelos que aparentemente o tomaram é tal qual a que a bandidagem diz quando aborda um cidadão comum e vocifera – “PERDEU MANÉ”, tão explícita quanto uma sentença de morte.

O poder não entra em pânico, é o que dizem os que se consideram vitoriosos. Assim é, desde que a vitória tenha sido conseguida de forma lícita, ademais, que também seja reconhecida pela população sobre a qual esse tal poder será exercido. De outra forma, restará aos céticos e patriotas de sofá, engolir a seco a mensagem sub-reptícia enviada pela lenta e persistente destruição dos sentimentos nacionalistas, das convicções morais, cristãs e cívicas que sua covardia deixará a seus descendentes.

O que move quem fez a opção de se envolver pessoalmente em uma contenda da qual nunca irá se envergonhar, quanto mais se arrepender é o fato de não mais se intimidar frente à opressão imoral, corrupta e ideológica que se fez presente e nos calou no passado, agora não mais. Nesses quatro últimos anos aprendemos muito observando as posições cheias de cautela daqueles que mais uma vez ficaram olhando para seus umbigos ao permanecerem inertes, preocupados apenas com a preservação de seus próprios status.

Provavelmente serão os primeiros a se arrependerem por seus coniventes silêncios frente aos desmandos que se fizeram presentes nas eleições de 2022, caso se concretize o resultado até agora mostrado.

Obrigado por ser assim…, diferente das canas dobradas pelo vento.

Essas palavras escritas sobre papai por Márcio, o mais velho de nós, têm significado especial para quem o conheceu e me inspiraram a falar sobre sua importância.

Assim como acontece com todos é certo que ao longo de nossa existência vamos nos deparando com situações que bem traduzem a relevância da vida ser como ela é, como bem disse Nelson Rodrigues.

As canas dobradas pelo vento acima citadas representam aqueles que se submetem às pressões exógenas durante nossa passagem pelos estágios de aprimoramento espiritual e bem demonstram a pessoa que ele não foi e o que é para seus descendentes, mesmo depois de seu passamento.

Nessa sua última estada por aqui nunca dobrou seus joelhos em submissão às pressões a que sucumbem os fracos de espírito, muito menos às benesses que os corrompem. Como bem disse o mano Márcio, Seo Porto, Seo José Afonso, Cazuza, papai foi um homem digno e surpreendentemente forte em sua longeva simplicidade.

Suas atitudes sempre foram ensinamentos sobre como não trocar a honra pelo bem material. De acordo com ele, quem assim o faz vive fora dos parâmetros morais sendo cúmplice ou mesmo conivente com quem lesa o que não é seu ou pior, o patrimônio público.

Dizia ele, que mesmo tratando todos de maneira igual deveríamos estar preparados para sermos percebidos de forma diferente. De fato, é assim que acontece na maioria das vezes em que, estando em ambientes onde nos relacionamos social e profissionalmente, ser comum ouvirmos de quem menos se espera palavras que mesmo tendo pouca valia machucam mais que agressões físicas.

O que faz lembrar passagem antigas e até mesmo atuais do dia a dia na política, principalmente nessa época de eleições onde a assunção de cargos invariavelmente acontece em troca de favores e com esquemas obscuros.

Basta olhar a rapidez com que essa gente desprezível se porta ao sabor das mudanças do vento, tal qual acontece nos fenômenos climáticos “El Niño” e “La Niña” que caracterizam, respectivamente, o aquecimento e o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, sempre causando alterações danosas no Continente Sul-americano, principalmente ao Brasil.

Pois é, papai nunca se dobrou e nos ensinou a agir assim quando enfrentamos aquele tipo de vento.

Duas perguntas

O que ganhamos até aqui?

O que poderemos perder daqui para a frente?

Já vi alegarem que o amor venceu o ódio nessas eleições. Sendo assim, vamos buscar no dicionário, o pai dos burros, seus significados.

Amor – forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.

Ódio – aversão intensa geralmente motivada por medo, raiva ou injúria sofrida; odiosidade.

Daí, a tentadora oportunidade para apresentar as duas perguntas acima elencadas. 

Ora, se esse amor existe nos projetos dos que aparentemente venceram as eleições em que parte de seu, até agora, desconhecido plano de governo está esse sentimento? Em suas ações depredadoras dos bons costumes e modos; nas declaradas aversões ao direito de ir, vir, se expressar e crer; na inexistência da propriedade privada; na insinuação de que o patriotismo é um ultrapassado sentimento de autodeterminação; na proposta de internacionalização da Amazônia Brasileira; no apoio recebido do crime organizado; na descriminalização do uso de drogas até agora ilícitas; na liberação do aborto; na exacerbação das diferenças e outras considerações tidas como ilícitas, mas que a qualquer momento os supremos senhores das leis podem interpretar de forma diferente ou na certeza da impunidade para com seus atos?

Bem, devido ao excessivo número de indagações que o amor, sob o ponto de vista ideológico enseja, acho prudente parar por aqui.

E quanto ao ódio? Se o ódio é próprio do governo atual como devemos considerar os esforços despendidos nas soluções adotadas para saciar a sede na região nordeste do país; como explicar os recursos destinados a socorrer estados e municípios durante a pandemia; como entender o programa de auxílio às empresas para que não demitissem seus funcionários; como não perceber o sucesso na destinação de recursos extraordinários às famílias carentes em momento tão singularmente negativo de nossa economia; como não enxergar os investimentos nas abandonadas infraestruturas rodoviária, ferroviária, aquaviária e aeroviária superando todas as expectativas desses setores, inclusive com o termino de obras nunca concluídas mesmo em momentos em que não havia os atrapalhos à saúde econômica no país e no mundo por causa da virose e da guerra em andamento; como acusá-lo de causar desemprego quando alcança índices irrefutáveis de melhoria nos números de recuperação de carteiras assinadas que remetem a situações anteriores a 2015; como não considerar a vigorosa retomada da atividade econômica e do PIB que nos fazem estar em melhor situação que muitos países desenvolvidos; como acusa-lo de não ter tomado as providencias cabíveis contra a covid-19 quando ainda em 03 de fevereiro de 2020 declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, momento em que estados e municípios agraciados pelo autonomia decretada pelo STF não atenderam àquele chamamento ao bom senso e, finalmente, como acusá-lo de não ter adquirido as vacinas necessárias quando nem mesmo os países produtores as disponibilizava para fora de suas fronteiras e o arcabouço legal nacional sobre o assunto o impedia?

Como a nação brasileira aparenta estar em um processo de autocomiseração podemos considerar amor como sentimento do ganhador e ódio como sendo o do perdedor?

São estas as condicionantes às respostas sobre o que ganhamos nesses últimos quatro anos do governo que se encerrará no dia 31 de dezembro de 2022 e o que poderemos perder de lá em diante.

Pois é, minhas dúvidas em relação àquelas duas perguntas iniciais acabaram por aumentar ainda mais. As tuas não?

É falso dizer que o Papa Francisco negou a existência de Deus em vídeo.

Depende.

A informação passada por uma dessas infalíveis agencias de analise de verdades e mentiras não acrescenta nada ao vazio cultural cristão existente sobre o que disse Bergoglio.

Pois bem, toda a prosopopeia dita na pretenciosa análise da fala de Jorge Bergoglio, esse que está Papa, é mera conjectura e abstracionismo sobre o tal parágrafo 234 do livro sobre a doutrina da religião católica. Lendo o texto com outros olhos e ouvindo toda a homilia fica claro que Deus se revelou a nós através de seu Filho falando d’Ele próprio, de seu Pai e do Espírito Santo. Daí, devemos concluir que Deus está entre nós representado pela Santíssima Trindade, posto que são suas três principais revelações, isso porque Ele, Deus, não tem como ser definido e sim revelado. Foi isso que Deus disse através de Jesus Cristo, seu Filho.

234. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. E, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» (35). «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»(36).

A Trindade é una – diz o Dogma da Santíssima Trindade, parágrafo 253 do Catecismo da Igreja Católica.

253. A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66).

Portanto, a informação analisada por pretensos donos da verdade e censores da mentira não deve ser considerada falsa vez que pode sim ser interpretada como uma negação por Bergoglio à existência de Deus, quando disse a herética frase – “Ma Dio non esiste”,  em sua homilia do dia 9 de outubro de 2014. Aliás, mais uma de suas falas progressistas aos neófitos, aqueles que de acordo com a única vez em que aparecem na Bíblia, em Timóteo 3:6 –“Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo“, foi para tratar a respeito das qualificações dos obreiros para o ministério de liderança cristã. Na Bíblia, neófito é aquele que tem pouco conhecimento da religião por ser novato ou pouco esclarecido.

Errado é transferir a divindade do Deus uno para a Trindade, pois ela existe para ser sua revelação aos que Nele creem e não seus substitutos, o próprio Dogma da Santíssima Trindade é revelador e definitivo em relação a isso. No caso, Bergoglio procura criar esse preceito em mais um estratagema rumo ao socialismo por parte da igreja progressista que o elegeu.

Enfim, o Dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) até poderia substituir a palavra Deus nas orações e outros momentos de profissão da fé como sugeriu Bergoglio naquela longínqua homilia, no entanto, essa proposta uma vez posta em prática certamente geraria ainda mais confusão aos fiéis pouco instruídos nas letras da doutrina cristã. Para explicar isso não basta apenas citar o parágrafo 234 do Catecismo da Igreja Católica a quem não tem acesso, tampouco ensinamentos a respeito daquele documento de 944 páginas e mesmo que os tenha, provavelmente seu entendimento será difícil.

A título de melhor explicação, vejamos então o que dizem quatro outros parágrafos, estes anteriores ao 234 no próprio Catecismo da Igreja Católica:

228. «Escuta, Israel! O Senhor; nosso Deus, é o único Senhor…» (Dt 6, 4; Mc 12, 29). «O ser supremo tem necessariamente de ser único, isto é, sem igual. […] Se Deus não for único, não é Deus» (31).

229. A fé em Deus leva-nos a voltarmo-nos só para Ele, como a nossa primeira origem e o nosso último fim, e a nada Lhe preferir ou por nada O substituir:

230. Deus, ao revelar-Se, continua mistério inefável: «Se O compreendesses, não seria Deus» (32).

231. O Deus da nossa fé revelou-Se como Aquele que é: deu-Se a conhecer como «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). O seu próprio Ser é verdade e amor.

Parece confuso para você? Imagina então para os outros que também professam o Cristianismo, o Espiritismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Hinduísmo, Xintoísmo, Candomblé, Umbanda, Taoísmo e tantas outras crenças. Ah sim, inclua nessa lista os ateus, aqueles que não têm religião.  

Última batalha

A luta é ferrenha
O propósito imutável
Meu esforço só aumenta
Na peleja permaneço.

A disputa sempre é dura,
Mas na vida o que não é
Se luto com afinco
Em Deus permaneço na fé.

Até quando for preciso
Carrego minha bandeira
Ela é verde e amarela
As cores de nossa fileira.

Vou leva-la pelo mundo
Muita gente assim se talha
Sendo todos brasileiros
Seguimos juntos na batalha.

Malabaristas ambulantes 





Conheço pessoas que identifico como redondas, mas não pela aparência e sim pelo comportamento. Sim, porque nunca mostram ter ao menos um lado, principalmente quando inquiridas e dizem não ter opinião formada sobre isso nem sobre aquilo, agem como a antítese do que diz Raul Seixas nos versos da música Metamorfose Ambulante e assumem não ter opinião formada sobre nada. Se, como dizem os filósofos do dane-se o mundo que eu quero passar, o cantor se referia em sua letra à mesmice e a estagnação conservadora em interpretação típica dos seguidores da filosofia Paulofreiriana, certamente também nela se baseiam os “redondos”.

Estes sim, verdadeiros malabaristas ambulantes, aquelas pessoas que só depois dos acontecimentos findarem se manifestam e assumem um lado. É quando se deixam rolar conforme desce a ladeira.

São como bolas de gude, as bolitas que lançávamos na direção que queríamos em nossos jogos de crianças. Os que agem assim são perfeitas expressões do que definimos como aproveitadores, aqueles que são levados pelas ondas das marés da vida e dançam conforme a música.

Estão sempre de bem com os poderosos, pois é deles que tiram seu sustento. Por princípios, melhor dizendo, na falta deles, havendo lucro e por aí que vão. Gravitam no entorno de seus mandantes enquanto deles podem tirar proveito, daí não se importarem em girar como peões nas mãos de quem tem a corda, tanto que nelas permanecem até caírem ou serem descartados. Enquanto isso, vão acumulando “dinheiros” sem se importar com a origem nem com os malefícios que isso possa causar.

São os que agora e em outros momentos de decisão não se manifestam. É quando voltam a assumir aquele formato que não tem lado nem personalidade, razão pela qual não medem as consequências de seus atos, apenas torcem para que tudo de certo…para eles.

Uma das justificativas é que assim o fazem por não saberem considerar o futuro e, como todos os egocêntricos, nessas ocasiões olham apenas para os próprios umbigos. Outra delas, é a de que “o futuro a Deus pertence”. Essa então, ao contrário do sentido divino da frase, não passa de uma desculpa esfarrapada para justificar sua covardia intelectual e, por consequência, a própria falta de humanidade.

Que Deus, Aquele que arquiteta nossa existência, nos receba conforme forem os meus, os seus, os nossos atos.

Vivemos em um Novo Mundo, somos livres.

O que está acontecendo a olhos vistos é a constatação de que a esquerda está perdendo a capilaridade que construiu devido à seletividade das informações que submeteu aos brasileiros, principalmente os das camadas de menor poder aquisitivo e os jovens que frequentaram escolas, universidades públicas e até privadas nas décadas que se seguiram após a reforma do ensino imposta por seguidos governos social-democratas, socialistas e comunistas, nessa ordem de involução. Isso se deu através da implantação do método Paulo Freire de ensino no sistema educacional do país.

O sucesso às avessas desse processo de impregnação e cooptação sob influência de Antonio Gramsci, comunista italiano e apóstolo da emancipação das massas através da infiltração de ideias desestruturantes contra conceitos conservadores de moral, civismo, religião, família e pátria, fez com que perdessem o controle da situação pela própria inviabilidade da proposta de desinformar contida no processo de lavagem cerebral colocado em prática.

É certo que uma das metas se cumpriu, a da desconstrução do que havia sido alcançado. Essa então, foi tão bem sucedida que acabou por afetar de maneira fatal seu próprio objetivo ou seja, a falta de programas de educação básica e superior voltados a ministrar conhecimento especializado em um mundo cada vez mais competitivo fez com que o padrão intelectual do ensino no país, uma vez nivelado por baixo, descesse a nível anterior ao da virada do século, este medido por instituições internacionais que sistematicamente acompanham o desenvolvimento educacional no mundo.

Também é perceptível que o feitiço virou contra o feiticeiro. Para tanto, basta observar quão refratária foi a reação da maioria da população em relação às propostas dos partidos de esquerda que disputaram as eleições de 2018 e como está agora em pleno curso da campanha eleitoral que se encerra no último trimestre de 2022, quiçá ainda no dia 2 de outubro.

Assim pretendem os que naquele dia optarão pela permanência do governo que aí está posto que e se propõe a dar continuidade nas mudanças que a muito custo vêm sendo implementadas rumo à consolidação da verdade. Verdade, que uma vez conhecida liberta.

O Brasil de hoje, diferentemente de outros países, não é detentor da cultura escravagista de quem o colonizou, não foi palco de sangrentas guerras mundiais nem dos extermínios em massa implementados por regimes totalitários de esquerda. Por isso, somos um país pacífico, certamente fruto da miscigenação racial e cultural dos povos que amalgamaram nossa gente; um país de dimensões continentais devido a bravura de nossos antepassados, razão de também falamos uma única língua; somos parte do verdadeiro Novo Mundo, aquela localizada na porção mais a oeste do hemisfério ocidental; estamos livre e desembaraçados dos laços colonialistas europeus graças aos sentimentos patrióticos de quem nos libertou dos grilhões que nos mantinham acorrentados às condições de degradados, explorados e vilipendiados, que novamente tentam nos impor os propositores da Nova Ordem Mundial.

Atrás da escuridão

Atrás da escuridão,
No merecido sono,
Há sempre momentos,
Que levam ao relento.

Histórias passadas,
Pessoas amadas,
Até odiadas,
Lembranças fadadas
Ao esquecimento.

Que a mente resgata,
A alma maltrata,
E se o corpo não marca
Machuca por dentro.

É um abismo sem fim,
Cair no vazio,
Espaço aberto,
Fundo do poço.

Águas revoltas,
Que roubam o fôlego
Afogam a calma,
É esse o intento.

O coração desanda,
Bate, rebate,
Resgata a vida,
Que quase perdida
Se esvaia no sonho.