Memórias da comitiva e o pé da bota

Cazuza (José Afonso Portocarrero) na Fazenda Bonfim

Preâmbulo -Os fatos narrados nesta história ocorreram em fevereiro de 1940.

I – O pedido de Salomão

De vez em quando alguém aparecia para pedir ajuda e ela como toda mãe acabava por atender aos filhos. Mãe é mãe sob qualquer circunstância, em especial Dona Maria Rita, vó Rita, a matriarca da família. Ela sempre ajudou a todos que vinham a sua procura mesmo depois de terem recebido suas partes no espólio do pai.

Quando seu marido, Affonso Loureiro de Almeida, vô Affonso, morreu ela mandou separar 400 hectares para cada filho e filha de modo a que todos fossem aquinhoados da mesma forma e pudessem tocar suas vidas dali por diante. Assim era vó Rita, sempre coerente com o que lhe parecia ser justo. Também ficou acertado que da produção da Fazenda Vaquilha que lhe restou todos iriam receber suas partes, e foi assim que aconteceu.

No caso em questão, Salomão, seu quarto filho, que na primeira partilha havia recebido da mãe a área conhecida como Tamanduá, desta vez veio pedir gado para recomeçar a vida com sua segunda esposa, tia Mariota, Maria Alves Nogueira, uma cuiabana que chegara à região com o falecido marido, um italiano construtor de pontes chamado Chiaparo.

Chiaparo havia adquirido terras nas fraudas da serra da Bodoquena já no município de Miranda e próximas, não mais que uma légua, de um lugarejo conhecido por Lalima cujo proprietário aproveitou a boa localização de sua fazenda para montar um ponto de comércio de modo a atender as propriedades a sua volta bem como as diversas aldeias indígenas da região. Uma delas a aldeia Lalima, da qual tirou o nome para sua fazenda por ser a mais importante e conhecida. A aldeia Lalima de fato ficava relativamente próxima daquele lugar, mas do outro lado do rio Miranda logo após a embocadura do rio Chapena.

Vó Rita estava na sala da fazenda com outros de seus filhos e ouviu de Salomão que ele havia começado a tocar a fazenda da esposa que agora também era dele a qual estava praticamente pronta só faltava o gado, para isso contava receber o que pudesse ser adiantado da parte que lhe caberia do patrimônio remanescente do pai.

A solução que se encaminhava não agradaria a todos, mesmo Dona Maria Rita fazendo de tudo para resolver o assunto com o menor desgaste possível. Athanásio, que abandonara os estudos para ser o braço direito da mãe e como tal encarregado de fazer andar a Vaquilha que restara saiu da sala antes mesmo de acabarem a conversa dizendo que aceitaria o que fosse acertado, mas que não participaria da decisão.

Uma vez decidido o que seria feito e com a concordância de todos Athanásio chamou o primo Idelfonso Pinheiro que veio de Bela Vista para arrebanhar e fazer a entrega do gado que Salomão receberia. Ildefonso foi chamado por sua disposição, pelo parentesco e principalmente por sua natureza pacifica e conciliadora.

Nessa altura dos acontecimentos e vendo que tudo estava indo bem em relação as vacas Salomão também pediu touros e cavalos justificando que assim teria melhores condições de tocar a fazenda. Ao final, Dona Maria Rita atendendo ao filho mandou entregar a Salomão 200 vacas e dois touros. Quanto aos cavalos, apenas um animal seria cedido a ser escolhido entre aqueles usados na comitiva que iria levar o gado. Além disso, soube-se que ela também entregou a ele uma determinada quantia em dinheiro para o pagamento do pessoal que faria o serviço.

É aí que entra o Cazuza nessa história. Ele que estava por ali de férias foi convocado pela avó e pelo tio Athanásio para estar junto com o pessoal que iria levar o gado encarregado de zelar para que tudo corresse bem.

A comitiva seria composta de três pessoas, Cazuza, então com 17 anos, Ramão filho do tio Manequinho e Eugênio, filho de Pedro Borevi, um dos agregados do tio Antero, ambos um pouco mais velhos que ele, mas cientes de seu papel na jornada que teria início tão logo as reses fossem reunidas. Junto com eles seguiria Salomão para mostrar o caminho até a Fazenda Pastinho que estava a 35 léguas de distância.

Athanásio, tratando de minimizar a tarefa que impusera ao sobrinho deu a ele uma quantia em dinheiro mais seis palas que havia comprado no Paraguai. Os palas foram um incentivo à responsabilidade de Cazuza de modo que o orientou a vende-los no caminho para ganhar uns trocados quando fosse devolver o investimento ao voltar.

II – Alcinda

Naquela noite Cazuza foi se deitar mais cedo que de costume. Por sua cabeça passava uma tempestade de dúvidas sobre como seriam aqueles dias que estavam por vir e o peso da responsabilidade que lhe haviam dado a avó e o tio. Mesmo assim, pouco conseguiu dormir e nas primeiras luzes do dia já estava acordado. Pouco tempo depois ouviu barulho na cozinha, era Alcinda atiçando a lenha do fogão para iniciar os afazeres do dia.

Foi chegando de mansinho tentando passar despercebido porque Alcinda ainda não o tinha perdoado por ter jogado café quente em suas pernas. Imperdoável, dizia ela sobre o incidente envolvendo os dois nas férias do ano anterior quando a moça se negou a dar café para ele na frente de todos que estavam jantando na grande mesa da sala. Na ocasião, Alcinda, apesar de ainda muito jovem já tinha ares de dona do serviço e não quis servir seu café alegando que criança não tomava café com adultos.

– Se quiser café vai ter que ir na cozinha como fazem as outras crianças.

Todos riram, inclusive vó Rita achou graça da pendenga entre os dois, mas logo as conversas sobre os assuntos da fazenda os fez esquecer do acorrido. Menos Cazuza, ele ficou mais um tempo por ali disfarçando a sengracera, mas já bolando uma vingança a altura da petulância de Alcinda. Passados alguns minutos saiu discretamente da sala e foi em direção a cozinha. Lá chegando verificou que o bule com o café ainda estava sobre a quentura do fogão pegou uma caneca de alumínio na prateleira, serviu uma boa quantidade e ao passar pela distraída Alcinda jogou o líquido quente em suas pernas e saiu correndo pela porta que dava para a varanda dos fundos rumo ao galpão onde passaria a noite bem longe da encrenca que aprontou. No dia seguinte tratou de voltar para Bela Vista na primeira chance que teve para escapar da bronca que provavelmente viria acompanhada de uns puxões de orelha.

Alcinda sempre mereceu ser lembrada por todos devido sua história de vida, então vale a pena contar como foi que ela surgiu em nossa família através das recordações daqueles que a guardam na memória.

Certo dia, chegando ao prédio da Agência dos Correios onde trabalhava Elisa, filha mais velha de Dona Maria Rita, (Francisco era o primogênito) foi surpreendida por uma pessoa que aos gritos dizia estar indo jogar no rio a criança que trazia. A criança, recém-nascida, ainda guardava sinais das agruras do parto, muito provavelmente feito pela própria mãe. A mulher, sem destino como muitos dos encravos libertos que haviam vindo para a região era conhecida por perambular pelas ruas da cidade e naquele momento carregava a criança de forma decisiva rumo ao rio Apa que estava a não mais que duas centenas de metros à frente.

Elisa, constrangida com a dramática cena que se desenrolava a sua frente segurou-a com firmeza na tentativa de acalmar seu estado de espírito e assim dissuadi-la de levar adiante seu ato de desespero, no entanto, por mais que se esforçasse não estava conseguindo fazer a mulher parar de tentar se desvencilhar dela até que também desesperada gritou dizendo que ficaria com a criança porque nada justificava pôr fim a uma vida, nem os argumentos descabidos de uma mãe ciente de sua incapacidade para cuidar daquela menina e dos outros filhos que certamente tinha. Era Alcinda.

Assim ela chegou à nossa família, muito provavelmente lá pelos idos de 1922, quando passou a ser criada com o carinho de Elisa que ficara viúva muito cedo, tanto que ainda não tinha filhos e ficou com ela até quando se casou com Sóter de Araújo França indo com ele morar em Campo Grande. Alcinda, não foi porque ainda era muito nova, ela tinha dois ou três anos a menos que tia Gloria, por isso permaneceu morando com Dona Maria Rita. Inteligente e esperta, além de fazer companhia para Glória a filha caçula da família com o tempo passou a ajudar nos afazeres da casa e da fazenda, ambas sempre cheia de gente por onde constantemente passavam filhos, netos e bisnetos da Donhá, forma carinhosa como Alcinda chamava Dona Maria Rita.

Cazuza se lembra de Alcinda como uma pessoa alegre, prestativa e sempre disponível para ajudar em tudo que fosse necessário. A última vez em que se encontraram foi no Clube dos Sessenta durante as festividades das Bodas de Prata dos tios Glória e Mário Battilani. Depois da festa foram jantar na casa do tio Athanásio, ocasião em que riram bastante ao contar para a filha da Alcinda as peripécias que aprontaram quando ainda crianças, inclusive o causo do café.

III – Tocando a boiada

Voltando a nossa história, a tropa da pequena comitiva era composta por um cavalo, o mouro marca pote usado por Cazuza e nove éguas redomonas além, naturalmente, do grande burro que servia de montaria principal ao tio Salomão. Os custos dessa empreitada incluíam as diárias, eventuais estadias e alimentação do Ramão, do Eugénio e do Cazuza, encarregado que foi por Athanásio de cuidar para que tudo corresse bem. Salomão quase nunca estava junto a eles, ia sempre na frente após dar o rumo a ser seguido, exceto nas primeiras cinco léguas da viagem, trecho que os levaria até a Fazenda São Luís onde iriam fazer a primeira parada.

Partiram de madrugada tocando a boiada pelos caminhos que serpenteavam as terras das famílias Loureiro de Almeida, Pinheiro e Mello, todas inquestionavelmente importantes no processo de ocupação e desenvolvimento daquela parte da fronteira do Brasil com o Paraguai. Como testemunhas do pioneirismo dessas famílias lá estavam a Vaquilha de onde partiram e São Luís, para onde se dirigiam. Com o gado descansado e a disposição de todos garantida por ser esse o primeiro dia de jornada venceram tranquilamente a distância que separava as duas sedes e no final do dia chegaram a São Luís bem a tempo de recolher o gado no curral e soltar os animais de montaria no potreiro. Só depois se dirigiram ao grande galpão onde encontraram a pionada da fazenda que já os aguardava com café quente e mate na guampa.

Depois foram todos tomar banho no açude onde também refrescaram os animais que haviam montado até ali. Cazuza, arrumado para ir a casa sede onde ia encontrar o tio que para lá tinha se dirigido tão logo chegaram e foram informados da gravidade da situação de saúde de Sebastião Toledo que naquele mesmo dia tinha levado um coice na cabeça durante a lida com o gado foi parado por Salomão assim que este chegou ao galpão dizendo que a situação estava mesmo complicada. Então, achou melhor ficar por ali ciente de que ele não estava em condições de receber visitas.

Se desse, na volta passariam por lá novamente, desta vez com tudo sobre controle e com tempo de sobra para encontrar o marido de Dona Margarida, a “tia” Margô sem os atropelos daquele momento complicado pelo qual todos passavam. Tia Margô era prima de sua mãe, filha de Perciliana Loureiro de Almeida com Cândido Pinheiro e irmã do Idelfonso Pinheiro que a pedido do tio Athanásio tinha ido à Vaquilha para apartar e entregar o gado que estavam levando.

Margô estava em sua residência de Aquidauana e como a situação de seu marido inspirava maiores cuidados o pessoal da São Luís decidiu mandar alguém até o Boqueirão pedir ao motorista da jardineira que avisasse Dona Margarida para junto com o irmão Candido Pinheiro, o Tanguinho, viessem em seu socorro o mais rápido possível.

Depois de comer, Cazuza, Ramão e Eugênio foram se acomodar no galpão enquanto aguardavam para saber se iriam ficar para ajudar em alguma coisa ou seguir em frente com a boiada. Salomão, considerando que tudo estava bem no que se referia ao que poderiam fazer quanto ao amigo decidiu partir no dia seguinte tão logo amanhecesse. Após a curta conversa e enquanto se preparavam para dormir Cazuza não resistindo à curiosidade que carregava consigo desde a fazenda da avó perguntou ao tio o porquê dele estar somente com um pé de bota.

– Quer saber o que aconteceu comigo Cazuza? Disse o tio com seu largo sorriso acompanhado de uma boa gargalhada. Vou contar somente para você, e que ninguém mais saiba, senão vão me perturbar por um bom tempo. Não se preocupe porque não estou machucado, é que deixei o outro pé em garantia. Perdi no carteado e como na ocasião não tinha como pagar a aposta deixei lá o pé que está faltando, e vamos parar de conversa mole e tratar de dormir porque amanhã o dia será longo disse ele apagando a lamparina.

Pois é, a curiosidade de Cazuza vinha se arrastando desde que o tio Salomão havia chegado na Vaquilha com um dos pés sem bota, em seu lugar calçava um desajeitado tamanco e isso havia deixado todos intrigados. Afinal, o pé com tamanco não parecia estar machucado e o pé com bota mostrava que ele estava em boas condições. No entanto, ninguém se atreveu a perguntar nada porque assim como Salomão sabia ser brincalhão também tinha momentos em que não era, e aquela não parecia uma boa situação para testar seu estado de ânimo.

IV – Precisamos chegar ao Curé

Dia seguinte saíram bem cedo e seguiram firmes na toada para a próxima parada. Já no meio da tarde atravessaram o rio Verde em direção ao Curé, uma paragem que ficava nas margens do Rio da Prata a outras seis léguas de distância. Antes atravessaram uma área alagadiça onde tiveram que contornar uma enorme lagoa que na ocasião estava ainda maior por causa das chuvas de verão o que acabou por atrasar a empreitada daquele dia. Sabedores da possibilidade de que dormir com o gado solto e em uma região bastante úmida significaria mais trabalho para todos decidiram seguir em frente mesmo que chegassem tarde da noite ao Curé. Sabiam que a jornada deixaria todos muito cansados mais valeria a pena.

Salomão que conhecia o lugar garantiu que o esforço seria recompensado porque a estrutura da fazenda era muito boa. Era um local onde sempre fazia parada, lá poderiam manter o gado nos currais, descansar e também se abastecer no comércio mantido pelo dono. Queijo fresco, charque e bolacha seriam mais que bem-vindos, ainda mais se acompanhados de uma boa lata de marmelada para levarem e com isso enganar a fome durante o resto do percurso que àquela altura sequer estava pela metade.

Chegaram ao Curé já bem tarde e enquanto Salomão saiu a procura de alguém para acertar a pousada os outros foram logo tratando de recolher o gado. O curral era dos antigos, daqueles que ainda tinham as divisões fechadas com varões o que demandaria tempo para manuseá-lo porque para isso alguém tinha que estar apeado. Pois não é que quando as reses estavam quase todas acomodadas um enorme gato passou correndo pelo meio do curral e causando um reboliço tamanho que muitos deles acabaram voltando para fora sem que nada pudesse ser feito para impedir a debandada. Naturalmente que um alvoroço desses chama a atenção de todos o que fez com que Salomão chegasse correndo ao curral na companhia da pessoa que havia ido procurar.

 – E agora, como vamos fazer para reuni-los novamente nessa confusão perguntou um exausto Cazuza.

– Não se preocupem, disse o senhor que chegara na companhia do tio, amanhã estarão todos aqui por perto, ficarão junto ao gado leiteiro que vem dormir próximo ao curral por causa dos bezerros. Além do mais, seu gado deve estar cansado e faminto o que certamente fara com que não consigam ir muito longe. Podem acreditar, tenho certeza que logo vão parar. E tudo aconteceu da maneira como foi dito. Pela manhã, estavam todos nas proximidades do curral.

V – Melhor vocês seguirem em frente

A próxima parada seria depois do Distrito de Paz de Bonito, antiga Fazenda Rincão Bonito, que ficava a distância de outras 12 horas de cavalgada tocando o gado. Antes de chegarem, já bem pertinho, quando já estavam no rio Formoso Salomão pediu que parassem o gado e esperassem um pouco, pois precisava falar com uma pessoa que morava no vilarejo.

A história daquele lugar, hoje cidade de Bonito, é anterior à guerra do Paraguai, remonta a 1778 com a construção do presídio de Nossa Senhora do Carmo do Rio Miranda após a expulsão dos espanhóis da região pelos portugueses na intenção de capturar os inúmeros índios que lá habitavam. Após algum tempo as relações com os índios se tornaram amistosas e permitiram que aos poucos um pequeno povoado fosse sendo constituído no entorno do presídio e foi assim que tudo começou.

Pois é, voltando novamente à nossa história, como não aproveitar as águas frescas e cristalinas do rio Formoso para um bom banho, tirar a sujeira da cansativa viagem e ainda curtir a beleza praticamente intocada daquele remanso onde haviam parado. Foi o que os três fizeram e ainda tiveram tempo de estender suas redes para um descanso. Após algumas horas Salomão voltou para dizer que precisaria ficar ali para resolver alguns assuntos urgentes e orientou para que seguissem até uma fazenda que ficava pouco diante no pé da serra e em seu nome pedissem pousada ao proprietário, Arlindo de Oliveira Flores.  

Vários anos depois, Arlindo de Oliveira Flores viria a ser o sogro do João da Sinhara, irmão do Cazuza, que se casaria com sua filha mais nova, a caçula Gedy. Esse mundo dá suas voltas, essa certamente foi uma delas. Seguiram então como orientado, mesmo com a possibilidade de pegarem chuva forte no caminho na medida em que iam na direção das nuvens cinzentas que se mostravam lá pelos lados da Serra da Bodoquena.

Após avançarem por um bom tempo encontraram um cavaleiro bem vestido e apetrechado, mas de pouca conversa que parou para vê-los passar, sinalizou um cumprimento pegando na aba do chapéu e seguiu rumo ao vilarejo. Tivessem perguntado teriam sabido que se tratava do amigo a quem Salomão se referira, o tal Arlindo, e teriam evitado o perrengue de ter que seguir em frente vez que não conseguiriam pousada no local para onde se dirigiam.

Chegaram a fazenda indicada pelo tio com a pouca claridade que uma tarde chuvosa oferecia e foram recebidos de maneira diferente da que esperavam encontrar. Com a ausência do Arlindo, Miro, seu filho mais velho, tratou logo de despachar a comitiva com a justificativa de que tinha orientação do pai para não receber estranhos enquanto ele estivesse fora. Além do mais, nossa curralama não tem condições de abrigar todo o gado que vocês estão tocando.

Como no início da conversa Cazuza havia dito o dono e o destino da boiada que levavam, Miro, preocupado com mau tempo que se avizinhava sugeriu que para evitarem dormir ao relento e com o gado solto seria melhor seguirem adiante por mais ou menos uma légua até subirem a rampa da pequena serra que se mostrava logo à frente quando chegariam à Fazenda Jabuti, lugar onde teriam condições de recolher o gado e alojamento. Lá, com certeza será um bom lugar para o pernoite.

VI – O estouro da boiada

Foi só o tempo de subirem a serra e a chuva que vinha se formando caiu sobre eles com seus raios, trovões, muita água e escuridão o que causou o segundo estouro da boiada que conduziam. A dispersão foi enorme a ponto dos três se perderam uns dos outros na tentativa de controlar a situação. Demorou, mas na base de gritos conseguiram se reencontrar e decidiram deixar as coisas como estavam para ir à procura de ajuda na Fazenda Jabuti que estava perto antes que a situação piorasse com o temporal.

A pessoa que os recebeu vendo a condição em que se encontravam e após saber que já estavam em uma de suas invernadas quando tiveram que abandonar o gado para virem a procurar de ajuda os tranquilizou dando a eles o necessário e reconfortante abrigo. Não se preocupem, disse o homem, entrem e troquem essa roupa molhada enquanto providencio comida para vocês. Foi assim a recepção que tiveram na Fazenda Jabuti. O nome do simpático proprietário, Cazuza por mais que se esforçasse nunca conseguiu lembrar.

Ficaram lá conversando um pouco enquanto se acomodavam tranquilizados com a informação de que no dia seguinte o pessoal da fazenda iria ajuda-los a encontrar o gado extraviado. Caso fiquem algumas reses sem serem encontradas nós as acharemos mais cedo ou mais tarde. Diga ao seu tio para vir busca-las depois, quem sabe assim ele apeia por aqui com tempo para nos conhecermos tomando um mate, disse ele enquanto abria seu largo e cativante sorriso.

No outro dia bem cedo lá estavam eles prontos para sair à cata do gado extraviado e novamente ouvindo as palavras tranquilizadoras do proprietário da fazenda que acostumado na lida com gado explicou que devido à chuva e o fato de estarem exaustas as vacas, devem ter parado pelo cansaço e se deitado na invernada para descansar do susto. Além do mais quando chove, nesses casos é comum ficarem deitadas um pouco mais de tempo após o amanhecer.

Partiram após traçarem o plano de busca e foram se separando a medida em iam encontrando vacas, touros e éguas, cada grupo trazendo os animais para a beirada da cerca na intenção de reuni-los o mais rápido possível. Foi em um desses vai e vem que Cazuza levou uma rodada. Ao se embrenhar em capão fechado correndo atrás de uma vaca foi direto para uma caixa de marimbondo escondida nas folhagens de um pé de pequi. A cabeça do cavalo foi imediatamente atacada e fez com que ele saísse em disparada arrastando Cazuza que ficou preso pelo pé nas voltas do laço amarrado na garupa de sua cela. Seguiram assim até que o pé se soltou e ele ficou estatelou no chão. O cavalo seguiu em sua desesperada carreira levando consigo os insetos para bem longe. A peripécia não passou despercebida, tanto que logo chegaram para socorre-lo e vendo que ainda estava meio zonzo, mas inteiro trataram de recuperar sua moral ameaçando mijar na cabeça dele caso não se recuperasse logo alegando que aquela era uma simpatia infalível para recuperar a consciência nesse tipo de tombo.

As gozações continuaram até levarem o gado que tinham conseguido juntar para o curral e fazerem a conferência. Faltaram 6 vacas, mas decidiram ir embora assim mesmo, ainda mais porque tinham a garantia de que Salomão poderia buscá-las assim que pudesse.

VII – A fazenda Pastinho

Após os muitos agradecimentos seguiram em frente, no caminho ainda passariam por aquele lugar de comércio próximo a Fazenda Pastinho e citado anteriormente. Uma região por onde vários índios (os antigos os chamavam de bugres) perambulavam. Outra constatação que Cazuza fez desde São Luís até a fazenda Pastinho foi que os índios ou bugres que iam encontrando pelo caminho foram aparecendo com maior frequência a medida em que se aproximavam de seu destino.

Ali, algumas vacas do local se misturaram com as reses da comitiva o que acabou por promover o último atraso na empreitada. Como já era final de tarde quando chegaram o gado leiteiro já estava perto do curral e aconteceu de uma vaca da propriedade se misturar com a boiada não sendo possível apartar a danada do rebanho sem fazer uso do laço.  As habilidades do Ramão vieram a calhar nessa ocasião, bastou uma única oportunidade e lá estava ele boleando seu laço para em certeiro arremesso derrubar a vaca intrometida segurando-a até que Eugênio e Cazuza pudessem aparta-la.   

Enquanto Ramão e Eugênio arrumavam o acampamento para passar a noite Cazuza foi até o comércio comprar alguma coisa para comerem, foi quando o dono do estabelecimento informou que Salomão havia passado por lá mais cedo e avisado que a comitiva com seu gado passaria por ali no final do dia. Sabe-se lá como e onde foi que aconteceu, mas ele havia passado na frente da boiada.

Dia seguinte saíram cedo para percorrer o último trecho da comitiva rumo a Fazenda Pastinho, daquela vez sem encontrarem nenhuma dificuldade até a porteira onde Pedro Afonso, filho do tio Salomão, na companhia de um dos bugres que trabalhava na fazenda estava esperando por eles, ambos montados em pelo e com os animais só no cabresto. Dali seguiram juntos até a sede onde tia Mariota e suas duas filhas, Nézia e Nena, os aguardavam. Nézia era o apelido carinhoso de Maria Venêzia Chiaparo, nome dado pelo pai em homenagem a Veneza, provavelmente sua terra natal. Finalmente estavam em seu destino após uma longa jornada, mas uma aventura que ainda não terminara. Tia Mariota, com seu jeito de ser foi ao encontro deles e em cuiabanes castiço disse um sonoro “acúde djente, espia o Cazuza aí”, e foi logo abraçando o sobrinho que feliz em vê-las ainda apeava.

Tio Salomão não estava, de acordo com a tia teve que sair para tratar de negócios dizendo que estaria de volta no dia seguinte para receber o gado e fazer os acertos com o pessoal da comitiva.

Passaram o resto do dia descansando. Cazuza até aproveitou para fazer companhia a prima Nézia que a pedido da mãe foi até as margens do Rio Chapena onde morava Seu Pixi, compadre de seu pai, para buscar feijão.

Salomão só apareceu no final da tarde do dia seguinte e pediu que deixassem para conversar no dia seguinte porque estava muito cansado. Tão logo amanhecesse acertariam tudo e poderiam iniciar a longa viagem de volta para a Vaquilha.

Confere daqui, verifica dali, estavam lá as 194 vacas, como descrito antes seis haviam se extraviado na Fazenda Jaboti, os dois touros e as éguas das quais Salomão escolheria uma. No final, ele ficou com duas das équas, as duas melhores, e na hora do pagamento do pessoal entregou parte do que devia a cada um dizendo que havia combinado que a diferença seria paga por Dona Maria Rita quando retornassem à Vaquilha.  Quem é que ia dizer que não?

– O senhor está com o outro pé da bota tio, pagou ou ganhou ele de volta? Perguntou Cazuza ao ver que o tio estava com o par completo nos pés.

– Ora, ora, … isso você nunca vai saber respondeu o tio, e saiu rindo na direção de tia Mariota que os observava do alpendre da casa.

E lá foram os três se preparar para enfrentar o longo caminho que teriam pela frente. Uma viagem bem mais tranquila e certamente mais rápida porque dali para a frente iriam no ritmo mais forte que conseguissem cavalgar levando com eles alguns potes de doce, presentes da tia Mariota para a sogra. A próxima parada seria onde os cavalos pudessem chegar e o tempo permitisse.

VIII – A volta

Desobrigados da tarefa e animados por estarem retornando homens e animais seguiram em boa toada até o comércio do Lalima onde na ida Cazuza havia oferecido seus palas para o comerciante, mas não haviam chegado a um acordo. Pararam para outra tentativa de venda, por sorte desta vez lá estava um fazendeiro da região que ouvindo a conversa se interessou em ver o material e acabou comprando todos os seis por um bom preço. Dali seguiram adiante até que ao final da tarde estavam novamente na frente da Fazenda de Arlindo Flores. Desta vez ele os recebeu para o pernoite. Cazuza foi convidado para jantar, talvez como forma de corrigir o desconforto anterior e teve a oportunidade de conhecer toda a família dos Flores. Ele se lembra dos rapazes e meninas, mas não saberia dizer quantos nem quem eram por ser uma prole numerosa, exceto o Miro com quem estivera alguns dias antes.

A próxima parada seria nas margens do rio Formoso onde pararam afastados do vilarejo de modo a não perder tempo, queriam mesmo era chegar em casa o mais rápido possível. Dia seguinte forçaram o passo para chegar ao rio Verde onde pararam na propriedade de um antigo empregado de Nhô Fonso, um senhorzinho surdo. Aliás, já era surdo quando esteve trabalhando na Vaquilha. Dali, depois de uma bela carne assada na brasa ouvindo histórias dos velhos tempos dos primórdios da Vaquilha e das outras fazendas da família, uma noite bem dormida e após um belo quebra-torto de picadinho de carne seca com mandioca e ovo frito partiram para o último trecho do caminho com a intenção de só parar para comer no bulicho de um turco que existia no meio do caminho. Depois, só a Vaquilha mas não ia dar para parar novamente em São Luís para ver como estava o “tio” Sebastião Toledo, a pressa era muita e o cansaço nem dava para medir. Ainda mais que souberam que ele foi já estava bem e fora levado para Aquidauana a fim de se recuperar melhor.

Por volta do meio dia quando chegavam à beira do que diziam ser uma das nascentes do rio Piripucu, lugar onde pretendiam parar para almoçar a égua que era usada pelo Eugênio empacou e não houve jeito de faze-la seguir em frente a não ser desmontada e puxada a laço. Assim, após comerem e um breve descanso para os animais seguiram céleres até entrar nas terras de Militão Loureiro de Almeida, irmão de seu avô Affonso, a Fazenda Boa Vista, onde soltaram no piquete a extenuada égua que novamente empacara, desta vez acompanhada de uma pitiça que também se negou seguir adiante. Com isso Cazuza chegou sozinho na Vaquilha já noite estabelecida. Romão e Eugénio foram ficando pelo caminho a medida em que iam passando perto de suas casas, mas com a combinação de irem para a sede da fazenda no dia seguinte logo cedo.

Foram mais ou menos meia légua sozinho tocando o resto das éguas da tropa que na prática simplesmente seguiam junto, apressadas, levadas por seus instintos ao perceberem que estavam perto de casa. Quando chegou no galpão após deixar as éguas no potreiro foi que Cazuza percebeu que não havia ninguém por lá. Seguiu então até o casarão onde encontrou Roque e Dolores de caseiros. Todos os outros tinham ido para Bela Vista aproveitando o feriado de Carnaval.

Enquanto Dolores foi preparar um boa e reforçada janta Cazuza guardou os apetrechos de montaria que havia usado, tomou banho e colocou roupa limpas. Depois conversaram, ele e Roque, sobre como haviam decorrido os dias na fazenda e na viagem. Afinal, foram 12 dias entre ida e volta, havia muito assunto para prosear. Vendo que Cazuza estava cansado e pensando em ajudar a resolver a questão dos pagamentos que ficaram pendentes Roque achou melhor irem dormir e sugeriu que no dia seguinte ele seguisse até Bela Vista para falar com sua avó levando junto Romão e Eugenio de forma a deixar tudo acertada com eles.

IX – Vamos para Bela Vista

E foi assim, mesmo com o cansaço ainda tomando conta dos três lá foram eles para a cidade encontrar Dona Maria Rita.

Ela não estava, tinha ido conhecer a casa nova do Ildefonso Pinheiro, aquela lá de cima, perto do colégio das freiras onde iria passar o dia com ele. Cazuza então deixou Romão e Eugenio a sua esperara na casa da avó e foi procurar por dela. Para quem não se lembra, naqueles tempos Dona Maria Rita morava na casa de madeira que depois ficou para tio Félix. Ela ficava na esquina da Rua Cuiabá com a Rua General Osório. Nesta última e a meia quadra de distância Athanásio construiu a casa onde morou até falecer. Anos depois, seguindo a calçada da Rua Cuiabá no sentido do Rio Apa, na esquina seguinte, tia Glória e seu marido Mario Battilani também construíram a casa onde residiram até o fim de suas vidas.

Logo que chegou ao portão que havia na mureta da casa encontrou um dos empregados e perguntou por Dona Maria Rita dizendo que precisava falar com ela com uma certa pressa. Ficou ali no alpendre aguardando até que Dona Maria Rita veio em seu encontro. Como sempre prevenida que só, lembra cazuza, ela estava com sua inseparável valise a tiracolo.

– O que aconteceu meu filho, porque você está precisando falar comigo? Disse sua avó preocupada com o que poderia ter acontecido.

– Sua benção minha avó, eu tive que vir até aqui para prestar conta da viagem porque uma parte do pagamento do pessoal encarregado de levar o gado não foi feita. Tio Salomão disse que a diferença seria para acertar com a senhora quando chegássemos na Vaquilha. Como fiquei sem saber o que fazer quando soube que a senhora não estava lá. Então o Roque sugeriu que eu viesse para Bela Vista contar o que havia acontecido porque a senhora iria passar um bom tempo por aqui. Então conversei com o Romão e o Eugenio e decidimos vir.

Dona Maria Rita pediu para Cazuza entrar com ela em uma sala desocupada e foram tratar de acertar as diferenças que haviam ficado.

Os detalhes de valores e outras questões pendentes não vêm ao caso, o interessante é que Dona Maria Rita pedindo discrição ao neto disse a ele que havia entregue ao filho Seis Contos de Reis com os quais Salomão deveria pagar todas as despesas com a comitiva, ficando o restante para ele investir na fazenda. Era uma quantia mais que razoável para a época.

Com o tio Athanásio, ele prestou contas no dia seguinte. Fez um relato dos acontecimentos na viagem, detalhou as despesas e pagamentos efetuados e disse que o saldo do dinheiro que tinha recebido da avó para as outras despesas da viagem foi entregue ela no dia anterior. Falou das éguas que tinham ficado no piquete da fazenda Boa Vista e da outra com a qual Salomão havia ficado. Depois entregou os Trezentos Mirreis que conseguiu com a venda dos palas e recebeu de volta todos os Cento e Vinte Mirreis do lucro obtido.

Conforme orientado pela avó, Cazuza jamais disse a ninguém o que tinha acontecido no que se refere as pendências deixadas por Salomão, como também a pedido do saudoso tio nunca contou sobre a história do pé da bota. É de se imaginar que foi recuperado em algum lugar entre o rio Mimoso e a atual cidade de Bonito. Entretanto, nunca saberemos se foi resgatado no jogo de carteado ou se teve mesmo que pagar a dívida.

X – Epílogo

A incumbência que lhe foi dada por sua avó, Maria Rita, e pelo grande amigo e orientador, seu tio Athanásio, propiciou a meu pai essa maravilhosa aventura. Uma das muitas que ele viveu em Bela Vista e na Fazenda Vaquilha desde sua infância até a adolescência. Essa, em especial, nunca foi por ele esquecida e certamente não o seria por ninguém que a tivesse vivido com tanta intensidade, assim como nunca será esquecida por mim que tive a oportunidade de ouvir sua história e escrever este texto onde tentei mostrar todos os detalhes de sua prodigiosa memória.

Os momentos de sua convivência com seus avós, pais, tios e tias nunca foram esquecidos. Para ele não existem dúvidas de que as almas de todos os filhos e filhas de vô Affonso e vó Rita estão com eles nos campos da Fazenda Vaquilha e das outras que dela foram desmembradas, mesmo aquelas que não pertencem mais a família. Da mesma forma essa consideração se aplica às outras fazendas originais a partir do que ficou decidido no acampamento que montaram em M’oyjagua (lugar de encontro em guarani) os pioneiros da família . Em seu coração todas elas, Santa Cruz, São Salvador, Boa Vista, Porteira (onde hoje é a cidade de Caracol), São Lourenço e Estrela, assim como Bonfim, Bonsucesso, São Luís, Nova, Triunfo, Santana e tantas outras são marcos indeléveis do que foram os esforços para ocupar essas áreas. Esforços esses já mostrados em outros textos como nos livros A Odisseia dos Pioneiros de Eloy Toledo e Sérgio Rego Miranda, Raízes, escrito por Eloy Toledo e Maria Aparecida de Toledo Verga e mais recentemente Soprando Raízes, também de Eloy Toledo.

De nossos ancestrais e de suas fazendas todos somos frutos e por isso mesmo em nossas memórias devemos mantes acesas as chamas que iluminam nosso passado e aquecem nossos corações. Só assim cultivaremos nas sementes que plantamos, nossa descendência, a lembrança das histórias que não podem ser esquecidas.

A memória de Cazuza remonta seus três anos de idade, época em que sentado no batente da porta da farmácia de seu pai, Martinho Portocarrero, ouvia e via o cotidiano da vida passar e como um gravador guardava tudo em seu coração.  Prova disso é a lembrança de assistir maravilhado seu Januário acender as pedras de carbureto dos lampiões que mantinham iluminada a praça de Bela Vista, seu inesquecível mundo.

Cuiabá, outubro de 2020

Marcelo Augusto Portocarrero

Bibliografia

  1. Os dados referentes as pessoas citadas no texto foram obtidos no livro Descendência do casal Joaquim Ferreira de Mello e Anna da Conceição Almeida escrito por Maria Aparecida Melo Miranda e Maria Rita Murano Garcia – Life Editora, 1ª Edição – 2010.
  2. As informações sobre Alcinda foram passadas por papai, José Afonso Portocarrero, o Cazuza, e por sua tia Glória Loureiro de Almeida Battilani,.
  3. Os dados referentes as localizações e as distâncias entre as fazendas e as paragens do percurso foram confirmados geograficamente no site do Google Earth
  4. Sobre a história de Bonito a pesquisa foi feita nos vários sites que existem sobre a Cidade e região.
  5. As informações sobre Arlindo de Oliveira Flores foram passadas por sua filha Gedy Flores Portocarrero.

Histórias do Cazuza.

Cazuza e Dóinha

Só hoje tive coragem de contar a papai sobre a morte de sua Tia Glória aos 102 anos. Em minha singela opinião, se mãe pudesse ser descrita de outras maneiras Tia Glória seria uma de suas melhores descrições.

Aproveitei o momento em que ele estava fazendo mais uma de suas viagens ao passado lembrando das aventuras vividas na Vaquilha de sua infância onde invariavelmente Dóinha estava junto, para contar da perda que todos nós tivéramos dias atrás.

Ele ficou em silêncio como que absorvendo aos poucos a perda de uma pessoa que está entre aquelas que são impossíveis de aceitarmos. Deixei-o assim introspectivo esperando a tristeza ser consumida. Eu diria que se fosse possível traduzir seu silêncio em palavras elas seriam estas:
⁃ Há um momento na vida de uma pessoa em que ela se sente preparada e consciente de que é hora de partir. A idade vai nos dando essa certeza na medida em que ela avança porque nos permite assistir, participar e sentir todas as emoções possíveis em uma existência. Com Tia Glória foi assim, posso garantir isso a você.

Em que pese a diferença de 5 anos entre os dois quando podia ela o levava nas explorações do entorno da sede da fazenda, sempre a vista de alguém da casa. Cazuza e Dóinha como ele a chamava estavam sempre juntos durante a infância na Vaquilha. Entre eles não havia uma tia e seu sobrinho, eram só duas crianças se divertindo sozinhos ou com as outras da família.

Foi assim no enterro de vovô Afonso no longínquo fevereiro de 1930.

José Afonso ou Cazuza tinha então 7 anos e havia acompanhado seus pais, Sinhara e Martinho, na ida ao enterro do avô Afonso que juntamente com o outro avô, José Augusto, deram origem a seu nome.

No dia anterior os Portocarrero receberam o apressado Vitalino que chagava trazendo a notícia da morte do Nhô Fonso, modo como ele e os outros empregados chamavam o patrão. Vitalino havia percorrido as cinco léguas da fazenda até Bela Vista sem parar porque além da má notícia que trazia tinha também a incumbência de levar tecido preto para a forração do caixão em que Nhô Fonso seria enterrado na manhã seguinte.

Após as providências de deixar tudo em ordem para os filhos Leopoldina, Maria, Nicota, Elisa e João que iriam ficar, eles partiram em um ford bigode alugado do Seu Almeidinha para a urgente viagem de volta do Vitalino levando o tecido encomendado indo de carona com Dr. Martinho, Dona Sinhara, Jandirinha ainda criança de colo e Cazuza, o xodó do avô Afonso. Ele não se conformara em ficar em casa, pois queria ver o avô uma última vez.

Cazuza se lembra que quando atravessaram o córrego da Machorra e o acumulador de energia molhou levando a parte elétrica do fordeco a entrar em pane fazendo com que as luzes do carro apagassem. Como começava a anoitecer decidiram prosseguir até a fazenda do tio Nhozinho que a essa altura já estava praticamente vazia pela ida de quase todos para a Vaquilha.

Lá conseguiram uma lanterna emprestada e Vitalino que viajava em pé no estribo do carro passou a iluminar o caminho até devagar chegarem já noite alta na fazenda.

A chegada foi muito emocionante, posto que lá já estavam quase todos os filhos e agregados velando o corpo de Nhô Fonso. Então, o cansado Cazuza sem lugar para se acomodar na sala foi ficar debaixo da escrivaninha do avô, único lugar desocupado de onde via a tristeza de Dóinha agarrada aos braços da mãe e assim ficou até adormecer.

Durante a madrugada os tios Manequinho e Salomão juntamente com os empregados fabricaram o caixão e o forraram com o tecido preto para o enterro na manhã seguinte.

Os familiares e amigos partiram com o caixão no meio da manhã passando em frente ao galpão repleto de peões e agregados que fizeram suas reverências tirando os chapéus e se juntaram ao cortejo, dali passaram pela porteira de troncos do pátio e viraram à esquerda rumo ao cemitério onde muitas pessoas aguardavam junto a cova que estava sendo aberta desde cedo pelos filhos de Manequinho, netos naturais do vovô Afonso. Eles, juntamente com outros rapazes também haviam capinado todo o caminho de aproximadamente 300 metros desde a porteira de modo a que carrapichos e outras ervas daninhas não incomodassem ainda mais as pessoas e suas tristezas.

Seguro pela mão firme do pai Cazuza permaneceu quieto acompanhando o clima de consternação que a todos atingia até chegarem no local do enterro. Durante os momentos em que rezaram e o silêncio que reinou antes de descerem o caixão bastou uma leve distração do pai e lá estava Cazuza junto ao avô, foi quando desequilibrou-se ao passar pelo monte de terra, escorregou e caiu no fundo da cova.

Dóinha sua amiga e parceira de jogo de torito vendo o sobrinho estatelado no buraco levantou a cabeça do colo de vó Rita e vendo que Cazuza estava bem permaneceu triste e chorosa abraçada à mãe até que Dr. Martinho puxou o filho de lá.

Todos foram indo embora na medida em que o tempo passava, mas Cazuza ficou. Só voltou dias depois a Bela Vista de carona com Dona Maria Rosa dona da fazenda Arroio de Ouro, comadre, madrinha da tia Dona, e amiga que lá passara para dar os pêsames à família.

Só não vê quem tapa os olhos com as próprias mãos.

Há um claro indicativo de que a velha política não tem mais a mesma força para eleger seus representantes. Entretanto, e por incrível que pareça, tem gente que ainda a alimenta por acreditar que ter seus membros como parceiros de chapa pode ser bom negócio.

Bom negócio para quem senhoras e senhores eleitores?

Para os partidos barganharem aposentadorias no senado como é o “modus operandi” da política através das suplências compradas?

Para as negociações de apoios em CPI’s fajutas, votações virtuais e secretas em plenário?

Será como pagamento por serviços prestados e/ou a prestar nas execuções das emendas parlamentares?

É lamentável continuar com tanta inconsequência no momento em que a execração da política do tomá-la-dá-cá e da corrupção é tão necessária.

Será que os eleitores continuarão sofrendo dessa síndrome? Não, não é possível continuar a existir tamanha submissão ao cabresto amigo na hora do voto.

Precisamos vencer o paradigma do voto amigo, o voto de cabresto disfarçado, aquele que ao acionar o botão verde age visando seus próprios interesses.

É preciso dar um choque de realidade na forma ultrapassada de fazer, de aceitar e de se submeter a velha política.

Essa é a principal causa de ainda termos políticos votando contra propostas estruturantes, principalmente aquelas que visam reduzir despesas públicas e acabar com privilégios transformados em direitos adquiridos.

Os políticos, articulistas de ocasião, são quase todos contra as mudanças na forma da relação entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Porquê será?

Sequer escondem suas frustrações por não conseguirem colocar de volta a canga em quem ocupa a Presidência da República, seja ele quem for, ainda mais sendo um conservador, cristão, defensor da família como célula mater da pátria e que tem nas reformas da educação, segurança e saúde suas principais estratégias para tirar o país da subserviência ideologia implantada por governos corruptos.

Estratégias que possibilitarão a médio prazo recuperar a economia e devolver os empregos retirados da população por seguidos erros e pela corrupção, marcas registradas dos governos anteriores.

Não devemos nem podemos mais votar em pessoas que representem retrocesso ou o risco da manutenção dos esquemas que aí estão escancarados.

Só não vê quem tapa os olhos com as próprias mãos”

Políticos articuleiros, até quando?

“Gestão Bolsonaro aprova menos Medidas Provisórias que Lula, Dilma e Temer”

Essa afirmação é título de um artigo publicado no site do Consultor Jurídico para criticar a falta de articulação política do Governo Bolsonaro.

Nada mais acertado, desde que sob a ótica caolha de um jornalismo orientado para atuar contra o governo. A principal prova disso é que no artigo acima citado não há qualquer menção sobre como essa “articulação política” era praticada no passado. Um lapso ou um colapso mental injustificável.

Essa “falta de articulação política” a que se refere o repórter quando é traduzida para a realidade expõe a forma incorreta de descrever cenários destinados à leitura descompromissada para quem sabe a diferença entre articulação política, escambo e compra de apoio com dinheiro público (leia-se mensalão, lava jato, etc.).

Como assim? É isso mesmo, basta lembrar dos processos de corrupção ativa e corrupção passiva contra parlamentares durante os governos anteriores e comparar com a forma de encaminhamento firme e decidida de um governo que prefere administrar essa relação de forma não promiscua e através do trabalho consistente nas diversas áreas onde vem conseguindo resultados positivos mesmo com as constantes interferências de seus opositores.

Alguém aí se lembra de algum outro governo que com as mãos amarradas pelo Judiciário e os pés travados pelo Legislativo tenha conseguido fazer o que este está fazendo em tão pouco tempo?

Alguém aí se lembra de um governo que tenha tido a imprensa empenhada em desestabiliza-lo de forma tão agressiva e permanente sem sucesso?

São tão explícitos os outros estratagemas nacionais e internacionais tramados para derrubar o atual governo que seriam necessárias linhas e mais linhas para descrever o óbvio uLULAnte como diria Nelson Rodrigues.

Por enquanto vamos ficar apenas com os aqui lembrados, pois são mais que suficientes para mostrar a grande mentira que é a “articulação política” cantada e requentada pelos usuários da cada vez mais decadente e suja política do toma-lá-dá-cá e seus outrora bem remunerados porta-vozes.

Vem sendo difícil enfrentá-los e pelo visto continuará dessa forma até que consigamos interromper o circulo vicioso no qual o país permanece preso com as eleições e reeleições dos mesmos políticos articuleiros de sempre e de seus herdeiros.

Quem se atreve a negar que até hoje as cadeiras do Congresso Nacional funcionam como Capitanias Hereditárias onde filhos e afilhados políticos as herdam com os votos dos currais eleitorais de seus pais e padrinhos sejam eles “coronéis” da esquerda ou da direita.

Mas não, nada disso importa ou interessa à extrema-esquerda em sua luta insana e degradante para voltar ao poder.

Opa, cabe aqui uma justa correção, não é voltar ao poder, é tomar o poder como disse um de seus mais degradantes lideres. Aquele que condenado e preso esta (des)cumprindo pena fora do presídio graças ao fisiologismo ideológico de seus Supremos camaradas.

Pois é, até quando?

Jornalismo ou Casuísmo

Ao que parece estamos assistido uma demonstração de casuísmo acontecendo com parte da imprensa frente a possibilidade da velha política municipal continuar a seguir no mesmo rumo errático e conveniente com o qual se acostumou.

Percebe-se de uma indisfarçável tentativa de evitar que aconteça nas cidades o mesmo que aconteceu nos estados e a nível federal quando das eleições de 2018. Pelo visto querem mesmo é permanecer no velho e rentável toma-lá-dá-cá que no caso de alguns noticiosos soa mais como um dá-cá-toma-lá onde a imparcialidade nunca está presente.

Um contrassenso, afinal cobertura eleitoral tem que ser equilibrada e equidistante. Será bom daqui por diante prestarem bastante atenção porque não se trata do uso de fundo partidário e fundo eleitoral, mas sim de reportagens imparciais.

Nessas alturas dos acontecimentos é impossível esquecer que a informação está cada vez mais veloz e serve de landmark ou marco histórico da acessibilidade, seja ela portadora de verdades ou mentiras, fatos ou boatos. E sim, caso não tenham percebido, boa parte da população já tem discernimento suficiente para saber diferenciar “quem confere o ferro de quem com ferro fere”.

É preciso partir do princípio que editores e jornalistas não são cabos eleitorais e que os veículos onde trabalham não devem ser direcionados somente a resultados financeiros e objetivos político-partidários. Nessas ocasiões seus espaços precisam ser destinados a todos os candidatos sem que haja prioridades muito menos preferências. A não ser que façam parte de esquemas e o que divulgam seja casuísmo, não jornalismo.

Aos que ainda não perceberam basta prestarem bastante atenção no que está acontecendo com os telejornais das grandes redes para constatarem as rejeições que estão sofrendo ao divulgarem notícias políticas compradas, falsas e aquelas nas quais adulteram os registros dos acontecimentos.

As reações a esses “equívocos” têm sido instantâneas e contundentes a ponto de abalarem seus índices de audiência. A continuar assim estarão afetando várias senão todas as atividades desenvolvidas pelos grupos empresariais aos quais pertençam, mesmo as que nada têm a ver com jornalismo.

Está cada vez mais evidente que o público sabe diferenciar reportagem de panfletagem. Enganam-se os que pensam que pessoas sem formação na área, leigos ou neófitos, como queiram, não sabem a diferença entre o que é bom e real do que é ruim e manipulado.

Saibam que da pandemia de desinformação estamos todos protegidos porque nos tornamos autoimunes pela fé em Deus, pelo menos a maioria, prova disso é o resultado das eleições de 2018.

Assim foi e assim será daqui por diante. Quem quiser sobreviver que se aprume.

Ultrapassando o fundo do poço da imoralidade

Na experiência profissional de qualquer pessoa muita coisa ruim pode acontecer. Dentre elas uma das que mais desgastam a carreira é a constatação de que as vontades políticas também servem de argumento para tirar vantagens financeiras de contratos e acordos.

Nessa sanha, políticos corruptos e seus parceiros de esquemas viviam se dando bem com essas práticas, tanto que se esqueciam ou fingiam não saber que seus lucros significavam prejuízos para muitos, perdas essas quase sempre irreparáveis.

Sim, irreparáveis, na medida em que não se sabe exatamente quais as consequências dos eventuais atos de corrupção/conivência praticados, tão difíceis de descobrir quanto de calcular são as dimensões e os custos finais de seus crimes.

Assim, o desvio de recursos financeiros em obras, aquisição de materiais e contratação de serviços para hospitais, rodovias, saneamento básico, escolas ou qualquer outro tipo de investimento com o erário da União tem uma única e inquestionável vítima, a população, os “por ventura beneficiários finais” de toda e qualquer aplicação de dinheiro público. Pelo menos deveriam ser!

Agora, como que ultrapassando o fundo do poço da imoralidade finalmente se caminha para desvendar outra das mais conhecidas, inaceitáveis e corriqueiras práticas de desvio do dinheiro público, os contratos fictícios.

Contratos criminosos, agora investigados como sendo práticados por escritórios de advocacia, pelo presidente da OAB e seus companheiros (ou seriam camaradas?), a quem a própria associação de classe está se encarregando de identificar.

Nobre profissão para a maioria, não para os torpes(*) que nessas ocasiões tendem a contar com a proteção corporativa dos poderosos da categoria.

Vamos ver onde vai acabar essa operação que já enquadra entre seus investigados e réus figuras proeminentes da advocacia e suas bancas, famosas por defenderem corruptos, ladrões, traficantes e assassinos.

(*) Torpe: que contraria ou fere os bons costumes, a decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil, indecoroso, infame; que causa repulsa; asqueroso, nojento.

Nada como um dia após o outro – republicação atualizada

Essa fumaça que cobriu nossa cidade no dia 7 de setembro de 2022 faz lembrar o que acontece no Brasil.

As ocasiões em que não se pode vislumbrar o horizonte e nas quais o ar que nos rodeia se mostra irrespirável trazem à memória as ações dos irresponsáveis nas tentativas de tolher a liberdade do povo para levar nosso país à escuridão do comunismo.

Nada como um dia após o outro, foi assim no passado quando forças obscuras tudo fizeram para que assim fosse. Não conseguiram e não conseguirão porque assim não é agora nem será no futuro.

A fumaça é passageira, fruto da ignorância de quem não pensa nos outros e pouco se importa com as consequências de seus atos. Logo chegará a chuva e como aconteceu em 2018 limpará nossos dias.

Um futuro onde o trabalho, a perseverança, a força e nossa persistência não retrocederão ao que vivenciamos durante o período onde a corrupção dos governos socialistas quase nos destruiu.

A crença em que as palavras Ordem e Progresso estampadas em nossa bandeira são justas, perfeitas e antônimos da desordem e do retrocesso escritas com o vermelho do sangue de milhões de pessoas assassinadas pelo comunismo que mata quem não se submete a suas vontades.

A crença de que estamos no rumo certo nos dará as condições necessárias para continuarmos a superar a escuridão na qual permanecemos por vários anos para voltarmos a clareza de um futuro melhor para todos.

Assim foi em 7 de setembro de 1822 quando saímos da subserviência para despertarmos capazes de construir uma novo país, uma nação livre e pujante, uma pátria forte e independente. Assim é agora e assim será para sempre.

Em numerologia o ano de 2022 indica a prevalência do número 6 que está relacionado ao lar, ao cuidado com o outro e à responsabilidade. Ele traz o sentimento de amor, de elo familiar e de casamento. Tem uma energia estável, firme e definida. Ele simboliza a união entre o céu e a terra, entre o feminino e o masculino representada pela Estrela de Davi ou Hexagrama e a importância do Brasil ter os pés no chão e fixar raízes permanentes em bases sólidas.

Coincidência ou não, foi para isso que a maioria dos brasileiros elegeu o atual governo.

Como assim, então violência justifica violência?

Temos assistido uma batalha incessante dos meios de comunicação do país e do exterior contra o conservadorismo.

A campanha difamatória vem evoluindo de maneira sistemática sendo cada vez mais agressiva e manipuladora de certos aspectos da realidade na busca dos resultados que pretendem obter.

Invariavelmente estes se colocam ao lado daqueles que ao se dizerem oprimidos atacam e agridem quem com eles não concorda. Agindo assim, grupos de comunicação, ONG’s, instituições, agremiações e a parcela progressista da igreja acabam por chancelar e apoiar a violência quando deveriam combatê-la seja em que circunstância possa vir a acontecer .

Antifas são mais violentos em suas atitudes de protesto que a alegada razão para fazê-lo e Black Lives Matter tornou-se um fenômeno social importante, mas somente sobre a violência policial contra negros quando deveria ser uma matriz pacifista contra qualquer atitude violenta e não são. São?

Apesar de seu importante alcance social adeptos da B.L.M. também fazem vítimas, algumas fatais, quando saem às ruas para protestar contra o que os motiva. Não?

Contra esses fatos não há nenhuma reação de políticos, jornalistas, ONG’s e articulistas. Sequer fazem comentários criticando, muito pelo contrário. No entanto, essas ausências de desaprovação podem sim ser entendidas como palavras de ordem e incentivos à desobediência civil. Podem sim e assim o são.

O mesmo fenômeno acontece no âmbito político quando progressistas não aceitam as seguidas derrotas para o conservadorismo, tanto que seus militantes passaram a reagir de forma agressiva na tentativa de reprimir liberdades, principalmente a de expressão. A mesma tática acontece nas ações institucionais de seus representantes no Legislativo e por ativistas simpatizantes do Judiciário.

É notória a distinção no tratamento dado às demandas de uma e de outra corrente do pensamento político em todos esses ambientes. Sendo progressistas são prontamente apoiadas e aprovadas, sendo conservadoras são logo engavetadas quando não sumariamente rejeitadas.

As solicitações para análise sobre a constitucionalidade dos atos do Executivo proveniente de partidos ou entidades progressistas encaminhados ao STF ou às mesas do Senado e da Câmara Federal são de pronto distribuídos às comissões e para ministros tendenciosamente monocromáticos. Já as de origem conservadora…nem é preciso descrever seu diferenciado tratamento.

Se uma votação no plenário do STF tem placar apertado, uma questão conservadora, caso da prisão em segunda instância (aprovada por um voto de diferença), logo é colocado em dúvida seu resultado para voltar a ser pautada.

Pasmados, mas como sempre de mãos atadas vimos o mesmo resultado (6×5) ser alcançado, mas desta vez, ao contrário daquela, não houve contestação ao placar apertado posto que chegaram onde queriam.

Uma manobra sinistra que nos obrigou a conviver com mais uma jabuticaba jurídica bem típica dos arranjos protelatórios que só beneficiam bancas advocatícias muito bem representadas no “colendus scholae” indicado e aprovado por quem dele depende. Como sempre, e contrariando os anseios da população majoritariamente contra esse tipo de imposição a corte suprema se mostra, ela sim, repressora e ditatorial.

O que traz de volta à questão da violência e nos obriga a perguntar: – Como assim, então violência justifica violência?

Que respondam aqueles que se negam a divulgar os atos de imposição e agressão, alguns até fatais, perpetrados contra quem não comunga com sua ideologia progressista.

NÃO SE ILUDAM

O título vem bem a calhar para mostrar àqueles congressistas de ocasião, senadores(as) e deputados(as), a canoa furada em que estão embarcando para chegar até as próximas eleições.

NÃO SE ILUDAM, porque a forma de impor suas vontades à população com a autoridade de quem como nossos representantes legais tem carta branca para decidirem como bem entenderem mesmo que contra o que a maioria de nós esperava de vocês não será apagada de nossas memórias..

NÃO SE ILUDAM, principalmente aqueles que se locupletam ao atender as exigências das categorias privilegiadas para as quais devem suas carreiras degradantes e corruptas.

NÃO SE ILUDAM, vocês que se elegeram a reboque da proposta escolhida pela maioria dos eleitores e que desde os primeiros dias em seus mandatos já se mostraram vendilhões de votos nas comissões e nos plenários espúrios que passaram a frequentar e defender ao se entregarem ao egoísmo próprio daqueles que têm dificuldades para trabalhar em benefício de seu país e não dos grupelhos aos quais passaram a fazer parte.

NÃO SE ILUDAM, acreditando que pelo fato das próximas eleições estarem a 14 meses de distância seus atos contra as necessárias medidas de proteção à saúde, à educação e de segurança para a população nesses momentos de crise mundial serão esquecidos. Não serão!

NÃO SE ILUDAM, mesmo porque a não aprovação da imprescindível contenção de despesas do Executivo, do próprio Legislativo e seus parceiros de abusos de autoridade do Judiciário jamais será perdoada.

NÃO SE ILUDAM, quanto a capacidade de mantermos vivas na memória dos brasileiros pelo resto de nossas vidas, seja nas funções públicas que exerceram ou exerçam, seja nas atividades privadas onde também se locupletam, todas as falsidades, os malfeitos que praticam, as falcatruas das quais participam e as mordomias de que desfrutam em detrimento das necessidades dos contribuintes porque vocês não serão ignorados por um minuto sequer.

NÃO SE ILUDAM, vocês serão lembrados em textos, fotografias filmes e outras postagens não pela imprensa vendida, mas sim pelas mídias livres e abertas, essas mesmas que por medo vocês tentam intimidar e calar através da censura que até pouco tempo se diziam vítimas.

NÃO SE ILUDAM, vez que suas campanhas eleitorais serão monitoradas nos mínimos detalhes, nenhuma mentira passará e nenhum procedimento ilícito existirá sem a imediata interpelação.

NÃO SE ILUDAM, suas façanhas e atos contra os interesses da nação serão relembrados um por um e expostos de tal maneira que não restarão tijolos sobre tijolos nas construções e armações espúrias das quais tenham participado direta ou indiretamente.

NÃO SE ILUDAM, porque seus votos comprometidos com a postergação dos esquemas da velha política, suas artimanhas para deturpar propostas destinadas a corrigir os descalabros no serviço público, as benesses autoconcedidas com o beneplácito de parte do Judiciário para manter mordomias bancadas por brasileiros trabalhadores e desempregados, mas que mesmo assim são obrigados a carregar nas costas os altos custos de seus gabinetes e palácios, serão mostrados e lembrados diuturnamente.

NÃO SE ILUDAM, a maioria de vocês não será reeleita porque serão rejeitados e removidos definitivamente da vida pública pelos votos do discernimento.

Oração de coração

Não é à toa que dentro de cada CORAÇÃO há uma ORAÇÃO.

Afinal, tudo que nos toca lá está.

Sim, é com a razão que a CALMA habita a ALMA.

A tranquilidade é fundamental para que a paz exista.

Não é por acaso que AMAR tem um MAR dentro de si.

A imensidão é sua principal característica.

Sim, é por isso que dentro de DEUS estão todos os EUS.

Tudo para justificar suas criações e nossa existência.

É na ORAÇÃO de CORAÇÃO que a ALMA encontra a CALMA e nossos EUS ficam inundados pelo MAR de AMAR a DEUS.

A luta pela liberdade é árdua

Desde a muito tempo sabíamos que eleger e manter um governo que não comungue com corrupção e outras práticas desonestas seria uma tarefa árdua.

Mesmo assim, muitos de nós nunca deixaram de acreditar que um dia isso seria possível ainda que demorasse décadas o que de fato está acontecendo.

Outros, não só viveram e abusaram da indecente realidade do passado como também se sujeitaram aos desmandos, aos acordos espúrios, a paga e ao recebimento de propina em troca de benesses, sentenças favoráveis e contratos fraudulentos. Se acostumaram a manter um olho fechado para as falcatruas das quais participavam e o outro aberto para as oportunidades de com elas ganhar ainda mais sem se importarem com consequências.

Esses, quando se depararam com um Executivo que não se submete aos interesses escusos que representam ficaram desesperados, pois sabem que a continuar assim aquelas formas de agir serão aos poucos e cada vez mais dificultadas. Isso sem considerar que passaram a correr sérios riscos de responder judicialmente por seus atos.

Da mesma forma estão reagindo aqueles que foram doutrinados para propagar subserviência às ideologias contrárias ao novo modelo de desenvolvimento posto em prática pelo atual governo liberal.

Também é possível perceber que outros com o mesmo perfil ideológico passaram a encontrar dificuldades para continuar a imiscuir nas cabeças dos jovens orientações sobre como desconsiderar a família, negligenciar a escola, e desrespeitar leis enquanto os entorpeciam com conceitos genéricos de liberalidades como se direitos fossem.

Sim, a luta pela liberdade é árdua, e por isso não podemos arrefecer no combate às informações deturpadas pelo jornalismo sanguessuga, inconformado com as mudanças ocorridas nas formas de comunicação onde a cada momento mais perdem hegemonia.

É revoltante ver os efeitos nefastos que propositalmente alguns desses poderosos grupos de comunicação estão causando. Grupos que se caracterizam por utilizar de argumentos torpes, típicos daqueles que pouco se importam com as consequências de seus atos e agem como se seus meios justificassem os fins que descaradamente buscam. No caso, o fim da liberdade, o fim do governo e o fim do país.

Alguns dirão ser importante mostrar a dura realidade, mas qual realidade? Essa que filtrada está direcionada a impedir o rumo natural dos acontecimentos? Aquela que não aceita críticas a seus abusos em nome da Justiça enquanto prende e intimida? Ou a outra, que tenta calar a voz do povo e abre caminho ao iminente impedimento do ir e vir?

Existem outras situações exdrúxulas acontecendo, mesmo estas a imprensa conivente não mostra e até esconde, caso daqueles que diziam combater a ditadura e que agora, raríssimas exceções, são prósperos usuários da corrupção que se alastrou pelo país desde que foi potencializada pela Constituição de 1988.

Aquela mesma, a última Carta Magna, a proclamada cidadã, mas que na prática vem sendo deturpada, modificada e utilizada dia após dia na opressão de direitos fundamentais como o de se expressar livremente, para aplica-la em benefício dos impoderados acampados no judiciário, no legislativo e de seus apadrinhados posto que só a esses passou a servir.

A maioria dos que lá estão comunga e se locupleta das regalias e benefícios que deveriam combater. Usam e abusam do dinheiro público com seus duodécimos e penduricalhos legalizados e pior, agora buscam institucionalizar a censura no claro intuito de acabar com a liberdade que um dia prometeram defender. Procuram assim garantir seus mandatos e nomeações para continuarem a cometer desmandos, agredir, xingar e mentir sem serem incomodados. Desavergonhados, só eles podem fazer e dizer o que querem protegidos que são por suas convenientes imunidades auto adquiridas.

Aqueles que aceitam essa situação o fazem na esperança de um dia desfrutarem das mesmas regalias por acreditarem que o poder pelo poder será suficiente para lhes dar o que querem. Pessoas que agem dessa maneira não são ignorantes, elas têm visão crítica e é nela que se baseiam para calcular os riscos que correm vez que aqui podem administra-los, basta ter dinheiro e/ou influência política.

Afinal, vivemos no país que produziu os maiores corruptos do mundo e onde a “justiça” os mantém livres graças às decisões convenientemente emanadas em suas instâncias superiores.

Placebos da Esperança

A esperança é um sentimento que passou a fazer parte de nossas vidas com a frequência dos milésimos de segundos devido a falta de solução para o combate a esse vírus que se instalou entre nós como a primeira das sete pragas do décimo-sexto capítulo do Livro do Apocalipse.

O medo que nos aflige com força e vigor é proporcional aos riscos da contaminação que se avizinha e nos faz viver dilemas diários. O tempo e mesmo sua falta é um deles na medida em que os casos fatais vão se acumulando e as opções de cura pela ciência não se mostram eficazes.

Está claro que as possibilidades de abrandamento da pandemia através dos cuidados pessoais e coletivos não estão surtindo os efeitos necessários por aqui. Por outro lado, a possível utilização de medicamentos alternativos, ainda que preventivamente ou na fase inicial da virose, não são unanimidade entre os profissionais de saúde. Alguns até os utilizam e recomendam outros os condenam, enquanto isso a doença avança impiedosamente.

Critérios também não científicos (se não há comprovação de eficácia também não há de ineficácia) vêm sendo utilizados para desqualificar a utilização massiva dos kits de medicamentos enquanto que inescrupulosos se servem da dúvida criada como munição política.

Na dúvida, essa situação pode estar levando pessoas menos esclarecida à pior das opções: se medicar por conta própria com riscos de eventuais efeitos colaterais. De outra forma, quando aos primeiros sintomas procuram por suporte médico nos locais indicados estão sendo orientadas a voltar para casa levando muitas das vezes a virose a atingir estágios avançados e arriscados.

A esta altura dos acontecimentos alegar que este tipo de procedimento está diretamente relacionado a disponibilidade de leitos de UTI e de internação mostra a incoerência das autoridades que deveriam ter tomado providências concretas nesse sentido a tempo de evitar o caos a que chegamos. Condições e tempo tiveram.

Queiramos ou não, aqueles outros medicamentos ditos sem comprovação científica contra o vírus se não têm os efeitos comprovados certamente são os placebos da esperança porque produzem efeitos fisiológicos positivos e milagrosamente melhoram os sintomas a ponto de ajudar a curar.

Parece ser o que está acontecendo na Índia, no Continente Africano e mais recentemente Belém do Para e outras cidades do Brasil.

Indefinito

Indefinito é pensamento sem sentido ou razão, é esperar por quem não vem, ter o olhar perdido na distância, solidão.

É procurar mesmo sabendo nada existir, ouvir o que não quer saber, dizer palavras ao vento, lamento sem sentido, paixão.

É começar pelo fim para chegar ao início, caminhar sozinho em meio a multidão, viver somente de resquício, ilusão.

É estar certo e pedir perdão, ser vago e sem epílogo, parecer errado quando correto, manifesto mudo no diálogo, sem noção.

Em obras

Quando em desenvolvimento sempre procuramos tirar lições do que acontece de certo ou de errado em nossas vidas. Agindo assim, estamos permanentemente envolvidos em situações nas quais nossos procedimentos tendem a acrescentar valor a tudo.

Somos obras em construção, seja através de ensinamentos, seja pelos exemplos que nos dão aqueles com quem nos deparamos no caminho da evolução e do aperfeiçoamento.

Não, não vamos aprender, somente com pessoas boas vez que também convivemos com as más. Não, nossos passos no caminho não serão dados apenas sob relva suave ou areia macia. E sim, nossa jornada terá trechos onde encontraremos dificuldades e perigos.

Parte da tarefa está em superar esses obstáculos e saber que quando isso não for possível será preciso contorna-los por mais difícil, demorado e cansativo que seja.

Durante toda nossa existência recebemos lições sobre formas de agir, caminhos a seguir e instrumentos a usar disponibilizados por Aquele que Tudo Planeja no Universo, o Ente Supremo que nos deu vida e que orienta cada passo que damos na constante busca da perfeição.

Somos como pedra bruta que em estado natural deve ser trabalhada e aos poucos polida com a necessária perseverança e denodado empenho para estabelecer os detalhes que comporão nossa personalidade.

Árduo trabalho espera quem faz essa busca. A começar por combater as paixões que atormentam a humanidade, passa pela submissão das vontades que nos subjugam, segue no afã contínuo do aperfeiçoamento interior e continua no exercício de progredir junto àqueles que comungam dos mesmos objetivos.

A imagem da pedra a ser desbastada simboliza o início de tudo até que polida e translúcida permita, sem receios, seja desvendado o mistério de nosso interior.

Só então estará concluído o trabalho da descobrir o ser que oculto nos habita, pedra filosofal que existe em cada um de nós e que somente a poucos é dada a oportunidade de encontrar.

Mãos a obra meus irmãos…

Nunca vou me esquecer

Nunca vou me esquecer…
Da infância, da casa, quintal, comida gostosa, deveres de escola, crianças gulosas, sapecas, teimosas, desçam do muro, goiabas brancas, vermelhas, mangas maduras, não subam nas árvores, vão machucar.

Nunca vou me esquecer…
Das ruas, das praças, correndo na chuva, pipoca, picolé, avião de papel, carrinho de lata, pique, pião, cabra-cega, bolita, soltando pipa, liberdade, espaço, pedaço do céu.

Nunca vou me esquecer…
Das carteiras da escola, sentados aos dois, colegas, as vezes colando, recreio esperando, merenda de casa, brincadeiras, histórias, gritaria, zoeira, piadas maldosas, fessora falava, não pode brigar.

Nunca vou me esquecer …
Da família, da lida, mamãe nos cuidando, as roupas lavando, almoço servido, papai trabalhando, pito nos dando, orelha ardendo, irmãos se ajudando, as vezes zoando, guris remelentos, cachorros pulguentos, que felicidade.

Nunca vou me esquecer…
Dos vizinhos, da turma, crianças brincando, sempre tramando, algumas chorando, cachorros latindo, pão com manteiga, manhã bem cedinho, de casa pra escola, da escola pra casa, de casa pra rua, final de tarde, da rua pra casa.

Nunca vou me esquecer…
Das viagens, das férias, das praias, fazendas, passeios, cavalo, carroça, leite da vaca, canela com açúcar, correndo no pátio, banho no açude, pescando no rio, dormindo bem cedo, dos causos com medo.

Nunca vou me esquecer…
Das broncas ouvidas, exemplo mostrado, e não aprendido, conselho bem dado, e ignorado, cabeça de vento, braço quebrado, pé torcido, joelho ralado, pontos na testa, criança sapeca, moleque safado, guri abusado.

Nunca vou me esquecer…
Da juventude, alegria, namoros, paixões, ilusões, sábado, gibi, matinê, domingo no clube, piscina, raquete, pelada na quadra, ganhando, perdendo, churrasco gostoso, cerveja gelada.

Nunca vou me esquecer…
Da beleza de tudo, do papo cabeça, sonhando, curtindo, violão, canções, serenatas, meninas ouvindo, desejos febris, farras secretas, amigos chegados, amigas queridas, sutis margaridas.

Nunca vou me esquecer…
Dos bons tempos, da faculdade, conversas compridas, matéria difícil, noites mal dormidas, mestres queridos, trabalhos conjuntos, estágios, aspirações, esperanças, confusões, colegas, companhias, parcerias, sonhos, realizações.

Nunca vou me esquecer…
Do olhar na janela, quem é aquela, menina mais bela, fiquei esperando, o tempo passando, coragem tomando, chegou, fui chegando, coração palpitando, me apaixonando, é ela, é ela.

Nunca vou me esquecer…
Da chegada dos filhos, e deles os netos, queridos, amados presentes de Deus, de todo o caminho, dos sustos sofridos, perigos vividos, vitórias, lutas vencidas, enfim existimos, foi tudo de bom.

Nunca vou me esquecer…nem você.