Não Pare

Há pessoas que, ao se aposentar, entendem que o ócio é um prêmio do qual devem apenas desfrutar como uma recompensa merecida pelos prazeres que deixaram de usufruir durante a fase mais produtiva de suas vidas. O sociólogo Domenico De Masi, em seu livro “O Ócio Criativo” e em outros sobre o mesmo tema, analisa questões referentes à sociedade pós-industrial, à globalização, ao pouco uso da mão de obra tradicional e ao desemprego devido ao desenvolvimento tecnológico, além do surgimento de novas ideologias. Ele propõe, então, um novo modelo social que deve levar em consideração a necessária complementariedade entre o trabalho, o estudo e o lazer, considerando, principalmente, a crescente disponibilidade de tempo devido ao avanço das exigências sociais, cada vez mais determinantes nas reduções das jornadas de trabalho.

Resumindo, De Masi considera que os indivíduos e a sociedade devem passar por transformações que privilegiem a satisfação de necessidades específicas, como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e o entretenimento. Entretanto, os avanços propostos por ele, muitos já colocados em prática, se aplicam a indivíduos que estejam ativos, o que não se dá em relação àqueles que se aposentam. Essas pessoas, em grande parte, procuram se afastar de compromissos, horários e responsabilidades. De certa forma, diferentemente do que o sociólogo sugere, entendem o ócio como um direito adquirido, do qual querem desfrutar incondicionalmente.

Daí a diferença percebida em algumas reações à aposentadoria, que, ao invés de “ir devagar”, sugerem somente “vagar”, repousar em um sentido mais amplo, exceto no que se refere à família, ao lazer e às amizades.

Tanto para quem trabalha como para quem se aposenta, exercitar o cérebro é como estar permanentemente criando ligações entre os neurônios, atividade semelhante a fazer exercícios físicos para manter os músculos fortalecidos e, assim, sustentar os órgãos e a estrutura óssea. No caso do cérebro, os exercícios devem ser feitos para sustentar o raciocínio, a memória e outras práticas relacionadas à lucidez, capacidades que vão sendo reduzidas naturalmente com o avançar da idade.

No cérebro, não criamos músculos; promovemos ligações e ocupamos os espaços vazios que a falta de atividade pode criar devido à redução da dinâmica intelectual. Um exemplo: não basta ler; ler mantém a atividade, é preciso escrever. Escrever ativa a criatividade e, com isso, cria novas ligações, ocupando espaço.

Portanto, vamos desenvolver novas atividades, sejam elas físicas ou mentais, de maneira a tornar o ócio não a razão para a inação, mas um princípio que nos leve a ocupar de forma produtiva o tempo que nos resta de vida, em permanente busca por saúde, interação e convivência.

Por que você vota?

 Não confunda o “por que” escrito de forma separada, como o utilizado na pergunta acima, com o “porque” junto, que se aplica às respostas.

Ao considerar a primeira das situações, estamos pensando no futuro, no que queremos para Cuiabá. Já a outra requer que usemos o bom senso na análise detalhada da situação em que estamos, para então decidir se queremos a continuidade do que aí está ou se vamos impedi-la de se perpetuar.

O voto deixou de ser uma retribuição à amizade ou ao favorecimento para ser validação de esperança.

O futuro – tão evocado pelo pensamento progressista – está em uma encruzilhada, onde os desinformados confundem o avanço no caminho do progresso com a implantação da repressão – um retrocesso que dizem ter vivido no passado ao proporem a implantação de um tipo de governo que, sob o manto de progressismo sistêmico, esconde sua relativização da liberdade através da censura de opinião; confundem gestão técnica com compartilhamento político; administração de receitas e despesas com aumento de arrecadação e gastos; gerência honesta e realista com compromissos inexequíveis.

Já passou da hora de darmos ouvidos às oligarquias que até pouco tempo dominaram o cenário político com seus mandos e desmandos. São eles os que querem o continuísmo maniqueísta que divide o mundo entre o bem e o mal. O que, traduzido em fatos, significa o bem deles e nosso mal.

Chega do proselitismo ideológico da esquerda, que, desafortunada de bom senso, tenta cooptar e manter submisso o funcionalismo público consciente – por isso mesmo produtivo – como massa de manobra política para se perpetuar em um tipo de poder, que, ao invés de alcançarem através de realizações e propostas, o tomam por vias indecifráveis.

É hora da acabar com a persistente situação de manipulação do erário público em beneficio próprio, de terceiros apadrinhados e coniventes aquinhoados.

Causas e Efeitos

Ou você é parte da causa ou do efeito de um acontecimento. Não há meio termo; entre os dois, só existe o vazio, o vácuo, onde qualquer sopro, por mais tênue que seja, pode direcionar todos para onde quiser. Isso ocorre quando a subserviência vai contra o bom senso e o consenso.

Subserviência: Qualidade ou estado da pessoa que cumpre regras ou ordens de modo humilhante. Característica de quem se dispõe a atender as vontades de outrem. Ação de servir aos desejos de outrem por vontade própria; bajulação.

Bom senso: Capacidade de tomar decisões e julgamentos razoáveis e equilibrados, considerando as consequências e as realidades de cada situação.

Consenso: Opinião ou posição majoritária de um grupo ou de uma comunidade.

Vejam só quanta informação está contida na pequena frase-título deste artigo. Todas elas estão em consonância com o que estamos vendo acontecer nas duas casas do Parlamento e, pior, em uníssono, como se as duas figuras que as dirigem hoje fizessem parte de um pacto ou, no mínimo, de uma trama que desajusta o país através da intolerância a qualquer tipo de contraposição ao Executivo e seu parceiro, o Judiciário.

É certo que a oposição vem, há muito tempo, pedindo a cassação de certo ministro da Suprema Corte, aquela que considera seus membros superiores a tudo e a todos, vive das benesses da corte — como ocorre com a família real britânica — e se abstém de fazer justiça, tal como vemos acontecer na vizinha Venezuela. Mas também é certo que é preciso dar um basta em suas interferências sobre toda e qualquer ação e opinião que contrarie seus interesses e/ou suas interpretações da lei.

O que não está certo é o presidente de uma das casas legislativas do Congresso Nacional — qualquer um deles, no caso ambos — se portar de maneira tão subserviente ao não pautar as propostas votadas e aprovadas nas comissões encarregadas de estudar e esmiuçar a legislação pertinente para depois, após parlamentarem bastante, aprovarem o encaminhamento de suas decisões às mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, para vê-las engavetadas individualmente, tal qual acontece no poder a que inexplicavelmente se submetem.

Será receio de que, uma vez aprovadas, o outro passo seria a propositura de mudanças no tratamento dos processos encaminhados pelas comissões parlamentares, que também não poderiam mais ser engavetados ou arquivados ao bel-prazer dos presidentes das casas, mas sim somente após serem submetidos a colégios de líderes partidários ou aos respectivos plenários?

Afinal, se não eram cabíveis, sob o aspecto legal, os assuntos encaminhados para deliberação em comissões específicas, por que autorizaram seus funcionamentos? Por que esperaram tanto para prejulgá-los com ameaças de engavetamento? Quanta perda de tempo, quanto dinheiro jogado fora, quanta encenação para o desfecho fortuito de uma ópera bufa e sem sentido.

Foi para fingir o funcionamento do Poder Legislativo? Mas que poder é esse que nada pode sem a aprovação de quem deveria, única e tão somente, praticar toda e qualquer lei ou emenda constitucional aprovada por ele.

Ideias, ideais e ideologias

Em uma discussão, dependendo do âmbito e não do ambiente, os oponentes, ao atingirem alto grau de estresse, costumam confundir ideias com ideais, daí acabarem por externalizar suas ideologias.

No campo das ideias, temos que estas não passam de opiniões pensadas com a intenção de fazer algo, pois é a partir delas que as coisas passam a ter formatação ou, em outras palavras, existir de fato.

Já ideal é um princípio, uma aspiração que se toma por modelo. Tem muito a ver com o imaginário coletivo, daí ser entendido como aspiração, ambição ou mesmo fantasia.

Algo perfeito no que se refere à estética tanto física quanto sociológica, o que o torna um entendimento pessoal, particular mesmo. Afinal o que é belo para alguém, pode ser feio para outrem.

Como se percebe, tanto um conceito quanto o outro são insumos para a construção de convicções filosóficas, sociais e políticas, que contribuem individual e conjuntamente para o aparecimento de uma porção de propostas alimentadas pelo ativismo, seja ele conservador, progressista ou outro qualquer.

O conservadorismo acredita nas tradições, porque estas oferecerem à sociedade, melhor dizendo, ao indivíduo, a possibilidade de exercer opinião, agir em liberdade, respeitar valores religiosos, morais, éticos e familiares bem como defender sua nacionalidade, considerar e respeita o passado como mecanismo construtor do presente e indutor do futuro.    

Do outro lado, o progressismo busca o que chama por igualdade, no entanto, na prática relativiza este conceito ao se utilizar de argumentos desagregadores.

Agindo assim, ao invés de reunir, aparta ainda mais a humanidade de seus princípios originais, ou seja, propõe a consideração de variações opcionais irrestritas sobre quase tudo.

Entretanto, não age dessa forma em relação a direitos como o livre-arbítrio, desconsiderando assim a gênese igualitária universal, que tem como um de seus pilares fundamentais um pressuposto criador único, seja ele um princípio religioso ou científico.

Assim, nessas ocasiões e sorrateiramente, a discussão passa do campo das ideias para o dos ideais e destes para o das ideologias, em concepções cada vez mais díspares em conteúdos e objetivos.

Tanto, que hoje em dia há cada vez mais espaço para a inclusão de novos tipos de ideologias, a exemplo da de gênero, que utilizando do teórico argumento de ser um conjunto de pensamentos, doutrinas ou visões do mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado por suas ações sociais e políticas vêm sendo estabelecido, muito embora seja uma expressão não muito adequada para tratar um conjunto de princípios ainda em construção.

Interessante observar, que dentre os vários tipos de ideologias político-sociais existentes na primeira metade do século passado – o liberalismo, o conservadorismo, o comunismo, o socialismo e o fascismo – todas procuravam explicar o comportamento social através de distintas propostas, que levaram o mundo a viver em um verdadeiro caleidoscópio filosófico.

Nesse contexto, o avanço progressista fez surgir outras modalidades, dentre elas a ideologia woke, termo de origem americana, que se refere a uma percepção das questões relativas à justiça social e racial inspirada no comunismo, mas colocada em prática pelos “democratas norte-americanos” e o que vou chamar de neoliberalismo brasileiro, uma teoria sócio-econômica própria, tupiniquim mesmo, que tentou disfarçar seus vieses comunistas e socialistas através da “adoção” de princípios liberais, práticas aplicadas nos momentos que existiram logo após o afastamento dos militares do poder e que antecederam o atual “status quo” dessa nossa jabuticaba ideológica.

Uma ideologia única, lúdica, que possui em seu bojo argumentos incompatíveis, posto que composta por conceitos excludentes sobre política, economia, sociologia e cultura, os quais, em conjunto, tornam nossa sobrevivência como povo, país e nação algo incompreensível, . . . pelo menos para mim.

A experiência ensina melhor

O Conselho não é mais solicitado nem ao menos bem recebido, quando vem dos mais velhos.

Concordo que idade, por si só, não traz sabedoria, tão pouco é alcançada por todos. Entretanto, não há como negar que uma vez conseguida por quem teve competência para absorver conhecimento durante o transcorrer da vida, certamente será um bom conselheiro.

“Se conselho fosse bom não seria dado, seria cobrado”, dizem por aí. Este é, com certeza, um dos raciocínios mais mesquinho que existem. Até porque, trata de algo cujo valor é incalculável, independentemente da área em que é solicitado ou dado.

Há uma inquestionável diferença entre dação e doação, ou seja, dação se refere ao ato de liquidar uma obrigação e doação à liberdade patrimonial a favor de outrem, no caso, o conhecimento. Portanto, um benefício de valor imensurável para quem dá, tanto quanto questionável para quem recebe, exceto, talvez, no que se refere às consequências.

A principal diferença entre os conselhos vindos de quem obteve conhecimento através da experiência vivida e de quem foi treinado para vender o que não viveu reside na abrangência dos conteúdos ou, em outras palavras, é o que diferencia a sapiência do conhecimento.

Conselhos sobre o que, como, porquê, para que serve, ser e ter, não atendem mais aos anseios dos jovens. Eles estão interessados em treinamento para desenvolver competências e habilidades, outra forma de aprender (não confundir o que se adquire por treinar com o que é transmitido pela experiência), desde que seja oferecido por quem, mesmo com idade avança, se apresente jovial, como se isso o qualificasse para ser coach, estrangeirismo utilizado para ressignificar a função do treinador, ou seja, uma pessoa que transfere o que aprendeu através do treino, seja ele individual ou de forma coletiva.

Conselheiros aprendem por experiência e se dedicam a ajudar no trabalho, nas oportunidades e nas ferramentas, situações estas que lhes permitem ensinar sobre a vida, o que é amar, respeitar e tantas outras coisas boas que só o passar do tempo mostra e ensina. Portanto, não é a mesma coisa que treinar, aliás, fica longe de ser.

Mas a questão principal a que me dedico neste artigo está focada no mal causado aos mais velhos pelo afastamento, diria melhor, pela falta de paciência dos mais jovens e vice-versa, em relação a esse importante relacionamento.

Situações, em boa parte causadas pelo apressado desejo de sucesso, que acaba por desprestigiar as necessárias fases do conhecimento empírico, antigas gestoras dos tempos destinados às revisões e ajustes sobre o que se fazia ou pretendia obter; à falta das necessárias considerações dentro do próprio ambiente familiar referente aos valores hereditários, morais e culturais, entre eles o respeito, transmitidos dos avós para os pais e destes para os filhos; ao insipiente aprendizado nas escolas através de métodos, que antes alimentavam os intelectos com exercícios e informações, hoje considerados ultrapassados devido às prioridades agora dadas à sexualidade, e outros procedimentos nelas inseridos através da doutrinação paulofreiriana, que pouco ou nada contribuiu ao necessário desenvolvimento cognitivo nas tenras idades do ensino básico.

Que dizer então do desleixo referente ao aprimoramento de tudo o que acima foi colocado, com o deslocamento do investimento no desenvolvimento do cérebro humano, cujas inteligências: contextual, física, emocional e inspiracional, são cada vez mais desprezadas devido seu redirecionamento para o aprimoramento do cérebro eletrônico, a imprevisível IA (inteligência artificial) e sua razão artificial, que rapidamente está promovendo a substituição da mão de obra humana por máquinas robotizadas.

Nesse ambiente, as pessoas de mais idade, os velhos, como são considerados por aqueles que sequer sabem se um dia chegarão a tanto devido à falta de vivência temporal, costumam ser desprezados. Ainda não entenderam, que longe de ser um sacrifício ao porvir, viver o presente observando o passado é, antes de tudo, a melhor forma de se manter conectado ao futuro, mas isso é coisa que só a experiência ensina melhor.

PENSE NISSO

 O desenvolvimento humano se baseia no conhecimento empírico acumulado desde o passado, sendo o progresso fruto de sua aplicação.

Progredir através de outros caminhos é permear em terreno por demais desconhecido, o que pode trazer consequências inesperadas como os retrocessos causados pelos percalços que acontecem entre acertos e eventuais erros, ainda mais se o objetivo for a sobrevivência da humanidade.

A Inteligência Artificial (IA) pode ser entendida como a aplicação do conhecimento empírico de forma acelerada, algorítmica, na busca de antecipar o presente de modo a programar um futuro desejado o que, por enquanto, é impossível para nossos “rudimentares cérebros humanos”. 

Entretanto, como citado anteriormente, um erro pode vir a ser fatal caso os dados que alimentarem uma onipresente IA forem manipulados com objetivos propositalmente obscuros.

O maior risco está na hipótese de a onipresente IA, em sendo onipotente, passar a decidir o que é certo e o que está errado. Afinal, toda informação existente no mundo estará disponível, seja em nuvens ou outras formas de armazenamento.

A constante e desregulada utilização da INTELIGÊNCIA NATURAL para o desenvolvimento de OUTRA INTELIGÊNCIA pode ter consequências inimagináveis, caso esta evolua em direção a uma RAZÃO ARTIFICIAL. 

As utilidades da IA para o bem são reconhecidamente amplas, até inimagináveis, mas isso não deveria nos levar a temer por outros usos, esses potencialmente voltados para o mal?

Quem irá controla-la se seu raciocínio, caso próprio, será unicamente lógico e, em assim sendo, sujeito a uma possível (será?) desinteração com a INTELIGÊNCIA NATURAL, aquela, a HUMANA, sua criadora? 

Há motivos para acreditar que isso  possa acontecer, porque as tecnologias voltadas a seu desenvolvimento estão cada vez mais sofisticadas, o que permitiria que hackers e pessoas de má fé a utilizem para desenvolver sistemas ainda mais beligerantes dos que aí estão a colocar tudo e todos em risco através de ataques cibernéticos e outras situações de vulnerabilidade.

Não seria o caso da criatura vir a dominar o criador por ser mais “INTELIGENTE”?

E  quanto aos sentimentos? Onde ficam eles nesse cérebro artificial que pode ter seu  conhecimento constantemente alimentado com informações de todo mundo através do que é postado em telefones, computadores e etc.

Incapaz de aprender a sentir nunca saberá o que é amar, respeitar ou mesmo odiar, situação que, convenhamos, não têm espaço nas propostas atuais para seu desenvolvimento. A princípio saberá apenas obedecer o que lhe for passado, o que nos leva à seguinte consideração:

Para administrar o que decidirem seja feito – como no caso do controle populacional – , que instrumentos utilizaria? Através da paz e do amor (redução da natalidade) ou de um outro vírus (arma biológica), tão amoral quanto devastador, à semelhança daquele outro, o SARS-CoV-2, que recentemente quase nos dizimou.

Isso sem contar sua utilização em armas políticas através de campanha tidas como sociais, mas que visam, entre outros objetivos, desestabilizar vínculos afetivos e familiares.

Em razão disso, atualmente é comum pessoas abrirem mão de parte de sua origem genealógica – aquela que no momento esteja socialmente desvalorizada – para se beneficiar da outra, devido as politicas compensatórias propostas pela pedagogia do oprimido, ou seja, suas características físicas e sociais.

Bela Vista Saudosa


Ah Bela Vista hermosa
Do amanhecer orvalhado
Que de gotículas bordava
Seus extensos relvais

Que de verde formatava
Desde ruas a quintais
Das árvores frutuosas
Guavireiras, goiabeiras e laranjais

Onde dos pés abarrotados
Frutas eram pegas sem machucar
Das bocaiuvas gostosas
Manás únicos, originais

Do animado Bossa Nova
Nos epílogos semanais
Da inquieta juventude
Da parentada e jovens casais

Lembro do casario aportuguesado
De seus porões assombrados
Que mesmo de conhecidos
Só entrava com meus pais

De passear maravilhado
Por ruas, casas e quintais
Onde ao cortar caminho
Carinhava os animais

Filar quebra-torto e cafés matinais
Dormir ouvindo histórias
Mentiras calorosas, tenebrosas
Outras nem tanto, em seus que tais

Da cidade antiga, saudosa
Que a todos encantava
Das festas no Belavistense
Daqueles dias fagueiros, nas férias anuais.

Entre pedir e agradecer está Deus

Ao pedir, não se esqueça de também agradecer

Se for a um irmão ou amigo, não deixe de retribuir

Se em agonia, procura diretamente por Deus

Mas saiba que a Ele devemos somente agradecer

Pela vida, pelo amanhecer e pelo dia

Pela Saúde, pela família, os amigos e tudo mais

Se não reconhecermos sua intervenção

Continuaremos a confundir graça com desgraça

Afinal, a distinção entre as duas situações

Está em como as recebemos pelo coração

Pedir e agradecer são momentos interligados

Que dependem do querer, do sentir e do reagir

Agradecer é ato que se dá através da compreensão

É da confiança que vem a aceitação

Quem está aberto aos desígnios divinos

Participa da procura por Ele, e buscar por salvação

Encontra-Lo é descobrir que Sua chama está em nós

Mantê-la acesa é a razão de nossa existência

A vida se vai com a matéria do corpo

Mas a faísca permanece na alma

Que volta a ser chama em outras existências

Durante a permanente busca pelo aprimoramento

Que Jesus Cristo, seu dileto filho, Nosso Senhor

Alcançou em plenitude, graça e perfeição

A vida e o hiato

Devido a vida não ser um hiato
Nela existir ávida procura por encontros
Não de vogais, mas de gente
Os eventos, neste caso, são desejos
Nela existe um fenômeno não vocálico
Que existindo tal qual um hiato
Dá às pessoas significados intrínsecos
Até porquê também não estão na mesma sílaba
São separadas tempestivamente
Cada uma pertence a outra pessoa
Por isso, na vida, os hiatos estão nas almas
Afinal, pertencem a entes diferentes
E mesmo quando são iguais em intenção
Como em (co-o-perar) e no eu te (aben-ço-o)
Estão juntas no que recebemos a cada dia
De todos os que nos dão vida e criação.
Que dirá então na diferença
Quando uma só palavra, (sa-ú-de), traduz bem-estar
Outra, (pa-ís), contextualiza pátria
Esta, (di-as), indica uma fração do tempo para todos nós
São elas a inspiração transloucada desta singela (po-e-si-a).

Lamento

Lamento, por não ver
A verdade prevalecer
O ódio sucumbir
E o amor florescer

Lamento, por não existir
Harmonia nos fatos
Liberdade de ir e vir
Nem coerência nos atos

Lamento, por não poder falar
Haver tão pouca compreensão
Só vejo censurar
Calar a boca da nação

Lamento, por quem não percebe
A gravidade da situação
Ficou preso no passado
Permanece na ilusão.

Questão preponderante

Uma das mais importantes lições de vida é a de não julgar ninguém pelo que diz, e sim pelo que faz. Em outras palavras, “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela justiça”. (João 7:24).

Esta é a questão preponderante dos dias atuais devido ao que não está sendo feito por quem deveria fazer e tolhido por quem deveria julgar ao invés de subjugar. Duas situações que vêm abalando sistematicamente os pilares da nossa combalida democracia.

Que fazer, quando há claro desequilíbrio entre os Poderes da União? Que fazer, quando estes deveriam ser harmônicos e independentes entre si, tanto no trato de suas competências, quanto daquelas relativas aos demais entes da Federação (Estados, Distrito Federal e Municípios)?

Na prática, a necessária interação vem deixando de existir devido ao excessivo ruído existente entre os Três Poderes, com ênfase para a relação conflituosa entre Legislativo e Judiciário e à conivência entre o Executivo e o Judiciário, que ainda conta com o beneplácito do Legislativo, em total desacordo com o que está estabelecido na Constituição e no Pacto Federativo.

Aos que não sabem o que é o Pacto Federativo, esclareço:

 “Pacto Federativo é um conjunto de dispositivos constitucionais que surge como acordo entre todos os níveis de governo do país – federal, estadual e municipal – para que possam – cada um responsável por sua área – utilizar instrumentos a eles direcionados para gerir o bem comum e o desenvolvimento nacional”.

Não é aceitável, que haja prevalência entre quem legisla, executa e julga, o que, uma vez existindo, causa o surgimento de certa instância superior, A QUE MANDA. Palavras que distinguem o empoderado dos que enfiam o rabo entre as pernas, aqueles que submissos abaixam suas cabeças em inconcebível sujeição.

Se formos levar em consideração quem não faz o que diz; quem a cada hora diz uma coisa e faz outra; quem não diz nada com nada; quem não faz nada que se aproveite; quem tem competência, mas não cumpre seu papel, nada restará senão calar, porque a ninguém que desconcorde é permitido opinar, quanto mais questionar.

Há quem diga que está dando certo, principalmente os disléxicos por indução devido às intervenções, antes disfarçadas, depois explicitas, do pensamento gramscista da geração paulofreiriana, aquela que usou da pedagogia do oprimido para abalar as bases da formação moral, educacional, e cultural brasileira.

Basta avaliar o que aconteceu de lá para cá. Quem viveu o antes, o durante e agora sobrevive no depois, sabe e sente o desastroso resultado obtido.

Hoje, apartados por pronomes, raças e outras considerações progressistas, somos um povo mais dividido que unido em razão da revisão equivocada dos procedimentos erráticos do passado, que passaram a fomentar ações revanchistas e não as harmônicas, em relação ao comportamento humano.

Basta observar que antes, quando nos referíamos há elementos dos dois gêneros, usávamos o masculino plural, caso de professores, alunos, mestres, etc. Agora, seus significados deixaram de existir nas mentes que se dizem progressistas para, ao invés de congregar, dividir e diversificar ainda mais.

De um momento para outro passou a ser comum ouvir as falas públicas iniciarem por professores e professoras, alunos e alunas, e por aí vai. Pior que isso, é pretender inserir no vocabulário palavras que não existem, com a intenção de substituir as que já têm a função de eliminar qualquer segregação. Tudo isso, em desesperada tentativa de mostrar obediência às políticas que se dizem inclusivas, quando, de fato, distinguem, quando não excluem.

Hoje em dia, nessas ocasiões, não são mais usados substantivos coletivos consagrados, que caracterizam conjuntos da mesma espécie ou natureza, que tanto servem para citar grupo de pessoas, animais e objetos, quanto informações de semelhança e afinidade entre si, tais como: pessoal, gente, turma, grupo, classe, ouvintes, participantes, plateia, e tantas outras formas de união, onde iguais e diferentes formam coletividade, povo, país, nação e constituem, enfim, o que somos, a humanidade.

Pontos, vírgulas, reticências e muito mais

Que bom seria pudéssemos tocar nossas vidas como as descrevemos, ou melhor, como as escrevemos.

Como acontece com a utilização da vírgula, bastaria dar uma ligeira pausa entre os problemas para separá-los adequadamente e assim evitar que suas ambiguidades tornem nossa jornada ainda mais imprevisível. Afinal, todos sabemos que a utilização inadequada da vírgula e a desatenção com as palavras costumam desvirtuar as verdadeiras intenções.

Da mesma maneira, quando nos depararmos com eventos, sejam eles problemáticos ou não, deveríamos controlar nossas interferências utilizando critérios ortográficos como os pontos continuativos, até podermos desenvolver todo nosso entendimento sobre o que acontece de maneira a rematar nossa participação adequadamente com um ponto parágrafo. Isto feito, poderíamos encerrar o desenrolar do contexto utilizando um definitivo ponto final.

Quem dera fossem somente esses dois os sinais ortográficos que auxiliam a escrita, a leitura e a interpretação das situações e vicissitudes da vida. Ledo engano, a eles se juntam o ponto de exclamação, o ponto de interrogação, as reticências, o ponto e vírgula, os dois-pontos, o travessão, as aspas e os parênteses.  

Quanta interrogação é necessária para dar entendimento a acontecimentos que variam de acordo com a complexibilidade do que estamos vivenciando? O que dizer então das necessidades de usarmos da exclamação em nossas demonstrações de alegria, dor, entusiasmo, raiva e surpresa entre tantas outras ocorrências.

Como explicar momentos nos quais precisamos pausar o enunciado utilizando os três pontos das reticências, que na realidade apenas traduzem omissões por não querermos revelar emoções demasiadas, insinuações, etc.; os necessários dois pontos e travessão, utilizados nas locuções e mudanças dos nosso interlocutores; as aspas, que mais parecem vírgulas suspensas, nas tentativas de destacar citações e gírias comumente utilizadas; o que fazer então, quando precisamos enfrentar situações que exigem considerações assessórias tais como os parênteses usados nas observações, adendos e outras curiosidades que vão aparecendo pela nossa frente?

E mais, para transparecer corretamente nossas limitações em relação aos sinais ortográficos, ainda existem seus acessórios, quais sejam: os acentos, as notações léxicas e os sinais de ligação. Sobre os quais não haverá considerações, para não tornar ainda mais enfadonha esta digressão literária.

Seria bem mais fácil lidar com as necessidades de reagir a eventos que, por si só, não determinam os efeitos que recaem sobre quem por eles seja atingido se conseguíssemos mudar a forma como os entendemos. Se boas, ruins ou indiferentes, são as reações que definem o que acontecerá conosco e não os fatos.

A consequente reação ao dano não está em sua origem e sim na maneira como respondemos a ele.

Deixa de ter pressa

Chega onde for
Por teu próprio esforço
Não corra sem parar
Nem sem muito pensar
Vá devagar até onde puderes
Nem sempre onde pretendes
Faça o que for preciso
Nem sempre o que quiseres
Come o que te faz bem
Nem sempre o que gostas
Bebe o que é saudável
Nem sempre o que aprecias
Conversa com quem te importa
Não com quem convém aos outros
Dê maior atenção ao que te interessa
Não aos interesses alheios

Razões para refletir

Dias atrás perdi um amigo, que inesperadamente foi ao encontro de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, essência divina e suprema a quem devemos nossa existência terrena.

Uma pessoa especial, daquelas que se comportam como verdadeiros irmãos, dadas as inúmeras concordâncias que tínhamos sobre quase tudo. Isto me levou a fazer uma reflexão sobre a correlação desta amizade com outras situações de minha vida. Neste sentido, me refiro à forma como considero e assumo meus relacionamentos e compromissos.

Para fazer a analogia pretendida vou retirar do assunto as questões familiares – o objetivo aqui é outro – sua abordagem se restringirá aos relacionamentos de amizade e compromissos formais assumidos junto a grupos, instituições, associações e outras entidades.

Nelas, quaisquer sejam seus objetivos, existem normas, regimentos, regulamentos, rituais, mas principalmente leis a serem observadas e respeitadas. Caso do maior e mais importante desses instrumentos, a Constituição do país.

A principal razão de estar me referindo a tantas formas de regramento é a importância da existência de reciprocidade entre o que é imposto ou obrigatório e os indivíduos sujeitos a isto, seja por opção ou por submissão à maioria. Aqui, considerando maioria como um subconjunto de um grupo cujo número é superior à metade do grupo inteiro, de acordo com o que diz a literatura universal sobre o assunto. Afinal, para que servem todas essas regras se não forem no intuito de promover convivência e o bem comum?

Razão pela qual a semelhança entre a perda acima referida e o que acontece conosco de forma generalizada, faça com que precisemos reavaliar frequentemente nossos papeis dentro e fora dos ambientes que frequentamos.

Como não tinha contato diário com o amigo que perdi, assim como não existe tal relacionamento nos demais ambientes, fica em mim a sensação de semelhança entre o sentimento de não pertencimento e o de perda que aquele falecimento trouxe.

Sigo falando sobre um evento que promovi a poucos tempo, quando fiz questão de encaminhar com antecedência suficiente convites via WhatsApp, Facebook, para todos os grupos a que pertenço e conhecidos de quem tenho o número do celular, na esperança de poder contar com suas presenças de modo a transformar aquele momento que pareceria ser somente meu em uma grande reunião de pessoas queridas, que raramente se encontram.

Volto a mencionar o falecimento do meu querido amigo, compadre e irmão de coração. Pois bem, ele morreu menos de 24 horas depois de nos vermos pela última vez, encontro que se deu devido ao lançamento de meu recente livro. Fato que permitiu nos despedirmos com um caloroso abraço e beijos nas faces, gestos que costumávamos fazer. Afinal, éramos como irmãos.

Sua ausência não foi percebida, o que leva esta questão a ser encerrada sem procurarmos razões para que a lamentável situação tenha acorrido. Ninguém sabia onde estava, sendo o corpo encontrado em seu quarto, onde provavelmente faleceu enquanto dormia. Aí está a analogia desta situação com o que acontece conosco em relação às pessoas que amamos, queremos bem e nos relacionamos.

Fazendo uma retrospectiva do passado, percebo que desde o início do ano, portanto, a alguns meses não tenho procurado com a frequência necessária meus irmãos, parentes, amigos, colegas e demais companheiros de jornada, tão pouco eles a mim com a constância de antes.  Se não tenho como justificar minhas falhas, tampouco teria para cobrar a mesma coisa dos outros.

Vida que segue! Seria o caso de pensar, não fosse a falta que sinto desse meu querido amigo e de todos, gente tão importante quanto ele em minha vida e com quem tão poucas vezes tenho me encontrado.

Vejam meus caros, que volta e meia comentamos sobre a falta de contato com pessoas queridas, mas nada de efetivo fazemos para novamente traze-las ao nosso convívio. Lamentamos suas ausências somente quando estas se fazem permanentes, quando não poderemos mais conversar, abraçar e, porque não, beija-las com o carinho fraterno que só enaltece os laços que nos unem.

Aproveitemos os tristes momentos que as faltas nos fazem para refletir sobre os conceitos de amizade, coleguismo e irmandade, tão negligenciados nos tempos atuais, de modo a mudarmos nossos hábitos e não nos submetermos mais ao isolamento compulsório, que o passar do tempo e as distâncias nos induzem.

Adeus meu amigo, há Deus (II)

Lá se foi mais um
A cada partida viver fica mais sofrido
São pedaços do coração que se vão
Dói muito toda vez que acontece
Meus amigos, meus queridos, meus irmãos
Ficar por último não é opção pretendida
Pois será difícil a solidão
O time já não tem atacantes
Resta cada vez menos em cada posição
Adeus meu querido amigo
Um dia nos encontraremos todos
No jogo da redenção

Em homenagem ao meu compadre Evanildo Aguirre
Em 29/04/2024