DEU NO QUE DEU – O Jardim virou Praça.

pcaalencastro-0[1]Praça Alencastro – vista da Prefeitura

Agora, toda vez que passo pela Praça Alencastro me lembro do livro Tempos Idos Tempos Vividos de autoria de meu saudoso mestre e sogro, Coronel Octayde Jorge da Silva.

Relendo suas crônicas, encontrei várias referências à Praça Alencastro, rememorei que aquela praça fora antigamente um majestoso jardim antes das transformações por que passou, tanto que era conhecida pelos mais antigos como Jardim Alencastro.

Na verdade, aquele espaço começou a ser desfigurado anos atrás o que aos poucos o transformou em praça. Desde então, o “Jardim Alencastro” nunca mais foi o mesmo.

Eu o conheci no início da década de sessenta, antes de ser reformado para receber o chafariz das águas iluminadas. Daquela vez acabou por perder seu bucólico encanto, juntamente com o coreto, transladado que foi para a Praça Ipiranga.

Para completar, boa parte de suas árvores e plantas foram substituídas por outras, sem o mesmo viço e formosura, como diria o Coronel Octayde. Entretanto, creio que o que mais faz falta aos cuiabanos (escrevo isto porque a mim faz) são os bancos. Como sinto falta daqueles bancos, tão harmoniosamente distribuídos em seu entorno e nos caminhos que permeavam por seu interior. Alguns tinham até personalidade própria, vez que recebiam gravuras com propagandas e, em certos casos, os nomes das famílias doadoras. Com formato anatômico e aconchegante estavam quase que permanentemente ocupados por grupos de pessoas que neles se sentavam para passar as horas em bate-papos sem fim, Isto sem falar dos casais de namorados se aninhando em cochichos amorosos.

Eram assentos democráticos onde se tratava de tudo, mas principalmente de política, já que fazia vezes de jardim do Palácio Alencastro, sede do governo estadual e que lhe emprestava o nome. Aqueles bancos também emprestavam à praça ares de antessala das inesquecíveis calçadas cuiabanas, tal como era o costume nos fins de tarde da Cuiabá de antigamente, a Cuiabá dos tempos da antiga Praça Alencastro.

Isso sem falar das deliciosas horas de alegria e confraternização de todos que a frequentavam nas noites de domingo logo após a missa na Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá, quando íamos passear em suas inesquecíveis calçadas antes de ir para casa ou tomar outro rumo nas deliciosas noites cuiabanas daqueles tempos.

Assim como seus bancos as cadeiras nas calçadas tomaram sumiço, neste caso devido à insegurança dos tempos modernos. Vai colocar cadeira pra sentar na calçada hoje em dia pra ver o que acontece!

Pois é! Deu no que deu. Estas e outras “cousas”, como também diria o Coronel, de há muito tempo passaram a ser só saudades.

Marcelo Augusto Portocarrero – nov/2015

Um comentário sobre “DEU NO QUE DEU – O Jardim virou Praça.

  1. Bem lembrado Marcelo. Penso que os prefeitos cuiabanos deveriam ter mais cuidado qdo das reformas de nossas praças. Essas reformas deveriam passar por pesquisas e projetos arquitetônicos e paisagísticos que conservassem suas belezas, suas árvores centenárias, seus coretos, seus bancos e principalmente suas identidades. Reformar praças sem nenhum cuidado e carinho com sua história é torná – las um nada no meio da cidade que perde um pedaço do seu patrimônio.

    Curtir

Deixar mensagem para Ana Luísa Cancelar resposta