Memórias da comitiva e o pé da bota

Cazuza (José Afonso Portocarrero) na Fazenda Bonfim

Preâmbulo -Os fatos narrados nesta história ocorreram em fevereiro de 1940.

I – O pedido de Salomão

De vez em quando alguém aparecia para pedir ajuda e ela como toda mãe acabava por atender aos filhos. Mãe é mãe sob qualquer circunstância, em especial Dona Maria Rita, vó Rita, a matriarca da família. Ela sempre ajudou a todos que vinham a sua procura mesmo depois de terem recebido suas partes no espólio do pai.

Quando seu marido, Affonso Loureiro de Almeida, vô Affonso, morreu ela mandou separar 400 hectares para cada filho e filha de modo a que todos fossem aquinhoados da mesma forma e pudessem tocar suas vidas dali por diante. Assim era vó Rita, sempre coerente com o que lhe parecia ser justo. Também ficou acertado que da produção da Fazenda Vaquilha que lhe restou todos iriam receber suas partes, e foi assim que aconteceu.

No caso em questão, Salomão, seu quarto filho, que na primeira partilha havia recebido da mãe a área conhecida como Tamanduá, desta vez veio pedir gado para recomeçar a vida com sua segunda esposa, tia Mariota, Maria Alves Nogueira, uma cuiabana que chegara à região com o falecido marido, um italiano construtor de pontes chamado Chiaparo.

Chiaparo havia adquirido terras nas fraudas da serra da Bodoquena já no município de Miranda e próximas, não mais que uma légua, de um lugarejo conhecido por Lalima cujo proprietário aproveitou a boa localização de sua fazenda para montar um ponto de comércio de modo a atender as propriedades a sua volta bem como as diversas aldeias indígenas da região. Uma delas a aldeia Lalima, da qual tirou o nome para sua fazenda por ser a mais importante e conhecida. A aldeia Lalima de fato ficava relativamente próxima daquele lugar, mas do outro lado do rio Miranda logo após a embocadura do rio Chapena.

Vó Rita estava na sala da fazenda com outros de seus filhos e ouviu de Salomão que ele havia começado a tocar a fazenda da esposa que agora também era dele a qual estava praticamente pronta só faltava o gado, para isso contava receber o que pudesse ser adiantado da parte que lhe caberia do patrimônio remanescente do pai.

A solução que se encaminhava não agradaria a todos, mesmo Dona Maria Rita fazendo de tudo para resolver o assunto com o menor desgaste possível. Athanásio, que abandonara os estudos para ser o braço direito da mãe e como tal encarregado de fazer andar a Vaquilha que restara saiu da sala antes mesmo de acabarem a conversa dizendo que aceitaria o que fosse acertado, mas que não participaria da decisão.

Uma vez decidido o que seria feito e com a concordância de todos Athanásio chamou o primo Idelfonso Pinheiro que veio de Bela Vista para arrebanhar e fazer a entrega do gado que Salomão receberia. Ildefonso foi chamado por sua disposição, pelo parentesco e principalmente por sua natureza pacifica e conciliadora.

Nessa altura dos acontecimentos e vendo que tudo estava indo bem em relação as vacas Salomão também pediu touros e cavalos justificando que assim teria melhores condições de tocar a fazenda. Ao final, Dona Maria Rita atendendo ao filho mandou entregar a Salomão 200 vacas e dois touros. Quanto aos cavalos, apenas um animal seria cedido a ser escolhido entre aqueles usados na comitiva que iria levar o gado. Além disso, soube-se que ela também entregou a ele uma determinada quantia em dinheiro para o pagamento do pessoal que faria o serviço.

É aí que entra o Cazuza nessa história. Ele que estava por ali de férias foi convocado pela avó e pelo tio Athanásio para estar junto com o pessoal que iria levar o gado encarregado de zelar para que tudo corresse bem.

A comitiva seria composta de três pessoas, Cazuza, então com 17 anos, Ramão filho do tio Manequinho e Eugênio, filho de Pedro Borevi, um dos agregados do tio Antero, ambos um pouco mais velhos que ele, mas cientes de seu papel na jornada que teria início tão logo as reses fossem reunidas. Junto com eles seguiria Salomão para mostrar o caminho até a Fazenda Pastinho que estava a 35 léguas de distância.

Athanásio, tratando de minimizar a tarefa que impusera ao sobrinho deu a ele uma quantia em dinheiro mais seis palas que havia comprado no Paraguai. Os palas foram um incentivo à responsabilidade de Cazuza de modo que o orientou a vende-los no caminho para ganhar uns trocados quando fosse devolver o investimento ao voltar.

II – Alcinda

Naquela noite Cazuza foi se deitar mais cedo que de costume. Por sua cabeça passava uma tempestade de dúvidas sobre como seriam aqueles dias que estavam por vir e o peso da responsabilidade que lhe haviam dado a avó e o tio. Mesmo assim, pouco conseguiu dormir e nas primeiras luzes do dia já estava acordado. Pouco tempo depois ouviu barulho na cozinha, era Alcinda atiçando a lenha do fogão para iniciar os afazeres do dia.

Foi chegando de mansinho tentando passar despercebido porque Alcinda ainda não o tinha perdoado por ter jogado café quente em suas pernas. Imperdoável, dizia ela sobre o incidente envolvendo os dois nas férias do ano anterior quando a moça se negou a dar café para ele na frente de todos que estavam jantando na grande mesa da sala. Na ocasião, Alcinda, apesar de ainda muito jovem já tinha ares de dona do serviço e não quis servir seu café alegando que criança não tomava café com adultos.

– Se quiser café vai ter que ir na cozinha como fazem as outras crianças.

Todos riram, inclusive vó Rita achou graça da pendenga entre os dois, mas logo as conversas sobre os assuntos da fazenda os fez esquecer do acorrido. Menos Cazuza, ele ficou mais um tempo por ali disfarçando a sengracera, mas já bolando uma vingança a altura da petulância de Alcinda. Passados alguns minutos saiu discretamente da sala e foi em direção a cozinha. Lá chegando verificou que o bule com o café ainda estava sobre a quentura do fogão pegou uma caneca de alumínio na prateleira, serviu uma boa quantidade e ao passar pela distraída Alcinda jogou o líquido quente em suas pernas e saiu correndo pela porta que dava para a varanda dos fundos rumo ao galpão onde passaria a noite bem longe da encrenca que aprontou. No dia seguinte tratou de voltar para Bela Vista na primeira chance que teve para escapar da bronca que provavelmente viria acompanhada de uns puxões de orelha.

Alcinda sempre mereceu ser lembrada por todos devido sua história de vida, então vale a pena contar como foi que ela surgiu em nossa família através das recordações daqueles que a guardam na memória.

Certo dia, chegando ao prédio da Agência dos Correios onde trabalhava Elisa, filha mais velha de Dona Maria Rita, (Francisco era o primogênito) foi surpreendida por uma pessoa que aos gritos dizia estar indo jogar no rio a criança que trazia. A criança, recém-nascida, ainda guardava sinais das agruras do parto, muito provavelmente feito pela própria mãe. A mulher, sem destino como muitos dos encravos libertos que haviam vindo para a região era conhecida por perambular pelas ruas da cidade e naquele momento carregava a criança de forma decisiva rumo ao rio Apa que estava a não mais que duas centenas de metros à frente.

Elisa, constrangida com a dramática cena que se desenrolava a sua frente segurou-a com firmeza na tentativa de acalmar seu estado de espírito e assim dissuadi-la de levar adiante seu ato de desespero, no entanto, por mais que se esforçasse não estava conseguindo fazer a mulher parar de tentar se desvencilhar dela até que também desesperada gritou dizendo que ficaria com a criança porque nada justificava pôr fim a uma vida, nem os argumentos descabidos de uma mãe ciente de sua incapacidade para cuidar daquela menina e dos outros filhos que certamente tinha. Era Alcinda.

Assim ela chegou à nossa família, muito provavelmente lá pelos idos de 1922, quando passou a ser criada com o carinho de Elisa que ficara viúva muito cedo, tanto que ainda não tinha filhos e ficou com ela até quando se casou com Sóter de Araújo França indo com ele morar em Campo Grande. Alcinda, não foi porque ainda era muito nova, ela tinha dois ou três anos a menos que tia Gloria, por isso permaneceu morando com Dona Maria Rita. Inteligente e esperta, além de fazer companhia para Glória a filha caçula da família com o tempo passou a ajudar nos afazeres da casa e da fazenda, ambas sempre cheia de gente por onde constantemente passavam filhos, netos e bisnetos da Donhá, forma carinhosa como Alcinda chamava Dona Maria Rita.

Cazuza se lembra de Alcinda como uma pessoa alegre, prestativa e sempre disponível para ajudar em tudo que fosse necessário. A última vez em que se encontraram foi no Clube dos Sessenta durante as festividades das Bodas de Prata dos tios Glória e Mário Battilani. Depois da festa foram jantar na casa do tio Athanásio, ocasião em que riram bastante ao contar para a filha da Alcinda as peripécias que aprontaram quando ainda crianças, inclusive o causo do café.

III – Tocando a boiada

Voltando a nossa história, a tropa da pequena comitiva era composta por um cavalo, o mouro marca pote usado por Cazuza e nove éguas redomonas além, naturalmente, do grande burro que servia de montaria principal ao tio Salomão. Os custos dessa empreitada incluíam as diárias, eventuais estadias e alimentação do Ramão, do Eugénio e do Cazuza, encarregado que foi por Athanásio de cuidar para que tudo corresse bem. Salomão quase nunca estava junto a eles, ia sempre na frente após dar o rumo a ser seguido, exceto nas primeiras cinco léguas da viagem, trecho que os levaria até a Fazenda São Luís onde iriam fazer a primeira parada.

Partiram de madrugada tocando a boiada pelos caminhos que serpenteavam as terras das famílias Loureiro de Almeida, Pinheiro e Mello, todas inquestionavelmente importantes no processo de ocupação e desenvolvimento daquela parte da fronteira do Brasil com o Paraguai. Como testemunhas do pioneirismo dessas famílias lá estavam a Vaquilha de onde partiram e São Luís, para onde se dirigiam. Com o gado descansado e a disposição de todos garantida por ser esse o primeiro dia de jornada venceram tranquilamente a distância que separava as duas sedes e no final do dia chegaram a São Luís bem a tempo de recolher o gado no curral e soltar os animais de montaria no potreiro. Só depois se dirigiram ao grande galpão onde encontraram a pionada da fazenda que já os aguardava com café quente e mate na guampa.

Depois foram todos tomar banho no açude onde também refrescaram os animais que haviam montado até ali. Cazuza, arrumado para ir a casa sede onde ia encontrar o tio que para lá tinha se dirigido tão logo chegaram e foram informados da gravidade da situação de saúde de Sebastião Toledo que naquele mesmo dia tinha levado um coice na cabeça durante a lida com o gado foi parado por Salomão assim que este chegou ao galpão dizendo que a situação estava mesmo complicada. Então, achou melhor ficar por ali ciente de que ele não estava em condições de receber visitas.

Se desse, na volta passariam por lá novamente, desta vez com tudo sobre controle e com tempo de sobra para encontrar o marido de Dona Margarida, a “tia” Margô sem os atropelos daquele momento complicado pelo qual todos passavam. Tia Margô era prima de sua mãe, filha de Perciliana Loureiro de Almeida com Cândido Pinheiro e irmã do Idelfonso Pinheiro que a pedido do tio Athanásio tinha ido à Vaquilha para apartar e entregar o gado que estavam levando.

Margô estava em sua residência de Aquidauana e como a situação de seu marido inspirava maiores cuidados o pessoal da São Luís decidiu mandar alguém até o Boqueirão pedir ao motorista da jardineira que avisasse Dona Margarida para junto com o irmão Candido Pinheiro, o Tanguinho, viessem em seu socorro o mais rápido possível.

Depois de comer, Cazuza, Ramão e Eugênio foram se acomodar no galpão enquanto aguardavam para saber se iriam ficar para ajudar em alguma coisa ou seguir em frente com a boiada. Salomão, considerando que tudo estava bem no que se referia ao que poderiam fazer quanto ao amigo decidiu partir no dia seguinte tão logo amanhecesse. Após a curta conversa e enquanto se preparavam para dormir Cazuza não resistindo à curiosidade que carregava consigo desde a fazenda da avó perguntou ao tio o porquê dele estar somente com um pé de bota.

– Quer saber o que aconteceu comigo Cazuza? Disse o tio com seu largo sorriso acompanhado de uma boa gargalhada. Vou contar somente para você, e que ninguém mais saiba, senão vão me perturbar por um bom tempo. Não se preocupe porque não estou machucado, é que deixei o outro pé em garantia. Perdi no carteado e como na ocasião não tinha como pagar a aposta deixei lá o pé que está faltando, e vamos parar de conversa mole e tratar de dormir porque amanhã o dia será longo disse ele apagando a lamparina.

Pois é, a curiosidade de Cazuza vinha se arrastando desde que o tio Salomão havia chegado na Vaquilha com um dos pés sem bota, em seu lugar calçava um desajeitado tamanco e isso havia deixado todos intrigados. Afinal, o pé com tamanco não parecia estar machucado e o pé com bota mostrava que ele estava em boas condições. No entanto, ninguém se atreveu a perguntar nada porque assim como Salomão sabia ser brincalhão também tinha momentos em que não era, e aquela não parecia uma boa situação para testar seu estado de ânimo.

IV – Precisamos chegar ao Curé

Dia seguinte saíram bem cedo e seguiram firmes na toada para a próxima parada. Já no meio da tarde atravessaram o rio Verde em direção ao Curé, uma paragem que ficava nas margens do Rio da Prata a outras seis léguas de distância. Antes atravessaram uma área alagadiça onde tiveram que contornar uma enorme lagoa que na ocasião estava ainda maior por causa das chuvas de verão o que acabou por atrasar a empreitada daquele dia. Sabedores da possibilidade de que dormir com o gado solto e em uma região bastante úmida significaria mais trabalho para todos decidiram seguir em frente mesmo que chegassem tarde da noite ao Curé. Sabiam que a jornada deixaria todos muito cansados mais valeria a pena.

Salomão que conhecia o lugar garantiu que o esforço seria recompensado porque a estrutura da fazenda era muito boa. Era um local onde sempre fazia parada, lá poderiam manter o gado nos currais, descansar e também se abastecer no comércio mantido pelo dono. Queijo fresco, charque e bolacha seriam mais que bem-vindos, ainda mais se acompanhados de uma boa lata de marmelada para levarem e com isso enganar a fome durante o resto do percurso que àquela altura sequer estava pela metade.

Chegaram ao Curé já bem tarde e enquanto Salomão saiu a procura de alguém para acertar a pousada os outros foram logo tratando de recolher o gado. O curral era dos antigos, daqueles que ainda tinham as divisões fechadas com varões o que demandaria tempo para manuseá-lo porque para isso alguém tinha que estar apeado. Pois não é que quando as reses estavam quase todas acomodadas um enorme gato passou correndo pelo meio do curral e causando um reboliço tamanho que muitos deles acabaram voltando para fora sem que nada pudesse ser feito para impedir a debandada. Naturalmente que um alvoroço desses chama a atenção de todos o que fez com que Salomão chegasse correndo ao curral na companhia da pessoa que havia ido procurar.

 – E agora, como vamos fazer para reuni-los novamente nessa confusão perguntou um exausto Cazuza.

– Não se preocupem, disse o senhor que chegara na companhia do tio, amanhã estarão todos aqui por perto, ficarão junto ao gado leiteiro que vem dormir próximo ao curral por causa dos bezerros. Além do mais, seu gado deve estar cansado e faminto o que certamente fara com que não consigam ir muito longe. Podem acreditar, tenho certeza que logo vão parar. E tudo aconteceu da maneira como foi dito. Pela manhã, estavam todos nas proximidades do curral.

V – Melhor vocês seguirem em frente

A próxima parada seria depois do Distrito de Paz de Bonito, antiga Fazenda Rincão Bonito, que ficava a distância de outras 12 horas de cavalgada tocando o gado. Antes de chegarem, já bem pertinho, quando já estavam no rio Formoso Salomão pediu que parassem o gado e esperassem um pouco, pois precisava falar com uma pessoa que morava no vilarejo.

A história daquele lugar, hoje cidade de Bonito, é anterior à guerra do Paraguai, remonta a 1778 com a construção do presídio de Nossa Senhora do Carmo do Rio Miranda após a expulsão dos espanhóis da região pelos portugueses na intenção de capturar os inúmeros índios que lá habitavam. Após algum tempo as relações com os índios se tornaram amistosas e permitiram que aos poucos um pequeno povoado fosse sendo constituído no entorno do presídio e foi assim que tudo começou.

Pois é, voltando novamente à nossa história, como não aproveitar as águas frescas e cristalinas do rio Formoso para um bom banho, tirar a sujeira da cansativa viagem e ainda curtir a beleza praticamente intocada daquele remanso onde haviam parado. Foi o que os três fizeram e ainda tiveram tempo de estender suas redes para um descanso. Após algumas horas Salomão voltou para dizer que precisaria ficar ali para resolver alguns assuntos urgentes e orientou para que seguissem até uma fazenda que ficava pouco diante no pé da serra e em seu nome pedissem pousada ao proprietário, Arlindo de Oliveira Flores.  

Vários anos depois, Arlindo de Oliveira Flores viria a ser o sogro do João da Sinhara, irmão do Cazuza, que se casaria com sua filha mais nova, a caçula Gedy. Esse mundo dá suas voltas, essa certamente foi uma delas. Seguiram então como orientado, mesmo com a possibilidade de pegarem chuva forte no caminho na medida em que iam na direção das nuvens cinzentas que se mostravam lá pelos lados da Serra da Bodoquena.

Após avançarem por um bom tempo encontraram um cavaleiro bem vestido e apetrechado, mas de pouca conversa que parou para vê-los passar, sinalizou um cumprimento pegando na aba do chapéu e seguiu rumo ao vilarejo. Tivessem perguntado teriam sabido que se tratava do amigo a quem Salomão se referira, o tal Arlindo, e teriam evitado o perrengue de ter que seguir em frente vez que não conseguiriam pousada no local para onde se dirigiam.

Chegaram a fazenda indicada pelo tio com a pouca claridade que uma tarde chuvosa oferecia e foram recebidos de maneira diferente da que esperavam encontrar. Com a ausência do Arlindo, Miro, seu filho mais velho, tratou logo de despachar a comitiva com a justificativa de que tinha orientação do pai para não receber estranhos enquanto ele estivesse fora. Além do mais, nossa curralama não tem condições de abrigar todo o gado que vocês estão tocando.

Como no início da conversa Cazuza havia dito o dono e o destino da boiada que levavam, Miro, preocupado com mau tempo que se avizinhava sugeriu que para evitarem dormir ao relento e com o gado solto seria melhor seguirem adiante por mais ou menos uma légua até subirem a rampa da pequena serra que se mostrava logo à frente quando chegariam à Fazenda Jabuti, lugar onde teriam condições de recolher o gado e alojamento. Lá, com certeza será um bom lugar para o pernoite.

VI – O estouro da boiada

Foi só o tempo de subirem a serra e a chuva que vinha se formando caiu sobre eles com seus raios, trovões, muita água e escuridão o que causou o segundo estouro da boiada que conduziam. A dispersão foi enorme a ponto dos três se perderam uns dos outros na tentativa de controlar a situação. Demorou, mas na base de gritos conseguiram se reencontrar e decidiram deixar as coisas como estavam para ir à procura de ajuda na Fazenda Jabuti que estava perto antes que a situação piorasse com o temporal.

A pessoa que os recebeu vendo a condição em que se encontravam e após saber que já estavam em uma de suas invernadas quando tiveram que abandonar o gado para virem a procurar de ajuda os tranquilizou dando a eles o necessário e reconfortante abrigo. Não se preocupem, disse o homem, entrem e troquem essa roupa molhada enquanto providencio comida para vocês. Foi assim a recepção que tiveram na Fazenda Jabuti. O nome do simpático proprietário, Cazuza por mais que se esforçasse nunca conseguiu lembrar.

Ficaram lá conversando um pouco enquanto se acomodavam tranquilizados com a informação de que no dia seguinte o pessoal da fazenda iria ajuda-los a encontrar o gado extraviado. Caso fiquem algumas reses sem serem encontradas nós as acharemos mais cedo ou mais tarde. Diga ao seu tio para vir busca-las depois, quem sabe assim ele apeia por aqui com tempo para nos conhecermos tomando um mate, disse ele enquanto abria seu largo e cativante sorriso.

No outro dia bem cedo lá estavam eles prontos para sair à cata do gado extraviado e novamente ouvindo as palavras tranquilizadoras do proprietário da fazenda que acostumado na lida com gado explicou que devido à chuva e o fato de estarem exaustas as vacas, devem ter parado pelo cansaço e se deitado na invernada para descansar do susto. Além do mais quando chove, nesses casos é comum ficarem deitadas um pouco mais de tempo após o amanhecer.

Partiram após traçarem o plano de busca e foram se separando a medida em iam encontrando vacas, touros e éguas, cada grupo trazendo os animais para a beirada da cerca na intenção de reuni-los o mais rápido possível. Foi em um desses vai e vem que Cazuza levou uma rodada. Ao se embrenhar em capão fechado correndo atrás de uma vaca foi direto para uma caixa de marimbondo escondida nas folhagens de um pé de pequi. A cabeça do cavalo foi imediatamente atacada e fez com que ele saísse em disparada arrastando Cazuza que ficou preso pelo pé nas voltas do laço amarrado na garupa de sua cela. Seguiram assim até que o pé se soltou e ele ficou estatelou no chão. O cavalo seguiu em sua desesperada carreira levando consigo os insetos para bem longe. A peripécia não passou despercebida, tanto que logo chegaram para socorre-lo e vendo que ainda estava meio zonzo, mas inteiro trataram de recuperar sua moral ameaçando mijar na cabeça dele caso não se recuperasse logo alegando que aquela era uma simpatia infalível para recuperar a consciência nesse tipo de tombo.

As gozações continuaram até levarem o gado que tinham conseguido juntar para o curral e fazerem a conferência. Faltaram 6 vacas, mas decidiram ir embora assim mesmo, ainda mais porque tinham a garantia de que Salomão poderia buscá-las assim que pudesse.

VII – A fazenda Pastinho

Após os muitos agradecimentos seguiram em frente, no caminho ainda passariam por aquele lugar de comércio próximo a Fazenda Pastinho e citado anteriormente. Uma região por onde vários índios (os antigos os chamavam de bugres) perambulavam. Outra constatação que Cazuza fez desde São Luís até a fazenda Pastinho foi que os índios ou bugres que iam encontrando pelo caminho foram aparecendo com maior frequência a medida em que se aproximavam de seu destino.

Ali, algumas vacas do local se misturaram com as reses da comitiva o que acabou por promover o último atraso na empreitada. Como já era final de tarde quando chegaram o gado leiteiro já estava perto do curral e aconteceu de uma vaca da propriedade se misturar com a boiada não sendo possível apartar a danada do rebanho sem fazer uso do laço.  As habilidades do Ramão vieram a calhar nessa ocasião, bastou uma única oportunidade e lá estava ele boleando seu laço para em certeiro arremesso derrubar a vaca intrometida segurando-a até que Eugênio e Cazuza pudessem aparta-la.   

Enquanto Ramão e Eugênio arrumavam o acampamento para passar a noite Cazuza foi até o comércio comprar alguma coisa para comerem, foi quando o dono do estabelecimento informou que Salomão havia passado por lá mais cedo e avisado que a comitiva com seu gado passaria por ali no final do dia. Sabe-se lá como e onde foi que aconteceu, mas ele havia passado na frente da boiada.

Dia seguinte saíram cedo para percorrer o último trecho da comitiva rumo a Fazenda Pastinho, daquela vez sem encontrarem nenhuma dificuldade até a porteira onde Pedro Afonso, filho do tio Salomão, na companhia de um dos bugres que trabalhava na fazenda estava esperando por eles, ambos montados em pelo e com os animais só no cabresto. Dali seguiram juntos até a sede onde tia Mariota e suas duas filhas, Nézia e Nena, os aguardavam. Nézia era o apelido carinhoso de Maria Venêzia Chiaparo, nome dado pelo pai em homenagem a Veneza, provavelmente sua terra natal. Finalmente estavam em seu destino após uma longa jornada, mas uma aventura que ainda não terminara. Tia Mariota, com seu jeito de ser foi ao encontro deles e em cuiabanes castiço disse um sonoro “acúde djente, espia o Cazuza aí”, e foi logo abraçando o sobrinho que feliz em vê-las ainda apeava.

Tio Salomão não estava, de acordo com a tia teve que sair para tratar de negócios dizendo que estaria de volta no dia seguinte para receber o gado e fazer os acertos com o pessoal da comitiva.

Passaram o resto do dia descansando. Cazuza até aproveitou para fazer companhia a prima Nézia que a pedido da mãe foi até as margens do Rio Chapena onde morava Seu Pixi, compadre de seu pai, para buscar feijão.

Salomão só apareceu no final da tarde do dia seguinte e pediu que deixassem para conversar no dia seguinte porque estava muito cansado. Tão logo amanhecesse acertariam tudo e poderiam iniciar a longa viagem de volta para a Vaquilha.

Confere daqui, verifica dali, estavam lá as 194 vacas, como descrito antes seis haviam se extraviado na Fazenda Jaboti, os dois touros e as éguas das quais Salomão escolheria uma. No final, ele ficou com duas das équas, as duas melhores, e na hora do pagamento do pessoal entregou parte do que devia a cada um dizendo que havia combinado que a diferença seria paga por Dona Maria Rita quando retornassem à Vaquilha.  Quem é que ia dizer que não?

– O senhor está com o outro pé da bota tio, pagou ou ganhou ele de volta? Perguntou Cazuza ao ver que o tio estava com o par completo nos pés.

– Ora, ora, … isso você nunca vai saber respondeu o tio, e saiu rindo na direção de tia Mariota que os observava do alpendre da casa.

E lá foram os três se preparar para enfrentar o longo caminho que teriam pela frente. Uma viagem bem mais tranquila e certamente mais rápida porque dali para a frente iriam no ritmo mais forte que conseguissem cavalgar levando com eles alguns potes de doce, presentes da tia Mariota para a sogra. A próxima parada seria onde os cavalos pudessem chegar e o tempo permitisse.

VIII – A volta

Desobrigados da tarefa e animados por estarem retornando homens e animais seguiram em boa toada até o comércio do Lalima onde na ida Cazuza havia oferecido seus palas para o comerciante, mas não haviam chegado a um acordo. Pararam para outra tentativa de venda, por sorte desta vez lá estava um fazendeiro da região que ouvindo a conversa se interessou em ver o material e acabou comprando todos os seis por um bom preço. Dali seguiram adiante até que ao final da tarde estavam novamente na frente da Fazenda de Arlindo Flores. Desta vez ele os recebeu para o pernoite. Cazuza foi convidado para jantar, talvez como forma de corrigir o desconforto anterior e teve a oportunidade de conhecer toda a família dos Flores. Ele se lembra dos rapazes e meninas, mas não saberia dizer quantos nem quem eram por ser uma prole numerosa, exceto o Miro com quem estivera alguns dias antes.

A próxima parada seria nas margens do rio Formoso onde pararam afastados do vilarejo de modo a não perder tempo, queriam mesmo era chegar em casa o mais rápido possível. Dia seguinte forçaram o passo para chegar ao rio Verde onde pararam na propriedade de um antigo empregado de Nhô Fonso, um senhorzinho surdo. Aliás, já era surdo quando esteve trabalhando na Vaquilha. Dali, depois de uma bela carne assada na brasa ouvindo histórias dos velhos tempos dos primórdios da Vaquilha e das outras fazendas da família, uma noite bem dormida e após um belo quebra-torto de picadinho de carne seca com mandioca e ovo frito partiram para o último trecho do caminho com a intenção de só parar para comer no bulicho de um turco que existia no meio do caminho. Depois, só a Vaquilha mas não ia dar para parar novamente em São Luís para ver como estava o “tio” Sebastião Toledo, a pressa era muita e o cansaço nem dava para medir. Ainda mais que souberam que ele foi já estava bem e fora levado para Aquidauana a fim de se recuperar melhor.

Por volta do meio dia quando chegavam à beira do que diziam ser uma das nascentes do rio Piripucu, lugar onde pretendiam parar para almoçar a égua que era usada pelo Eugênio empacou e não houve jeito de faze-la seguir em frente a não ser desmontada e puxada a laço. Assim, após comerem e um breve descanso para os animais seguiram céleres até entrar nas terras de Militão Loureiro de Almeida, irmão de seu avô Affonso, a Fazenda Boa Vista, onde soltaram no piquete a extenuada égua que novamente empacara, desta vez acompanhada de uma pitiça que também se negou seguir adiante. Com isso Cazuza chegou sozinho na Vaquilha já noite estabelecida. Romão e Eugénio foram ficando pelo caminho a medida em que iam passando perto de suas casas, mas com a combinação de irem para a sede da fazenda no dia seguinte logo cedo.

Foram mais ou menos meia légua sozinho tocando o resto das éguas da tropa que na prática simplesmente seguiam junto, apressadas, levadas por seus instintos ao perceberem que estavam perto de casa. Quando chegou no galpão após deixar as éguas no potreiro foi que Cazuza percebeu que não havia ninguém por lá. Seguiu então até o casarão onde encontrou Roque e Dolores de caseiros. Todos os outros tinham ido para Bela Vista aproveitando o feriado de Carnaval.

Enquanto Dolores foi preparar um boa e reforçada janta Cazuza guardou os apetrechos de montaria que havia usado, tomou banho e colocou roupa limpas. Depois conversaram, ele e Roque, sobre como haviam decorrido os dias na fazenda e na viagem. Afinal, foram 12 dias entre ida e volta, havia muito assunto para prosear. Vendo que Cazuza estava cansado e pensando em ajudar a resolver a questão dos pagamentos que ficaram pendentes Roque achou melhor irem dormir e sugeriu que no dia seguinte ele seguisse até Bela Vista para falar com sua avó levando junto Romão e Eugenio de forma a deixar tudo acertada com eles.

IX – Vamos para Bela Vista

E foi assim, mesmo com o cansaço ainda tomando conta dos três lá foram eles para a cidade encontrar Dona Maria Rita.

Ela não estava, tinha ido conhecer a casa nova do Ildefonso Pinheiro, aquela lá de cima, perto do colégio das freiras onde iria passar o dia com ele. Cazuza então deixou Romão e Eugenio a sua esperara na casa da avó e foi procurar por dela. Para quem não se lembra, naqueles tempos Dona Maria Rita morava na casa de madeira que depois ficou para tio Félix. Ela ficava na esquina da Rua Cuiabá com a Rua General Osório. Nesta última e a meia quadra de distância Athanásio construiu a casa onde morou até falecer. Anos depois, seguindo a calçada da Rua Cuiabá no sentido do Rio Apa, na esquina seguinte, tia Glória e seu marido Mario Battilani também construíram a casa onde residiram até o fim de suas vidas.

Logo que chegou ao portão que havia na mureta da casa encontrou um dos empregados e perguntou por Dona Maria Rita dizendo que precisava falar com ela com uma certa pressa. Ficou ali no alpendre aguardando até que Dona Maria Rita veio em seu encontro. Como sempre prevenida que só, lembra cazuza, ela estava com sua inseparável valise a tiracolo.

– O que aconteceu meu filho, porque você está precisando falar comigo? Disse sua avó preocupada com o que poderia ter acontecido.

– Sua benção minha avó, eu tive que vir até aqui para prestar conta da viagem porque uma parte do pagamento do pessoal encarregado de levar o gado não foi feita. Tio Salomão disse que a diferença seria para acertar com a senhora quando chegássemos na Vaquilha. Como fiquei sem saber o que fazer quando soube que a senhora não estava lá. Então o Roque sugeriu que eu viesse para Bela Vista contar o que havia acontecido porque a senhora iria passar um bom tempo por aqui. Então conversei com o Romão e o Eugenio e decidimos vir.

Dona Maria Rita pediu para Cazuza entrar com ela em uma sala desocupada e foram tratar de acertar as diferenças que haviam ficado.

Os detalhes de valores e outras questões pendentes não vêm ao caso, o interessante é que Dona Maria Rita pedindo discrição ao neto disse a ele que havia entregue ao filho Seis Contos de Reis com os quais Salomão deveria pagar todas as despesas com a comitiva, ficando o restante para ele investir na fazenda. Era uma quantia mais que razoável para a época.

Com o tio Athanásio, ele prestou contas no dia seguinte. Fez um relato dos acontecimentos na viagem, detalhou as despesas e pagamentos efetuados e disse que o saldo do dinheiro que tinha recebido da avó para as outras despesas da viagem foi entregue ela no dia anterior. Falou das éguas que tinham ficado no piquete da fazenda Boa Vista e da outra com a qual Salomão havia ficado. Depois entregou os Trezentos Mirreis que conseguiu com a venda dos palas e recebeu de volta todos os Cento e Vinte Mirreis do lucro obtido.

Conforme orientado pela avó, Cazuza jamais disse a ninguém o que tinha acontecido no que se refere as pendências deixadas por Salomão, como também a pedido do saudoso tio nunca contou sobre a história do pé da bota. É de se imaginar que foi recuperado em algum lugar entre o rio Mimoso e a atual cidade de Bonito. Entretanto, nunca saberemos se foi resgatado no jogo de carteado ou se teve mesmo que pagar a dívida.

X – Epílogo

A incumbência que lhe foi dada por sua avó, Maria Rita, e pelo grande amigo e orientador, seu tio Athanásio, propiciou a meu pai essa maravilhosa aventura. Uma das muitas que ele viveu em Bela Vista e na Fazenda Vaquilha desde sua infância até a adolescência. Essa, em especial, nunca foi por ele esquecida e certamente não o seria por ninguém que a tivesse vivido com tanta intensidade, assim como nunca será esquecida por mim que tive a oportunidade de ouvir sua história e escrever este texto onde tentei mostrar todos os detalhes de sua prodigiosa memória.

Os momentos de sua convivência com seus avós, pais, tios e tias nunca foram esquecidos. Para ele não existem dúvidas de que as almas de todos os filhos e filhas de vô Affonso e vó Rita estão com eles nos campos da Fazenda Vaquilha e das outras que dela foram desmembradas, mesmo aquelas que não pertencem mais a família. Da mesma forma essa consideração se aplica às outras fazendas originais a partir do que ficou decidido no acampamento que montaram em M’oyjagua (lugar de encontro em guarani) os pioneiros da família . Em seu coração todas elas, Santa Cruz, São Salvador, Boa Vista, Porteira (onde hoje é a cidade de Caracol), São Lourenço e Estrela, assim como Bonfim, Bonsucesso, São Luís, Nova, Triunfo, Santana e tantas outras são marcos indeléveis do que foram os esforços para ocupar essas áreas. Esforços esses já mostrados em outros textos como nos livros A Odisseia dos Pioneiros de Eloy Toledo e Sérgio Rego Miranda, Raízes, escrito por Eloy Toledo e Maria Aparecida de Toledo Verga e mais recentemente Soprando Raízes, também de Eloy Toledo.

De nossos ancestrais e de suas fazendas todos somos frutos e por isso mesmo em nossas memórias devemos mantes acesas as chamas que iluminam nosso passado e aquecem nossos corações. Só assim cultivaremos nas sementes que plantamos, nossa descendência, a lembrança das histórias que não podem ser esquecidas.

A memória de Cazuza remonta seus três anos de idade, época em que sentado no batente da porta da farmácia de seu pai, Martinho Portocarrero, ouvia e via o cotidiano da vida passar e como um gravador guardava tudo em seu coração.  Prova disso é a lembrança de assistir maravilhado seu Januário acender as pedras de carbureto dos lampiões que mantinham iluminada a praça de Bela Vista, seu inesquecível mundo.

Cuiabá, outubro de 2020

Marcelo Augusto Portocarrero

Bibliografia

  1. Os dados referentes as pessoas citadas no texto foram obtidos no livro Descendência do casal Joaquim Ferreira de Mello e Anna da Conceição Almeida escrito por Maria Aparecida Melo Miranda e Maria Rita Murano Garcia – Life Editora, 1ª Edição – 2010.
  2. As informações sobre Alcinda foram passadas por papai, José Afonso Portocarrero, o Cazuza, e por sua tia Glória Loureiro de Almeida Battilani,.
  3. Os dados referentes as localizações e as distâncias entre as fazendas e as paragens do percurso foram confirmados geograficamente no site do Google Earth
  4. Sobre a história de Bonito a pesquisa foi feita nos vários sites que existem sobre a Cidade e região.
  5. As informações sobre Arlindo de Oliveira Flores foram passadas por sua filha Gedy Flores Portocarrero.

3 comentários sobre “Memórias da comitiva e o pé da bota

  1. LINDO! Simplesmente, LINDO! Se para mim, que não tenho abito, a Leitura, o Assunto além de me Prender, me fez Vibrar, pois mesmo que não tenho ligação com os PERSONAGENS! Me Senti de uma maneira, como se tivesse vivido este LINDO RELATO! Parabéns meu AMIGO MARCELO! Este Assunto! Já que tenho o Previlégio de ser amigo do Autor, quero Brindando uma Branquinha ou em uma nova travessia de Pantanal! Ouvir todo teu Conhecimento! OBRIGADO 🙏

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  2. Fazia tempo que não apreciava uma historia de vidas ligadas ao campo com criame de gado. É sempre bom conhecer os ‘causos’ de um amigo tao distinto como Seu Jose Portocarrero.
    Voce tem ja estilo literario onde a historia flui com naturalidade.
    Parabens pelo conto.

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  3. Mais uma brilhante e envolvente produção literária de sua lavra, caro amigo Marcelo.
    Obrigado por dividir conosco está bela história de seu pai.

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