Nem cocô de gato

Meu pai adorava contar um caso que aconteceu com ele quando era um jovem bancário na cidade de Guararapes, no interior de São Paulo. Naquela época, ele morava em uma pensão onde o café da manhã servido pela senhoria era bastante simples, mas nunca deixava de ter como opção de bebida quente um delicioso chá de cidreira.

Certa vez, uma dessas em que as opções eram poucas, ele e outros hospedes estavam cochichando sobre essa situação e não perceberam a aproximação da dona. Então, para disfarçar a vergonha de terem sido pegos reclamando, passaram a elogiar o delicioso chá e perguntaram a ela onde conseguia a erva para prepará-lo.

Sem pestanejar, a senhoria foi logo dizendo que era dali mesmo, do quintal da pensão, da moita de capim cidreira que ficava no canto do quintal, bem atrás dos quartos onde estavam hospedados, e olhando firmemente para eles, completou a informação dizendo ser daquela lugar onde costumavam mijar à noite.

Pronto, a informação gerou alguns engasgos, assopros com respingos e até chá saindo pelo nariz, o que fez com que ela logo tratasse de passar um pano na mesa que acabávamos de sujar. Enquanto isso, risos incontidos se faziam ouvir de todas as pessoas que estavam tomando o café da manhã naquela hora.

É que durante a noite, quando tinham vontade de fazer xixi e batia aquela preguiça de ir até o banheiro comunitário que ficava um pouco afastado da ala onde estavam seus quartos, frequentemente se aliviavam justo na enorme moita de capim da qual, acabavam de saber, era feito o delicioso chá que costumavam tomar.

Por isso, quando ele queria nos lembrar que não devemos desperdiçar nada do que encontramos pela frente, começava contando essa história do chá e acabava dizendo para não desperdiçar nem cocô de gato. Basta saber usar, dizia ele, é só enterrar que logo vira adubo, da mesma forma que acontece quando se urina em moita de capim cidreira.

5 comentários sobre “Nem cocô de gato

  1. Conheci o sr José Afonso Portocarrero,qdo ingressei no bco da lavoura aos 13 anos.hj estou com 80.muito amigo da família Maricato.

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  2. Realmente, devemos sempre tomar cuidados com tudo que consumimos .
    O que pode ser considerado lixo para nós, para os outros pode ser reaproveitado, por exemplo, o Clovis fala que as verduras da Colônia Japonesa de Campo Grande, lá pela década de 50, eram maravilhosas e todo mundo comprava. Porém houve um período que todos deixaram de comprar, quando descobriram que os japoneses usavam fezes humanas como adubo e daí o sucesso. Porém como eram muito melhor que as concorrentes, logo esqueceram do detalhe e continuaram comprando.

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