Prova de vida

Outro dia, mandei para algumas pessoas uma gravação do presidente do INSS a respeito do termino da exigência de prova de vida para os idosos na intenção de dar a merecida publicidade a essa excelente e muito aguardada notícia para todos que como eu já passaram dos 60 anos e estão aposentados.

Para minha surpresa, uma única pessoa dessas para as quais repliquei a gravação me respondeu de forma diferente, aliás, procedimento comum em quem foi idiotizado pelo revanchismo ideológico que infectou as mentes inconformadas com a vitória dos conservadores em 2018.

Em sua raiva incontida, essa pessoa alegou que sair de casa para ir a uma agência bancária fazer a prova de vida era um dos poucos prazeres de sua mãe e que agora, graças a esse FD* do Presidente da República, nem isso ela poderia fazer. É, acreditem, foi isso mesmo, sem tirar nem pôr uma única palavra.

A princípio, estarrecido com o impacto nauseante daquele comentário descabido, aliás, como outros que volta e meia somos obrigados a ouvir de pessoas das quais menos se espera esse tipo de atitude fiquei calado, preferi seguir o conselho de meu pai que sempre pródigo em seus comentários sobre coisas absurdas falava que era melhor ouvir desaforos que dizê-los e depois se arrepender.

Então, mesmo encafifado com a situação esperei passar algum tempo na esperança de conseguir relevar aquela asneira, mas não consegui. Em minha cabeça continuava a latejar a inesperada origem de um procedimento tão pobre da racionalidade vindo de quem eu conhecia e sabia ter cultura e conhecimento superiores ao meu que se resume a um único curso superior, sem uma (sempre necessária) pós-graduação, um MBAzinho que fosse, que dizer então de mestrado e doutorado. Meu conhecimento é o mesmo de vários amigos, ou seja, sou mais um daqueles esforçados autodidatas sobre a realidade da vida.

Essa forma de pensar e agir por impulso que percebi na enviesada resposta que recebi me faz pensar em como foi importante estar presente na velhice de meus pais de modo a não permitir que uma ida ao banco se tornasse um de seus únicos prazeres. Não, muito pelo contrário, enquanto pude eles foram levados para cumprir desde seus afazeres mais simples como comprar alimentos, remédios, roupas e outras de suas necessidades habituais, como também as inadiáveis idas ao médico, a um bom restaurante e até mesmo ao banco para fazerem suas provas de vida.

Mas, ao que tudo indica não deve ser esse o modo de pensar e agir de quem prefere culpar o outro por suas falhas por menores que sejam. Isso comportamento, é típico de quem pensa como aquele sociólogo e seu camarada aposentado por invalidez porque perdeu o dedinho os quais medem os outros por suas próprias métricas. Aqueles mesmos, que de tanto enganar desconhecem o que é agir sem maldade, sem revanchismo, sem mau-caratismo e que continuam a proceder assim sem ter vergonha do que fizeram de errado nem do que deixaram de fazer de certo quando tiveram a oportunidade de fazê-lo.

Não, preferem entender que medidas como essa a que me refiro em relação a dispensa de prova de vida para continuar recebendo aposentadoria seja uma medida eleitoreira sem se dar conta de que ao contrário do que sempre fizeram o que temos agora não se trata de promessa de campanha, mas sim do cumprimento dela para com os aposentados.

Essa é a diferença entre prometer e não cumprir para comprometer e fazer, coisa que desconhecem. Por sinal, essa não foi uma promessa de campanha, foi um compromisso.

Falar nisso, alguém conhece alguma promessa de campanha feita aos aposentados do INSS que tenha sido comprida pelos ex Presidentes da República do PT, PSDB e PMDB?

4 comentários sobre “Prova de vida

  1. Ótimo! Que mesmo conhecendo todo amor e respeito que você tem com seu Pai! Você cometeu uma desobediência ! Mas ele achou graça e te perdoou! Pois sabe que valeu muito todo ensinamento que te deu! Respeitar, sim! Se Acovardar nunca! PARABÉNS 👏🇧🇷🙏🇧🇷👏🇧🇷🙏🇧🇷👏🇧🇷

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  2. Perfeito. Sempre fiquei indignada ao presenciar idosos em cadeira de rodas ou mesmo carregados na porta do INSS para cumprir essa formalidade.

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  3. Acho que Realmente foi uma boa medida, pensando nos conforto dos idosos e principalmente naqueles que estão acamados e com outras impossibilidades.
    Se ele estiver bem e quiser ir fazer a prova de vida como um passeio, sem problemas, mas com a tecnologia que existe hoje e possível checar se a pessoa já morreu ou não, pois, quando se emite um atestado de óbitos, imediatamente o banco bloqueia a conta do falecido. Então, por esta lógica, a informação é compartilhada e serve de “prova de morte” estão, também serve de “prova de vida, não é?

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