
O nó na língua: a busca pelo “politicamente correto” e as saídas inteligentes
Vocês já repararam como está ficando cada vez mais constante ver a dificuldade momentânea de quem costuma falar em público? É um fenômeno curioso: o palestrante trava, uma tossezinha nervosa surge e a mente parece vasculhar um dicionário invisível à procura de palavras que agradem a plateia desde o início, sem que, com isso, venha a ferir suscetibilidades.
Entramos na era do “rosário de pares coordenados”. É um tal de amigos e amigas, todos e todas… Uma estratégia de visibilidade que, embora legítima em sua origem, acaba por se contrapor a formas que já englobam ambos os sexos. Essa abordagem, muitas vezes redundante, surge com força diante de autoridades ou quando da diversidade dos que estão à frente pressiona quem vai falar a demonstrar um alinhamento total com as etiquetas do momento, as tais “pautas identitárias”. No esforço de ser politicamente correto, a personalidade — olha a situação aí, de novo — acaba se “embananando” em um ato desnecessário, quando não injustificável.
A solução, contudo, é mais simples do que parece e está na ponta da nossa língua.
No afã de sermos inclusivos esquecemos que termos como “pessoal” e “gente” são ferramentas poderosas de economia linguística e neutras por natureza. São termos coletivos que englobam todos os gêneros sem a necessidade de malabarismos gramaticais. Simples assim.
Sempre procuro iniciar minhas falas desta forma e justifico o porquê:
Pessoal: Como substantivo, refere se ao grupo. Não faz distinção. “O pessoal lá de casa” inclui todo mundo, sem deixar ninguém do lado de fora. No uso informal, como vocativo — “Oi, pessoal, tudo bem?” — ele funciona como um abraço coletivo que abrange homens e mulheres com a mesma naturalidade. Assim, um caloroso “Olá, pessoal!” é uma solução elegante que remove o peso da distinção de gênero sem excluir ninguém.
Gente: Gramaticalmente, é uma palavra feminina (“a gente”), mas sua alma é neutra. Quando dizemos “a gente vai”, estamos designando pessoas de forma genérica, mista e democrática.
Minha consideração sobre isso é simples: a comunicação eficaz busca a conexão, não o ruído. Quando gastamos energia excessiva na forma, muitas vezes perdemos a substância do conteúdo. A língua portuguesa é rica e nos oferece saídas elegantes que evitam o cansaço auditivo sem desrespeitar ninguém.
Usar “pessoal” e “gente” não é apenas uma escolha linguística; é uma escolha pela fluidez. Afinal, a melhor maneira de incluir alguém em uma conversa é garantindo que a mensagem flua sem tropeços, de forma direta, clara e, acima de tudo, humana.
É isso aí, minha gente, vamos nessa que a vitória é nossa!
