Algumas pessoas têm essa capacidade única de serem diretas e objetivas. São tão marcantes que dizem tudo num ritmo que nos prende a atenção. O que fazem — seja escrever, cantar ou tocar — transborda uma autenticidade que encanta de imediato.
Escrevi esta frase no intuito de elogiar uma pessoa que acabara de ser agraciada com a imortalidade ao ser empossada membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Trata-se de uma honraria para poucos, a se considerar a enorme responsabilidade que é ocupar lugar tão ímpar — situação praticamente inimaginável para a maioria das pessoas que, cada vez mais, confundem o efêmero com o eterno. Isso ocorre, sobretudo pela pouca informação sobre o sentido da imortalidade acadêmica: a transferência do “eu” biológico para o “eu” intelectual.
Ocupar uma cadeira acadêmica vai além do reconhecimento de uma trajetória; é o compromisso de manter viva a chama de uma cultura que resiste ao tempo. Ser imortal, nesse contexto, é entender que a técnica deve estar a serviço de uma verdade maior. É essa verdade que permite ao autor, ao músico ou ao orador tocar o intangível, transformando o ofício cotidiano em um legado que não se apaga.
Essa transição do biológico para o intelectual exige uma entrega absoluta à própria essência. Não há magnetismo sem verdade, assim como não há imortalidade sem coerência. Quando a pessoa que admiramos alinha o que sente ao que expressa, ela deixa de ser apenas uma figura pública para se tornar um farol, guiando a todos através da névoa de superficialidade que tantas vezes caracteriza a nossa era.
Assim, seja escrevendo um livro, tocando um instrumento ou cantando uma canção, a autenticidade cria um magnetismo que prende a atenção. Não se trata apenas da técnica; é muito mais que isso. É uma coerência tão profunda que o sentimento se manifesta; tornando a harmonia e o encantamento inevitáveis.
Em nada nos diminuímos quando admiramos os outros; pelo contrário, é pelo olhar e pelo ouvido que nos educamos. Afinal, nada explica melhor a sensação de bem-estar do que ser motivado pelo conjunto desses sentidos. Como insinuado anteriormente, é pela canção, que em si concentra o vigor de uma bela voz, uma boa letra e o som de um instrumento que nossos ouvidos e olhos nos maravilham.
