Como será o amanhã? 

Quando a gente se depara como uma situação como essa em que estamos vivendo a segunda etapa de um jogo de três tempos, não tenho duvidas que todos se perguntam como acabará o segundo e como então será o terceiro tempo? Em outras palavras – Como será o amanhã?

A pergunta fica cada vez mais difícil de responder na medida em que tomamos consciências de que fomos nós quem elegemos o time e sabemos que no primeiro tempo quem participava da peleja eram, em boa parte, os mesmos indivíduos que estão em campo neste momento, só mudaram suas posições.

Ao que parece, as substituições propostas, ou mesmo aqueles impostas não terão condições de mudar o rumo da partida se não forem escaladas as pessoas certas em todas as posições. Ou seja, será preciso recompor a equipe toda, e só com especialistas nas posições.

O terceiro tempo será crucial para todos nós. Não há espaço para os erros cometidos nos dois primeiros, sob pena de perdermos não só a competição, mas o rumo.

Marcelo Augusto Portocarrero

EXISTE ESPERANÇA

A esperança é uma eterna criança.

Sim, eterna enquanto esperamos que alguém ou alguma coisa seja feita para mudar a triste realidade que vivemos todos os dias, todas as horas, a todo instante.                     

Mas quem será este alguém e o que poderá fazer? Esta pergunta é eterna companheira da ansiedade de todos nós e não encontrará resposta de ninguém em nenhum lugar, só o silêncio impiedoso das autoridades e a incapacidade das instituições.            

Não enxergamos ou não queremos aceitar nossos próprios erros. Erros que vinham sendo insistentemente cometidos enquanto nos omitíamos e aceitávamos as desculpas que davam os que insistiam em querer que aceitássemos a utopia dos “direitos” de tal forma que não cumpríssemos com nossos “deveres” nem em nosso ambiente mais íntimo.

Mudaram os conceitos básicos da educação, e tudo passou a ser permitido aos menores e adolescente. Alegavam os especialistas que eles são inocentes crianças cujas personalidades em fase de formação não poderiam ser contrariadas. Um simples “não” passou a ser considerado uma forma de limite à criatividade, a liberdade de expressão, quando na realidade não passa de um necessário ajuste ao eventual descontrole da personalidade em formação que bem usado ensina a diferença entre liberdade e libertinagem.

Esses jovens precisam estar permanentemente junto a familiares para deles receber a formação moral, cívica e eventualmente religiosa de seus próprios pais, no entanto, permitimos que pusessem vendas em nossos olhos, tapassem nossos ouvidos e fechassem nossas bocas com futurologias e mecanismos ideológicos que não acabaram bem em lugar nenhum. A verdade estava sendo muito bem camuflada e ainda agora ainda tentam demove-la de nossa frente através de telejornais, novelas, filmes e campanhas publicitárias de forma a que acreditemos que a culpa sempre será nossa como se não fôssemos as vítimas e sim os algozes vez constantemente tentam nos convencer disso através de estatísticas manipuladas.

Estatísticas que mostram apenas resultados, mas não as causas. Elas, as causas, estão dentro dos lares que lenta e propositalmente vêm sendo solapados por aqueles que querem nos tirar direitos e responsabilidades. Para enfrentá-los, devemos buscar a recuperação da estrutura familiar e não em propostas externas para problemas com causas internas e domésticas cujos fundamentos não estão nas creches, nas escolas, muito menos nas faculdades.

SEJA FELIZ 

A felicidade reside em saber aproveitar cada momento de todas as situações e circunstâncias.

Ela não está no que queremos ser, mas no que somos; não será encontrada no que se desejamos ter e sim no que temos; é sentida muito mais no amor que recebermos do que no que temos para dar e existe no que estamos fazendo não no que desejamos fazer.

Portanto, seja feliz com o que você é, com o que você tem, com quem te ama e com o que você faz.

Ser feliz é estar em paz consigo mesmo.

VIVER

A vida reside nos pequenos detalhes,

No que passamos a cada instante.

Nada é mais ignorado que o futuro,

Ele é o caminho a percorrer.

Entender esse vaticínio é a essência da existência humana.

Reside em suportar o que nos espera,

O que virá,

O desconhecido.

Alimentados pela pelo inconsciente coletivo

Seguimos avante,

Rumo ao imponderável.

Simplesmente vamos em frente.

Não há outro caminho,

Não existem alternativas.

Viver é vencer o tempo.

Marcelo Augusto Portocarrero
Cuiabá, 13-06-2016

Temos visto a realidade, mas não enchergamos a verdade.

Estão cada vez mais frequentes as notícias sobre o estado de abandono de nossas escolas, creches e outros locais públicos.
Essas situações, quando não são causadas pela incompetência dos gestores, certamente o são por nossa incapacidade de vê-las e de não sabermos avaliar suas causas, consequências e soluções.
Mal comparando, pouco tempo atrás assistimos uma reportagem sobre escolas e creches no Japão, onde as crianças, após as atividades normais do dia, limparam as instalações, materiais e equipamentos que ocuparam.
Na contra-mão, recentemente vimos uma outra reportagem, desta vez no Brasil, onde um pai reclama do estado de conservação da área externa da creche onde deixa seus filhos.
Então, como comparar esses dois mundos tão diferentes em tudo.
Em um país temos um povo que respeita seu espaço, sabe usá-lo e preservá-lo. Uma população onde seus filhos aprendem desde muito cedo que os ambientes que usam é comunitário e precisam ser cuidados por todos e para todos que os frequentam.
em outro mundo, este nosso, o cidadão e seus filhos não são educados para respeitar quaisquer espaços, talvez por isso não saibamos usá-los, mantê-los, muito menos respeitá-los e ao contrário, na primeira oportunidade em que nos sentimos atingidos em nossos direitos corremos a reclamar do estado de conservação do lugar sempre alegando que a responsabilidade é exclusivamente dos outros.
Não temos a cultura milenar do Japão, talvez por isso tudo que diz respeito a direitos é tão importante para nós que chega a ser visceral.
Com o passar do tempo a civilização brasileira, ao contrário das outras, vem desenvolvendo a cultura dos direitos e abandonando a dos deveres.
Estes, os deveres, vêm sendo deixados de lado na medida em que transferimos nossas responsabilidades de cidadãos a terceiros e, a partir dai, passamos a agir como se nossas obrigações de manter e respeitar os espaços comuns deixassem se existir, vez que nosso objetivo passou a ser apenas e tão somente o de usar e abusar.
Marcelo Augusto Portocarrero

Palavras

Palavras são como sementes, se alcançam fertilidade logo produzem resultado.

Se articuladas e associadas às emoções geram respostas  inesperadas… para o bem ou para o mal.

SEMEN + TE + AMOR = VIDA

SE + MENTE + ÓDIO  = MORTE

Marcelo Augusto Portocarrero, em 09/05/2016

PRECISAMOS SER AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA .

Pessoas de má fé vivem trabalhando para que o país continue dividido.

Para mim não deveriam ser dois lados opostos, mas sim duas metades que se completam ou, como dizem os orientais, a composição de duas forças opostas, Yin e Yang, cujo equilíbro entre si é essencial para a vida.

Basta observar nossa situação político-econômica. Sem a necessária armonia entre estes dois ambientes não há como o país avançar no sentido correto e sair dessa espiral descendente causada pela falta de senso comum.

Estamos cansados de assistir a esse eterno cabo de guerra cujo avanço de um lado sempre será entendido como o recuo do outro e a vitória de um, se houver, significará a derrota de todos.

O progresso de todos não pode estar na obtenção do poder político mas na gestão do poder em disputa.

Chega dos discursos erráticos e dos atos desprovidos de objetivos comuns que estão destruindo o pouco que resta do país.

TEMPO PARA RECOMEÇAR.

Volta e meia pessoas com mais idade são surpreendidas com resoluções e leis que as obrigam, sob pena de repressão, a passar a conviver com situações que vivenciaram de forma diferente no passado.

Se agiam de forma erradas, hoje sabem que agora são situações entendidas como bulling (até a palavra é nova), preconceito, discriminação, intolerância e outras formas incorretas de agir.

Não há como mudar isso, a mensagem é claro, pois “ninguém pode voltar e fazer um novo começo, mas pode recomeçar e fazer um novo fim”.

Estamos vendo como é difícil promover mudanças comportamentais de uma hora para outra, principalmente quando o processo está enraizado a séculos.

Não precisamos ir longe no tempo para encontrar situações assemelhadas, basta verificar as dificuldades para tentar mudar o comportamento de um adolescente, imaginem então o que acontece com pessoas com mais, muito mais anos de vida.

Será tão difícil entender que boa parte das pessoas precisa de tempo para se adaptar às modernas práticas comportamentais política e socialmente corretas, até porque elas são atingidas de forma diferente em relação aos mais jovens?

A medida em que o tempo vai passando as gerações mais recentes foram vivenciando novos comportamentos sociais e por isso mesmo têm mais facilidade para se adaptar às novas formas de relacionamento. Por esta razão, as gerações que as antecederam tendem a ter mais dificuldades em relação ao assunto. 

É importante entender que existem exceções em ambos os casos simplesmente porque estamos tratando com a natureza humana, motivo pelo qual elas, as diferenças, sempre existirão. Principalmente aquelas que, no fundo, não passam de falsidades comportamentais manifestadas por pessoas que querem parecer o que não são.

Marcelo Augusto Portocarrero – 01/5/2016

 

E agora?

E agora?
Existem pessoas que vieram ao mundo para confundir outras para enganar mesmo.
Vendo algumas das ilustres figuras que participaram da votação do IMPEACHMENT me vêm à lembrança aqueles que lá estão para enganar.
Não se lembram do passado, aquele passado em que se travestiram de defensores da liberdade e dos oprimidos pelo golpe militar de 1964.
Agora são deputados, senadores, presidentes, ex-presidentes e outras funções públicas, mas enganam-se ao pensam que a população não tem memória.
Pois saibam que temos sim, senhores e senhoras autoridades de araque.
Assim como ninguém esquece as atrocidades da ditadura, também não vamos esquecer as posições desses safados no passado, tão diferentes das que têm agora.
Com tempo e boa vontade, vamos aos poucos nos lembrar de um por um.
O que fizeram e o que diziam na época da ditadura e comparar com o que fazem e dizem agora.
O que possuíam naqueles tempos com o que possuem hoje, mas principalmente como juntaram tanto fazendo tão pouco.
Não, podemos deixar pedra sobre pedra sem olhar o que tem em baixo. Só assim separaremos o joio do trigo para mostrar toda a verdade.
A verdade sobre todos e a verdade sobre tudo. Não essa que é contada por ai, onde só tem mocinho de um lado e bandido do outro.
Quem duvidava que existiram bandidos do lado daqueles que se diziam mocinhos estão descobrindo aos poucos que não foi e não é bem assim…
Já passou da hora de nossos historiadores, pesquisadores e comissões da verdade irem atrás do que aconteceu com os personagens da nossa história após os anos de ferro e fogo da chamada ditadura.
Como estarão hoje os atores daqueles momentos históricos que são lembrados com glamour enquanto vítimas da opressão e que hoje têm desmascadas suas verdadeiras personalidades.
Como estarão hoje econômica e financeiramente aqueles que lutaram contra e pelo regime militar.
Terão nossos historiadores e pesquisadores coragem e disposição para se debruçar sobre as questões do que aconteceu depois com os personagens dos dois lados e compará-las?
Existiram corruptos entre os que participaram daqueles governos militares? Algum deles ou suas famílias obteve benefícios, privilégios e presentes?
Eu não conheço, e você, conhece alguma família milionaria que veio dos governantes do regime militar?
Devemos considerar que foram incompetentes e não souberam aproveitar a oportunidade ou reconhecer simplesmente que foram e continuam honestos?
E aqueles que assumiram o governo do país desde então? E estes que ai estão a se locupretar, têm a mesma índole?
Não se trata de exaltar ou mesmo apoiar uma ação semelhante àquela, mas de alertar nossas consciências a respeito do caminho tortuoso e incerto que estamos percorrendo e se é neste rumo que devemos ir.
Não da mais para acreditar que teremos futuro com esse presente tão cheio de mentiras e mentirosos, corrupção e corruptos, safadezas e safados.
Marcelo Augusto Portocarrero, em 21/4/2016

Até quando permaneceremos inertes?

Imaginem este cenário anos atrás.

Pessoas caminhando pelas calçadas, indivíduos indo e vindo do trabalho. De repente um grupo de jovens começam uma manifestação, jogam pedras nas vitrines, colocam fogo em sacos de lixo, correm de um lado para o outro, tudo para cobrir uma ação mais contundente. Logo tiros são trocados com os guardas da guarita colocada na frente a uma agencia bancária, clientes e funcionários são rendidos. O banco é saqueado, guardas feridos, os “assaltantes” também. Gritaria, correria,  perigo para todos e fuga.

O DOPS entra em ação.  É a repressão!

Naquela época, nos anos sessenta, setenta, e parte dos anos oitenta do século passado tínhamos um governo militar, uma ditadura, um poder autoritário e reativo quanto aos que lhe faziam oposição.

Para impedir atos que qualificavam de ação terrorista vigiavam as pessoas suspeitas, os que lutavam contra a situação política imposta. Em termos de tecnologia pouca coisa se lhes valia para as ações de antecipação e prevenção. As escutas telefônicas eram pouca eficientes. Para isto, dizem, usavam de “procedimentos não convencionais” para arrancar dos prisioneiros as informações que pretendiam. Uma barbaridade não é mesmo?

Agora transfira o cenário para hoje, mesma rua, mesmo cidade. Como seria?

Sim, porque comenta-se que naquele tempo tínhamos um governo, ditatorial e repressor para com as manifestações a ele contrárias.

E agora, que temos um governo “diferente”, democrático, (ou será republicano?) e que fará para atuar na gestão de atos dessa natureza? O que fazer com os que protestam usando métodos violentos , mas que hoje em dia não são classificados de terroristas, pois são apenas vândalos, Black Blocks, MST, MTST, Partidos Políticos e pasmem, pró-governo? De dentro do próprio palácio do governo ouvem-se palavras de ordem declarando abertamente que as residencias, as propriedades e as pessoas contrarias ao “Status Quo” serão atacadas, agredidas.

Evoluímos como civilização, mas não por que o mundo se tornou mais pacífico e sim porque ficamos mais compreensivos em relação à condição humana. Essas sandices que se afirmaram nos países ditos desenvolvidos estão todas desmoronando sozinhas. Basta assistir aos noticiários, basta lembrarmos que a principal meta do brasileiro é morar em um prédio de apartamentos ou em um condomínio, onde ele imagina terá mais segurança para sua família.

Somos diferentes em tudo e de todos. Não somos uma manada no curral obediente e condicionada a aceitar pacificamente seu cruel e inevitável destino. Somos beligerantes por natureza, basta ler nossa história. A beligerância esta na Bíblia, no Alcorão e em qualquer outros livro sagrado. Somos conquistadores e conquistados desde que o mundo é mundo.

Temos que controlar ou seremos controlados.  Infelizmente ainda não somos capazes de conviver no meio termo desse vaticínio, pois a ganância nos impede, e nossos políticos estão agindo assim a todo instante.

Graças às escutas telefônicas, às facilidades fornecidas pelos aparelhos celulares, às interceptações na internet, ao trabalho científico das polícias a situação ainda não chegou a este nível por aqui. Vejam o  possível e terrível cenário que abaixo indignado descrevo: – Um dia normal de trabalho, de repente explode uma bomba caseira em frente a uma parada de ônibus lotada. Uma bomba feita para agredir, contendo chumbo, pregos e cacos de vidro pra aumentar sua capacidade de ferir e, quem sabe, até matar. Gritaria, correria, sangue pra todo lado.. Baixada a fumaça, as pessoas vão se aproximando, acudindo os feridos, pedindo ajuda e ajudando. De repente, outra explosão próxima e mais vítimas. Agora, alcançando aqueles que correram para socorrer os que foram atingidos pelos estilhaços da primeira bomba”.

Se esta desgraça vem acontecendo mundo afora não podemos desconsiderar que podem estar tramando fazer isto aqui! Devemos deixar acontecer uma desgraça como esta, com feridos e até mortos? É este o preço que temos de pagar por aqueles que se acha no direito de protestar com violência?

E se nos próximos atos de protestos vierem pessoas com escrúpulos ainda mais beligerantes e dispostas a carregar consigo armas letais? Exagero? – Não mais…

Qual deve ser a postura da policia em situações como estas? Agir antes ou reagir depois do fato consumado?

Com a facilidade com que os “Habeas Corpus” são distribuídos a esses indivíduos a título de ampla direito de justiça, corremos riscos sim. Ele é real e possível!

Será que os defensores dos que se acham no direito de protestar desta forma consideram certo corrermos os riscos apontados acima?

Quem responde a estas perguntas?

A quem devemos responsabilizar se os atos acima citados se tornaremos fatos?

Certamente há de aparecer um ou outro sociopata/oportunista para dizer que protestos desta natureza e com estas consequências são legítimos e acreditem, poderão até  tentar justificar alegando que não só podem como precisam acontecer para que a sociedade seja sacudida e tome posturas mais democráticas, senão republicanas.

Vamos permaneceremos calados esperando acontecer – NÃO EU!

POR ISSO FAÇO AQUI O MEU PROTESTO!

Marcelo Augusto Portocarrero

Carta a meus irmãos.

Sei que somos todos irmãos, filhos e pais. Sei que fomos criados, amados e educados da mesma forma. Sei também que amamos nossos pais com a mesma intensidade e respeito. Entretanto, o fato de eu ter vivido próximo a eles minha vida inteira e só ter me afastado nesses últimos anos me deu uma visão um pouco diferente da falta que eles fazem. Daí escrever este texto para vocês.Lá de longe, frequentemente ia dormir sem saber se Deus irá chamar um deles ou ambos sem que eu pudesse me despedir pessoalmente. Sem que eu pudesse ouvir suas vozes, sentir a textura de suas mãos, de seus lábios me dando um último beijo.

Daí eu penso na vida que tivemos juntos, nos prazeres que nos foram dados quando foi possível, da forma de amar que cada um tem ou consegue transmitir. Vi e vivi situações que vocês não viram nem viveram na companhia deles. Sei também que vocês tiveram seus momentos com eles os quais nenhum de nós conhece. Bons momentos, momentos carinhosos, momentos difíceis ou mesmo tensos.

Nossos pais, como todos sabemos, nunca conseguiram transmitir seu amor por nós a não ser do modo que eles o receberam. Papai não conviveu com o seu pai, exceto em uma pequena parte de sua infância. Creio que quando ele tinha oito anos vovô Martinho morreu, e mesmo antes disso, pelo que nos contam os que o conheceram, nosso avô sempre foi uma pessoa capaz de sacrificar o pouco tempo que poderia dar à família para cumprir sua missão profissional. Assim vejo nosso pai. Um homem que, por força do ambiente em que foi criado e viveu nunca soube demonstrar amor e carinho como uma pessoa criada em um ambiente familiar diferente, onde tivesse recebido um tipo de tratamento diferente desse que nos transmitiu e ainda transmite. Não se iludam, pois queiramos ou não, herdamos dele muito de nosso comportamento com nossas próprias famílias. A genética é assim, implacável, em todos os sentidos. Ele nos deu muito, nunca nos faltou em nada do que estivesse ao seu alcance. Eu, particularmente, terei sempre em minha memória sua sinceridade. Papai nunca nos iludiu nem deu falsas esperanças. Pelo contrário, vivemos a vida que ele pôde nos dar.

Tenho guardada comigo, uma carta escrita por ele quando não passei em meu primeiro vestibular, onde sou reconfortado e animado a não desistir nunca. Nela ela demonstrou seu amor e carinho de forma intensa e reconfortante. Lembro que chorei muito com aquelas palavras. Certamente elas me conduziram até aqui.

O que falar de mamãe. Como traduzir a alma mais piedosa com que nós convivemos. Como traduzir sua abnegação, seu sacrifício, sua religiosidade. Vindo tudo isso do pouco que ela recebeu de sua avó materna. Todos sabemos que ela é esse ser humano admirável graças sua alma bondosa e ao pouco que pode receber de sua família de origem e creiam, do que papai lhe proporcionou. Assim como papai, ela também foi duramente tratada pela vida. Como não teve mãe, foi solitária desde a infância, nunca lhe foi dada qualquer oportunidade, exceto aquelas a que ela mesma, com seu pouco estudo conseguiu buscar. Casar com papai aos 16 anos, deve ter sido antes de tudo alcançar a liberdade de viver. Amar nosso pai deve ter sido um duro aprendizado em todos os sentidos.

A vida deles foi muito difícil desde o início e mamãe, graças a Deus, foi capaz de nos dar tudo de que necessitávamos. Graças a ela nada, absolutamente nada nos faltou. Sua persistência e incomparável fé nos possibilitaram sobreviver a todo tipo de dificuldade a que fomos submetidos. Sejam todas as doenças infantis e juvenis a que fomos sujeitos, aos tombos, acidentes, enfim a todo risco a que fomos expostos. Sobrevivemos e aqui estamos devido a sua luta, força e, volto a ressaltar, sua fé inabalável.

Não me lembro de algo que tenhamos pedido a eles que não nos tenha sido dado. Seja conselho, bem material ou dinheiro. Mesmo sacrificando o pouco que sempre tiveram de alguma forma eles se esforçaram e invariavelmente nos atenderam.

Mesmo as dificuldades que vimos no relacionamento entre eles devem ser encaradas como fruto de suas próprias personalidades. Alguém de nós não as tem em casa? Nossos relacionamentos com as mães de nossos filhos são diferentes do deles no que?  Eles foram capazes de sobreviver às crises muito maiores que as nossas e continuam sendo o que sempre foram, juntos. O gênio intransigente de papai só é diferente do nosso em grau, mas não em outros sentidos. Basta fazermos uma pequena introspecção.

Olhamos para nossos próprios umbigos o tempo inteiro. Acho até que em alguns momentos chegamos a considerar que nada devemos a eles além da visita semanal, das compras, de um aparelho, uma carona ao médico, passar uma noite no hospital quando eles ficam doentes. Um mínimo do nosso tempo em troca da vida que recebemos.

Hoje agimos como eles, quando pensamos em dar tudo de nós pela felicidade de nossos filhos. Não é verdade?

Será que devemos esperar de nossos filhos o mesmo que damos a nossos pais quando estivermos velhos?

Não meus irmãos, eu não estou falando nada do que nós não saibamos.

A saúde deles vem se debilitando aos poucos, como é da natureza humana, e devemos dar a eles, neste tempo que lhes resta, o que de melhor pudermos e não o pouco necessitam.

Eles precisaram morar em um ambiente menos hostil a pessoas com a idade que têm. Precisaram de companhia 24 horas por dia, alimentação e ambiente saudáveis. Esta é nossa obrigação, mesmo que agora papai insista em dizer que está tudo bem, pois sabemos que não está como sabemos que ele nunca nos pedirão nada.

Assim vamos conversar entre nós, vamos falar da realidade, vamos cuidar de dar a ele o que ele precisar.

Marcelo Augusto Portocarrero 

MENSAGEM A MEUS COLEGAS E AMIGOS.

O mundo mudou nestes últimos anos e a engenharia mudou com ele. De lá para cá, podemos afirmar que apesar dos avanços tecnológicos o que continua a valer mesmo em nossa profissão é a competência para saber utilizá-los e o discernimento entre certo e errado, mas principalmente caráter para optar pela primeira entre estas duas alternativas.

Lembro-me das lições que aprendemos com alguns de nossos mestres.  Algumas delas, a princípio não percebemos, pois se confundiam com as matérias que nos eram passadas em aula.

Uma delas, para mim em especial, foi-me dada em determinada prova, onde o professor não considerou nenhum ponto de uma questão mesmo eu tendo errado somente na anotação dos dados, mas tendo desenvolvido o raciocínio e a questão de forma correta.

Disse-me ele, na ocasião, que de nada adiantaria construir qualquer coisa sobre bases erradas. A obra, assim como a vida, deve ser pautada pela correta observação e utilização dos fatos senão terá sido em vão todo o esforço para levá-la adiante, pois ela fatalmente resultará em ruína.

Precisamos repensar o mundo em que vivemos não só como engenheiros, mas também como cidadãos, como pais e principalmente como brasileiros, pois foi-se o tempo em que caminhávamos tranquilamente pelas ruas e nossos filhos podiam ficar em frente de casa esperando retornarmos do trabalho. Hoje vivemos enclausurados sob  falsa sensação de segurança.

Marcelo Augusto Portocarrero – março/2016

Salve, salve amizade.

Eu, em especial sempre me senti grato a Deus pelas pessoas especiais que fui encontrando pela VIDA afora, aquelas que me deixam orgulhoso de dizer forte e a bom som, estes e aquelas são MEUS AMIGOS.

Tenho certeza que tudo isso que conosco aconteceu no passado e que nos é permitido viver agora não se deve somente aos esforços de alguns de nós que se envolvem mais diretamente no dia a dia uns dos outros, mas sim fruto da participação de todos.

Acredito que aqueles que não vemos com a frequência desejada, ou mesmo os que já se foram desta vida e que só voltaremos a ver quando formos ao seu encontro estão todos sintonizados em uma mesma frequência, com o pensamento uns nos outros formando aquilo que entendo como amizade, e que isto faz parte do que nos motiva a viver como vivemos.

VIVA A VIDA E VIVA A AMIZADE!

Marcelo Augusto Portocarrero – março/2016

Meu terço e minha fé em Deus.

2005 tinha sido um bom ano para mim como um todo, mas em 2006, ao chegar março, comecei a ficar preocupado com a proximidade do final do contrato de gerenciamento das obras no qual eu trabalhava e a não confirmação das expectativas relativas aos novos projetos em que estávamos trabalhado.

Naquele ano eu havia sido contratado para trabalhar na captação de novas obras e projetos. Entretanto, àquela altura todo o trabalho estava se mostrando em vão.

Houve até um reavivamento das esperanças quando uma das obras foi licitada, mas não conseguimos o contrato.

A razão disto foi a detecção de um escândalo envolvendo uma das empresas que havia vencido a concorrência para a execução da obra, o que pôs tudo a perder.

Para nossa frustração, depois de todos os esforços que haviam sido feitos desde 2004 as coisas haviam empacado e começamos a ficar preocupados com a possibilidade de não conseguirmos vencer nenhuma concorrência.

Pra complicar, começamos a perceber a provável existência de direcionamentos, e diante dessas circunstâncias as coisas costumam desandar mesmo.

Em agosto o dono de uma das empresas para as quais eu trabalhava me entregou uma carta informando que meu contrato de parceria e prestação de serviços com ele seria encerrado em outubro daquele ano devido à falta de perspectivas nos assuntos em que atuávamos juntos. Minha salvação seria reativar meu contrato de prestação de serviços com a CEF. Daria para trabalhar até conseguirmos participar das concorrências para os gerenciamentos de algumas das obras que estavam sendo anunciadas.

Enfim, entrei em setembro meio zonzo com tantas coisas dando pra trás.

A esta altura dos acontecimentos e como nosso contrato ainda estaria vigente até o final de outubro, me encarregaram de representá-los nas negociações que se seguiriam. Aconteceu então que me sai bem nesta função que, a bem da verdade, nunca em minha vida tinha imaginado vivenciar.

Foi quase um estupro, pois apesar dos meus cinqüenta e tantos anos e de já estar convivendo com aquele ambiente há bastante tempo, alem de conhecer pessoalmente todos os atores, eu ainda não tinha me envolvido tão profundamente nesse tipo de negociação. Fui uma luta intima muito grande com meus “eus” devido às características da minha formação e de meu caráter, herdados dos dois lados da minha genealogia.

A esta altura estava bastante estressado, tanto que passei a ter sintomas de síndrome de pânico. Eu sentia um enorme vazio, faltava alguma coisa pra me tranquilizar, mas não conseguia entender o que.

Foi quando minha esposa, sempre ela, meu verdadeiro anjo da guarda, disse para mim me aproximar mais de Deus.

Na realidade, durante toda a minha vida até aquele dia eu só havia me sentido realmente próximo de Deus em dois momentos: em minha infância e durante certo período de minha juventude.

Na infância frequentei muito a igreja levado por minha mãe e sua religiosidade inabalável. Naquele tempo eu e meus irmãos mais velhos fomos coroinhas e estudamos em colégios administrados por padres. Havia então todo um clima propício.

Já em minha juventude participei do que era conhecido como Encontro de Jovens na Igreja Católica. No início e durante algum tempo foi tudo bem, até que me decepcionei com algumas pessoas que frequentavam aquele ambiente.

Creio que foi aí que confundi as coisas. Ou seja, minha fé não era forte o suficiente para que eu superasse as decepções que tivera com os indivíduos e não com a igreja.

Hoje sei que não fui capaz de separar as coisas porque não estava preparado para entender minha religiosidade como ato de fé.

Esta dificuldade, creio eu, é fruto de nossa própria introspecção e não o resultado especifico de nossa convivência com as pessoas. Dentre estas, poucas têm realmente fé. Poucas sequer percebem a capacidade que a fé nos dá de que quando passarmos a acreditar em nós mesmos sermos capazes de superar as dificuldades que certamente encontraremos durante a vida.

Então, voltei a procurar Deus dentro de mim, abri meu coração a Ele e passei a ter fé em mim, pois creio que Ele está dentro de cada um de nós. Se cremos em nós, certamente assim o é por termos fé em Deus.

Fiz então o compromisso comigo mesmo de rezar o terço ao menos uma vez todos os dias, pelo resto da minha vida. Alguns chamam isto de promessa, eu prefiro o termo compromisso, pois é assim que me sinto – compromissado comigo mesmo.

Faltava-me o terço!

Uma noite então, enquanto rezava antes de dormir, pedi um sinal confirmando que eu estava no caminho certo para voltar a me “aproximar” de Deus.

Como estava perto de meu aniversário, rezei para receber de presente o terço que eu tanto queria. (Até aqueles dias eu estava rezando com um que era de minha mãe).

Pois bem, no dia 28 de novembro daquele ano, após o almoço sentamos na sala de televisão fazendo hora para ir ao trabalho.

Naquele dia eu não conseguia relaxar porque toda hora vinha a mim a espectativa de receber meu Terço, afinal era dia do meu aniversário.

Então ouvi o carteiro chegar com a correspondência e me apressei em buscá-la, pois era fim de mês, época em que chegam as cartas e as contas.

Além das contas havia uma carta da Congregação de Nossa Senhora de Fátima. Este tipo de correspondência nessa época do ano sempre traz um conjunto de Cartões de Natal para serem adquiridos como forma de contribuição voluntária.

Desanimado abri o envelope e percebi que havia, junto ao boleto e maço de cartões uma pequena caixa. Ao abri-la encontrei meu tão esperado presente. Lá estava meu terço. Uma dádiva de Deus trazido por Nossa Senhora de Fátima.

Faço aqui uma importante ressalva. Em todas as orações que vinha fazendo desde que minha esposa me trouxe de volta à fé, eu rezava frente a uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. Aquela mesma que a acompanhava desde há muito tempo em sua fé. Foi através dela e de Nossa Senhora Aparecida que recebi meu terço. Uma me aproximou da outra e esta última me atendeu.

Alguns podem até dizer que foi mera coincidência, afinal muita gente recebeu um Terço igual aquele. Eu não! Eu acredito, até porque conheço pessoas que também receberam um igualzinho a este que trago comigo. A diferença é que, no meu caso foi a pedido, tinha data marcada, foi fruto da esperança e teve muita, mas muita fé envolvida.

Naturalmente, quando vi o terço meus olhos se encheram de lágrimas e quase não consegui falar o que estava acontecendo tal era minha emoção, pois não havia contado sobre meu pedido a ninguém.

Acontecera a confirmação de minha fé e a partir de então aquele terço passou a ser meu companheiro inseparável.

Nem preciso falar da reviravolta que aconteceu na minha e em nossas vidas a partir daquele dia.

O ano de 2007 foi especial e os outros que vieram a seguir não foram diferentes, tanto quanto aqueles que ainda virão.

Eu acredito e tenho fé em mim e em nós. Por isso, volto a insistir para que tenham fé e que façam do tempo de que dispuserem durante suas vidas o combustível das vossas esperanças. Usem-no para reforçar as bases sobre as quais serão edificadas suas vidas. Ele é irrecuperável e não deve nem pode ser desperdiçado.

Por outro lado, tudo pelo que passamos embora em algumas circunstâncias possam parecer derrotas irrecuperáveis, lá na frente será percebido como mais uma etapa do permanente processo de aprendizado que receberemos da maior das escolas, a escola da vida.

Como não é possível faltar às aulas desta escola, devemos estar sempre atentos para aproveitar ao máximo o que nos é ensinado no dia a dia, pois mesmo enquanto dormimos estamos recebendo informações. São estas as ocasiões em que, conscientes ou inconscientes, repassamos em nossas mentes todos os momentos vividos.

Beijos nos corações de vocês,

Marcelo Augusto Portocarrero – fevereiro/2007

Saudades da minha Cuiabá

Imagem de 1965 – Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá

A distância só faz aumentar
O amor que a gente sente.
É algo que só se explica,
Quando longe, ausente.

Como faz falta a terra querida,
É como da mãe que cuida da gente.
Sinto falta da família, dos amigos,
Sinto falta do calor presente.

Minha Cuiabá é terra quente e calorosa.
Quente na temperatura ardente,
Calorosa no amor de sua gente.

Sinto muita saudade de lá,
Como um filho da mãe querida.
Volto tão logo possa, pelo resto da minha vida!

Escrito antes de retornar….

Marcelo Augusto Portocarrero – novembro/2015