TEMPO PARA RECOMEÇAR.

Volta e meia pessoas com mais idade são surpreendidas com resoluções e leis que as obrigam, sob pena de repressão, a passar a conviver com situações que vivenciaram de forma diferente no passado.

Se agiam de forma erradas, hoje sabem que agora são situações entendidas como bulling (até a palavra é nova), preconceito, discriminação, intolerância e outras formas incorretas de agir.

Não há como mudar isso, a mensagem é claro, pois “ninguém pode voltar e fazer um novo começo, mas pode recomeçar e fazer um novo fim”.

Estamos vendo como é difícil promover mudanças comportamentais de uma hora para outra, principalmente quando o processo está enraizado a séculos.

Não precisamos ir longe no tempo para encontrar situações assemelhadas, basta verificar as dificuldades para tentar mudar o comportamento de um adolescente, imaginem então o que acontece com pessoas com mais, muito mais anos de vida.

Será tão difícil entender que boa parte das pessoas precisa de tempo para se adaptar às modernas práticas comportamentais política e socialmente corretas, até porque elas são atingidas de forma diferente em relação aos mais jovens?

A medida em que o tempo vai passando as gerações mais recentes foram vivenciando novos comportamentos sociais e por isso mesmo têm mais facilidade para se adaptar às novas formas de relacionamento. Por esta razão, as gerações que as antecederam tendem a ter mais dificuldades em relação ao assunto. 

É importante entender que existem exceções em ambos os casos simplesmente porque estamos tratando com a natureza humana, motivo pelo qual elas, as diferenças, sempre existirão. Principalmente aquelas que, no fundo, não passam de falsidades comportamentais manifestadas por pessoas que querem parecer o que não são.

Marcelo Augusto Portocarrero – 01/5/2016

 

Até quando permaneceremos inertes?

Imaginem este cenário anos atrás.

Pessoas caminhando pelas calçadas, indivíduos indo e vindo do trabalho. De repente um grupo de jovens começam uma manifestação, jogam pedras nas vitrines, colocam fogo em sacos de lixo, correm de um lado para o outro, tudo para cobrir uma ação mais contundente. Logo tiros são trocados com os guardas da guarita colocada na frente a uma agencia bancária, clientes e funcionários são rendidos. O banco é saqueado, guardas feridos, os “assaltantes” também. Gritaria, correria,  perigo para todos e fuga.

O DOPS entra em ação.  É a repressão!

Naquela época, nos anos sessenta, setenta, e parte dos anos oitenta do século passado tínhamos um governo militar, uma ditadura, um poder autoritário e reativo quanto aos que lhe faziam oposição.

Para impedir atos que qualificavam de ação terrorista vigiavam as pessoas suspeitas, os que lutavam contra a situação política imposta. Em termos de tecnologia pouca coisa se lhes valia para as ações de antecipação e prevenção. As escutas telefônicas eram pouca eficientes. Para isto, dizem, usavam de “procedimentos não convencionais” para arrancar dos prisioneiros as informações que pretendiam. Uma barbaridade não é mesmo?

Agora transfira o cenário para hoje, mesma rua, mesmo cidade. Como seria?

Sim, porque comenta-se que naquele tempo tínhamos um governo, ditatorial e repressor para com as manifestações a ele contrárias.

E agora, que temos um governo “diferente”, democrático, (ou será republicano?) e que fará para atuar na gestão de atos dessa natureza? O que fazer com os que protestam usando métodos violentos , mas que hoje em dia não são classificados de terroristas, pois são apenas vândalos, Black Blocks, MST, MTST, Partidos Políticos e pasmem, pró-governo? De dentro do próprio palácio do governo ouvem-se palavras de ordem declarando abertamente que as residencias, as propriedades e as pessoas contrarias ao “Status Quo” serão atacadas, agredidas.

Evoluímos como civilização, mas não por que o mundo se tornou mais pacífico e sim porque ficamos mais compreensivos em relação à condição humana. Essas sandices que se afirmaram nos países ditos desenvolvidos estão todas desmoronando sozinhas. Basta assistir aos noticiários, basta lembrarmos que a principal meta do brasileiro é morar em um prédio de apartamentos ou em um condomínio, onde ele imagina terá mais segurança para sua família.

Somos diferentes em tudo e de todos. Não somos uma manada no curral obediente e condicionada a aceitar pacificamente seu cruel e inevitável destino. Somos beligerantes por natureza, basta ler nossa história. A beligerância esta na Bíblia, no Alcorão e em qualquer outros livro sagrado. Somos conquistadores e conquistados desde que o mundo é mundo.

Temos que controlar ou seremos controlados.  Infelizmente ainda não somos capazes de conviver no meio termo desse vaticínio, pois a ganância nos impede, e nossos políticos estão agindo assim a todo instante.

Graças às escutas telefônicas, às facilidades fornecidas pelos aparelhos celulares, às interceptações na internet, ao trabalho científico das polícias a situação ainda não chegou a este nível por aqui. Vejam o  possível e terrível cenário que abaixo indignado descrevo: – Um dia normal de trabalho, de repente explode uma bomba caseira em frente a uma parada de ônibus lotada. Uma bomba feita para agredir, contendo chumbo, pregos e cacos de vidro pra aumentar sua capacidade de ferir e, quem sabe, até matar. Gritaria, correria, sangue pra todo lado.. Baixada a fumaça, as pessoas vão se aproximando, acudindo os feridos, pedindo ajuda e ajudando. De repente, outra explosão próxima e mais vítimas. Agora, alcançando aqueles que correram para socorrer os que foram atingidos pelos estilhaços da primeira bomba”.

Se esta desgraça vem acontecendo mundo afora não podemos desconsiderar que podem estar tramando fazer isto aqui! Devemos deixar acontecer uma desgraça como esta, com feridos e até mortos? É este o preço que temos de pagar por aqueles que se acha no direito de protestar com violência?

E se nos próximos atos de protestos vierem pessoas com escrúpulos ainda mais beligerantes e dispostas a carregar consigo armas letais? Exagero? – Não mais…

Qual deve ser a postura da policia em situações como estas? Agir antes ou reagir depois do fato consumado?

Com a facilidade com que os “Habeas Corpus” são distribuídos a esses indivíduos a título de ampla direito de justiça, corremos riscos sim. Ele é real e possível!

Será que os defensores dos que se acham no direito de protestar desta forma consideram certo corrermos os riscos apontados acima?

Quem responde a estas perguntas?

A quem devemos responsabilizar se os atos acima citados se tornaremos fatos?

Certamente há de aparecer um ou outro sociopata/oportunista para dizer que protestos desta natureza e com estas consequências são legítimos e acreditem, poderão até  tentar justificar alegando que não só podem como precisam acontecer para que a sociedade seja sacudida e tome posturas mais democráticas, senão republicanas.

Vamos permaneceremos calados esperando acontecer – NÃO EU!

POR ISSO FAÇO AQUI O MEU PROTESTO!

Marcelo Augusto Portocarrero

Carta a meus irmãos.

Sei que somos todos irmãos, filhos e pais. Sei que fomos criados, amados e educados da mesma forma. Sei também que amamos nossos pais com a mesma intensidade e respeito. Entretanto, o fato de eu ter vivido próximo a eles minha vida inteira e só ter me afastado nesses últimos anos me deu uma visão um pouco diferente da falta que eles fazem. Daí escrever este texto para vocês.Lá de longe, frequentemente ia dormir sem saber se Deus irá chamar um deles ou ambos sem que eu pudesse me despedir pessoalmente. Sem que eu pudesse ouvir suas vozes, sentir a textura de suas mãos, de seus lábios me dando um último beijo.

Daí eu penso na vida que tivemos juntos, nos prazeres que nos foram dados quando foi possível, da forma de amar que cada um tem ou consegue transmitir. Vi e vivi situações que vocês não viram nem viveram na companhia deles. Sei também que vocês tiveram seus momentos com eles os quais nenhum de nós conhece. Bons momentos, momentos carinhosos, momentos difíceis ou mesmo tensos.

Nossos pais, como todos sabemos, nunca conseguiram transmitir seu amor por nós a não ser do modo que eles o receberam. Papai não conviveu com o seu pai, exceto em uma pequena parte de sua infância. Creio que quando ele tinha oito anos vovô Martinho morreu, e mesmo antes disso, pelo que nos contam os que o conheceram, nosso avô sempre foi uma pessoa capaz de sacrificar o pouco tempo que poderia dar à família para cumprir sua missão profissional. Assim vejo nosso pai. Um homem que, por força do ambiente em que foi criado e viveu nunca soube demonstrar amor e carinho como uma pessoa criada em um ambiente familiar diferente, onde tivesse recebido um tipo de tratamento diferente desse que nos transmitiu e ainda transmite. Não se iludam, pois queiramos ou não, herdamos dele muito de nosso comportamento com nossas próprias famílias. A genética é assim, implacável, em todos os sentidos. Ele nos deu muito, nunca nos faltou em nada do que estivesse ao seu alcance. Eu, particularmente, terei sempre em minha memória sua sinceridade. Papai nunca nos iludiu nem deu falsas esperanças. Pelo contrário, vivemos a vida que ele pôde nos dar.

Tenho guardada comigo, uma carta escrita por ele quando não passei em meu primeiro vestibular, onde sou reconfortado e animado a não desistir nunca. Nela ela demonstrou seu amor e carinho de forma intensa e reconfortante. Lembro que chorei muito com aquelas palavras. Certamente elas me conduziram até aqui.

O que falar de mamãe. Como traduzir a alma mais piedosa com que nós convivemos. Como traduzir sua abnegação, seu sacrifício, sua religiosidade. Vindo tudo isso do pouco que ela recebeu de sua avó materna. Todos sabemos que ela é esse ser humano admirável graças sua alma bondosa e ao pouco que pode receber de sua família de origem e creiam, do que papai lhe proporcionou. Assim como papai, ela também foi duramente tratada pela vida. Como não teve mãe, foi solitária desde a infância, nunca lhe foi dada qualquer oportunidade, exceto aquelas a que ela mesma, com seu pouco estudo conseguiu buscar. Casar com papai aos 16 anos, deve ter sido antes de tudo alcançar a liberdade de viver. Amar nosso pai deve ter sido um duro aprendizado em todos os sentidos.

A vida deles foi muito difícil desde o início e mamãe, graças a Deus, foi capaz de nos dar tudo de que necessitávamos. Graças a ela nada, absolutamente nada nos faltou. Sua persistência e incomparável fé nos possibilitaram sobreviver a todo tipo de dificuldade a que fomos submetidos. Sejam todas as doenças infantis e juvenis a que fomos sujeitos, aos tombos, acidentes, enfim a todo risco a que fomos expostos. Sobrevivemos e aqui estamos devido a sua luta, força e, volto a ressaltar, sua fé inabalável.

Não me lembro de algo que tenhamos pedido a eles que não nos tenha sido dado. Seja conselho, bem material ou dinheiro. Mesmo sacrificando o pouco que sempre tiveram de alguma forma eles se esforçaram e invariavelmente nos atenderam.

Mesmo as dificuldades que vimos no relacionamento entre eles devem ser encaradas como fruto de suas próprias personalidades. Alguém de nós não as tem em casa? Nossos relacionamentos com as mães de nossos filhos são diferentes do deles no que?  Eles foram capazes de sobreviver às crises muito maiores que as nossas e continuam sendo o que sempre foram, juntos. O gênio intransigente de papai só é diferente do nosso em grau, mas não em outros sentidos. Basta fazermos uma pequena introspecção.

Olhamos para nossos próprios umbigos o tempo inteiro. Acho até que em alguns momentos chegamos a considerar que nada devemos a eles além da visita semanal, das compras, de um aparelho, uma carona ao médico, passar uma noite no hospital quando eles ficam doentes. Um mínimo do nosso tempo em troca da vida que recebemos.

Hoje agimos como eles, quando pensamos em dar tudo de nós pela felicidade de nossos filhos. Não é verdade?

Será que devemos esperar de nossos filhos o mesmo que damos a nossos pais quando estivermos velhos?

Não meus irmãos, eu não estou falando nada do que nós não saibamos.

A saúde deles vem se debilitando aos poucos, como é da natureza humana, e devemos dar a eles, neste tempo que lhes resta, o que de melhor pudermos e não o pouco necessitam.

Eles precisaram morar em um ambiente menos hostil a pessoas com a idade que têm. Precisaram de companhia 24 horas por dia, alimentação e ambiente saudáveis. Esta é nossa obrigação, mesmo que agora papai insista em dizer que está tudo bem, pois sabemos que não está como sabemos que ele nunca nos pedirão nada.

Assim vamos conversar entre nós, vamos falar da realidade, vamos cuidar de dar a ele o que ele precisar.

Marcelo Augusto Portocarrero 

MENSAGEM A MEUS COLEGAS E AMIGOS.

O mundo mudou nestes últimos anos e a engenharia mudou com ele. De lá para cá, podemos afirmar que apesar dos avanços tecnológicos o que continua a valer mesmo em nossa profissão é a competência para saber utilizá-los e o discernimento entre certo e errado, mas principalmente caráter para optar pela primeira entre estas duas alternativas.

Lembro-me das lições que aprendemos com alguns de nossos mestres.  Algumas delas, a princípio não percebemos, pois se confundiam com as matérias que nos eram passadas em aula.

Uma delas, para mim em especial, foi-me dada em determinada prova, onde o professor não considerou nenhum ponto de uma questão mesmo eu tendo errado somente na anotação dos dados, mas tendo desenvolvido o raciocínio e a questão de forma correta.

Disse-me ele, na ocasião, que de nada adiantaria construir qualquer coisa sobre bases erradas. A obra, assim como a vida, deve ser pautada pela correta observação e utilização dos fatos senão terá sido em vão todo o esforço para levá-la adiante, pois ela fatalmente resultará em ruína.

Precisamos repensar o mundo em que vivemos não só como engenheiros, mas também como cidadãos, como pais e principalmente como brasileiros, pois foi-se o tempo em que caminhávamos tranquilamente pelas ruas e nossos filhos podiam ficar em frente de casa esperando retornarmos do trabalho. Hoje vivemos enclausurados sob  falsa sensação de segurança.

Marcelo Augusto Portocarrero – março/2016

Salve, salve amizade.

Eu, em especial sempre me senti grato a Deus pelas pessoas especiais que fui encontrando pela VIDA afora, aquelas que me deixam orgulhoso de dizer forte e a bom som, estes e aquelas são MEUS AMIGOS.

Tenho certeza que tudo isso que conosco aconteceu no passado e que nos é permitido viver agora não se deve somente aos esforços de alguns de nós que se envolvem mais diretamente no dia a dia uns dos outros, mas sim fruto da participação de todos.

Acredito que aqueles que não vemos com a frequência desejada, ou mesmo os que já se foram desta vida e que só voltaremos a ver quando formos ao seu encontro estão todos sintonizados em uma mesma frequência, com o pensamento uns nos outros formando aquilo que entendo como amizade, e que isto faz parte do que nos motiva a viver como vivemos.

VIVA A VIDA E VIVA A AMIZADE!

Marcelo Augusto Portocarrero – março/2016

Meu terço e minha fé em Deus.

2005 tinha sido um bom ano para mim como um todo, mas em 2006, ao chegar março, comecei a ficar preocupado com a proximidade do final do contrato de gerenciamento das obras no qual eu trabalhava e a não confirmação das expectativas relativas aos novos projetos em que estávamos trabalhado.

Naquele ano eu havia sido contratado para trabalhar na captação de novas obras e projetos. Entretanto, àquela altura todo o trabalho estava se mostrando em vão.

Houve até um reavivamento das esperanças quando uma das obras foi licitada, mas não conseguimos o contrato.

A razão disto foi a detecção de um escândalo envolvendo uma das empresas que havia vencido a concorrência para a execução da obra, o que pôs tudo a perder.

Para nossa frustração, depois de todos os esforços que haviam sido feitos desde 2004 as coisas haviam empacado e começamos a ficar preocupados com a possibilidade de não conseguirmos vencer nenhuma concorrência.

Pra complicar, começamos a perceber a provável existência de direcionamentos, e diante dessas circunstâncias as coisas costumam desandar mesmo.

Em agosto o dono de uma das empresas para as quais eu trabalhava me entregou uma carta informando que meu contrato de parceria e prestação de serviços com ele seria encerrado em outubro daquele ano devido à falta de perspectivas nos assuntos em que atuávamos juntos. Minha salvação seria reativar meu contrato de prestação de serviços com a CEF. Daria para trabalhar até conseguirmos participar das concorrências para os gerenciamentos de algumas das obras que estavam sendo anunciadas.

Enfim, entrei em setembro meio zonzo com tantas coisas dando pra trás.

A esta altura dos acontecimentos e como nosso contrato ainda estaria vigente até o final de outubro, me encarregaram de representá-los nas negociações que se seguiriam. Aconteceu então que me sai bem nesta função que, a bem da verdade, nunca em minha vida tinha imaginado vivenciar.

Foi quase um estupro, pois apesar dos meus cinqüenta e tantos anos e de já estar convivendo com aquele ambiente há bastante tempo, alem de conhecer pessoalmente todos os atores, eu ainda não tinha me envolvido tão profundamente nesse tipo de negociação. Fui uma luta intima muito grande com meus “eus” devido às características da minha formação e de meu caráter, herdados dos dois lados da minha genealogia.

A esta altura estava bastante estressado, tanto que passei a ter sintomas de síndrome de pânico. Eu sentia um enorme vazio, faltava alguma coisa pra me tranquilizar, mas não conseguia entender o que.

Foi quando minha esposa, sempre ela, meu verdadeiro anjo da guarda, disse para mim me aproximar mais de Deus.

Na realidade, durante toda a minha vida até aquele dia eu só havia me sentido realmente próximo de Deus em dois momentos: em minha infância e durante certo período de minha juventude.

Na infância frequentei muito a igreja levado por minha mãe e sua religiosidade inabalável. Naquele tempo eu e meus irmãos mais velhos fomos coroinhas e estudamos em colégios administrados por padres. Havia então todo um clima propício.

Já em minha juventude participei do que era conhecido como Encontro de Jovens na Igreja Católica. No início e durante algum tempo foi tudo bem, até que me decepcionei com algumas pessoas que frequentavam aquele ambiente.

Creio que foi aí que confundi as coisas. Ou seja, minha fé não era forte o suficiente para que eu superasse as decepções que tivera com os indivíduos e não com a igreja.

Hoje sei que não fui capaz de separar as coisas porque não estava preparado para entender minha religiosidade como ato de fé.

Esta dificuldade, creio eu, é fruto de nossa própria introspecção e não o resultado especifico de nossa convivência com as pessoas. Dentre estas, poucas têm realmente fé. Poucas sequer percebem a capacidade que a fé nos dá de que quando passarmos a acreditar em nós mesmos sermos capazes de superar as dificuldades que certamente encontraremos durante a vida.

Então, voltei a procurar Deus dentro de mim, abri meu coração a Ele e passei a ter fé em mim, pois creio que Ele está dentro de cada um de nós. Se cremos em nós, certamente assim o é por termos fé em Deus.

Fiz então o compromisso comigo mesmo de rezar o terço ao menos uma vez todos os dias, pelo resto da minha vida. Alguns chamam isto de promessa, eu prefiro o termo compromisso, pois é assim que me sinto – compromissado comigo mesmo.

Faltava-me o terço!

Uma noite então, enquanto rezava antes de dormir, pedi um sinal confirmando que eu estava no caminho certo para voltar a me “aproximar” de Deus.

Como estava perto de meu aniversário, rezei para receber de presente o terço que eu tanto queria. (Até aqueles dias eu estava rezando com um que era de minha mãe).

Pois bem, no dia 28 de novembro daquele ano, após o almoço sentamos na sala de televisão fazendo hora para ir ao trabalho.

Naquele dia eu não conseguia relaxar porque toda hora vinha a mim a espectativa de receber meu Terço, afinal era dia do meu aniversário.

Então ouvi o carteiro chegar com a correspondência e me apressei em buscá-la, pois era fim de mês, época em que chegam as cartas e as contas.

Além das contas havia uma carta da Congregação de Nossa Senhora de Fátima. Este tipo de correspondência nessa época do ano sempre traz um conjunto de Cartões de Natal para serem adquiridos como forma de contribuição voluntária.

Desanimado abri o envelope e percebi que havia, junto ao boleto e maço de cartões uma pequena caixa. Ao abri-la encontrei meu tão esperado presente. Lá estava meu terço. Uma dádiva de Deus trazido por Nossa Senhora de Fátima.

Faço aqui uma importante ressalva. Em todas as orações que vinha fazendo desde que minha esposa me trouxe de volta à fé, eu rezava frente a uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. Aquela mesma que a acompanhava desde há muito tempo em sua fé. Foi através dela e de Nossa Senhora Aparecida que recebi meu terço. Uma me aproximou da outra e esta última me atendeu.

Alguns podem até dizer que foi mera coincidência, afinal muita gente recebeu um Terço igual aquele. Eu não! Eu acredito, até porque conheço pessoas que também receberam um igualzinho a este que trago comigo. A diferença é que, no meu caso foi a pedido, tinha data marcada, foi fruto da esperança e teve muita, mas muita fé envolvida.

Naturalmente, quando vi o terço meus olhos se encheram de lágrimas e quase não consegui falar o que estava acontecendo tal era minha emoção, pois não havia contado sobre meu pedido a ninguém.

Acontecera a confirmação de minha fé e a partir de então aquele terço passou a ser meu companheiro inseparável.

Nem preciso falar da reviravolta que aconteceu na minha e em nossas vidas a partir daquele dia.

O ano de 2007 foi especial e os outros que vieram a seguir não foram diferentes, tanto quanto aqueles que ainda virão.

Eu acredito e tenho fé em mim e em nós. Por isso, volto a insistir para que tenham fé e que façam do tempo de que dispuserem durante suas vidas o combustível das vossas esperanças. Usem-no para reforçar as bases sobre as quais serão edificadas suas vidas. Ele é irrecuperável e não deve nem pode ser desperdiçado.

Por outro lado, tudo pelo que passamos embora em algumas circunstâncias possam parecer derrotas irrecuperáveis, lá na frente será percebido como mais uma etapa do permanente processo de aprendizado que receberemos da maior das escolas, a escola da vida.

Como não é possível faltar às aulas desta escola, devemos estar sempre atentos para aproveitar ao máximo o que nos é ensinado no dia a dia, pois mesmo enquanto dormimos estamos recebendo informações. São estas as ocasiões em que, conscientes ou inconscientes, repassamos em nossas mentes todos os momentos vividos.

Beijos nos corações de vocês,

Marcelo Augusto Portocarrero – fevereiro/2007

Hoje voltei a sentir um aperto gostoso no coração.

Tenho pensado bastante sobre a empreitada que enfrentamos para comemorar 35 anos de formatura.

Na verdade, foram quarenta e poucos anos de convivência com pessoas tão queridas, como considero todos e todas as pessoas quem tive o privilégio de conhecer, conviver, aprender a respeitar e querer desde os tempos da universidade (muitos até antes disto).

Lembro-me dos momentos inesquecíveis de estudos em sala de aula, dos bate-papos sentados na rodoviária do Bloco de Exatas, das dicas passadas sobre os professores – olha o Laerte faz questão disso e daquilo, o London é rigoroso, o Amorézio é genioso e tantos outros personagens que atuaram de maneira tão importante em nossa formação. Enfim, como não se lembrar nossos queridos mestres com muito carinho.

E os muitos casamentos que começaram naqueles corredores? Só pra citar alguns, lá começaram a pensar na vida juntos o Sidney e a Márcia, o Brito e a Vera, eu e a Clara, o Bosco e a Marisa, o Henrique e a Ivana e por ai vai…

Que dizer então dos temas polêmicos da política daquela época em que alguns colegas já começavam suas caminhadas nessa área.

Também me lembro da forma natural com que alguns de nós, como o Luiz Salvador e a Lilian já deixavam transparecer suas paixões pela carreira do ensino; daqueles outros que desde cedo apresentaram espírito empreendedor e empresarial; dos que demonstravam ter a veia política aflorando, bem como daquele que, como eu, começaram a vida profissional no serviço público acreditando que assim estaríamos contribuindo para a construção de um Estado melhor.

A engenharia tem esta característica especial de ser multiformadora de personalidades, e foi assim que ela se manifestou em nós de maneira tão marcante e maravilhosa.

Marcel Augusto Portocarrero – março/2016

O que nos faz ser tão insensatos?

Alguns têm o desplante de dizer que é devido a nossa origem ser da região a oeste da península ibérica, outros devido a inquisitiva influência religiosa e, pasmemo-nos, culpam até os nativos que aqui viviam antes do descobrimento, nossa principal, verdadeira e natural origem.

Só falta culparem nossa miscigenação. Essa mistura de raças originárias de países tão diferentes, a começar pelos portugueses, passando por espanhóis, holandeses, africanos, japoneses e etc. Será que ficamos no limbo por causa dessa miscigenação?

Perdemos o caráter patriótico que todos esses países têm por não sermos como eles de origem única, raça pura e bem definida? Não, não acredito nisso! Deveria ser o contrário, com tanta coisa boa sendo amalgamada pelo amor e pelo tempo.

Eu não posso considerar nossa extrema incompetência perante a história creditando a culpa somente em nossa origem, em nosso passado. Não podemos permanecer culpando sempre os outros, enquanto ficamos acomodados em nosso canto perante tudo, esperando que alguém venha e resolva, torcendo para que façam por nós o que não temos competência e coragem de fazer.

As vezes, como agora, nos deparamos com essas verdades nuas, duras e cruas, e mesmo assim tendemos a permanecer estáticos, como que entorpecidos.

O que nos faz permanecer assim? Será porque de vez em quando a gente ouve ser alardeado a toda voz que somos um povo abençoados por Deus e bonitos por natureza? Será que vamos continuar acreditando nessa condição especial e permanecer eternamente em berço esplendido?

Foi por agirmos assim que abrimos espaço para que títeres como esse aproveitador que acaba de mostrar sua repugnância por inteiro tenha o desplante de querer voltar a nos dizer o que é certo e o que é errado.

Chega, chega!

Precisamos ser brasileiros de fato. Sem discriminação de cor de raça, de credo, de sexo, de situação econômica e social. Sermos somente brasileiros de verdade e darmos um basta nisso.

É isso! A oportunidade está chegando, outubro está bem alí.

Em respeito aos brasileiros de boa índole.

Se você precisa de alguém para apoia-lo, lhe dar socorro nas horas difíceis, alguém que possa salvar sua vida, a quem você recorre? Como obter este apoio de forma incondicional e despojado de retribuições, favores, pagamentos? Não estou falando de família, estou falando de amigos, colegas, pessoas que lhe tenham admiração.

Procure parceiros verdadeiros. Aquelas pessoas de todas as horas e todos os momentos e que lhe tenham respeito.

É difícil não é mesmo?

Então imagine você precisar de centenas, milhares e até milhões de pessoas com estas características, que voluntariamente, sem interesses pessoais, desapegadas de benefícios diretos e até indiretos, venham ao seu encontro quando sentirem ser necessário estar juntas a você e a outros tantos por sua causa.

É neste momento que você percebe quem sabe a diferença entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o que se vende e o que não se deixa comprar, quem paga por apoio e quem recebe apoio incondicional.

Esta é a diferença entre aqueles que querem um Brasil formado por pessoas livres e que por esse motivo assim se manifestam e aqueles que querem outro país, que precisa pagar pelas presenças, que oferece empregos e não se importa com os desserviços, que cobram os “favores”, que corrompe os mais humildes para que estes, qual massa de manobra, compareçam às manifestações de seu interesse.

Marcelo Augusto Portocarrero – 1/04/2016

O NEGÓCIO ANÁLOGO.

Certo professor e articulista contra o impedimento comparou as pedaladas do governo com a contratação de um projeto de arquitetura. Ao usar do mesmo “estratagema analógico” vou explicar como eu entendo o que ocorreu.

Vou ser mais explicito, de forma a que qualquer cidadão ou cidadã entenda o que aconteceu do meu ponto de vista.

Imagine um prostíbulo, uma casa de tolerância (esse último nome vem a calhar). Agora, considere que a dona ou, se preferir, cafetina do lugar, determine que as três melhores damas do pedaço façam o que bem sabem com alguns frequentadores especiais, mas só que na faixa, anotado na caderneta, como diziam antigamente.

– Vejam meninas isso só acontecerá com aqueles fregueses especiais. É que, de vez em quando, falta dinheiro para eles pagarem a comida da família, a escola dos filhos, o atendimento do hospital o seguro do carro, mas como são gente nossa, da casa, prometo que da próxima vez que vierem visitar vocês vão pagar tudo.

As visitas vão acontecendo, a história de repete, a caderneta vai se enchendo de anotações, o pessoal que “usa e abusa e não paga” vai se apertando cada vez mais, o final do ano chega e as festas de fim de ano também, e com isso tudo acumulado as dividas não podem mais ser quitadas.

Então a turma da administração do puteiro é obrigada a pedir moratória aos credores na Casa-da-Mãe-Joana (*) e têm suas contas ou débitos prorrogados para o ano seguinte. Ai começa tudo de novo.

Uma hora o negócio quebra, aliás, se continuar assim qualquer negócio quebra, não é mesmo?

(*) Casa-da-Mãe-Joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balburdia e a desorganização. Sua origem remonta ao século XIV.

Trazida para o Brasil serviu, por extensão, para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde impera a desordem e a desorganização.

Marcelo Augusto Portocarrero – 03/04/2016

A PERMISSIVIDADE ESTÁ NOS LEVANDO AO DESRESPEITO

A PERMISSIVIDADE ESTÁ NOS LEVANDO AO DESRESPEITO

Todas as vezes que somos tolerantes com situações as quais sabemos estar erradas somos permissivos.

É o que acontece quando observamos nosso comportamento em relação ao transito. Quanto a este assunto somos pródigos em permissividade.

A cada esquina nos a praticamos e vemos ser praticada abertamente. Seja na calçada ou na rua somos permissivos a todo instante. A total falta de respeito a que estamos sujeitos assusta e, consequentemente, mata. Acredite, a falta de respeito no transito é considerada por muitos um equívoco permissível.

Triste verdade até para os que se dizem bem instruídos. Sejamos nós de qualquer credo, raça ou situação social, ninguém respeita nada quando se trata de transito. Neste quesito todos queremos mais é ganhar tempo, como se agindo assim levássemos vantagem.

Sinceramente, é melhor reconhecer que não respeitamos nada, ante assumir que não aprendemos tudo. O resultado disto é o estado de permissividade com que nos habituamos conviver.

A começar como pedestres. Como pedestres, invariavelmente atravessamos as ruas em qualquer lugar. Para nós as faixas exclusivas são um estorvo que se prestam mais à perda de tempo.

O que dizer de nosso comportamento como usuários de transporte coletivo. Aí então, somos mais que pródigos no desrespeito a tudo e a todos. Para que esperar o ônibus no ponto de parada? Eles não costumam parar lá mesmo. Para as empresas concessionárias a parada obrigatória é uma mera formalidade, já que o sinal de transito fica bem ali na esquina e é lá que eles eventualmente param. Dai, aproveitarmos a oportunidade porque os motoristas abrem as portas tanto para quem quiser subir, como para quem quiser descer. Esta situação está tão imiscuída em nossas mentes que chegamos a reclamar quando não acontece. Não é um primor de permissividade?

Quando nos dispomos ir ao ponto de ônibus o agravante é que não vamos com a intenção de respeitar as prioridades. Nestas ocasiões vale a Lei de Gerson, aplicada pelos que primeiro correm para chegar à porta do coletivo. O pior é que o motorista vai abrir a porta para estes cidadãos exemplares de qualquer jeito. Danem-se os que ficaram no “lugar certo” do ponto, Danem-se os mais velhos, danem-se aqueles com problema de locomoção, as grávidas, mães e pais acompanhados de seus filhos menores. Danem-se todos. Que esperem o próximo ônibus!  Olha a permissividade ai, ainda mais escancarada.

Motoqueiros e ciclistas. Nestas condições, como temos certeza da impunidade seguimos rua a fora na contramão, em cima da calçada e sem dar muita importância aos sinais de transito. Aos motoqueiros e ciclista tudo é permitido,… ou será permissível? Sinal de transito é para otários. Quanto à calçada, esse espaço é nosso terreno desde sempre, os pedestres que se danem ou saiam da frente. Pra que faixas exclusivas se nós só a utilizamos quando não estamos com pressa ou passeando nos feriados e finais de semana.

Como as leis de transito consideram os veículos com quatro ou mais rodas os responsáveis pelas vidas dos mais frágeis (nestes casos os pedestres, ciclistas, motoqueiros e passageiros), cabe a eles a obrigação de dirigir para si e para todos. Pois é justamente ai que mora o maior perigo.

Alguém discorda que ao pedestre, ao ciclista e ao motoqueiro tudo e permissível?

Motoristas. Sejam condutores de veículos pequenos ou grandes, particulares ou públicos, quando dirigindo não respeitam nada que não se mostre perigoso aos seus raciocínios permissivistas.

Vejamos um caso emblemático e corriqueiro.

O sinal de transito. Quando nos deparamos como o sinal amarelo ao invés de reduzirmos a velocidade para parar antes da faixa de pedestre, é quase certo que vamos acelerar para passar antes que fique vermelho. A sensação é a de que estamos em uma corrida onde o cruzamento é a linha de chagada e precisamos atravessá-la antes que o sinal feche para ganhar o grande prêmio. Nesta ocasião nossa inversão de valores morais nos faz acreditar que ao passarmos por último seremos os primeiros, os vencedores da corrida contra a hipotética perda de tempo.

Chega a ter torcida dentro do carro, com os passageiros gritando vai, vai, vai que dá… e assim vamos. Incrível e tragicômicamente quase sempre optamos por furar o sinal. Afinal, seria uma perda de tempo inconcebível aguardar o momento correto de ir em frente. Egoisticamente alguns segundos são mais importantes para nós que nossas próprias vidas, que dizer a dos outros.

É triste constatar, mas a permissividade generalizada coloca em risco tudo e todos.

Esta situação é resultado da contaminação pela permissividade existente nos poderes executivo, legislativo e judiciário (em letras minúsculas mesmo, pois assim o são). O pior é que somos estimulados por eles à permissividade quando coíbem a aplicação das leis em benefício de seus mandatos. Basta lembrar o que aconteceu nas manifestações públicas recentes e que continua a  acontecer em qualquer dessas ocasiões que permeiam pelo país afora. Ao manifestante tudo foi e é permitido, afinal trata-se de manifestação espontânea de desagrado com o estado de permissividade reinante. Pelo visto, uma permissividade leva a outra.

Vejamos a situação em que a educação do Brasil se encontra. O conhecimento e a cultura parecem estar sendo transmitidos por uma espécie de difusão por osmose, como se para tanto bastasse frequentar as salas de aulas. Aos alunos tudo é permitido. Estes não podem ser coibidos na pratica de sua criatividade, seja ela construtiva ou destrutiva e pior, não podem repetir o ano letivo. Nossos jovens estão sendo empurrados para frente atendendo a necessidade de melhorar as estatísticas do setor.

Onde foi parar o respeito aos professores e a disciplina? Estes temas não são mais prioridade. Sem respeito e disciplina nada resta senão a falta de educação. Situação esta constatada na qualidade dos homens e mulheres que estamos formando. Há exceções, quando deveriam ser a regra.

O que dizer da saúde, onde permitimos que os parcos recursos sejam destinados a investimentos que priorizam a construções de hospitais megalômanos, preferencialmente implantados nos grandes centros urbanos em detrimento das pequenas unidades hospitalares que, se construídas mais próximas das populações localizadas no interior dos estados resolveriam a maior parte das carências deste setor e, por incrível que possa parecer, trariam benefícios até para os políticos em troca de favores financeiros e eleitorais.

De maneira geral, é isto que acontece com os investimentos públicos quando da contratação de obras públicas voltadas ás instalações e prédios próprios.

A cada dia vemos serem construído suntuosos castelos onde reinam suas excelências para nada ou muito pouco devolverem em troca. Aos milhões gastos na exuberância das edificações públicas sobram centavos destinados à saúde e educação.

No país onde tudo é permissível, o que mais podemos esperar. Respeito?

Marcelo Augusto Portocarrero

Em 27-09-2015.

 

UM BOM EXEMPLO A SER SEGUIDO.

UM BOM EXEMPLO A SER SEGUIDO
As obras de revitalização de parte do centro de Manaus, capital do Estado do Amazonas, começaram  em novembro de 2015. Antes de seu início a Prefeitura  se reuniu com os empresários e moradores da região sob influencia das obras e traçou estratégias para a execução dos serviços.
O objetivo é recuperar o pavimento original das vias através da remoção do pavimento asfáltico até o nível dos paralelepípedos originais, bem como sua drenagem.
De acordo com o prefeito a Avenida Eduardo Ribeiro ganhará de volta seus aspectos originais, do século XIX. “O Centro é a raiz do turismo, é a raiz da cultura e a raiz da nossa história. Manaus estava se desapegando do seu Centro Histórico e de suas raízes, por isso estamos trabalhando em sua revitalização. Essa é uma obra de grande significado para nós. É importante para quem preza todas as raízes que estão naquele Centro”.
Aprovado pelo IPHAN o projeto apresenta soluções alternativas para o transito da região, o que irá reduzir eventuais impactos junto aos moradores e frequentadores da área central da capital manauara. Entre as soluções propostas esta a implantação de tapumes para delimitar o perímetro das obras de sarjeta a sarjeta, de modo a não comprometer as calçadas.
Assim, a recuperação das calçadas será feita após o fechamento das atividades comerciais, deixando os trechos de calçada que estiverem com obra em andamento para ser atacado durante o dia protegidos por pranchões de madeira, de modo a deixar o  fluxo de pedestres liberado.
Alguns detalhes do projeto obtidos no site da prefeitura Municipal de Manaus:

  • O projeto de requalificação da Avenida Eduardo Ribeiro envolve sondagens e prospecções em toda sua extensão para o resgate das pedras de lioz e os paralelepípedos que revestiam a via de rolamento.
  • As prospecções nas calçadas serão em até dez centímetros de profundidade, resgatando, também, o meio-fio de pedra de lioz.
  • Onde não for encontrado o pavimento original, um trabalho com bloco de concreto pigmentado será executado.
  • Aproximadamente 8% das calçadas da avenida possui revestimento aparente de pedra de lioz. Por essa estimativa, o projeto reutiliza essas pedras em uma nova paginação, tipo mosaico, onde se assentam pedras inteiras em posições diferentes, ao longo de toda a avenida Eduardo Ribeiro.
  • As superfícies da calçada que não apresentarem revestimento em pedra lioz serão complementadas por pedra de quartzito, com vocação para ambientação à  moda antiga, sem uso de grafismo ou cunho moderno.
  • Com relação aos trilhos do antigo bonde, será feito um grande esforço para que sejam resgatados e colocados de forma aparente na superfície da caixa viária, sem interferir na mobilidade.
  • Serão implantados canteiros com árvores em ambos os lados na faixa da calçada com gradil de proteção em ferro.
  • Próximo às esquinas, serão adaptadas rampas e faixas para acessibilidade dos pedestres.
  • Quanto ao mobiliário, os balizadores serão de formato esférico em concreto aparente e, colocados nas esquinas de todos os cruzamentos.
  • A iluminação dessas esquinas será feita com a implantação de postes do tipo Cajado de São José nas calçadas, a 50 centímetros do meio-fio.
  • As calçadas também receberão em toda a sua extensão iluminação decorativa.

Como diz o título, é um bom exemplo a ser seguido, pois Cuiabá precisa recuperar suas características, a começar por trazer de volta o pavimento em paralelepípedo que entre outros benefícios gera segurança, na medida em que induz os veículos a trafegarem em velocidade adequada ao transito, além de contribuir decididamente para minimizar os efeitos de aumento da temperatura que o asfaltamento das ruas e avenidas da cidade trouxe desde que este procedimento passou a ser utilizado.

Marcelo Augusto Portocarrero – 30/nov/2015

A ORDEM DOS FATORES

Na aritmética a ordem dos fatores não altera o produto.

Em que pesem as discussões filosóficas sobre o axioma, a verdade é que em políticas públicas ele nem sempre é aplicado.

A essa “necessária ordem dos fatores” o governo pouco tem dado importância nos últimos anos, daí vivermos hoje o resultado dos erros insistentemente repetidos em relação a essa questão.

É fácil perceber que erraram ao promover incentivos ao consumo sem que estivéssemos preparados para produzir o que almejavam fosse consumido.

Não havendo preocupação concretas com a ordem dos fatores, de nada adiantou tentar exercitar o axioma. Quem disse que a ordem dos fatores não altera o produto certamente não estava falando em políticas públicas. No nosso caso tupiniquim foi como tentar fazer com que a flecha lançasse o arco.

O incentivo ao consumo interno deveria ser precedido ou ao menos acontecer concomitantemente ao incentivo à produção interna, a investimentos em infraestrutura e em programas de processamento das nossas commodities antes de exportá-las in natura, posto que tivemos a oportunidade e pouco fizemos neste sentido. Tivéssemos agido assim, teríamos agregado valor aos nosso produtos e gerado emprego nos processos produtivos e industriais, reduzindo proporcionalmente o risco de desabastecimento, desemprego, inflação e etc. Isto tudo, sem falar nas possibilidade de gerar divisas para investimentos nos setores prioritários, mas sempre deficitários da saúde, educação e segurança.

As cadeias produtivas deveriam ter sido incentivadas através de parcerias internas e externas, onde as nossas carências seriam minimizadas através de importação de tecnologias, equipamentos e conhecimentos de países desenvolvidos e em desenvolvimento como nós, mas infelizmente não foi isso o que aconteceu.

Com uma economia momentaneamente superavitária devido ao “boom” das commodities graças ao aumento do consumo em economias  emergentes (caso da China) o mundo se mostrava pronto para nós.

Parecia até que o país estava definitivamente resolvido, tanto que o governo  sentindo-se como uma potência econômica em ascensão, iniciou junto a economias tão ou mais deficitárias que a nossa uma política externa paternalista  ao mesmo tempo em que nos afastava das fortes economias que tradicionalmente tínhamos como parceiras.

Resumindo, entre outras coisas o que vimos foi a deterioração da indústria nacional devido a falta de políticas públicas voltadas a capacitá-la para atender a demanda interna gerada. Só assim teríamos feito frente à invasão de produtos importados para saciar o exacerbado consumo interno daqueles tempos.

Marcelo Augusto Portocarrero – Engenheiro Civil (UFMT)

DEU NO QUE DEU – O Jardim virou Praça.

pcaalencastro-0[1]Praça Alencastro – vista da Prefeitura

Agora, toda vez que passo pela Praça Alencastro me lembro do livro Tempos Idos Tempos Vividos de autoria de meu saudoso mestre e sogro, Coronel Octayde Jorge da Silva.

Relendo suas crônicas, encontrei várias referências à Praça Alencastro, rememorei que aquela praça fora antigamente um majestoso jardim antes das transformações por que passou, tanto que era conhecida pelos mais antigos como Jardim Alencastro.

Na verdade, aquele espaço começou a ser desfigurado anos atrás o que aos poucos o transformou em praça. Desde então, o “Jardim Alencastro” nunca mais foi o mesmo.

Eu o conheci no início da década de sessenta, antes de ser reformado para receber o chafariz das águas iluminadas. Daquela vez acabou por perder seu bucólico encanto, juntamente com o coreto, transladado que foi para a Praça Ipiranga.

Para completar, boa parte de suas árvores e plantas foram substituídas por outras, sem o mesmo viço e formosura, como diria o Coronel Octayde. Entretanto, creio que o que mais faz falta aos cuiabanos (escrevo isto porque a mim faz) são os bancos. Como sinto falta daqueles bancos, tão harmoniosamente distribuídos em seu entorno e nos caminhos que permeavam por seu interior. Alguns tinham até personalidade própria, vez que recebiam gravuras com propagandas e, em certos casos, os nomes das famílias doadoras. Com formato anatômico e aconchegante estavam quase que permanentemente ocupados por grupos de pessoas que neles se sentavam para passar as horas em bate-papos sem fim, Isto sem falar dos casais de namorados se aninhando em cochichos amorosos.

Eram assentos democráticos onde se tratava de tudo, mas principalmente de política, já que fazia vezes de jardim do Palácio Alencastro, sede do governo estadual e que lhe emprestava o nome. Aqueles bancos também emprestavam à praça ares de antessala das inesquecíveis calçadas cuiabanas, tal como era o costume nos fins de tarde da Cuiabá de antigamente, a Cuiabá dos tempos da antiga Praça Alencastro.

Isso sem falar das deliciosas horas de alegria e confraternização de todos que a frequentavam nas noites de domingo logo após a missa na Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá, quando íamos passear em suas inesquecíveis calçadas antes de ir para casa ou tomar outro rumo nas deliciosas noites cuiabanas daqueles tempos.

Assim como seus bancos as cadeiras nas calçadas tomaram sumiço, neste caso devido à insegurança dos tempos modernos. Vai colocar cadeira pra sentar na calçada hoje em dia pra ver o que acontece!

Pois é! Deu no que deu. Estas e outras “cousas”, como também diria o Coronel, de há muito tempo passaram a ser só saudades.

Marcelo Augusto Portocarrero – nov/2015