O ímpeto e a coragem

Quando jovens, aquela fase da vida que vivemos logo após a infância, época da curiosidade que nos levava a meter o nariz em quase tudo o ímpeto era o combustível que nos movia para a frente.

É prazeiroso lembrar de quando tínhamos que nos acotovelar com quem se metia a disputar conosco um lugar, fosse ele em uma fila para comprar uma entrada, no gargarejo de um show do Projeto Pixinguinha ou mesmo nos festivais de música popular.

O que dizer então das disputas esportivas, nas partidas interclubes e nos jogos universitários daquela época em que no auge da juventude usávamos nossas forças física, técnica e tática para enfrentar e vencer adversários.

Essa motivação natural, a impetuosidade, também foi muito importante no início de nossas vidas profissionais. Ela nos fez buscar por objetivos muitas das vezes sem a necessária reflexão sobre qual decisão tomar ou o caminho a seguir. Bastava surgir uma oportunidade e lá íamos nós à luta enfrentando os obstáculos plantados por aqueles que se valiam das influências sociais e políticas.

As justificativas para esse tipo de procedimento e o enriquecimento ilícito sempre fluíram fácil no raciocínio segundo o qual o que importa é ganhar mesmo que para isso seja preciso vender a alma ao diabo. Coisas daqueles que obtêm sucesso através de suas relações com os facilitadores do dia a dia, configurado assim o normal deles.

Conhecimento, caráter e honestidade eram nossas credenciais e ainda o são, entretanto, assim como antes ainda têm pouco valor nos esquemas montados por aqueles que fizeram do contrário seu “modus operandi”.

As exceções são as raras formas honestas de ser que sempre existirão não só para confirmar a própria natureza etimológica do termo honestidade como também para expor a dinâmica das ligações externas, sejam elas políticas, sociais e familiares, principalmente quando o objetivo é facilitar as coisas.

Trata-se de um procedimento desleal do comportamento humano e que permanece entre nós sendo utilizado pelos fracos de caráter configurando-se como verdadeiro trampolim profissional, quando não em salva-vidas dos incompetentes.

Assim era e continua a ser no raciocínio genérico do cada um por si e Deus por todos mesmo sabendo que não passa de uma contradição à realidade em relação à desejada intervenção divina. Mas Ele, que nunca interviu nesse sentido, sempre estará acompanhando nossos passos estejam eles nós levando em sua direção ou mesmo nos afastando dela.

Graças a Deus, apesar dos pesares, praticamente tudo deu certo principalmente quando lembramos que coroando aquela fase extraordinariamente dinâmica de nossas vidas a coragem sempre esteve presente. Com ela vencemos desafios e superamos obstáculos.

Certo é que em determinado momento a coragem se uniu à paixão e juntas nos levaram a encontra o amor das pessoas com quem construímos nossas famílias.

O ímpeto é o impulso que nos move inesperadamente. Ele é capaz de fazer vencer barreiras.

A coragem é como uma virtude. É a capacidade extraordinária que desenvolvemos para ir em frente, mesmo que com medo.

Um comentário sobre “O ímpeto e a coragem

  1. O Ímpeto e a Coragem, sempre estão presentes em nossas ações, a intensidade com que temos essas atitudes são de acordo com a idade que vai mudando. Estes atributos variam de pessoa para pessoa, influenciados principalmente, pela educação recebida de nossas famílias, com seus preceitos, valores e exemplos, que nos nortearão nas nossas tomadas de decisões. Hoje, com a idade chegando e vendo o Ímpeto se desvsnecendo e a Coragem ficando mais prudente, as vezes nos pegamos pensando nas pessoas que utilizaram estes atributos com carga de influência política ou desonestidade e hoje com mais sucesso que a gente, pelo menos aparentemente, bate aquele pensamento, será que o “cavalo encilhado da oportunidade” passou por mim e eu não montei?

    Curtir

Deixar mensagem para Vera Maria Moura Mendes Cancelar resposta