É fundamental termos consciência de que nossos passos, ações e até falas podem ser interpretados de forma equivocada por aqueles que não compreendem a entrega desinteressada e a boa vontade. Para muitos, a disponibilidade e o desejo genuíno de contribuir não são vistos como atos de boa-fé ou de se fazer presente quando necessário, mas sim como movimentos motivados por outros interesses, geralmente escusos. Essa percepção distorcida é comum, especialmente entre aqueles que se sentem ofuscados por quem busca exercer tais predicados. Trata-se do ônus da eficiência.
Minha trajetória profissional trouxe essa sensibilidade a duras penas. Corroborando para as considerações acima, lembro-me de quando, exercendo assessoria em uma Secretaria de Estado, busquei, eu mesmo, agilizar processos atrasados devido à lentidão interna. Na ocasião, fui interpelado por um diretor do órgão, que classificou minha busca por agilidade como “impertinência perturbadora do ritmo natural das coisas”. Uma evidente demonstração de que, para certas pessoas, a eficiência incomoda.
Em outro momento, este como consultor, vivi o constrangimento de ser “zeloso demais”. Pois bem, ao me trajar formalmente para a apresentação de um projeto, enquanto meu contratante optou por um estilo esportivo, as atenções que deveriam ser para ele se voltaram para mim, desde nossa recepção pela assessoria do orgão. Mesmo me esforçando para colocá-lo em evidência e passar-lhe a palavra constantemente, o jantar que se seguiu foi de cobrança e amargura. Havia um desconforto da parte dele com o destaque conferido ao projeto e à minha figura técnica, algo que fugia ao seu e ao meu controle.
Episódios como esses se repetiram em outras ocasiões, no entanto, o golpe mais recente é o que mais dói. Nele, um amigo de longa data sentiu-se desprestigiado em um trabalho onde estávamos envolvidos. O que ele não percebeu, apesar de meus inúmeros alertas, é que a eficiência sem interesse é muito diferente daquela movida por outro motivo, principalmente a vaidade.
O erro de quem se sente diminuído em ocasiões como essa, mesmo sendo proativo, reside em não compreender que o reconhecimento exige mais do que apenas “fazer”; exige discrição, responsabilidade e discernimento. A importância de ser considerado eficiente passa, obrigatoriamente, por não se tornar inconveniente.
Aí reside o abismo entre quem busca espaço e quem ocupa espaço. De nada adianta tentar cortar caminho ou tomar a iniciativa quando não se tem a sensibilidade de entender a importância do trabalho em equipe. Infelizmente, nem todos estão prontos para ouvir que o maior obstáculo para o sucesso, muitas vezes, é a própria incapacidade de caminhar com temperança.
