A Verborragia na Política

Como a Verborragia Eleitoral Confunde o Eleitor e Anestesia a Democracia

Hoje em dia, devido às campanhas políticas visando as eleições deste ano, os discursos políticos estão se espalhando como poeira ao vento, aquela do tipo que propõe abrir os olhos, mas que acaba por turvar a visão dos eleitores menos agraciados devido tanto à péssima qualidade do ensino, quanto à ação deletéria dos ideologistas de plantão nas escolas públicas, onde o pensamento crítico é preterido em prol da militância. Por essa razão vemos acontecer o que podemos chamar de forma espirituosa — na fonética das palavras — para fazer uma crítica bem-humorada à retórica de ambos os lados das principais correntes ideológicas do momento.

Diante desse cenário de cegueira induzida e desinformação, a ironia e a análise linguística surgem como ferramentas valiosas de diagnóstico e de preservação da lucidez social. É por essa razão que vemos surgir — de forma espirituosa — um trocadilho fonético refinado. Utilizando a própria sonoridade da língua portuguesa para desconstruir a falação dos dois lados quanto à regra de ouro do uso da palavra para não ser enganado no comício é simples: quando for reclamar de um discurso excessivamente longo e cansativo, não se esqueça de que prolixo é o orador de direita, enquanto pró-lixo é o de esquerda.

Quando observamos o lado da direita, lado conservador e liberal-burocrático, percebemos que o termo “prolixo” encaixa como uma luva na forma de falar dos seus representantes. O comício vira uma maratona de termos difíceis, citações de leis e uma linguagem engomada que parece feita para afastar em vez de aproximar. O grande erro aí não está no fundamento, mas na forma. As propostas da direita, voltadas para o trabalho, a responsabilidade com o dinheiro público e a ordem, são perfeitamente possíveis de colocar em prática e trariam benefícios reais para a vida do cidadão. O problema é que o proselitismo exagerado e o excesso de conversa enfeitada podem criar uma barreira indesejada. Ao não adaptar o discurso para uma linguagem direta, simples e clara, o orador de direita acaba não conseguindo mostrar o valor do seu projeto justamente para o leitor e eleitor de menor alcance intelectual, que é quem mais se beneficiaria de soluções concretas para o seu dia a dia e menos entendo o valor da proposta.

Já no lado da esquerda, o de espectro progressista, quando colocamos o hífen e chamamos o orador de “pró-lixo”, a estratégia muda de figura e revela um plano muito mais calculado. Aqui não se trata de uma simples dificuldade de comunicação, mas de um uso malicioso da linguagem. O orador sobe ao palanque cheio de energia, faz gestos largos e usa palavras que emocionam, mas o conteúdo do seu discurso nada mais é do que refugo de ideias velhas — propostas que já foram testadas, falharam e só trouxeram atraso e prejuízo por onde passaram. E por que ele insiste nisso? Porque sabe que o seu público-alvo foi cuidadosamente preparado, ao longo de anos de doutrinação nas salas de aula, para aceitar slogans sem raciocinar. Esse eleitor foi moldado justamente para não entender a lógica das coisas e, por consequência, não ter capacidade de questionar o que está ouvindo. A esquerda se aproveita dessa fragilidade para vender ilusões embaladas como bondade. Parafraseando Cazuza: é onde mentiras sinceras (que não são percebidas) interessam.

Essa combinação cria um cenário muito perigoso para o nosso país. De um lado, temos ideias que funcionam e que poderiam mudar a realidade do povo, mas que ficam escondidas atrás de uma enrolação cansativa e distante da realidade do trabalhador comum. Do outro lado, temos uma fábrica de discursos vazios e enganosos, projetados para tirar proveito da falta de preparo de quem nunca teve acesso a uma educação de qualidade e que foi treinado apenas para obedecer e bater palma.

No fim das contas, a diferença entre os dois lados fica evidente para quem consegue enxergar além da poeira da propaganda. A direita peca por não saber explicar com simplicidade aquilo que é bom e exequível, enquanto a esquerda se aproveita da ignorância que ela mesma ajudou a cultivar para empurrar propostas imprestáveis. Quando a escola falha em ensinar o cidadão a pensar com a própria cabeça, a política vira esse teatro de sombras. Aprender a identificar essas armadilhas no tom de voz, na escolha das palavras e na intenção de cada palanque é o único caminho para o eleitor rasgar a cortina da enganação, exigir respeito e finalmente escolher o melhor destino para a sua família e para o Brasil.

Deixe um comentário